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GONÇALO E INÊS PARTE III

  Mas, pelos vistos, a Inês desapareceu, até a Tia Carolina está preocupada, bem sei que a vida dela é agitada, diz, mas tomar uma decisão assim tão rápida sobre um projecto que ela acha duvidoso...ah, estou preocupada. A minha irmã olha-me desconfiada quando lhe conto a conversa, vá lá, conta tudo, exige, aconteceu alguma coisa entre vocês e estão arrependidos??? Sorrio, estivemos juntos e agora a Inês não me fala, conto e a Sofia dá-me um safanão, dormiste com a Inês??? Não acredito!!!! Acredito, pois foi o que aconteceu, repito, onde é que estão a cabeça? interrompe a minha irmã, quem te ouvir, pensa que é a primeira vez que primos dormem juntos, não é pecado!!! contesto. Pelos vistos, a Inês acha que sim, replica a minha irmã e abandona a sala antes de eu protestar. Não sei o que vai acontecer daqui para a frente, temos é que conversar e esclarecer o assunto, podemos decidir preservar a amizade e não continuar a ter uma relação amorosa, declaro ao primo Miguel quando o encontro...

GONÇALO E INÊS PARTE II

  Estamos exaustos quando entregamos os miúdos à Sofia, estão tão excitados que vai ser difícil adormecerem, queixa-se, mas eu e a Inês só nos rimos. A minha irmã tem sempre razões para se queixar, comento, será que não se cansa???? Deve ter sido por isso que o Dinis saiu de casa e não o culpo! A minha irmã é uma chata!!! Os meus irmãos podem ser uns chatos, mas ai das minhas cunhadas se os magoarem!!! exclama a Inês e eu encolho os ombros. Claro que o importante é o bem-estar da minha irmão, apresso-me a dizer, mas tenho consciência de que ela não tem um feitio fácil! A Inês não me responde, já adormeceu na posição fetal e eu estendo-me ao lado, adormeço também. Acho que acordamos os dois a meio da noite, trocamos carícias e beijos, mas não tenho a certeza de nada quando acordo. A Inês já não está, vejo as horas, bolas, estou atrasado para a primeira aula do dia, penso e tomo um duche rápido e saio de casa sem tomar o pequeno almoço. Só consigo comer por volta das dez, a minha alu...

GONÇALO E INÊS

  "Se sou o original da família? Não, creio que a original é a minha prima Inês que é actriz, escritora, encenadora... faz tanta coisa que eu desisti de a seguir. E, para ser franco, a verdadeira original é a minha Mãe... Quem é que aos sessenta e tal anos entrega o negócio, um negócio bem lucrativo diga-se de passagem, e vai viajar para a Índia e para o Nepal?..." A Inês interrompe a leitura, olha para mim trocista e solta uma gargalhada, Uau, diz, quem diria que és tão eloquente? Não sabia, estou...admirada, fascinada, acrescenta. Atiro-lhe uma almofada, deixa-te de histórias, apenas respondi às perguntas, tenho que fazer publicidade ao Centro Desportivo, explico, e tu, aponto-lhe o dedo, também podes ajudar! Queres que deixes panfletos na bilheteira do Teatro? Ou na sala de ensaios? Ou no escritório da editora? goza a minha prima e devolve-me a almofada com violência. A Sofia entra nesse momento, a almofada atinge-a de raspão, mas é o suficiente para a minha irmã soltar um...

