quinta-feira, 30 de abril de 2020

A OPORTUNIDADE - O FIM


" Primeiro, gritou, chamou-nos todos os nomes possíveis e imaginários e depois desatou a chorar..." conta o António à Teresa nessa noite " Só então, é que soubemos que a empresa onde trabalha de manhã em part-time a dispensou, está a ser um esforço pagar as contas..."

" Mas porque é que ela não falou com o Pedro ou mesmo contigo? " interrompe a Teresa " O meu irmão nunca lhe negaria ajuda!"

" Foi exactamente isso que o Pedro disse. Além disso, não está a dormir bem, está a auto-medicar-se e isso não é..." responde o António.

" E agora? " pergunta a Teresa e o António explica que o Pedro achou melhor não a deixar sozinha.

" Por isso, levou-a para casa dos vossos Pais; a tua Mãe pode ajudar. Além disso, vai marcar consulta com o médico dela e depois vê-se..." esclarece o António " Agora, tenho que contratar uma empresa para limpar aquele apartamento."

" Não te preocupes com isso." diz a Teresa " Eu falo com a Carolina e tratamos disso."

Já o Gonçalo acusa a Laura de ser uma " miúda mimada e infantil ", nem sabe como o António e o Pedro têm paciência para a aturarem.

" Eu não tenho!" confessa à Rita. 

O escritório abre oficialmente na semana seguinte e eles estão a verificar a ligação à net e a configuração dos programas.

" Não estás a ser um pouco egoísta? " comenta a Rita " Coitada! Está a lidar com muita coisa... o Pedro e ela separaram-se, perdeu o part-time, está com dificuldades financeiras."

" Por isso mesmo! Tem dois irmãos e um marido que a podem ajudar!" exclama o Gonçalo " Não consigo entender isso!"

A Rita não diz mais nada; o Gonçalo não deixa de ter uma certa razão. 

O médico acha que a Laura está muito deprimida, aconselha uma consulta com um profissional.

A Laura resiste à ideia, mas tanto o Pedro como os irmãos impõem-se e ela acaba por ir.

" Achas que vai resultar? " questiona a Teresa e o Pedro espera que sim.

O António exige que ela continue a trabalhar na empresa, o médico afirma que é uma boa ideia para ter a mente " ocupada".

O Gonçalo e a Rita adiam a festa de promoção da nova empresa para que a Laura vá.

E é bom vê-la a conversar, a rir, a aproveitar a nova oportunidade que a vida está a dar.

Porque é isso que a Laura tem que aprender, pensa a Teresa, a viver, a arriscar e mesmo que não resulte, a não desistir.

O António chama-a, a Teresa sorri e concentra-se em aproveitar a festa.

FIM




quarta-feira, 29 de abril de 2020

A OPORTUNIDADE - PARTE V


O silêncio é total e o choque é total quando o Pedro acende a luz.

Nunca na vida o apartamento esteve tão desarrumado! Roupa espalhada por todo o lado, comida já estragada esquecida na mesa e a televisão ainda ligada.

A Laura está deitada no sofá, a ressonar ligeiramente.

O Gonçalo abre uma janela, é necessário que o ar circule e o António pousa a mão no ombro da Laura.

O Pedro desliga a televisão e fica ali parado, sem saber o que fazer.

A Laura acorda, resmunga o que se passa? quem é? e o António responde:

" Somos nós, queremos falar contigo! Mas primeiro vai tomar um chuveiro para ver se acordas!"

" António? Mas o que estás aqui a fazer? " mas o irmão aponta o caminho para a casa de banho.

O Pedro começa a recolher os pratos e a levá-los para a cozinha tão suja como o resto do apartamento.

Como é que a Laura consegue viver assim? Sempre teve a casa impecável e desleixar-se a este ponto... não, não deve estar nada bem.

O Gonçalo e o António juntam a roupa num monte que colocam numa cadeira.

" Esta casa precisa de ser limpa a fundo!" diz o Gonçalo " Ela não deve estar bem, pois nada? "

" Não, não está nada bem!" concorda o António, mas não diz mas nada porque a Laura entra nesse momento com o cabelo molhado e roupa limpa.

" Vocês estão doidos? O que é que estão aqui a fazer? E, tu..." pergunta ao Pedro que volta à sala com um ar muito desanimado.

" Queremos saber o que se passa contigo! Porque, pelo aspecto desta casa, não deves estar bem!" comenta o António " Por isso, diz-nos o que se passa, pois queremos ajudar."

" Não se passa nada! Vocês são uns exagerados!" responde a irmã " Se tem algum jeito acordarem-me a esta hora...."

" Não, não somos nós os exagerados. Tu estás com problemas, a meter-te na vida de toda a gente e estamos a perder a paciência!" observa o Gonçalo.

A Laura ri, mas o riso não é nada agradável e o Pedro intervém:

" Conheço-te muito bem, Laura e se há algum problema, tens aqui três pessoas que te podem ajudar."

