segunda-feira, 20 de abril de 2015

OS AMANTES



É certo e sabido que o Joaquim entra às 08h55 no café, pede um café em chávena escaldada e senta-se naquela mesa em frente ao vidro, calado, à espera.
E às 08h59, 09h00, com passo apressado e ainda a abotoar o casaco passa a Catarina. 
Dois minutos depois chega o autocarro, ela entra e o Joaquim levanta-se, paga o café e saí.
De segunda a sexta, esta é a rotina do Joaquim e diz-se por aí que está apaixonado pela Catarina, aquela ruiva esbelta e sexy, mulher do Vicente. O que ela viu no Vicente, ninguém sabe, pois este é atarracado, um pouco gordo e calvo. É uma simpatia, verdade seja dita e os empregados, que também frequentam o café, classificam-no como um patrão exigente, mas justo.
Mas a pergunta continua a ser: será que a Catarina casou-se com ele por causa do dinheiro? Ou haverá ali uma outra história mais macabra?
Oh, rapaz, não digas disparates!” pede-me o Tio Manuel quando me atrevo a contar-lhe as minhas suspeitas à hora de almoço e o café tem pouca gente.

Ora, tio, estamos no século XXI e se estivesse mais tempo na Net, lia histórias ainda mais macabras!” respondi, indignado.

Excerto do meu Conto publicado na Colectânea da Editora Pastelaria Studios e subordinada ao tema "A Mulher do Próximo".

1 comentário:

Sofá Amarelo disse...

Já tive o privilégio de ler o conto todo e posso dizer que está muito bem escrito, a história é muito interessante e o desfecho inesperado, como devem ser todos os contos... parabéns :-)