quinta-feira, 17 de junho de 2010

DESCARADO







A perfeição pode ser monótona,

mas o teu cheiro continua descarado.

Sem limites, transcende-se,

não só pelo meu corpo,

pelo meu próprio cheiro,

pela minha alma também.


Recordo-o, tenho-o em mim

em momentos inesperados.

Até quando me olho ao espelho,

afasto o cabelo da testa, e

reparo em pormenor, como se

fosse a primeira vez,

no castanho dos meus olhos.



Foto de Graça Loureiro, "I looked at you" (Olhares)

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7 comentários:

alice disse...

gosto de lhe chamar a memória olfativa, que considero uma das mais importantes :) beijinho, marta.

Secreta disse...

Escreves coisas lindissimas...
Beijito.

Sofá Amarelo disse...

O cheiro tem mais força do que se pensa... ele entranha-se no nariz e nos poros, espalha-se pela pele e quando chega à alma, aí sim, faz-nos descobrir coisas que muitas vezes desconhecíamos...

Maria Carolina S, disse...

A lembrança do que acabou é tão forte ...
como se vivessemos em um segundo tudo de novoo
e é bom... quando a memória não nos trai

Lindo texto!
bjjs

Daniel Costa disse...

Marta

Gostei do poema e meditei ma sua essência, no pendamento. Por mim tenho mesmo o perfeitinho como monótono, mas a procura incessante da perfeição não será, embora isto possa parecer paradoxal.
Beijos
Daniel

Graça disse...

Palavras aromáticas :)... sempre um prazer ler-te.


Beijo de carinho, Marta, e boa semana.

pin gente disse...

fica-nos quase tudo nos poros e nos interstícios da memória.

abraço