CONTINUA

terça-feira, 28 de abril de 2020

A OPORTUNIDADE - PARTE IV


O Pedro não quer acreditar no que a irmã está a dizer.

Mas o que se passa com a Laura? Não deve estar nada bem para ter este tipo de atitudes.

" Tive pena do meu irmão!" conta a Teresa ao António nessa noite ao jantar " Ficou preocupado, desapontado... Fiquei sem saber o que dizer para o consolar!"

" Também eu estou preocupada com a Laura. Sei que ela tem atitudes infantis, irresponsáveis, mas isto está realmente a ultrapassar os limites." confessa o António " Não sei mesmo o que devo fazer..."

" Porque não tentas falar novamente com ela? " sugere a Teresa " Talvez ela esteja mais calma e compreenda o ponto de vista dos outros."

Mas a Laura recusa-se a falar com o António e muito menos com o Pedro que fica muito ofendido.

Não perdeu ainda a esperança de uma reconciliação, diz a Teresa, mas o Gonçalo resmunga que só se for doido é que volta para a Laura.

Oh, Gonçalo, não estás a ser nada caridoso, repreende-o a Rita quando sabe.

Estou a ser objectivo, defende o Gonçalo e o António acha que a Laura tem que os ouvir, não importa como.

" Fazemos-lhe o que ela te fez! Tocamos à campainha às seis da manhã e ela não tem como escapar!" observa o Gonçalo " Não se vai falar deste assunto na frente dos teus colegas!"

" Será que o Pedro ainda tem a chave? " questiona o António.

O Pedro ainda tem a chave, insiste em os acompanhar, talvez a Laura o ouça.

A Teresa duvida, mas não o diz alto. Só espera que a Laura não o magoe ainda mais.

Por isso, às seis da manhã naquele dia, os três encontram-se em frente do prédio da Laura.

O Pedro abre a porta, entram no elevador.

Estão os três muito nervosos.

CONTINUA




segunda-feira, 27 de abril de 2020

A OPORTUNIDADE - PARTE III


" O quê??? A Laura acordou-te às seis da manhã porque não concorda com o que decidi fazer??? Mas ela está parva ou faz-se?" comenta o Gonçalo quando almoça com o António uns dias depois.

O cliente adorou o projecto, o Banco aprovou o pedido de empréstimo e a Rita encontrou o escritório perfeito perto da casa dela.

As coisas estão a correr bem, o Gonçalo não precisa de alguém mal humorado a contrariar os objectivos, muito menos a irmã. 

Supostamente, devia apoiá-lo, não incondicionalmente, pois tem o direito à sua opinião, o Gonçalo não questiona, mas fazer cenas deste género não!

" Ela está preocupada..." observa o António " Não, a Laura está a exagerar. Como é habitual!"

" Sempre gabei a paciência do Pedro! Deve ter atingido o limite." diz o Gonçalo.

" Creio que a Teresa também pensa isso, mas não o diz abertamente. Para não me ofender... Mas sempre vais avante com a ideia de trabalhares a tempo inteiro com a Rita?" pergunta o irmão.

O Gonçalo explica detalhadamente os planos e o António pensa que está tudo bem estruturado, não esperava outra coisa, até porque a Rita é uma profissional competente, com mente aberta.

" E se não resultar? Acho que é isso que preocupa a Laura!" insiste o António e o Gonçalo encolhe os ombros.

" Não resultou e terei que procurar outras alternativas! Mas a Rita tem muitos contactos, eu também tenho alguns e isto vai resultar!" diz.

Entretanto, o Pedro resolve visitar a Teresa, gosta do ambiente descontraído da loja e a irmã tem sempre coisas divertidas para lhe contar.

A Teresa também está satisfeita, fez-lhe um novo pagamento.

" Deve estar disponível na tua conta amanhã ou depois!" diz " Também transferi alguma coisa para a conta da Carolina."

" Já te dissemos para teres calma... Nós esperamos o tempo que for preciso!" contesta o irmão.

" Não, isto foi um empréstimo... É como se estivesse a pagar ao banco!" insiste a Teresa, sorrindo " Já sabes a última da tua mulher? "

O Pedro respira fundo, até tem medo de perguntar, mas a curiosidade vence.

" O que é que ela fez desta vez?"

CONTINUA

domingo, 26 de abril de 2020

A OPORTUNIDADE - PARTE II


A Laura saí, bate com a porta sem qualquer respeito pelas pessoas que estão ainda a dormir.

" Esta minha irmã cansa-me." confessa o António " Qual é o problema do Gonçalo arriscar e fazer qualquer coisa nova?"

" Inveja? " sugere a Teresa " Neste momento, a vida da Laura está complicada. O Pedro separou-se dela, a loja online não foi avante..."

