terça-feira, 27 de julho de 2010

MELANCÓLICA




Em dias como este,
o tempo fica estagnado, estrangulado,
suspenso, à espreita.
Dele próprio, de mim...não sei.
Não gosto de dias assim, porque
fico melancólica e incapaz de pensar,
de ver o lado cómico da vida,
de rir alto.
Eu que até gosto de rir alto,
de rir até às lágrimas.
Sinto-me mais livre,
mais leve,
irresponsável mesmo.
Mas há memórias,
há vozes do passado
que não esqueço,
em que a meu riso feliz
se volta a fechar.
Tudo desaparece
e eu própria,
me sinto desaparecida.




Texto já colocado no Facebook e Porosidade Etérea
Texto protegido pelo IGAC - Cópias, totais e/ou parciais, proibidas
Foto de Pascal Renoux, "Elisa" (regards)






6 comentários:

Sofá Amarelo disse...

Rir é muitas vezes o princípio de tudo ou de muita coisa, rir é comum é uma dádiva, nem todos sabem rir, o melhor riso é aquele que é feito com serenidade e naturalidade... mas quando o riso se esvai é porque as lombas do tempo se instalaram por entre as vozes da melancolia... e por vezes basta arredá-las um pouco e o riso volta de novo, mais livre, mais leve...

alice disse...

é muito curioso este último verso porque me revejo nele de uma maneira muito nítida, querida marta. agradeço este espelho bom das tuas palavras. um grande beijinho.

Secreta disse...

Há dias e dias, e amanhã, é um novo dia!
Beijito.

Daniel Costa disse...

Marta

Apreciei muito o poema, a melancolia quarando aparece pode tirar-nos até o poder de imaginação, mesmo sem que fiquemos tristes.
Beijos

Amita disse...

A melancolia é como um vaguear indefinido, um querer e não querer inexplicável em horas amorfas. Sabemos que estamos mas não o sentimos. Volta a rir, a sorrir Martinha, para alimentar a vida.
Poema transparente e sentido de um teu tempo.
Bjinho, abraço e uma flor

uminuto disse...

que se evapore a melancolia, como névoa em manhã de verão
um beijo