OS AMANTES PARTE V

 

Bolas!” repito e é então que reparo que há um painel na parede. Talvez indique o que há em cada piso e é assim que descubro que os últimos são apartamentos. 

Certamente que eles foram para um desses apartamentos e eufórico, mando um SMS ao Filipe, pedindo-lhe para se encontrar comigo.

Apanho o autocarro para casa e só então me lembro do que aconteceu naquela manhã.

Espero que o Tio Manuel não tenha telefonado à minha Mãe a contar o sucedido e dito que me deu a tarde de folga. Ela vai querer saber onde passei a tarde e eu não posso discutir o assunto com ela.

“ Dizes que foste para minha casa estudar Matemática.” resolve o Filipe, mas eu abano a cabeça.

“ Matemática foi uma das poucas disciplinas a que tirei boa nota; ela não vai engolir isso!” contesto, mas o Filipe encolhe os ombros, como se o assunto não fosse importante e pede urgente: “Conta lá o que se passou!”

Faço um relatório completo do meu trabalho de detective, mas embora tenha descoberto parte da “conspiração”, sinto-me frustrado por não saber como dar o passe seguinte.

“ É fácil!” contraria o Filipe “ Amanhã vou ter contigo ao café, tu dizes-me quem é o Joaquim e eu sigo-o!” 

“ Achas que resulta?” pergunto, um pouco desconfiado “ E, se amanhã não é dia de encontro?” mas o Filipe está entusiasmado e acredita que amanhã é o dia D.

Infelizmente, o Joaquim tem outros planos no dia seguinte e só o vejo às 18h00 na paragem.

O Filipe já tinha desistido e ido para casa.

Em casa, revejo a lista de possibilidades e a que me agrada mais, é a Catarina e o Joaquim serem amantes e prepararem-se para dar o golpe ao Vicente. Mas como saber o que se passa verdadeiramente na cabeça daqueles dois?

O próprio Tio Manuel fica surpreendido quando o Vicente entra no café no dia seguinte. 

“ Há muito que não aparece por aqui! ” diz o Tio Manuel enquanto lhe serve um café.

O Vicente sorri e confessa: “ Toda a gente fala deste café; dizem que é calmo, limpo e que se sentem em casa. Resolvi passar por cá; estou fechado naquele escritório tempo demais."

“Mas os negócios vão bem? ” pergunta o meu tio e o Vicente acena que sim. Os dois continuam a conversar sobre banalidades, mas eu sinto que o Vicente quer perguntar alguma coisa, mas não sabe muito bem como.


CONTINUA

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