" Mas todos nós temos revezes na vida e temos que continuar... Não podemos ficar parados e a lamentar o que podia ter acontecido!" suspira o António.

" Nem todos encaram as coisas dessa forma tão filosófica!" diz a Teresa sensatamente.

" Mas a Laura está a exagerar! Tenho que conversar com o Gonçalo!" repete o António.

" Então, não sabias que o Gonçalo estava a pensar em " dar o salto" ? " pergunta a Teresa, sorrindo e pensando que esta família é cheia de surpresas.

" O Gonçalo falou nisso por alto e eu disse-lhe para avançar. Porque não? Agora é que ele deve arriscar..." observa o António.

Sim, e porque é que a Laura não entende isso? Porque é uma egoísta, murmura a Teresa enquanto prepara o pequeno almoço. 

O Gonçalo ainda está a dormir. 

Deitou-se tarde, a rever uns detalhes do projecto que têm que entregar até ao final do dia.

A Rita já está acordada, os detalhes que o Gonçalo acrescentou são excelentes e tem a certeza de que o cliente vai aprovar.

CONTINUA

sábado, 25 de abril de 2020

A OPORTUNIDADE


A Teresa e o António acordam sobressaltados.

O António vê as horas, valha-me Deus, são seis da manhã, quem será? e levanta-se.

A Teresa é mais lenta e quando chega ao hall, a Laura já lá está e a falar tão depressa que ninguém percebe nada.

" Tem calma, Laura e diz-me o que se passa de tão grave para me acordares às seis da manhã!" pede o António, já a pensar o pior.

O Pedro teve um acidente, pensa a Teresa de imediato e tem que se sentar, pois sente um peso no peito que não a deixa respirar.

" Já falaste com o nosso irmão? " pergunta a Laura e a Teresa respira novamente. Mas o que se passa com o Gonçalo?

" Não, não falei com o nosso irmão. Mas o que ele fez não deve ser assim tão grave para tu me acordares às seis da manhã!" responde o António.

" Vai despedir-se e trabalhar a tempo inteiro com a tal Rita. Não é de loucos?" explode a Laura.

O António relaxa e diz calmamente:

" Qual é o problema? Sei que ele tem ajudado a Rita com os projectos dela e a parceria está a resultar..."

" Mas é uma loucura! Vai trocar um emprego fixo por uma coisa que não está ainda bem definida." interrompe a Laura.

" Calma aí! A Rita tem muitos contactos, está a construir uma boa carteira de clientes e está a precisar de ajuda. O Gonçalo conhece-a bem, admira-a profissionalmente, está a ter uma oportunidade de desenvolver as suas próprias ideias." explica o António.

" Está no início da carreira e sente que este é o momento de arriscar." acrescenta a Teresa. Esta Laura é tão complicada, não admira que ela e o Pedro estejam a ter problemas, murmura.

" TU CALA-TE!" grita a cunhada e o António tem que se controlar para não lhe bater.

" O que a Teresa disse está certo. Deixa o Gonçalo viver a vida dele; se cair, ele levanta-se."

" Acontece a todos!" comenta sensatamente a Teresa.

" VOCÊS SÃO IMPOSSÍVEIS!" 

CONTINUA




sexta-feira, 24 de abril de 2020

O FIM DE SEMANA - FIM


" Calculo que não esteja! E as outras pessoas? " diz a Rita e a Cristina explica que não renovaram os contratos a termo certo, dispensaram os estagiários e os outros estão a trabalhar nos locais onde há falta de pessoal.

" Ninguém nos diz nada, não sabemos o que pretendem fazer." queixa-se a Cristina " A Dra Rita está a trabalhar? Não pode falar com os responsáveis e recomendar-me? "

" Estou a trabalhar como freelancer, Cristina e neste momento, não tenho lugar para si. Posso falar com algumas pessoas que conheço, talvez a possam ajudar." promete a Rita " Isto tudo deve ter sido obra do Dr Nunes, não foi?" acrescenta.

" Provavelmente, não digo que não, mas não sabe que ele foi suspenso?... não, não foi desvio de dinheiro...." apressa-se a esclarecer a Cristina " Ao que parece, há uma queixa de assédio contra ele."

" Recente? " interrompe a Rita, mas a Cristina não tem a certeza.

" Acho que foi na Delegação do Centro. Pensaram que a vítima tinha retirado a queixa, mas pelos vistos, ela avançou com o caso e ele foi convocado pelo Ministério. Claro que a Gerência suspendeu-o de imediato, até quando não sei..." conta a ex-secretária.

Por esta é que a Rita não esperava, confessa-o à Madalena.

" Não estou nada surpreendida. O Bernardes disse que há algumas queixas desse tipo contra ele, mas ele deve ter pago às vítimas, porque estas desistiram do processo. Esta não o fez, ainda bem!" observa a irmã.

" E não me disseram nada???" reclama a Rita, mas a irmã defende-se, dizendo que ela já tinha pedido a demissão.

