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O FIM DE SEMANA PARTE III

  Sorrio-lhe, mas não agora, respondo, vamos aproveitar o spa do Hotel, marquei uma massagem, vamos gozar o momento. A Matilde concorda e passamos o resto da tarde no spa, a noite termina com um jantar romântico no quarto. Adiámos a partida, mas temos que nos render â evidência, comenta a Matilde, temos que regressar e arrumamos as malas. Chegamos à hora do lanche a casa dos Pais da Matilde, o Júnior e a Margarida estão excitadíssimos, têm imensas coisas a contar, explicam e quando subimos para ir buscar os gémeos, já estou com uma dor de cabeça, murmuro e a Matilde aperta-me a mão. Os gémeos adormeceram há uns minutos, diz a minha Mãe, é melhor não os acordar, já tomaram banho, é só dar-lhe o jantar. Ouço a Matilde respirar de alívio enquanto pega num dos miúdos, o Júnior oferece-se para levar o outro, mas eu não concordo. No entanto, deixo-o levar os sacos de viagem até ao elevador, não leves tudo de uma vez, aconselho, e a Margarida que te ajude! A minha filha não gosta muito de...

O FIM DE SEMANA PARTE II

  O Júnior protesta, acha que deve ir connosco, ficar em casa dos Avós quatro dias? mas o Inspector fala-lhe do caso complicado que têm que deslindar. Até temos que ir ao parque e reconstruir os passos da vítima, diz, ela estava a dar um passeio de bicicleta, temos que descobrir porque é que a bicicleta apareceu perto dos contentores do lixo e a vítima do outro lado do parque no lago? Os olhos do meu filho brilham, a Margarida ri-se e nós voltamos para o carro, aliviados. Não revelo o destino, não vamos passar estes dias naquela vida onde a família tem casas, pede a Matilde, gosto de lá ir para almoços, festas de família, mas agora quero um sítio diferente, quero namorar, fazer caminhadas, comer bem. Marquei hotel numa Pousada perto de uma praia, podemos tomar o pequeno almoço a olhar o mar, explicar, fazer caminhadas e explorar a vila que dizem ser muito pitoresca. A Matilde respira fundo, que bom é estar sem ter que me preocupar com banhos. jantares, etc, confessa, vamos falar de...

O FIM DE SEMANA

  Desisto... Nem mais uma fralda, um biberão, um patinho de borracha esquecido no canto da sala... ESTOU FARTO! grito para a noite, sei que é só da boca para fora, os meus filhos são a minha perdição, confesso à minha Mãe que se ri. Lidar com o Júnior e com a Margarida não é complicado, continuo, apelo ao bom senso, faço perguntas " mas vocês acham que isso é razoável a esta hora da noite?" e eles calam-se. Mas os gémeos, ai, com os gémeos, e suspiro profundamente, se um chora, acorda o outro e dois minutos depois, o irmão está a berrar também. Nunca estamos sossegados ou sozinhos para conversarmos, namorarmos...desabafo. Ninguém te mandou ter quatro filhos e tão seguidos, censura a Mãe, não pensamos que íamos ter gémeos, respondo, ficamos verdadeiramente assustados quando vimos a ecografia. Pois, a Mãe como sempre é prática, porque é que não vais passar uns dias fora? Eu posso ficar com os gémeos, a tua irmã vai adorar fazer de baby sitter e talvez a Madalena possa ficar com...

GUSTAVO & Cª FIM

  Medo? repito, não é medo; estou apreensivo. Tenho que alterar muitas coisas na minha vida, não sei se vou conseguir. Todos os Pais fazem erros, diz a Lena, sei do que estou a falar, porque fui criada por um Pai solteiro. Não foi perfeito, mas tive uma infância e adolescência felizes. Se o meu Pai conseguiu, tu também! Não sabia disso, interrompe o Miguel, pensei que os teus Pais estavam divorciados e não tinhas muito contacto com  a tua Mãe. Não gosto muito de falar sobre isso, continua a Lena, um dia, ia-te contar, mas havia outras questões a resolver. Que outras questões? pergunta o Miguel desconfiado, mas a Lena desvia a conversa, sugere a ida a um bar para terminar a noite. Quando voltamos, percebo que o ambiente entre eles está tenso, ouço-os discutir no quarto, tento adormecer. Durmo mal, estou preocupado com os meus amigos, mas não posso fazer nada, eles têm que resolver o problema, se é que há um problema. Se bem que a Lena tivesse razão numa ponto, eu estava com med...