ANTÓNIO FIM

  Os dias seguintes são um autêntico pesadelo, a Francisca parece uma zombie, o Gonçalo tenta manter a calma, mas descontrola-se quando fica a sós com o irmão. O António volta a pensar na Teresa, suspira, ela faz-me muito falta, saberia o que dizer, como consolar o meu irmão, murmura. O Gonçalo diz ao Pai que deixou mensagem na embaixada, a Mãe já deve ter deixado o ashrama e está quase de certeza num local com acesso à Net, diz. Mas continua a haver silêncio por parte da Teresa, o António ajuda o irmão e a sobrinha a organizar a herança que a Rita deixou, mas a cunhada foi sempre uma pessoa metódica e pouco têm que fazer. A muito custo, o Gonçalo convence a filha a voltar ao trabalho, até propõe regressar à empresa para a ajudar, mas só part-time, avisa, e apenas para me certificar que os processos da tua Mãe estão a ser concluídos.  A Francisca ri-se, tem muitas dúvidas em assumir a gerência, a Mãe treinou-a bem, há sempre aquele ponto de interrogação, compreendes? confessa ...

ANTÓNIO PARTE VI

  A Rita ouve-o atentamente, claro que sim, falará com a Sofia, mas a tua filha é um pouco teimosa, não prometo nada, diz. O António sorri, basta que tentes, comenta, e tu, como vão as coisas? e a cunhada encolhe os ombros. O António repara que ela está a comer muito pouco, a maior parte da comida está no prato, não gostaste? Queres pedir outra coisa? pergunta, mas a Rita abana a cabeça, a verdade é que não me tenho sentido bem nestes últimos tempos, responde, marquei consulta para o médico, mas tive um projecto tão interessante que desmarquei. A Francisca não podia organizar isso? interrompe o António, pelo que diz o Gonçalo, está a tornar-se uma boa profissional, segura de si. A Francisca participou, ajudou bastante, conta a Rita, mas era um pouco complicado, eu tinha que estar presente, e interrompe-se, tem um ataque de tosse violento e o António fica preocupado. Acho melhor levar-te a um Hospital, Rita, decide, não estás nada bem! e levanta-se, pede a conta. A Rita tenta recusa...

ANTÓNIO PARTE V

  Mas a vida continua, a Teresa vai dando notícias, parece feliz, descontraída e o António estabelece uma rotina. Acaba por passar muito tempo com o irmão, acho que não convivíamos tanto desde adolescentes, confessa e o Gonçalo ri-se. Continua preocupado com a ex-mulher, pensa que a filha está a esconder alguma coisa, mas não me quer dizer, explica ao António um dia ao jantar. Não te preocupes, aconselha o irmão, ela dir-te-a quando achar conveniente, e desvia a conversa para a decoração do escritório. Porque resolveu seguir o conselho da ex-mulher e adaptou o quarto do Gonçalo, fez um pequeno escritório, estarei no escritório presencialmente duas, três vezes por semana, justifica, mas vou desenvolver a maior parte da minha actividade aqui. O filho acha uma boa ideia, a filha teme que ele se torne um recluso e tem nova discussão com o marido sobre o assunto. O Dinis começa a ficar farto, nunca está satisfeita, queixa-se ao sogro e o António suspira-se, a Sofia parece mais filha da ...

ANTÓNIO PARTE IV

  A Teresa parte feliz,  toda a família está presente no aeroporto, as recomendações são repetidas e tanto a Carolina como o Pedro estão preocupados. Não a podíamos proibir, diz o irmão, a Teresa é desembaraçada, vai saber como contornar os obstáculos, e a Carolina suspira. Quem continua amuada é a Sofia, ainda por cima ela e o Dinis continuam zangados e o Gonçalo é o mesmo cabeça no ar de sempre e não ajuda. Deixa a Mãe em paz, exclama, ela sempre quis fazer isto e o que interessa se tem mais de sessenta anos? Ainda bem que tenho uma Mãe atenta, cheia de energia! Tu é que pareces que paraste no tempo!!!! Calem-se, interrompe o António, porque é que não vão jantar fora? Talvez essa tensão desapareça e fiquem mais bem dispostos. Eu fico com os miúdos, levo-os ao McDonald's ou encomendo uma pizza... A Sofia abre a boca para rebater a sugestão, mas o Dinis impede-a, por amor de Deus, protesta baixinho, deixa os miúdos irem com o avô, ele precisa de companhia e de se divertir. Vam...