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A ENTREVISTA - FIM

  A Francisca não parece convencida e a Teresa suspira, a sobrinha pode ser muito teimosa ás vezes. O que diria a Rita agora? pensa e é então que tem uma ideia, um almoço só de mulheres em casa da irmã Carolina, era isso que a Rita faria. Vamos organizar um almoço em casa da Carolina, e ergue a mão quando percebe que a sobrinha vai protestar, convida-se a Clotilde e tu também vais estar lá.  Separam-se à porta, a Francisca está amuada, mas a tia está muito animada, telefona de imediato ao Gonçalo. Conta-lhe por alto a conversa com a Francisca, a tua filha está a exagerar, diz, mas tenho um plano e é por isso que preciso do nº de telemóvel da tua amiga. Mas o que é que vais fazer? insiste o Gonçalo, estas mulheres são uma confusão, pensa, mas não se atreve a contrariar a cunhada. Avisa a Clotilde de que vai receber um telefonema da cunhada Teresa, vais gostar dela, é muito sensata, muito prática, comenta, não sei o que ela tem em mente, mas vai ser interessante. A companheira g...

A ENTREVISTA PARTE IV

  O jantar, organizado entusiasticamente pelo Rogério, decorre num ambiente tenso. A Francisca mostra-se distante, a Clotilde está surpreendida e só os dois homens comunicam facilmente. O Gonçalo sente-se magoado com a atitude da filha, a Clotilde opta por não dizer nada e deixa-o desabafar quando chegam a casa. Por seu lado, o Rogério critica abertamente a atitude da Francisca, por amor de Deus! Parecias uma adolescente com ciúmes da namorada do Pai! Deixa-o viver, é livre,, tem todo o direito de refazer a vida dele! Não sei, não simpatizei com ela, admite a Francisca, há qualquer coisa nela que não me agrada! Pois eu gostei muito dela, contraria o namorado, e se pensas que ela é uma oportunista e está apenas interessada no dinheiro do teu Pai, estás enganada. Ela trabalhou numa empresa de software, bem cotada no mercado como Directora dos Recursos Humanos com um salário brutal, tem dinheiro de família... vive sem preocupações! Mas, continua a Francisca e o Rogério ergue as mãos, ...

A ENTREVISTA PARTE III

  O teu irmão tem razão, diz a Clotilde quando o Gonçalo lhe conta a conversa, a tua filha tem que entender, ela própria vive com o namorado, qual é o problema??? Porque é que insistes em manter segredo? O Gonçalo suspira, tenho que encontrar a melhor maneira de abordar o assunto, a Francisca adorava a Mãe, explica, deixa-me tratar do assunto! Não vou interferir na tua relação com a tua filha, se é disso que tens medo, afirma a Clotilde, mas é melhor contares e o mais depressa possível. É melhor que ela saiba por ti do que por outros! O Gonçalo volta a suspirar, desvia a conversa e o resto do fim de semana passa-se entre idas ao ginásio, um passeio no trilho e um jantar animado com amigos. O início da semana é complicado, a Francisca quer adiar o almoço semanal, mas o Gonçalo não permite. A filha está nervosa, agitada, o cliente rejeitou o projecto, esforcei-me imenso para responder às exigências do cliente, Pai e tenho quase a certeza de que o que venceu não é tão forte como o meu...

A ENTREVISTA PARTE II

  Não estarás a exagerar? pergunta o Pai durante o almoço semanal e a Francisca não sabe o que responder. O almoço semanal foi uma exigência do Gonçalo, ok, vejo-te na empresa todos os dias e nos almoços de família ao domingo, mas estamos rodeados de pessoas. Quero ter uma conversa pessoal, entre Pai e filha sem interferências, justifica quando a Francisca protesta. Não achas que estás a exagerar? insiste o Pai, não tens que ganhar sempre, aprende com isso, onde pensas ter falhado e corrige. O objectivo é isso, aceitar derrotas, críticas construtivas e fazer um novo percurso a partir daí. A Francisca volta a sorrir, tens razão, não podemos ganhar sempre, mas não há nada de mal em querer mais? e o Gonçalo sorri também. Desvia a conversa para a nova loja que a Teresa vai abrir, o irmão António planeia mudar-se definitivamente para a vila para ficar mais perto do filho e do neto que vai nascer. Nunca pensei que o António tomasse essa decisão, confessa a Francisca, bem sei que a vila t...

