sexta-feira, 18 de setembro de 2009

OUVIDOS DE MERCADOR


Encontras-me.
Apesar dos véus,
em que enrolei a minha vida.
Apesar de esconder o verdadeiro olhar
na sombra de memórias dolorosas.

Encontras-me.
Apesar de te olhar desconfiada
e da pergunta assustada
"O que me queres?"
que não faço,
mas que ouves,
com ouvidos de mercador.



(Foto : Submissão, Nelson Perez)
(Textos protegidos pelo IGAC - Cópias proibidas)

8 comentários:

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

"mas que ouves,
com ouvidos de mercador"... Lindo, Marta!
Já publiquei o seu poema, apenas mudei. Publiquei "Dedica-me" e um chorinho meu.
Espero que goste.
Beijos, querida,

PS: Vou correndo publicar no meu Blog, a última!

uminuto disse...

E se mesmo assim te encontrar, que bom que é!

avlisjota disse...

É sempre agradável encontrar algo principalmente se desejamos esse algo...

Beijos

José

pin gente disse...

não sei o te quero,
provavelmente nada!
ainda assim procuro-te na noite.
não estando lá, não me quero saber ausentes dos teus dias.
não sei o que te quero, ou se te quero!
por vezes parece que não te quero nada e que te quero tudo do nada que te deixo.
por vezes não parece nada e a ti tudo te parece este meu nada querer.
pois se nem eu sei o que te quero neste tanto querer de nada te querer.


um beijo, marta e obrigada por teres estado a meu lado
luísa

Graça disse...

"Encontras-me/Apesar dos véus,/em que enrolei a minha vida". Os teus últimos poemas são lindíssimos, Marta.

O anterior comentei, lá no Poesia, e é de uma beleza tão simples. Este de um dizer tão profundo. Gostei muito.

Um beijo, Marta.

Fernando Santos (Chana) disse...

Olá Marta, bela poesia...Espectacular....
Beijos

Sofá Amarelo disse...

Há um poema muito bonito que diz: 'procuro e não te encontro, mesmo quando estamos frente a frente, eu olho e não te encontro...'

DE-PROPOSITO disse...

com ouvidos de mercador.
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Tenho as minhas dúvidas sobre este dito popular.
Eu tenho o pressentimento que é 'ouvidos de marcadador', e está relacionado com a escravatura, com os momentos em que os escravos eram marcados pelo carrasco.
Eo carrasco não ouvia os gritos lancinantes dos desgarçados que nada fizeram, a não ser a infelicidade terem nascido. É incrível que a religião não se opunha a estas práticas bárbaras, chegando mesmo a praticá-las através do tribunal da inquisição.
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Felicidades.