Quando sabe, o Bernardes também não fica surpreendido, mas embora prometa saber mais pormenores, o caso em que trabalha é tão complicado que se esquece por completo.

Meses mais tarde, a Rita vai almoçar com antigos colegas e sabe então que o Dr Nunes foi " exonerado" das suas funções (convidaram-nos a sair, diz um, não, não, deram-lhe um pontapé no traseiro, troça o outro).

" Talvez a convidem para trabalhar lá novamente!" sugerem, mas a Rita apenas sorri.

A vida como freelancer não está a correr mal, pode escolher os projectos e organizar o horário em função disso.

Não é que não tivesse essa liberdade na empresa, mas está a gostar de ter o controlo absoluto, sem mais interferências.

Tem que agradecer ao Dr Nunes por isso. Ou talvez não, porque é uma idiotice, como diz a Madalena, ela é que trabalhou para que as coisas resultassem.

FIM

quinta-feira, 23 de abril de 2020

O FIM DE SEMANA - PARTE VI


Já em casa, a Rita duvida se tomou a decisão certa, talvez devesse ter ficado e enfrentado o Dr Nunes.

Talvez ele se cansasse e a deixasse em paz, mas está provado que a prejudicaria profissionalmente se resistisse e seria sempre a palavra dele contra a dela.

Por isso, o que vou fazer? Trabalhar como freelancer, abrir uma empresa?

Há pessoas com quem deve falar, tem a certeza de que a vão ajudar e passa a tarde ao telefone.

Entretanto, o Bernardes descobre que há uma série de queixas arquivadas contra o Dr Nunes.

A vítima acaba por retirar a queixa de assédio moral e sexual, talvez ele lhe ofereça dinheiro, o Bernardes não sabe.

" Então, esse Dr Nunes é um idiota. " diz a Madalena " Mas ninguém descobriu isso? Ele ocupa um cargo importante...."

" Por ocupar um cargo importante é que o faz e sabe que fica impune se oferecer dinheiro à vítima." explica o Bernardes " A Rita teve sorte... embora prejudicar-se profissionalmente não terá sido a melhor opção."

" É uma decisão dela. Talvez encontre alguma coisa mais interessante... não sabemos!" suspira a irmã.

No fim do mês, a Rita tem dois projectos para desenvolver como freelancer.

São empresas pequenas, querem alargar a sua influência no mercado e precisam de investir numa boa política de marketing.

O Gonçalo prontifica-se a ajudar a nível gráfico e a Rita fica muito admirada quando a ex-secretária lhe telefona.

" Mas o que se passa, Cristina? " pergunta e a secretária diz-lhe que o departamento foi fechado.

" Continuo como funcionária da empresa, mas não tenho lugar fixo. Posso estar de manhã na Contabilidade e à tarde na recepção. Não me sinto feliz." confessa a Cristina.

CONTINUA

quarta-feira, 22 de abril de 2020

O FIM DE SEMANA - PARTE V


" Quando ele diz que sei muito bem como resolver o impasse profissional... não havia mais nada a discutir." conta a Rita à Madalena mais tarde " Dei como terminada a reunião, ele só se ria e apresentei a minha demissão."

" Oh, Rita, não fizeste isso! Trabalhaste tanto para conseguir a promoção... Falavas com o Bernardes, ele melhor que ninguém sabe como lidar com esse tipo de situação!" observa a irmã.

" Não, acho que tomei a decisão correcta. Se a empresa não valoriza o meu trabalho, tenho que sair. Não vou deixar que aquele idiota controle a minha vida pessoal e profissional. " insiste a Rita.

" Não lhe estarás a dar a vitória de bandeja? Porque é um desperdício abdicares de uma carreira brilhante e por causa de um homem que é um idiota!" diz a Madalena.

" Talvez... mas não quero andar em guerras. Agora tenho a certeza de que isto é um jogo para ele, não sou um troféu para ele conquistar e deitar fora." repete a Rita.

" O que é que o Director disse da tua demissão? " pergunta a irmã.

" Ainda não tive oportunidade de discutir isso com ele." e a Rita suspira.

O Bernardes escuta atentamente a mulher quando ela lhe expõe a situação e se bem que compreenda a lógica da decisão da Rita, não tem a certeza de que foi a mais acertada.

" Ele pode continuar a persegui-la mesmo se ela estiver fora da empresa. Talvez seja melhor a Rita mudar de nº de telemóvel; espero que ela não lhe tenha dado o endereço pessoal de mail." explica " Sabes o nome dele? Talvez possa fazer algumas perguntas discretas...!"

O Director não entende o motivo da demissão e tenta demove-la, mas a Rita é inflexível.

Não, não posso ficar se a empresa não valoriza o meu trabalho, repete e o Director pergunta-lhe abertamente se é por causa do Dr Nunes.

