Mensagens

O FILME - PARTE IV

No dia seguinte, ao almoçar com um amigo, explico-lhe tudo sobre a minha ideia. Ele ouve atentamente, talvez satisfeito pela conversa ser finalmente sobre alguma coisa que me apaixona e sugere: " Mas porquê escrever um argumento? Porque não um conto? Tens duas personagens, uma ideia do que vai acontecer... Porque não tentas? " " Achas? " pergunto, admirada e ele sorri.  " Claro que sim! Colocas os teus personagens numa determinada situação e imaginas a reacção deles. Não disseste que um deles quer " apimentar" os livros que escrevem? Um clube de strip é capaz de ser uma boa ideia...." diz. " Mas não sei nada sobre Clubes de Strip!" admito, mas o meu amigo não desiste e incentiva-me a fazer pesquisas no Google, no YouTube. " És boa rapariga, mas não compreendo essa tua mania de dizeres sempre que não. Depois até consegues, mas a tua primeira reacção é sempre dizer não." concluí. Despedimo-nos à por...

O FILME - PARTE III

Aqui diz que um argumento é " um documento que precede o guião". Por isso, é a história em si... Ok, já compreendi.... "Qual é a história que quero contar?" Pergunto-me com a caneta no ar e a folha pronta para o primeiro rabisco. " Carolina e Jorge, uma dupla de escritores em crise. Em crise como casal e como escritores. " acrescento.  "Mas o que é que eu sei sobre crises matrimoniais?" interrompo-me. As discussões dos vizinhos à horas impróprias? Ou as que surpreendemos nos passeios? " Jorge quer mudar a estratégia do próximo livro. Diz ele que os enredos começam a ser repetitivos e têm que introduzir fantasia, sensualidade, erotismo. Carolina está apreensiva; está fora da sua zona de conforto. Mas Jorge assegura-lhe que é exactamente isso que falta. Nos livros ou em nós como casal? Pensa Carolina, sem se atrever a dizer alto." Releio as frases e gosto. Gosto mesmo muito.... Se não fosse a discuss...

O FILME - PARTE II

MAS TENHO QUE FAZER QUALQUER COISA!!! Decido.... Porque não posso continuar a escrever em maiúsculas para exprimir toda a minha indignação, frustração...  Sei lá o que hei-de dizer mais... Resolvo, então escrever um argumento para um filme.  Isto significa que tenho fazer alguma pesquisa. Porque não sei realmente como escrever um argumento... Bastará ter uma boa história? E o que devo fazer relativamente a personagens? Fortes, problemáticos? Estou tão habituada a falar na primeira pessoa... Faço uma pesquisa no Google... Ai, o que é isto? Guião, Roteiro, Argumento.... É a mesma coisa ou há alguma diferença? SOCORRO!!! Lá volto eu a escrever em maiúsculas... CONTINUA

FILME

Se a minha vida dava um filme??? Só se fosse um filme de terror, daqueles que faz com que se salte da cadeira e grite... Porque é isso que tenho vontade de fazer: GRITAR com letras maiúsculas.  Sabem o que quero dizer? Porque é impossível que tudo corra mal todos os dias....  Não haja uma palavra de alento, de confiança, de simpatia... Está tudo doido, só pode dizer... Talvez eu já esteja a ficar contagiada por essa loucura...  Até já nem me apetece ler um livro.... Eu que adoro livros!!! CONTINUA

AGAPITO - O FIM

" Com o que se diz..." disse o Livramento e, como o Agapito continuava perplexo, acrescentou: " Digamos que alguns dos meus negócios não são assim tão claros como este, compreendes? Não te preocupes! Está tudo controlado." e saiu apressadamente. Como se tivesse visto o Diabo! O Agapito sentou-se e ficou imóvel por uns minutos. Na sua mente, já se via numa cela minúscula como mostram os filmes americanos. Quem era o Francisco Livramento na realidade? O que é que sabia sobre ele? De que negócios estava ele a falar? Drogas? Lavagem de dinheiro?... Agapito deu um murro na mesa.... Claro que era lavagem de dinheiro... Como é que pode ser tão ingênuo ? O que é que devia fazer agora? Fazer dos ginásios um sucesso e mantê-los fora d e qualquer investigação policial. E foi bem-sucedido até ao dia em que o Li vramento lhe ped iu para confirmar o áli bi e foi interrogado pelo Inspector Leandro.... FIM   

AGAPITO - PARTE II

Entusiasmado com a ideia, Agapito entregou-se de corpo e a alma ao novo projecto e passados alguns meses, o ginásio estava a funcionar em pleno. Incentivado pelos pais, o Agapito terminou o Mestrado em Ciências Desportivas e matriculou-se num curso de Gestão. Estava a ter sucesso e não podia estar mais feliz. De vez em quando, o Livramento aparecia para controlar o negócio, pensava o Agapito, mas não tinha que se preocupar: ele assegurava-se que estava tudo dentro da lei. Até ao dia em que o Inspector Leandro apareceu no novo ginásio que o Livramento o tinha convencido a abrir. " É preciso diversificar, pá. " justificou o Livramento e, como campanha de abertura, o Agapito preparou uns vouchers para sessões de treino livre de yoga, pilates, hidroginástica, danças latinas distribuídos na rua e metidos nas caixas de correio. Satisfeito por ter um ginásio perto de casa, Leandro aproveitou o voucher e foi a uma aula de hidroginástica. Naquela noite, o Liv...

AGAPITO

Por causa do seu nome surpreendente, Agapito Pedrada foi vítima de bullying. Os pais disseram-lhe para ter calma, que se não desse resposta, a situação resolvia-se por si. Mas no dia em que o fizeram tropeçar e ficou com o nariz a sangrar, Agapito não aguentou e respondeu com um soco valente no estomago do opositor. Resultado: suspensão para um e o Agapito foi transferido para outra escola. O pai resolveu matriculá-lo num ginásio, numa aula de luta livre para dar vazão à raiva de que o acusavam, mas sem entender verdadeiramente o porquê. O Agapito era tão bom menino!  Agapito adorou as aulas e participou em algumas competições internacionais. Numa dessas viagens, conheceu o Francisco Livramento, dito investidor que, ao conhecer o sonho do Agapito em ter o seu próprio ginásio, prontificou-se logo a emprestar o dinheiro necessário. Só que o Livramento não explicou exactamente que tipo de investimento fazia.... CONTINUA