domingo, 22 de maio de 2016

COMPLICADA



Hoje não se fala de alegria...

A semana que começa é uma semana complicada para a família.

Para a que resta... A morte dos entes queridos acontece...

Chora-se e continua-se... Por muito que doa...

Não há consolo em frases como " foi melhor para ela"...

Porque realmente a minha Mãe estava a sofrer, mas às vezes, pergunto-me 

se ela não terá simplesmente desistido...

Ou se foi o Mundo, que ela dizia já não conhecer, que desistiu dela...

Eu sei que não desisti dela... E a nossa relação não era nada fácil...



2 comentários:

Graça Pires disse...

A relação mãe e filha nem sempre é tão fácil como devia ser. Mas a morte deixa sempre uma ausência insubstituível... Há que ter coragem, Marta.
Um beijo.

Helena Medeiros Helena disse...

Marta, minha querida, se analisarmos bem as situações descobriremos que nenhuma relação é fácil, pois envolve pessoas de diversas personalidades, de naturezas díspares, e que ao longo da vida adquiriram um modo de vida único. Todo relacionamento para se processar de forma a agradar as partes tem que conter adaptações. Há que se agir com disposição para ceder, compreender, perdoar, se necessário for. Não é diferente na relação mãe e filha onde se pressupõe que apenas o laço de afetividade, por ser maior, possa sanar quaisquer dificuldades surgidas. Existem sim, e não são poucos, os relacionamentos conflitantes entre mãe e filha.
Nunca tive problemas na minha relação filial, ao contrário, tivemos eu e minha mãe um relacionamento amoroso, equilibrado, respeitoso, que me faz sentir a sua falta até hoje, decorrido tanto tempo do seu falecimento. Mas convivo com pessoas que vivem este tipo de desavença e que guardam mágoas, tanto a mãe quanto a filha, e que não conseguem se relacionar de uma forma amigável. Não faço julgamentos e apenas procuro ouvir as partes fazendo pontuações uma vez ou outra, no intuito de ver sanado o conflito que existe entre as duas, para que ambas possam sentir no decorrer da vida a paz de que tanto precisam.
Mas tu, minha linda, não deve carregar o peso da perda como se fosse um fardo, pois bem sei que deves ter feito todo o possível para que a relação mãe/filha fosse a mais cordial, agradável e sensata possível. Dá para notar que tens um coração afetuoso e deves focar na certeza de ter feito o teu melhor. As pessoas partem no momento em que tem de partir, independente de terem ou não “desistido” da vida. As frases que nos dizem no intuito de consolar não conseguem romper a barreira da saudade, do adeus, das lembranças. Resta apenas conviver com a situação da melhor forma possível, buscando dentro de nós a aceitação e o consolo tão necessários ao nosso equilíbrio emocional. O tempo é nosso aliado e sabendo que em algum momento a memória será focada apenas nas boas lembranças fica mais fácil conviver com a perda.
Fica com meu carinho, meu anjo, e que uma estrela esteja sempre a guiar os teus passos.
Helena