segunda-feira, 31 de maio de 2021

A FUGA - FIM


No fim de Agosto, a Catarina e o Tomás despedem-se de todos e mudam-se para outra cidade, com novos planos, novos objectivos.

A Glória espera que a Catarina não arrependa, sussurra à Natália, mas esta garante que a Catarina é uma mulher forte, vai saber como vencer as dificuldades.

O Francisco diz que matriculou o Luís no mesmo infantário das irmãs, para ele não se sentir tão sozinho, justifica-se, e anuncia que se vai mudar para um apartamento ali perto.

Fico mais perto dos avós maternos e de vocês, explica, podemos até combinar a boleia.

A boleia? repete o Major, sim, uma semana eu levo o trio ao infantário e o Pai vai buscar por exemplo e na semana seguinte, trocamos continua o filho.

É uma boa ideia, pensa a Glória, o Francisco está a tentar aproximar-se do Pai, uma forma de o compensar pela ausência do irmão.

Eu não sei nada destas combinações; estou a ter sucesso, faço parte da elite da sociedade local, até encontrei uma boa amiga com quem partilho a casa.

É muito diferente da Catarina, é desinibida, embeleza a casa com risos, alegria, festas exuberantes.

Até ao dia em que estou no porto, vou sair de barco com uns amigos e vejo um rapaz alto, de cabelo escuro que me olha fixamente.

Tenho a impressão de que já o vi antes, mas descarto a ideia e por isso, junto-me aos meus amigo, preparado para um dia cheio de Sol, mergulho e churrasco numa praia deserta.

O rapaz que observou atentamente o Frederico é o Gustavo, casou-se há uns meses e teve que adiar a lua-de-mel por causa do trabalho.

Na realidade, não conhece bem o Frederico, se o viu umas duas vezes, foi muito, mas aquele homem é muito parecido com o Major, confessa à mulher naquela noite, e eu conheço bem o Major!

Tens a certeza? pergunta a Luísa, o Gustavo abana a cabeça, não tenho a certeza absoluta, mas que ele tem ares do Major, tem!

Não será o filho que desapareceu? insiste a Luísa e o Gustavo encolhe os ombros, talvez, não sei, repete e não pensa mais no assunto até regressar.

Encontra o Major numa festa familiar, este faz-lhe perguntas engraçadas sobre a lua-de-mel e o Gustavo conta-lhe o que viu.

No dia seguinte, o Major apresenta-se na Polícia, diz que tem fortes razões para acreditar que o filho pode estar naquela ilha do Pacífico.

Mal sei eu o que me vai acontecer quando acordo para mais um dia de Sol radioso numa terra onde o tempo anda devagar.

Mas não tão devagar para a Polícia.

FIM



1 comentário:

Cidália Ferreira disse...

Acho que não acompanhei os últimos. Não pude. Não tenho muita cabeça neste momento!
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Coisas de uma Vida.
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Uma excelente semana...
Beijo