domingo, 30 de junho de 2019

O CULPADO - PARTE III


" E, o que vamos fazer agora? " pergunta a Conceição.

" Esperar... Talvez o email funcione e se possa responder a questões simples. Explicar aos clientes.." suspira a Anabela.

" Voltar ao sistema antigo do papel... " brinca a Isabel.

" Ou talvez se possa consultar a nuvem através de uma outra ligação...." contrapõe a Conceição.

" Ou esperamos que os Técnicos verifiquem tudo e apresentem uma sugestão..." interrompe o André, sentindo o ambiente tenso.

Os Técnicos conseguem restabelecer a ligação de Internet e abrem as contas do email.

Aconselham a não aceder ainda aos arquivos digitais, porque o vírus está alojado aí.

No gabinete, todos respondem aos mails e tentam minimizar a situação, resolvendo, como a Anabela sugeriu, problemas simples.

" Vamos gastar muito dinheiro em cópias." pensa a Conceição ao ver a Anabela a tirar umas cópias " Criava um ficheiro no disco e depois passava na nuvem. É burra!"

Mas é exactamente isso que a Anabela está a fazer, mas imprimiu uma cópia, pois quer verificar o stock de um artigo.

Como a ligação entre os Departamentos está interrompida, a Anabela tem que descer e conversar com os colegas.

O Departamento de Stocks está a operar normalmente; não foram muito afectados, dizem, embora estejam a comparar a informação do programa com o stock físico.

" Terá sido um ataque da concorrência?" pergunta o Daniel.

" Fiquei com a impressão que alguém abriu um ficheiro de spam." responde a Anabela.

" Mas o firewall não estava a funcionar? Supostamente..." estranha o Daniel.

A Anabela também não entende...

A empresa tinha investido num sistema sofisticado; o que teria falhado?

CONTINUA







sábado, 29 de junho de 2019

O CULPADO - PARTE III


A meio da manhã, já todos na empresa sabem o que aconteceu.

A palavra " estaladão " torna-se uma piada colectiva, mas, embora a Conceição sorria quando a ouve, ninguém sabe o que ela pensa verdadeiramente.

Defensora do arquivo digital, a Conceição incomoda as pessoas quando estas não colocam os dossiers após a conclusão no local devido.

" Porque é que começam a trabalhar noutro dossier se ainda não terminaram este? " pergunta.

" Que eu saiba, o dossier só fica concluído quando é transferido para outro Departamento. Às vezes, demoram um ou dois dias e eu não posso ficar de braços cruzados." contrapõe a Anabela.

Mas a Conceição não aceita a explicação e envia ao memorando ao chefe sobre o assunto.

Conta o André mais tarde de que o Chefe o leu e riu-se.

" Concordo com o arquivo digital; facilita muito a vida, mas o físico também é necessário. Se há vírus, uma falha de luz, de internet, mudança de programas... pode haver perda de dados..." comenta o André.

" A Conceição não compreende isso. Acha que isto é modernizar uma empresa, mas há sempre um reverso da medalha. Não sei onde ela foi buscar essas ideias!" suspira a Isabel.

Coincidência ou não, na semana seguinte, os computadores ficam bloqueados.

Os técnicos verificam as ligações, o servidor e concluem que descarregaram um vírus.  

" Alguém abriu um ficheiro suspeito e o vírus alojou-se no sistema." explicam.

" E, agora? " quer saber o Chefe " Quanto tempo levam a reestabelecer o sistema? "

" Não sabemos! Temos que descobrir como entrou e como afectou o sistema."

" Podemos ter perdido toda a informação que está no sistema? " questiona o André.

" É uma possibilidade, sim!" dizem os técnicos.

CONTINUA

sexta-feira, 28 de junho de 2019

O CULPADO - PARTE II


A Anabela e a Isabel não sabem o que fazer; têm medo de desatar à gargalhada e começar uma discussão.

Por isso, apressam-se a apanhar os dossiers do chão e, ignorando os protestos da Conceição, distribuem-nos.

" Como o André sugeriu, quando os concluirmos, arquivamos a cópia digital na nuvem e o físico vai para a sala central." diz a Anabela " Foi isso que ficou combinado após o workshop."

" Mas isso é tão antiquado..." protesta a Conceição.