A ENTREVISTA

  Falar de mim? O que eu posso dizer sobre mim? repete a Francisca e a jornalista sorri, então, ganhou um prémio bem conceituado, queremos saber tudo sobre si. A Francisca sorri também, está nervosa, nem sabe porque é que aceitou dar a entrevista, mas tanto o Pai como o Rogério foram unânimes ao afirmarem que seria bom para a carreira. Os seus Pais tiveram influência na escolha da carreira? insiste a jornalista, a sua Mãe era uma excelente profissional, bem cotada no mercado. Não posso negar a influência dos meus Pais, concorda a Francisca, tanto o Pai como a Mãe desafiaram-me, deixaram explorar-me todas as opções, sem nunca me sufocarem.  E isso é importante? questiona a jornalista, a Francisca pensa uns minutos, acho que sim, temos que derrapar para compreender como as coisas funcionam, saber como calcular o risco, explica. Por isso, assumir a gerência da empresa que os seus Pais fundaram é uma responsabilidade, um risco? Claro que sim, eles tinham um plano, uma estrutura qu...

A MUDANÇA FIM

  A Mãe e a Avó conversam imenso, a Mãe chora também, mas não cede e não apresenta queixa. A família acha que ela deve regressar à cidade, mas a Mãe protesta, gosto de estar aqui, os miúdos têm uma vida mais saudável e não estou tão preocupada com o paradeiro deles!!! Estou indeciso, confesso ao Luís, sinto falta de certas coisas, o quê? interrompe o meu irmão, mas eu não sei explicar-lhe. O Pai também fala no assunto, mas a Mãe continua irredutível e retoma o trabalho no fim do mês. Para nós, a vida continua, colégio, festas em casas de amigos, visita ao Pai e ao resto da família. O Luís continua a ser o mesmo ser despreocupado, eu sinto que mudei e anseio por outras coisas, outra vida. Adoro viver aqui, mas não sei explicar o que me falta, o tio Edgar ouve-me atentamente, estás a crescer, é só isso, responde, vais encontrar o teu caminho, não te preocupes. Mas eu não encontro o meu caminho, começo a ficar aborrecido e a ouvir quem não devo, cometo a primeira loucura. A Mãe não go...

A MUDANÇA PARTE V

  A gargalhada cruel do Damião ainda ecoa quando, pálidos e trémulos nos abraçamos. Ajudo a Mãe a sentar-se, a cara está a inchar, é melhor chamar alguém, insisto, a Mãe protesta, mas eu telefono ao sócio dela, o Dr Bruno. O Dr Bruno diz que vem imediatamente, vou telefonar também ao tio Edgar, explico, a Mãe volta a protestar, eu insisto. Vou já para aí, grita o Tio Edgar e desliga antes de eu dizer ok, o Dr Bruno chega entretanto, convence a Mãe a ir ao Hospital, só para confirmar que não tens nada partido, diz e a Mãe acede. Quando ele fala em informar a Polícia do sucedido, a Mãe pede-lhe para não dizer nada, foi uma má queda, repete e tanto eu como o Luís suspiramos de alívio, queremos esquecer o incidente. O Tio Edgar chega por volta das três da manhã, a Mãe e o Dr Bruno estão a entrar em casa naquele momento, felizmente, não tem nada partido, observa o Dr Bruno, tem apenas que descansar. Eu aviso na clínica que não vais e reagendamos as tuas consultas, e despede-se. O Tio Ed...