ADORO

Sei onde andas. Sei onde te procurar. Sei porque te procuro. Não são ciúmes; nem medo de traição. Apenas quero deambular pelas ruas e não quero estar sozinha. Quero-te ao meu lado, quero ouvir-te rir dos disparates que tenho vontade de gritar. Porque, às vezes, eu digo disparates - estou bem consciente disso - e o porquê ilude-me. Deambulo, então pelas ruas à procura da resposta, a inventar tempo que não existe, mas que insisto em sonhar. Não é sonho ouvir, sentir o teu riso nem acordar embrulhada no mesmo lençol. Nem é inventar tempo, sentir-me enraizada na tua vida. E os disparates, esses disparates que grito, dizem que apenas que te adoro. Foto de Filipe P Neto, "Caminhando à Chuva" (Olhares) Textos protegidos pelo IGAC - Cópias totais ou parciais, proibidas