" O Sistema informático pode ser corrompido, os arquivos podem ser perdidos e isso pode demorar algum tempo. Essa é a razão porque ainda temos uma cópia em papel. " argumenta a Isabel " Aconteceu isso a um dos nossos clientes e ele demorou semanas a recuperar e não recuperou tudo." acrescenta.

A Conceição cala-se, as outras não sabem se continua zangada.

Quando o André regressa da reunião, que, apesar de todos os problemas, correu muito bem, a Conceição levanta-se e pede-lhe desculpa.

" O André desculpe, não pensei bem! Para a próxima, dê-me um estaladão."

O André abre muito os olhos, a Isabel abafa uma gargalhada e a Anabela não quer acreditar no que está a ouvir.

A Conceição sorri-lhes, volta a sentar-se e continua a trabalhar.

A Isabel faz sinal aos outros dois e saem do gabinete.

Abrem a porta da sala do café, está vazia felizmente e desatam às gargalhadas.

" Ela é parva, ou quê? " pergunta o André.

" Sei lá, mas acho que, para a próxima, dá-lhe o estaladão." e a Isabel volta a rir-se.

" É como tu dizes, ela é parva e pensa que os outros o são também." exclama a Anabela.

" Tenho que voltar, tenho que escrever o relatório e, não me posso esquecer, tenho que o arquivar na nuvem." e os três riem-se novamente.

CONTINUA

quinta-feira, 27 de junho de 2019

O CULPADO


" Que a Conceição é parva, já sabemos, mas que queira que os outros o sejam também... isso não posso aceitar!" explode o André.

A Anabela e a Isabel nem se atrevem a entrar no gabinete. A Conceição olha para o André, como se ele fosse um ser do espaço.

" Estou a reorganizar o espaço para ser mais produtivo." justifica a Conceição " O André é que não se quer modernizar."

" Temos que acompanhar os tempos, o problema não é esse!" comenta o André.

" O que o André quer dizer é que a Conceição tem que preparar um espaço provisório para colocar os dossiers." intervém a Anabela.

" Exactamente! Tenho uma reunião dentro de 10 minutos, tenho tudo pronto, mas as minhas notas estão no dossier que a Conceição guardou tão bem que eu não encontro!" frisa o André.

" Então, diga-me qual é que eu procuro!" diz a Conceição, aborrecida e aproxima-se da pilha de dossiers para procurar o pretendido.

" Vai cair tudo!" segreda a Isabel e assim acontece.

Os dossiers começam a escorregar e caem no meio do chão com um grande estrondo.

" Grande organização!" ironiza a Anabela " Agora, ainda vai ficar pior!"

A Isabel abafa uma gargalhada e o André ergue as mãos desesperado.

" Não teria sido melhor deixar os dossiers nas secretárias das pessoas que os estão a trabalhar e, quando estivessem concluídos, arquivar na nuvem e mandar o físico para o sítio devido???" pergunta o colega " Já devia estar na sala de reuniões..."

" E, porque não preparou a apresentação em PowerPoint? Porque é que escreveu à mão? " responde a Conceição.

" São tópicos para eventuais perguntas sobre a apresentação em PowerPoint..." André está verdadeiramente zangado.

CONTINUA

quarta-feira, 26 de junho de 2019

O CASAMENTO - FIM


Exploraram todas as hipóteses, mas o sacristão tinha um plano à prova de " bala" como disse o Sargento Brites.

Quanto ao corpo carbonizado, a paróquia encarregou-se do funeral.

" Afinal, ele morreu na minha Igreja; é justo que eu trate disso. Pena não sabermos quem é! " disse o Padre.

" Talvez um sem abrigo que se escondeu na sacristia e estava a dormir profundamente quando tudo aconteceu." explica o Brites. " E, quanto à Igreja? Vai reconstruir? "

" Sim, sim, estamos a organizar um peditório. Não querem contribuir?" pergunta o Padre.

Brites sorri e passa-lhe um cheque. Promete também falar com os outros membros da Brigada.

Bernardes tem mais um conselho para o Padre.

" Agora, veja se tem cuidado com quem contrata para fazer a contabilidade!" 

" Pois... a diocese vai tratar disso." concorda o Padre Amaro e agradecendo aos dois homens, saí.

Bernardes e Brites olham um para o outro e lamentam não terem resolvido o caso.

Mas a vida é feito de momentos assim e quando o telefone toca, já nem pensam no caso.