" Eu e o Dr Nunes temos opiniões muito diferentes e não vejo como podemos chegar a um compromisso." esclarece.

O Director aceita relutante a demissão, o Departamento fica em choque quando sabe e a Rita arruma a secretária.

E agora?


CONTINUA

terça-feira, 21 de abril de 2020

O FIM DE SEMANA - PARTE IV


" Fiquei a impressão de que ele fez de propósito..." desabafa a Rita com a Madalena " Porque é o meu departamento, eu é que sou responsável pela gestão e pelo pessoal. Tenho que coordenar a minha gestão com as regras da empresa, mas tenho que ser ouvida."

" Esse homem é um idiota para não dizer pior...." concorda a Madalena " Mas não será melhor falares com o Bernardes? Isso de dizer que não vai desistir... preocupa-me."

" É melhor não....Vamos ter calma e ver o que ele faz... Não acredito que ele me vá perseguir." responde a Rita.

Mas é exactamente isso que o Dr Nunes faz.

Nas reuniões de trabalho, o Dr Nunes veta qualquer proposta que a Rita apresente a ponto do Director Geral pedir para resolverem os " quaisquer problemas que tenham para o bom funcionamento da empresa."

" Mas da minha parte não há qualquer problema!" protesta a Rita " Estou a cumprir o orçamento prevista, não sei porque é que o Dr Nunes está a vetar as minhas propostas."

" Também eu não, mas a verdade é que ele está a dizer que a Rita não está a colaborar." explica o Director " Acho que isso não é a verdade, conheço-a muito bem; por isso, reúna-se com o Nunes e tentem chegar a acordo."

A Rita pede à secretária para marcar uma reunião com o Dr Nunes, melhor aqui no meu gabinete, pensa, terei mais controlo.

O Dr Nunes chega, cheio de energia e sorrisos e a Rita espera que ele mantenha a postura profissional.

" Minha querida Rita, espero que tenha mudado de ideias." diz " Tudo isto... " e aponta para os ficheiros em cima da secretária " fica resolvido se passar comigo o fim de semana. Descobri uma quinta maravilhosa, a Rita vai adorar...."

A Rita fica tão surpreendida que não responde por uns segundos; depois, escolhendo bem as palavras, observa:

" Creio que o Dr Nunes está a confundir as coisas. Isto é uma reunião profissional para resolver um problema profissional."

Mas o Dr Nunes sorri e a Rita não gosta nada daquele sorriso calculista, cruel.

CONTINUA


segunda-feira, 20 de abril de 2020

O FIM DE SEMANA - PARTE III


A Rita está cansada naquela manhã, mas prepara uma pequena lista com sugestões que lhe parecem ser viáveis para a reestruturação do departamento.

Contudo, o Dr Nunes rejeita-as, nem as quer discutir, desculpando-se com o facto da Dra Rita não estar a entender a minha política que, para resultar, implica sacrifícios tanto de pessoal como de projectos.

Não, contesta a Rita, é o Dr Nunes que não está a entender que treinei estas pessoas e agora tenho que lhes dizer que estão dispensadas??? Não é tão simples como o Dr acha que é.

O Dr Nunes ri-se, a Rita fica ainda mais furiosa e o Administrador acha melhor interromper a reunião.

Quero as vossas propostas para a reestruturação do Departamento na minha mesa amanhã até ao final do dia, eu vou analisar e decidir qual é a melhor, diz.

O Dr Nunes fica contrariado, a Rita está aliviada e começa a guardar os documentos na pasta.

" A Rita não pode levar isto tanto a peito!" comenta o Dr Nunes " Compreendo que defenda as pessoas que trabalham no seu departamento, mas temos que encontrar uma forma de o rentabilizar ainda mais."

" Reduzindo o pessoal e sobrecarregar quem fica? " pergunta a Rita.

" Oh, Rita, Rita, não quer mesmo entender as coisas! Vamos almoçar juntos? Quero conversar consigo sobre a quinta onde vamos passar o fim de semana!" responde o Director.

A Rita fica muito séria e olha-o atentamente:

" Acha mesmo que vou passar o fim de semana consigo? "

" Isto é um problema profissional, não tem nada a ver com o que fazemos fora da empresa." replica o Vitor " Está a confundir as coisas, Rita! Deixe de ser infantil e venha almoçar comigo!"

" Não, não vou almoçar consigo. Nem vou passar o fim de semana fora com o Dr Nunes. " repete a Rita " Fui clara? "

O Dr Nunes sorri, um sorriso frio, calculista:

" Não podia ser mais clara! Mas, sabe, não vou desistir!" e saí da sala, deixando a Rita nervosa.

CONTINUA

domingo, 19 de abril de 2020

O FIM DE SEMANA - PARTE II


" Agora é que não entendo nada! " queixa-se a Madalena " Afinal, com quem estás a sair? Não é com esse tal Dr Nunes, o Director do Departamento Financeiro?"

