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A DISCUSSÃO PARTE III

  Espero que não vá de jeans e T-Shirt branca com o logótipo da ONG, desabafa a Madalena com a Teresa e a amiga ri-se. A Clarinha pediu-lhe conselhos, a Mãe fala de vestidos brancos e véus, conta, eu quero uma coisa mais simples e acho que a Teresa me pode ajudar. Gosto dos vestidos étnicos que usa, pensei numa coisa do género! O resultado é um vestido midi, amarelo claro com mangas rendadas, como acessórios, a Clarinha escolheu um colar e pulseiras em prata. Os sapatos de salto alto são de um amarelo mais forte, o cabelo preso num simples rabo de cavalo, a Clarinha está linda e a Madalena respira de alívio. No Registo, só estão os noivos, os Pais e os irmãos, a restante família e os amigos esperam-nos no restaurante, o Bernardo Júnior nomeado fotografo oficial pela Tia de Máquina em riste. É um almoço sossegado, com piadas comedidas, os noivos despedem-se por volta das cinco da tarde, vão passar a noite num hotel perto do aeroporto, partem muito cedo na manhã seguinte. A Madalena ...

A DISCUSSÃO PARTE II

  Perfeitamente natural, concorda o Bernardo, é uma história do teu passado que poderia ter acabado mal, mas que ultrapassaste com força... A Clarinha não devia ter tocado nesse assunto, as circunstâncias são diferentes! Mas para ela não, suspira a Matilde, podemos falar noutra coisa? Preciso de desanuviar a cabeça, tive uma história complicada, errei bastante, mas está no passado. A Clarinha conta à Mãe o que se passou, a Madalena fica indignada, isso pertence ao passado da Matilde, não podes, não tens o direito de falar nisso! Tens que ser um pouco mais diplomática, Clarinha, trabalhas para uma ONG e sempre achei que isso era importante! Ok, ok! Falhei, fui muito pouco diplomata! exclama a Clarinha, mas estava a falar com a minha irmã! Não há dois pesos e duas medidas, interrompe a Mãe, e não vamos falar mais neste assunto! A minha família está em pé de guerra, desabafa a Clarinha nesse noite, o Mateus fica calado, espera que a noiva desenvolva o assunto. A Matilde irritou-me, eu...

A DISCUSSÃO

  Estou muito preocupada, confessa a Madalena naquela manhã à Teresa, a Clarinha quer casar com o Mateus e passar a lua de mel a trabalhar como voluntários numa ONG em África. Há quanto tempo é que ela o conhece? Seis meses? a Teresa está confusa e a amiga suspira, está a ser tudo muito rápido!!! Eu e o Telmo não sabemos o que pensar...depois do que aconteceu na Argentina... Não com a Clarinha, pensa a Teresa, aquela menina está sempre em movimento, tão impulsiva....mas não disse nada, pois a Madalena está muito transtornada. Em casa, a Clarinha está a arrumar os armários, a seleccionar as roupas que leva e as que vai doar à organização e a Matilde (a Mãe telefonou-lhe desesperada, será que lhe podes meter algum juízo na cabeça???) senta-se na cama, sem saber muito bem como começar. Tenho que comprar uma nova mochila, diz a Clarinha, e um outro saco cama, tenho que perguntar ao Mateus onde comprou o dele. Tens a certeza que é isto que queres? repete a Matilde, não achas que te está...

TEMPESTADE FIM

  O quê??? Vou ficar prisioneiro em casa, a aturar a Inês? protesta o Edgar, ninguém está a dizer isso, idiota, corta a nossa irmã, durante uns tempos, vamos questionar tudo o que fazes, exigir respostas concretas sobre a necessidade de gastares dinheiro, continua. O Edgar está tão surpreendido que quase não respira, o Miguel dá-lhe uma palmada nas costas, podes ajudar o Matias na gestão da empresa, o meu irmão olha para mim, assustado, não entende nada do assunto. Sorrio, podes ajudar-me a planear e a organizar um ginásio, interrompo, podes pesquisar os fornecedores de equipamento desportivo, pedir cotações, não é assim tão complicado. Podes ser o motorista da tua Mãe, sugere o António, a Teresa diz que ela está ansiosa por voltar a trabalhar, mesmo que seja em part-time. E as aulas? pergunta o meu irmão em voz sumida, o Miguel encolhe os ombros, organiza-te! responde, levanta-se, a reunião está concluída, o tio António acerta alguns detalhes com o Edgar. Resolvo ir com ele, não e...