Há uma nova vítima, um novo caso.

FIM





terça-feira, 25 de junho de 2019

O CASAMENTO - PARTE IV


" Pensamos que o corpo é de um sem abrigo. Como entrou, não sabemos, estamos ainda a averiguar." diz o Inspector Bernardes.

" Mas...? " pergunta o Brites, atento à hesitação do Inspector.

" Mas o sacristão fugiu e todos os documentos relacionados com a contabilidade da Igreja arderam." concluí o Bernardes.

" Daí pensarem que o sacristão pode ser responsável pelo fogo." termina o Brites. " O que sabemos sobre o sacristão?"

" Sabemos que é contabilista e que a empresa onde trabalhava o despediu há cerca de dois meses." conta o Bernardes " O caso foi " abafado", mas ao que parece, o nosso amigo Fontes fazia contabilidades paralelas."

" Provavelmente o que estava a fazer na Igreja e como foi apanhado, achou melhor livrar-se de provas. Um fogo inocente num local que precisa de obras de renovação, organiza peditórios, etc." comenta o Sargento.

" Pois... O Padre António diz que organizaram uma festa para angariarem dinheiro para as obras na creche e o Sr Fontes afirmou que não atingiram a meta. Como não há papéis, não sabemos o que aconteceu." afirma o Inspector.

" E as contas bancárias dele? " mas o Brites sabe que é uma pergunta inútil, pois o Bernardes já deve ter pedido aos contabilistas forenses para averiguarem.

" Estamos à espera. Já interrogamos a família, mas ninguém sabe nada."

" Nada suspeito com a família?" questiona o Brites.

" Não, a mulher nem sequer sabia que ele tinha sido despedido. E, ficou bastante ofendida quando sugerimos que ele podia ter desviado fundos." responde o Bernardes.

" Reacção normal e ele pode não ter dito nada." suspira o Brites " O que, em si é uma atitude suspeita."

" Sim, normal falar do despedimento, mas se não o fez, é porque tinha um plano." concorda o Bernardes.

CONTINUA

quinta-feira, 20 de junho de 2019

O CASAMENTO - PARTE III


O Padre declina o convite para ficar, tem imensas providências a tomar e o Mário oferece-se para o levar até à Igreja.

Conta, quando regressa que já apagaram o fogo, estão agora na fase de rescaldo.

Estão a terminar o segundo prato quando os Inspector Bernardes e Lucas recebem um SMS urgente.

Têm que se apresentar de imediato ao Serviço, favor contactarem a Central para mais informações.

As respectivas mulheres ficam aborrecidas, vocês não pediram folga?, mas Bernardes explica que o assunto deve ser grave para tomarem tal atitude.

Brites apercebe-se, levanta-se da mesa e vai ao encontro dos dois Inspectores.

Os detectives Mateus e Fonseca, os dois colegas da Brigada que o Brites convidou, também se apressam.

" O que se passa? " pergunta o Brites, mas o Bernardes diz rapidamente:

" Não é nada contigo! Goza a tua viagem de núpcias, nós tratamos disto!"

" Mas o que foi? " insiste o Sargento.

" Apareceu um corpo na Igreja onde ias casar!" esclarece o Inspector Lucas " Vai lá, rapaz, goza a tua viagem!" e acompanhados pelos dois detectives, saem.

Brites fica a pensar no assunto, por vontade dele, desistia da viagem, mas a Teresa nunca lho perdoaria.

Por isso, goza a licença e esconde da mulher o que o preocupa.

Quem seria? Um sem-abrigo? O sacristão? Algum convidado?

Nem o Bernardes nem o Lucas respondem às chamadas.

É com alívio que regressa ao trabalho, mas o Inspector Bernardes destaca-o para outro caso.

" Gostava de saber o que se passou, de quem é o corpo." protesta " Afinal, eu ia casar naquela Igreja."

CONTINUA


quarta-feira, 19 de junho de 2019

O CASAMENTO- PARTE II


A confusão é total, com pessoas a gritarem e a correrem, ignorando os apelos da polícia para manterem a calma.

Alguns convidados estão no jardim em frente à Igreja e o Padre está parado no passeio, completamente desorientado.

O Brites procura os Pais, estão sentados num dos bancos do jardim e atravessa a rua.

