CASO ANTIGO
Porquê? suspira o Sargento Meireles quando lhe entregam o dossier e vê que é um caso antigo.
O Inspector responsável pelo caso já morreu, e em circunstâncias suspeitas dizem as más línguas e o sargento reformou-se e vive algures no Nordeste Transmontano.
Porquê? repete o Sargento, mas nota que o nome da vitima de outrora é parecido com o do caso actual; também foram mortos da mesma maneira e coincidências, não, não fazem parte do quotidiano de Meireles.
Por isso, relê os dois dossiers cuidadosamente, toma notas, faz uma lista de testemunhas e decide falar com o médico-legista.
Há realmente pontos em comum, diz o Dr Bastos, com um ar sério. Não deve ter mais que cinquenta anos, pensa o Meireles, mas parece mais velho, talvez por estar já careca e usar uns óculos antiquados e falar pausadamente.
Mas? incentiva o Sargento e o médico continua, este último caso, e aponta para a mesa onde a nova vitima está deitada, é um pouco mais cruel.
Aguardo ainda o resultado das análises, mas não creio que tenha sido drogado. A vítima de há 20 anos foi. Qual o interesse no caso de há 20 anos? questiona e o Meireles suspira novamente.
Têm o mesmo apelido, já confirmei que são primos e têm o mesmo historial de negócios ilícitos, informa, qual a ligação ainda não descobri.
Pois, compreendo o dilema, afirma o Dr Bastos, boa sorte e o Sargento despede-se.
Fica uns minutos parado no átrio de entrada e o Sol fere-lhe os olhos quando saí finalmente para o exterior.
Está muito calor, a T-Shirt está colada às costas; talvez seja melhor ir até casa e mudar de roupa.
Em casa está fresco, considera a possibilidade de ficar a trabalhar online, mas há arquivos que não estão ainda digitalizados, é melhor voltar para a sede.
Toma um duche rápido, escolhe uma camisa e uns jeans.
Sorri, geralmente veste-se de preto, sabe que a alcunha é o "Padre", mas hoje vai agitar um pouco o ambiente com os jeans e a camisa colorida.
CONTINUA
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