APAIXONADAMENTE
Meu amor, Não sei se isto é uma carta de amor. Aquela que nunca escrevi, porque te amei apaixonadamente. Tão forte que até doía só de pensar em ti. Hoje escrevo-a para me lembrar de ti. Agora que te despediste de mim e de tudo o que fizemos juntos. Acordo vazia; arrasto o corpo e os pés pelo tempo e penso sempre que estás no jardim e, a qualquer momento, vais entrar para beber um café. Continuo a fazer os teus queques preferidos que ofereço ao rapaz que trata agora do jardim. Às vezes, ele sugere plantar coisas diferentes, mas eu não deixo. Ele abana a cabeça; deve pensar que estou maluca, senil, mas tu querias o jardim assim e se o mudasse agora, perdia-te. A sala também está igual. Nem arrumei na estante o livro que estavas a ler e sei bem que não o vou ler. Como poderia? Ouviria sempre a tua voz a explicar-me os detalhes mais interessantes do enredo... Mas a loucura maior talvez tenha sido deixar o cão apropriar-se da tua poltrona. Não tenho coragem d...