" Sim, sim... mas continuo a ser amiga do Gonçalo. E, sim, tive um caso com ele, mas agora somos amigos, colegas de trabalho." acrescenta ao ver a expressão perplexa da irmã.

A Madalena fica calada, não sabe bem o que dizer, mas entretanto a Clarinha chega e exige toda a atenção da Rita.

Depois do jantar, quando os miúdos estão nos respectivos quartos, a Madalena conta o que se está a passar ao Bernardes.

" Se calhar, a Rita e esse tal Gonçalo chegaram à conclusão que é melhor serem amigos do que amantes. Não disseste que ele é mais novo do que a Rita?" pergunta o inspector.

" Sim, mas custa-me a acreditar que a Rita tenha tido um caso com um homem mais novo!" responde a mulher " A Rita é tão viva, tão ... "

" Sensual? " sugere o marido " Talvez tenha sido por isso que o Gonçalo se sentiu atraído. A tua irmã é uma mulher muito interessante... e muito honesta. Não acho nada de anormal."

" Fiquei apenas surpreendida... Espero que as coisas resultem com o Dr Nunes, já te falei nele? " mas o telemóvel toca e o Inspector tem que sair.

A Madalena suspira, já devia estar habituada.

Entretanto, a Rita e o Dr Nunes terminam de jantar num restaurante perto do escritório.

A reunião de trabalho terminou tarde, a Rita não concorda com alguns pontos da proposta para a reestruturação do departamento dela e está um pouco zangada.

O Dr Nunes leva-a a casa e pergunta se pode subir.

" Não, hoje não. Estou um pouco cansada, quero rever a proposta e depois descansar." diz.

" Mas o que há a rever? Sabe tão bem como eu que vai ter que ceder. " interrompe o Dr Nunes, um pouco agressivo.

" É o meu departamento; eu sou responsável pela sua organização e pelas pessoas que lá trabalham." contesta a Rita " Conheço-as há anos e não vai ser fácil ter que decidir quem fica e quem saí."

" É o que acontece quando se reestrutura um departamento. Não sei qual é a dúvida. Vá lá, Rita, seja razoável e deixe-me subir." e o tom do Dr Nunes é arrogante.

A Rita não gosta, sente-se desconfortável e repete que não, é melhor não.

Saí do carro e apressa-se a entrar no prédio.

Está confusa, irritada e totalmente surpreendida pela arrogância do Director.


CONTINUA

sábado, 18 de abril de 2020

O FIM DE SEMANA


" Vá lá, conta-me tudo... Até os detalhes mais eróticos!" pede a Madalena.

A Rita ri-se. Está mais bonita, repara a irmã, o novo corte de cabelo favorece-a.

" É bom. Um pouco ríspido, mas sabe o que quer, apresenta as ideias de forma coerente... É um bom profissional!" repete.

" Não foi isso que perguntei!" protesta a Madalena " Vocês têm saído juntos, não aconteceu nada? "

" Nada de especial... Temos jantado juntos, é um facto, trocamos uns beijos... mas para já é tudo..." confessa a Rita e ao ver a expressão da irmã, ri-se e continua " Convidou-me para passar o fim de semana com ele numa quinta de turismo rural."

" Ups! Isto está a ficar sério!" interrompe a Madalena " E quando vais? Onde é?"

" Calma, ainda não aceitei." diz a Rita " Está a ser tudo muito rápido."

" Por amor de Deus! Anda para a frente, esquece o que aconteceu com o Fernando." diz a Madalena " Eu não hesitava!"

" Não foi só o Fernando!" responde a Rita " Mas isso foi diferente!

" O que é que não me contaste, Rita Maria? " insiste a Madalena.

" Conheci o irmão mais novo do António... e estivemos envolvidos. O Gonçalo é divertido, muito diferente do António e fez-me sentir viva." conta a Rita.

" Ah, a esconderes-me coisas?" reclama a Madalena " Mas esse Gonçalo deve ser um miúdo!"

" Não, é um homem muito interessante... " a Rita suspira, sonhadora.

CONTINUA

sexta-feira, 17 de abril de 2020

A PERSPECTIVA - FIM


A Laura aceita mal a relação do irmão com a Teresa e insiste que ela o vai destruir, como a Graça, vais ver, diz-me.

Fico furioso, a Teresa é incapaz de magoar os outros deliberadamente, friso, mas a Laura não quer ouvir.

Dou por mim a sair de casa, a dar voltas ao quarteirão de carro e acabo por parar à porta da casa dos meus Pais.

Ficam surpreendidos por me verem, percebem que estou agitado e aconselham-me a dormir, vais ver que amanhã, a perspectiva da situação é diferente, repetem.

Acordo tarde e mal disposto, a Mãe diz que já telefonou para a empresa a avisar que tive um problema pessoal e não vou trabalhar.

