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A PRISÃO PARTE II

  É óbvio que ela sabe de alguma coisa, concluí o Inspector Bernardes ao contar a conversa com a Madame X ao Inspector Tomás, mas nunca o dirá! O Inspector Tomás respira fundo, é um homem tranquilo de poucas falas, mas é inteligente, intuitivo, temos que investigar melhor a última operação do Sargento, creio que a resposta está aí, repete. Não estou a dizer que não, afirma o Bernardes, mas é importante sabermos se e como a notícia se espalhou....e a Madame X é a última pessoa que o Meireles prendeu. Já entrei em contacto com os meus informadores, diz o Tomás, um trabalha na zona Oeste, a da Madame X, embora tenham mudado a operação mais para a Norte depois da prisão dele. O outro conhece bem a zona Leste e é onde funciona parte da rede que o Meireles tentou desmantelar. Podemos também contactar com a pessoa que nos deu as informações sobre a operação X, sugere o Bernardes, creio que essa tal Filomena fugiu para Espanha, mas para já, o melhor é controlar a informação e investigar as...

A PRISÃO

  Fico surpreendida quando me chamam à sala comum, está um inspector da polícia à tua espera, dizem e eu fico preocupada. O que se passa? O que querem saber mais? penso, mas o homem que está à minha espera é mais velho, tem um ar sereno e faz-me sinal para me sentar. Apresenta-se como sendo o Inspector Telmo Bernardes, explica-me que quer rever uns pormenores comigo. não directamente com o caso que me trouxe até aqui, mas com o Sargento Meireles. Ah, o traidor, arrependo-me de a dizer no minuto seguinte, fico um pouco nervosa com o sorriso calmo do Inspector. É uma perspectiva, comenta, mas o problema aqui é que o Sargento Meireles foi assassinado e quero tentar perceber se está relacionado com o seu caso, frisa. O quê? O Meireles foi assassinado??? repito, não, não fomos nós!!!! e o Inspector volta a sorrir, tenho vontade de lhe bater. Tem a certeza? pergunta, tem a certeza absoluta? não, não posso garantir isso, concordo, mas não se enquadra no espírito do nosso grupo. Continua a...

O INSPECTOR FIM

  O quê???? Como??? mas o Celso não dá mais pormenores, desliga pouco depois e eu fico ali parado no meio da varanda sem saber o que fazer. Terei que voltar à cidade, entrar em contacto com os meus superiores, tentar perceber o que correu mal na operação que teve que ser abortada rapidamente. Telefono ao Chefe dos Detectives, quero participar na investigação do caso, digo, como consultor, como quiseres, mas o Meireles era um bom sargento e devo-lhe isso. O Chefe dos Detectives concorda em encontrar-se comigo, tomo o pequeno almoço à pressa, preparo um saco de viagem, deixo as chaves com a dona do café e peço-lhe para contactar a empresa de limpeza, explico que os meus filhos chegam no próximo fim de semana. Na viagem até à capital, revejo mentalmente a conversa que tive com o Meireles, estará a Madame X envolvida no caso? creio que o sargento estava apaixonado por ela, comento na reunião combinada com o Chefe dos Detectives. O Chefe suspira, não sabemos exactamente o papel dela na ...

O INSPECTOR PARTE V

  Mas o Meireles é vago ao falar nisso e eu fico preocupado, pois não é normal que uma pessoa que sei que é ambiciosa, batalhadora esteja tão amorfa. No fim do almoço, o Meireles segue para o Centro Desportivo, eu volto para casa, encontro o gato sentado na minha cadeira. Maroto, o que é queres afinal? ralho e enxoto-o, ele foge zangado, mas cinco minutos depois, volta, instala-se no meu colo. Telefono a um colega meu, será que me pode dizer alguma coisa sobre o que se passa com o Meireles? mas o Inspector Celso pouco sabe. Suspiro quando desligo, tento escrever, mas não consigo, está uma tarde magnifica, resolvo dar uma caminhada e no regresso, paro no café. Acabo por jantar lá, é noite de karaokê, toda a gente participa e volto a sair tarde e animado. Que pena não estares aqui, Madalena! Ias gostar imenso de me ver assim tão descontraído, penso quando chego a casa. Ainda vejo as notícias antes de subir para o quarto e acordo tarde na manhã seguinte. O telemóvel está farto de toca...

O INSPECTOR PARTE IV

  Afasto esses pensamentos, um dos meus conhecidos do café aparece, há bingo esta semana no centro recreativo, explica, organizamos também uma pequena ceia, porque é que não vem? Surpreendo-me a dizer que sim, estou a ser bem recebido e até acho interessante a ideia do bingo e da ceia. É uma reunião interessante, até o Padre está presente e sinto-me relaxado, satisfeito. No dia seguinte, é a competição de surf de que o Meireles falou, o Gonçalo,o  filho da Teresa e do António guardou-me um lugar na frente e sigo a competição com interesse. O Meireles classifica-se para a volta seguinte no dia seguinte, por isso, abandono o local e encontro-me com o meu ex-sargento no parque de estacionamento como combinado. O Meireles continua atlético, a vestir de preto, mas há uma expressão sombria no olhar que me preocupa. Então? Quais são as novidades? pergunto quando nos sentamos para almoçar e o sargento encolhe os ombros, suspira, demora uns minutos a responder. Para ser franco, não sei...

O INSPECTOR PARTE III

  Chego tarde, estou cansado, mas satisfeito, pois ultrapassei o limite que impus. Estou a abrir a porta da casa quando o vejo, um pequeno gato sentado no muro da varanda, que me olha curioso, olá, então, tu és o convidado inesperado, digo, mas ao aproximar-me, o gato foge. Se é assim que queres, encolho os ombros, entro em casa pata tomar um duche, depois desço até à cozinha para ver o que tenho no frigorífico. Instalo-me na varanda, o meu novo amigo continua escondido, abro o computador, procuro o ficheiro que abri ontem. Releio o que escrevi, assinalo uma ou outra palavra, talvez as substitua mais tarde, mas, no geral gosto da forma como a história se está a desenvolver. Estou a contar as histórias que se passam na brigada, os comentários, as brincadeiras que fazíamos para aliviar a tensão sombria que vivíamos. Até a prova de fogo a que os novatos eram submetidos, lembro-me que o meu último sargento, o Meireles não gostou muito disso. Por falar em Meireles, há muito que não sei ...

O INSPECTOR PARTE II

  Resolvo dar uma volta a pé, talvez vá até ao Centro e estudar o que oferecem, tenciono ficar cá umas semanas. A Rita e o Gonçalo foram viajar, entre alugar a estranhos e a ti, dizem, preferimos que sejas tu a ficar lá, sabemos que não vais estragar nada. Os meus filhos também resolveram viajar, não sejas chato, declara a Clarinha, podias vir connosco, seria ultra divertido, mas abano a cabeça, não me apetece andar a correr de um lado para o outro. Aqui, respira-se ar puro, come-se melhor e gosto das conversas descontraídas no café, as pessoas agora confiam em mim, trocamos confidências. Sinto menos a ausência da Madalena, a mente está ocupada com outras coisas e decido jantar em casa. Sento-me em frente do computador, abro o Word e fico a olhar para a página em branco durante longos minutos. As ideias organizam-se finalmente e quando olho para o relógio, já passa das nove da noite. Melhor fazer um intervalo, penso, comer qualquer coisa, vejo que há um SMS, é da Matilde e da Clari...