TEMPESTADE PARTE IV

  O assunto tem que ser discutido com a família, aviso, vamos esperar pelo Miguel para falarmos, até lá, ficas em casa, só sais para ires ao Instituto e ao Centro Desportivo. Mas o que é que eu faço relativamente a quem devo dinheiro? protesta o meu irmão, não me vais emprestar dinheiro???? Não, vamos discutir este assunto em família, repito, depois decidimos o que fazer... Tenta protelar, diz que estás a arranjar o dinheiro, propõe um prazo...e nada de falar com a Mãe sobre isto! O Edgar não diz mais nada, fico a pensar que talvez fosse melhor emprestar-lhe o dinheiro, mas nada me diz que isto não volte a acontecer. No regresso, o Miguel convoca uma reunião de irmãos, pedimos à Teresa para organizar um almoço, uma visita, qualquer coisa que distraia a Mãe. A tia fica confusa, quer saber porquê, o Miguel desculpa-se, promete contar-lhe tudo depois e a Mãe, os miúdos e a Inês vão passar o dia com a Teresa na vila. A Inês sente que os irmãos lhe escondem qualquer coisa, tenta ficar, ...

TEMPESTADE PARTE III

  O dia foi longo e cansativo, tudo o que quero é um bom banho e dormir. Mas o Miguel telefona pouco depois do jantar, quer saber se estamos todos bem, acha que a Mãe lhe está a esconder alguma coisa e manda-me um SMS. Tenho que lhe telefonar, contar as idiotices do Edgar, as discussões com a Inês, mas não é isso que me preocupa, confesso, é o facto dele chegar de madrugada, ser visto pelos miúdos e estes fazem imensas perguntas. O meu irmão suspira, tem uma nova namorada? pergunta, mas eu não sei, há muito tempo que eu e o Edgar não temos uma conversa franca, temos interesses diferentes, estamos a afastar-nos. Tens que falar com ele, explicar-lhe que está a preocupar a Mãe, insiste o Miguel, mas eu não concordo. Acho que é melhor esperar que estejas cá, respondo, falamos os dois com ele e talvez aceite melhor! O Miguel não fica muito convencido, desliga e eu estendo.me na cama, devia sair e divertir-me um pouco, mas estou tão cansado. O Edgar entra no quarto, fico surpreendido e n...

TEMPESTADE PARTE II

  Ignoro-a, é o melhor a fazer, a Inês gosta de provocar as pessoas, a família perdoa-lhe, mas os outros podem ser muito desagradáveis. O problema é que a minha irmã não desiste, espero que a vida lhe ensine que temos que ser moderados. Felizmente, os meus sobrinhos estão tão cansados que adormecem pouco depois de começar a ler a história. A Mãe e a Inês estão a falar na sala, hesito, vou ter com elas ou não? mas prefiro ir para o meu quarto, trouxe trabalho para rever. Adormeço rapidamente, com o computador ligado, papéis espalhados pelo chão, nem dou conta das horas a que o Edgar chega. Deve ser tarde, "escandalosamente tarde" como refere a Inês na manhã seguinte quando a Mãe me pede para falar com ele. Mas é normal chegar por volta das cinco e meia, seis da manhã, protesto, e porque é que tenho que ser eu falar? Talvez aceite melhor, continua a Mãe, ultimamente o teu irmão está um pouco agressivo, já lhe chamei a atenção, pede desculpas, mas depois "esquece-se". ...