Ouvem atentamente o que tenho para dizer, concordam que a atitude da Laura é disparatada, devia estar contente por ver o irmão feliz, acrescentam.

O que devo fazer? Isso és tu quem decide, afirmam e eu resolvo voltar para casa, conversar uma vez mais com a Laura.

O Gonçalo está lá, o António deve estar a chegar, estamos a reunir o Gabinete da Crise, brinca.

Mas a Laura não aceita os argumentos, a certa altura, o António desiste e vai-se embora e o Gonçalo confessa que não sabe o que dizer, rematando com um " és impossível de aturar!"

Ficamos os dois sozinhos no meio da sala, já não há mais a dizer, acho que a Laura não está a perceber a situação complicada que está a criar.

Para todos, explico, preciso de pensar, acho que vou ficar uns dias em casa dos meus Pais.

A Laura não diz nada e isso enfurece-me ainda mais.

Faço uma mala, volto depois para buscar mais coisas e saio, sem que a Laura diga uma palavra.

" A tua irmã é teimosa!" e o António serve-me uma bebida. 

Decidi não ir para casa dos meus Pais e o meu cunhado cede-me o quarto de hóspedes.

" O que vais fazer? " pergunta e eu encolho os ombros.

" Espero que a Laura veja a luz, compreenda como está a ser irracional, infantil... Não aceito ultimatos, não me vou afastar da Teresa... " admito.

" Nem eu!" repete o António.

Engraçado pensar que a vida tão organizada que eu tinha tenha ficado num caos por causa de uma idiotice, murmuro.

O que é que a Laura estará a pensar? Provavelmente, nada.


FIM

quinta-feira, 16 de abril de 2020

A PERSPECTIVA - PARTE VI


O Gonçalo interrompe-nos, a Teresa reclama a atenção do António e todos parecem estar divertidos.

Todos menos a Laura que continua de mau humor e até o meu Pai, quando se despede me pergunta discretamente se as " coisas estão bem entre ti e a Laura."

Sinceramente não sei e a discussão é de tal maneira azeda que volto a dormir no quarto de hóspedes.

" Acho que vou arrumar lá umas coisas... Começo a passar lá muito tempo... " queixo-me à Teresa no dia seguinte.

A minha irmã fica calada por uns minutos e depois pergunta-me:

" Afinal, o que é que a Laura quer? Porque é que não gosta de mim? "

" Os Anjos te respondam... porque eu não sei!" respondo.

" Não quero que tenhas problemas com ela por minha causa." diz a minha irmã.

" Isso está fora de questão!" protesto " A Laura não vai interferir na relação que tenho com a minha família."

" Sei que ela não concorda com o meu estilo de vida, mas eu também posso não concordar com o dela, o que não é o caso, mas não me diz respeito. É também por causa do António? " observa a Teresa.

Olho-a abismado; é em parte isso e não o posso negar.

" Tu e o António estão a dar-se bem? "

" Muito bem... O António é um homem interessante, culto e descobri que até tem um lado divertido. Não estamos a pensar em viver juntos, mas é uma hipótese que podemos discutir daqui a uns tempos." afirma a Teresa.

" Fico contente. O António sofreu muito com a história da Graça, merece ser feliz... e tu mereces ser feliz..." comento.

" A Laura precisa de crescer. Porque concordo contigo: ela não vai interferir na minha relação com o António!" repete a Teresa.

E o António diz-me a mesma coisa quando converso com ele sobre a Laura.

CONTINUA 


quarta-feira, 15 de abril de 2020

A PERSPECTIVA - PARTE V


A Teresa vem ao jantar. Na companhia do António, uma surpresa para a Laura.

A Teresa cortou o cabelo, a madeixa agora é cor de rosa. Talvez em atenção ao António, escolheu um elegante conjunto de calças e túnica.

Entrega-nos um bolo, uma receita nova da Margarida, diz, e a Laura nem obrigado diz.

A Teresa sorri, coloca o bolo na mesa das sobremesas e volta com duas taças de champagne.

Dá uma ao António, vou falar com os Pais, explica e afasta-se.

A Laura continua calada, aperto-lhe o braço, sussurro " nada de fazer uma cena agora.".

A minha mulher tira a minha mão do braço e desaparece na cozinha.

" Ufa! Esta tua irmã... " desabafo.

" Está a ser muito pouco razoável. Tentei falar com ela, mas... não gosta da tua irmã e não diz porquê." confessa o António " Em contrapartida, a tua irmã é muito discreta, estava toda preocupada, porque não sabia se a Laura ia gostar do bolo."

" Coisa típica da Teresa! Foi sempre a pacificadora... mesmo em criança. Ás vezes, eu e a Carolina discutíamos, estávamos dias sem falar um com o outro e a Teresa não descansava enquanto não fazíamos as pazes." conto.

" Eu sei. Ela fala de vocês com muito carinho." concorda o meu cunhado.