GUSTAVO & CªA PARTE IV

  Antes de ir para o quarto, resolvo passar pela loja, a Lena tem razão, a iluminação precisa de ser revista, podemos melhorar a área de exposição dos produtos. Fico o resto da tarde no quarto, faço vários esboços tanto para os alojamentos como para a loja, preparo igualmente uma lista de empresas com quem trabalho e que podem apresentar orçamentos razoáveis. Por volta das seis, o Miguel bate-me à porta, oh, pá, vamos jantar à cidade? diz, a Avó vai jantar no quarto e quando a Mãe está de mau humor, é melhor estar longe dela! Ok, concordo, vou só tomar um duche e mudar de roupa, ok, dentro de meia hora no pátio? pergunta o Miguel e desaparece. Suspiro aliviado, apresso-me a tomar o duche, quando chego ao pátio, o Miguel e a Lena já lá estão, a Lena com um vestido curto que mostra as pernas elegantes. Sinto-me corar perante o olhar trocista dela, o Miguel fala incessantemente, não presto muita atenção, estou a apreciar a paisagem. O Miguel escolheu um restaurante à beira rio, a espe...

GUSTAVO & Cª LDA PARTE III

  Passo a manhã a fazer um primeiro esboço que mostro ao Miguel e à Lena à hora de almoço. A Laura e a Avó também estão presentes, mas apenas a velha senhora se mostra interessada, no meu tempo, era tudo feito à mão! Agora, basta tocar numa tecla e parece tudo feito! Que curioso! diz. O Miguel fica entusiasmado, a Lena sugere umas alterações, apresso-me a modificar e os dois aplaudem. Envia para os tios, exclama o Miguel, espera aí, deixa-me explorar outra ideia, interrompo, gosto sempre de ter duas opções, o cliente escolhe a melhor, com que se identifica. Uma excelente ideia, intervém a Avó, temos que encontrar o equilíbrio em tudo! e sorri-me. Retribuo o sorriso, faço " save" e fecho o computador, é então que a Lena tem uma ideia. E se renovasses também a loja? Dar-lhe um ar mais fresco, mais moderno? observa, vejo pela expressão do Miguel que ele concorda e volto a sentar-me. Nem pensar! grita uma voz furiosa, a loja é minha, eu é que decido o que é ou não feito! e a Laur...

GUSTAVO & Cª. PARTE II

  A Lena é uma rapariga muito simpática, a Avó, tal como o Miguel disse, é um doce. A única pessoa que me faz sentir desconfortável é a Laura, uma pessoa tão distante, tão fria, desabafo quando telefono nessa noite à Mãe, não disse uma única palavra durante o jantar! Eu sei que ela andou fora e dentro de clínicas psiquiátricas, explica a Mãe, mas para ser franca, não entendi muito bem o que tem verdadeiramente. Espero não ter muito contacto com ela, digo, há uma certa hostilidade no olhar, sinceramente, não gostei. Não penses nisso, tens um projecto a desenvolver, aconselha a Mãe, diverte-te também. Trocamos mais umas banalidades, desligo, prepara-me para dormir. Já tenho algumas ideias, tenho que estudar bem o local. Passo parte da manhã a desenhar o espaço, a estudar o solo e à hora de almoço, já tenho um plano. Ainda tenho que confirmar certos detalhes, conto à mesa, estamos a almoçar os três na cozinha, a Avó ficou no quarto e a Laura está na loja, almoça mais tarde, mas ainda ...