segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

OCULTAR



Esta não é uma mentira.
Oculto apenas a verdade deste amor ilícito, este amor que incomoda os outros.
Sei que não vai durar para sempre; algo mo diz...
Não sei se é a lógica, a razão ou apenas experiência da vida...
Neste momento, sinto-me amada... E não tenho palavras para o explicar...
Não preciso que mo diga diariamente, que durma sempre na minha cama ou que esteja sentado à minha mesa a reclamar o jantar.
Gosto dos nossos encontros secretos.
Dos restaurantes discretos que escolhemos para conversarmos verdadeiramente, com alma, com prazer. De grandes passeios à beira-mar e dos SMS provocadores.
E o que dizer desses beijos que percorrem a alma e das mãos que procuram o meu corpo nesse prazer intenso que nos une?
Sem que haja qualquer mentira entre nós...
Um dia, começam as desculpas, os SMS mais breves, mais espaçados até terminarem por completo.
E sabe-se... Sabe-se que terminou e não se procura uma explicação, não se tenta descobrir onde se falhou, porque aconteceu.
Porque esteve sempre escrito naquele olhar em que o prazer se reflectiu...
Na voz do coração que nos fala suave, secretamente, mas que se ignora.
E avançamos pela vida, um pouco magoados, porque nunca se aceita bem o fim, mas dignos.

Texto escrito em resposta ao tema proposto pela editora "Lua de Marfim" e publicado na colectânea PREMONIÇÕES (lançamento 01 de Fevereiro 2015)


4 comentários:

AC disse...

E sabe-se, Marta, sabe-se mesmo, essencialmente através das pequenas coisas.

Um beijo :)

© Piedade Araújo Sol disse...

Marta

que inspiração tão bela e que texto tão belo escrito.

muito sentido e muito real.

beijinho

:)

Sofá Amarelo disse...

E a dignidade é o melhor que fica, em especial quando se sabe que a lógica muitas vezes não passa de um prazo não anunciado... porque talvez o melhor da vida sejam os encontros secretos em restaurantes discretos...

Daniel C.da Silva (Lobinho) disse...

Resume muitíssimo bem o amadurecimento... Gostei muito...