" Ao que parece, tu e a Teresa estão a encontrar-se fora do ambiente profissional!" digo.

O António ri-se e responde:

" A Teresa é uma pessoa interessante, sempre com ideias novas. É difícil estarmos apreensivos, tristes ao pé dela. E o melhor de tudo, é que sabe ouvir."

" Diferente da Graça? " sugiro e o António fica muito sério.

" Em nada parecida com a Graça!" repete.

CONTINUA

terça-feira, 14 de abril de 2020

A PERSPECTIVA - PARTE IV


A Carolina sorri, também está divertida e eu deixo-me contagiar pelo ambiente descontraído que ali reina.

A loja parece saída do século passado (o António conta-me mais tarde que a Teresa e os sócios trataram de tudo desde a limpeza da loja até à instalação dos móveis com a ajuda de amigos) e a única nota de modernidade é a caixa registadora.

A minha irmã está feliz, os meus sobrinhos ainda mais e até levam panfletos para distribuírem na escola, pois querem contribuir para o sucesso da loja, dizem.

A Laura continua amuada, não me pergunta nada quando regresso e decido ignorar.

A Teresa é um assunto tabu entre nós, a Laura quer excluí-la da lista de convidados para o jantar na semana seguinte e isso é a gota de água.

Telefono ao António, conto-lhe o que se está a passar e peço-lhe que converse com a irmã.

" Estou cansado... às vezes, a tua irmã tem atitudes tão infantis e a minha paciência tem limites." confesso.

" Não sei se vai adiantar muito. Vou tentar, claro e o mais que pode acontecer, é teres uma mulher amuada no jantar." responde o meu cunhado " Também não percebo a antipatia, porque a Teresa é uma pessoa interessante. É extravagante, mas é isso que a torna especial."

" Eu sei. A Teresa é a pessoa mais honesta que eu conheço; se não gostar de uma coisa, diz-te frontalmente." admito.

" Talvez seja disso que a Laura não goste. Porque a loja está a ter lucro... não é nada de extraordinário, mas estão a sobreviver. Aliás... " esclarece o António " a tua irmã e a sócia, acho que se chama Margarida, inscreveram-se num curso qualquer... Para compreenderem melhor a dinâmica das coisas, disseram."

" Com a Teresa, não me admira nada. Ela é muito criativa..." digo.

" Sabes, convidei-a para jantar um dia destes... " o meu cunhado parece hesitante.

" Ah, sim? Cansado de jantar só com o Nicolau e com o Gonçalo? " brinco e o António ri-se.

" Como te disse, a Teresa é uma mulher interessante." repete.

CONTINUA

segunda-feira, 13 de abril de 2020

A PERSPECTIVA - PARTE III


O António concorda em se encontrar com a Teresa e os amigos para discutir o novo projecto.

" É muito simples, muito bem pensado..." diz mais tarde " Além dos vegetais e da fruta da época, também tencionam vender ovos caseiros e compotas caseiras. Já pensaram num logótipo, vai ser tudo feito artesanalmente."

" Então, achas que é de investir? " insisto e o António acha que não haverá qualquer problema.

" A tua irmã Teresa parece ser uma pessoa criativa. Também lhes disse que posso encarregar-me da contabilidade da loja." acrescenta o meu cunhado.

Falo novamente com a Carolina, propomos um valor que a Teresa aceita.

A única coisa que pedimos é que aceite a proposta do António e este seja o responsável pela contabilidade.

" Sim, sim, já discutimos isso e estamos de acordo. E não se preocupem, porque eu pago tudo...Posso demorar seis meses, um, dois anos, mas pago tudo!" garante.

" Nós sabemos!" afirma a Carolina e a Teresa explica-nos exactamente o que vai fazer.

Estou satisfeito, a minha irmã parece feliz e a única sombra é a Laura.

" Vai dar cabo de tudo! Uma loja de produtos artesanais, ora!" repete.

" Há outras lojas do género que estão a ter sucesso! Qual é o teu problema? Inveja porque a tua loja online não resultou? " digo e arrependo-me de imediato.

" O que é que isso tem a ver? A minha loja ia ser uma coisa sofisticada..." explica a Laura.

" A da Teresa é artesanal. É no que ela acredita e por isso, emprestei-lhe dinheiro e ela paga-me quando puder!" insisto.

A Laura não diz mais nada e recusa-se a ir à inauguração da loja.

Quando lá chego, o António e o Gonçalo já estão a provar os scones com compota de morango feitos pela Margarida, uma das amigas da Teresa.

A Carolina trouxe os filhos mais novos, a quem a Teresa encarregou de distribuir os panfletos sobre a loja e objectivos.

" Eles parecem divertidos!" comento ao ver o Matias e o Edgar a falarem animadamente com uma pessoa que ia a passar na rua e acaba por entrar na loja.

CONTINUA