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PEDRO PARTE II

  As minhas irmãs apoiam a minha decisão, a Teresa até me oferece o livro de culinária que acaba de publicar. Sabes que eu sei cozinhar? lembro, por causa dos problemas com a Laura, se não o fizesse, eu e o Miguel morríamos à fome! Que exagero! interrompe a Carolina, estivemos sempre presentes, a apoiar-te! e rimos-nos. O António e o Gonçalo ajudam-me a embalar as coisas, aluguei um T2, um quarto para mim e outro para os miúdos, explico, quando o Miguel estiver comigo, a Maria Rosa fica cá. A Beatriz não quer que estejam juntos! Isso é um absurdo! exclama o António, são irmãos, têm que aprender a conviver um com o outro, vão crescer como estranhos! Encolho os ombros, não me estás a dizer nada que eu não tenha dito à Beatriz, confesso, mas ela está irredutível! Nem parece ser uma psicóloga, diz o Gonçalo, não a escolheria para minha médica! Não me inspira confiança, desculpa a franqueza! Compreendo o teu ponto de vista, mas ela está a defender a filha dela, continuo, mas o António a...

PEDRO

  Não sei se aceitar este novo emprego foi uma boa ideia. Estou longe dos meus filhos, das minhas irmãs; adoro aqueles almoços de domingo, falamos todos ao mesmo tempo, estamos felizes por estarmos juntos. É o caos total, a Beatriz confessou-me uma vez que não se sentia à vontade no meio de tanta gente e às vezes, desculpava-se com o trabalho em atraso e não ia. Depois, o comportamento do Miguel piorou, tive que o inscrever num colégio interno e naquela noite de tempestade, os meus ex-sogros telefonaram-me a dizer que a Laura fugiu da clínica. Ela já voltou para a clínica, foi instalada num área com mais vigilância, mas ainda não sabemos bem como é que ela conseguiu escapar. Eu e a Beatriz tivemos uma grande discussão por causa disso, ela já não é problema teu, gritou, mas continua a ser Mãe do meu filho, respondi e a minha companheira calou-se. Vivemos num ambiente tenso, quase hostil nas semanas seguintes e foi então que recebi a proposta desta empresa. Implica mudar de cidade, e...

A CASA DE FÉRIAS FIM

  Tal como o Gustavo previa, a casa fica pronta no início de Verão, faltam apenas algumas peças de mobiliário, a Carolina pede desculpa por isso, mas a Teresa nem quer ouvir. Podemos ficar lá, diz, o essencial está feito, por isso, não te preocupes! O Gonçalo leva uns amigos, a Francisca também, temos que concluir o projecto da horta, explica e por isso, acampam todos no terreno, só utilizam a casa de banho e participam nas refeições, a Teresa impôs essa regra, se são férias em família, pelo menos, ao jantar estamos juntos! exige. Exploramos o parque, as redondezas e ao fim da tarde, instalamos-nos no alpendre, como lhe chama a minha mulher, a ler, a conversar, a beber um copo de vinho fresco. A Sofia preocupa-nos, pois ou passa parte do dia fechada no quarto a trabalhar " no meu romance" ou sentada no parque com um livro. O resto do pessoal passa a tarde a explorar o parque, faz passeios de canoa, comenta a Teresa, não sei onde vão buscar tanta energia depois de estarem toda...

A CASA DE FÉRIAS PARTE V

  O projecto é aprovado, o pedido de empréstimo também e a " casa de férias" é o tema favorito nas reuniões familiares. A Carolina faz questão de ser ela a encarregar-se da decoração, não te preocupes! Conheço-te muito bem e depois, a casa deve pedir uma decoração rústica! diz. O Gustavo vai reformar-se no próximo mês, posso tomar conta da obra, resolver pequenos problemas, afirma, ocupo o tempo. estava a começar a ficar um pouco stressado a pensar que não ia ter tanto caos na minha vida! Se não te importas, comento, mas o meu cunhado abana a cabeça, dá-me uma palmada nas costas, nada! Há um parque perto, não há? pergunta, até posso levar os netos e deixar que andem por lá a correr e a saltar. Até é bom que o Gustavo esteja presente, confesso à Teresa naquela noite, é o mês dos impostos, fechar contas e o Gonçalo vai viajar em negócios! O meu cunhado prova ser uma mais-valia, resolve os problemas que surgem com eficácia e eu respiro aliviado. De vez em quando, vamos até lá pa...

