CASO ANTIGO III

 

A Cristina está furiosa, a única noite que tenho livre esta semana, reclama (é enfermeira no Hospital Central) e tu vens tarde??? Não, não quero saber se tens um novo caso.

Podemos ir a outra sessão, sugere o Meireles, mas a Cristina abana a cabeça, já não me apetece, vamos para casa e pedimos take-away, responde.

Não é preciso ficar assim, observa o Sargento e a Cristina para, temos que estabelecer prioridades, repete, não podemos deixar que o trabalho interfira na nossa vida privada.

É a vez do Meireles parar de falar, o que é que estás a sugerir? pergunta calmamente, que deixe a Polícia? Fui muito claro nesse ponto quando nos conhecemos. Aliás, tu também! Por isso, vamos recapitular as nossas prioridades.

Não hoje, declara a namorada, hoje só queria estar sossegada, ter uma noite relaxada e divertida.

Ainda podemos ter, diz o sargento, vá lá, Cristina, não sejas teimosa, mas a namorada está irritada e abana a cabeça.

Vê um táxi, faz sinal, murmura, vou ter com a minha irmã e entra, deixando o Meireles parado no passeio.

Mas o que se passa com ela? Só porque cheguei atrasado? pensa, desconcertado e resolve voltar à sede.

Sabe que está exactamente a fazer o que a Cristina lhe censurou, mas já que a noite está arruinada, bem pode adiantar o trabalho.

Toma notas para discutir com a Brigada dos Gangues no dia seguinte, talvez tenham alguma ideia, mas ao que parece, tanto o Tó como o Zé do Laço eram apenas intermediários.

Sai tarde, envia vários SMS à Cristina que não responde e adormece no sofá.

Acorda mal humorado, a Cristina continua sem responder aos SMS e ele sem não entende a reacção explosiva dela.

CONTINUA

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