A CASA DE FÉRIAS PARTE IV

  Sabes onde estão a tua irmã e a tua prima? pergunta a Teresa, o Gonçalo encolhe os ombros, acha que a minha irmã está a escrever debaixo de uma arvore, está armada em artista incompreendida, diz, e a Francisca foi fazer uma caminhada. Sozinha? interrompo, e deixaste ir sozinha? Que imprudência, Gonçalo!!! mas o meu filho volta a encolher os ombros, não me preocupava com isso! A Francisca tem um bom sentido de orientação e não é nada parva! acrescenta. Suspiro, não compreendo toda esta indiferença, estou indeciso, não sei se a devo ir procurar, mas a porta abre-se, é o meu irmão, o arquitecto, seguidos pela Francisca. O Gonçalo e o arquitecto conversam animadamente, depreendo que este já tem um plano e a minha sobrinha está descontraída, sorridente, aceita uma chávena de chá e um croissant. Então? pergunto, aqui o Amadeu tem ideias geniais, exclama o Gonçalo, espera até que explique o layout quando estiver pronto. Oh, tio Gonçalo, o meu quarto tem que ter vista para a serra, comen...

A CASA DE FÉRIAS PARTE III

  Então, é uma boa ideia, continua, eu renovo aquele anexo, faço um apartamento interessante para mim e para a Francisca e tu e a Teresa ficam com a casa principal. Mas primeiro que tudo, vamos ver se temos que pedir empréstimo ou nada, ver quem nos apresenta o projecto mais interessante. Não me atrevo a dizer mais nada, estou aliviado, comovido, não sei bem definir o que sinto. A Teresa nem quer acreditar, fica em choque, mas ouve atentamente os planos do Gonçalo. Com o Gonçalo a entrar, concluímos que, pelo menos, nesta fase do projecto, não temos que pedir empréstimo. Ainda ficamos com algum que podemos usar na renovação, diz a Teresa, mas não concordo, para já, vamos deixar esse dinheiro quieto, utilizamos só para uma emergência, sugiro, depois vemos. Sabias que o Gonçalo tinha assim tanto dinheiro disponível? pergunta a minha mulher, não, mas também não me surpreende, ganha-se bastante em publicidade e o Gonçalo trabalha com boas marcas. Apenas o nosso filho Gonçalo fica entus...

A CASA DE FÉRIAS PARTE II

  Não voltamos a falar da casa, mas sei que a Teresa está feliz, estabeleceu uma nova rede de contactos, trouxe uma pequena remessa de produtos e até já está a planear uma sessão de degustação. Eu acho que cometi um erro, talvez devesse ter falado com a imobiliária e por isso, convido o meu irmão para almoçar, para ter uma outra perspectiva do assunto. O Gonçalo entra no restaurante, confiante, sorridente, indiferente aos olhares de admiração que as mulheres lhe deitam, mas eu conheço-o bem, sei que está a observar tudo atentamente. Trocamos um sorriso cúmplice, um abraço, o meu caro irmão está com um problema, diz, para me convidar para almoçar! Era lá capaz disso! protesto, mas sim, tenho um problema e preciso da tua opinião, confesso. O Gonçalo ouve-me atentamente e só fala quando tem a certeza de que terminei, oh, pá, para quem lida com números, às vezes és mesmo idiota! comenta, ainda não tens dados nenhuns para tomar uma decisão. Como é que sabes se tens que pedir ou não empr...