" Estão bem? Viram o que aconteceu? " pergunta, preocupado, mas eles parecem ilesos.

" Não percebemos muito bem. Entramos, estávamos a conversar com os Maias, estavam sentados num banco perto da porta e ouvimos gritar Fogo, Fogo e saímos de imediato." conta o Pai.

" Terá sido na sacristia? " indaga o Mário.

" Não sei, os bombeiros terão que estabelecer o ponto de origem." responde o irmão.

" E, agora? Vamos cancelar o casamento? O catering já organizou tudo!" diz a Mãe.

" Não, ele casa na mesma. Não pode ser lá na quinta onde vai ser o Copo d'Água?" sugere o Bernardes que chega nesse momento.

" E será que o Padre vai concordar? " o Pai de Brites está céptico, pois o Padre continua parado na frente da igreja, com as mãos na cabeça e a ignorar os apelos dos bombeiros para que se afaste.

" Eu convenço-o." e seguro de si, o Mário deixa o grupo no jardim.

Brites manda um SMS ao futuro sogro, pede-lhe para aguardar mais uns minutos, dá notícias logo que possível.

A discussão é acesa, mas o Mário lá consegue convencer o Padre a celebrar o casamento na Quinta.

Todos suspiram de alívio, a comitiva da noiva é avisada e o resto dos convidados segue directamente para a Quinta.

Uma hora depois, na tenda preparada para a recepção aos convidados, Brites e Teresa casam.

CONTINUA

terça-feira, 18 de junho de 2019

O CASAMENTO


Brites está nervoso.

Ele que mantém o sangue frio nos casos mais complicados... está nervoso com o casamento!

Não consegue fazer o nó da gravata, os botões de punho rolaram para debaixo da mesa.

E, como se isso não bastasse, o Faísca, o cachorrinho que adoptaram há uns meses, fugiu com um dos sapatos.

Lá consegue restabelecer a paz com a ajuda do irmão que chega para o acompanhar.

Acaba de se vestir, o irmão assegura que está " perfeito " e depois de entregarem o Faísca à vizinha que vai tomar conta dele enquanto estiverem ausentes, seguem para a Igreja.

" Sim, o atraso é da noiva e não do noivo!" brinca o irmão.

" Pois..." diz o Brites que acha que a gravata está muito apertada. " Os Pais já lá estão? "

" Relaxa, está tudo controlado!" afirma o Mário.

Contudo, ao darem a curva para entrarem na avenida que leva à igreja, são surpreendidos pelo fumo negro.

" Mas o que se passa? " pergunta o Brites e Mário estaciona o carro.

Ouve-se a sirene dos bombeiros e um carro de polícia passa por eles a toda a velocidade.

Brites começa a correr e o irmão segue-o.

Ao entrarem na avenida, vêem que é a Igreja que está a arder.


CONTINUA

segunda-feira, 17 de junho de 2019

DESAFIO AOS COMENTADORES


Novo desafio:

Continuo a falar sobre os actores da peça de Teatro?
Alguém é assassinado no Teatro, mas ninguém sabe quem é e o que estava a fazer no palco.

É o dia do casamento do Brites, mas alguém incendeia a Igreja e no rescaldo aparece um corpo.

Ou outras sugestões.


Aguardo os vossos comentários....

domingo, 16 de junho de 2019

A PEÇA DE TEATRO - O FIM


O público ri com ele e os actores sentem que segue atentamente a acção.

Contudo, quando o primeiro acto termina, os aplausos são poucos.

O Luís e o Ricardo já estão nos bastidores e o encenador sorri-lhes.

" Então, isto é só o 1º acto!" e o Sérgio encolhe os ombros, não muito convencido.

" Tens a certeza de que isto vai resultar?" sussurra o Ricardo, nervoso.

" Calma, temos que ter calma!" aconselha o Luís e todos se preparam para o segundo acto.

Este é um pouco mais dramático, por causa do discurso da personagem do Sérgio.

Diz finalmente o que pensa da personagem de Carlos, demonstra que é um bom amigo, não é apenas alguém com quem se vai beber uns copos.

O público reage favoravelmente e Carlos deixa-se levar, tornando a personagem dele mais humilde, mais humana.

Quando o segundo acto termina, os aplausos irrompem e até o Ricardo é chamado ao palco.

Os cinco actores não sabem se devem rir ou chorar, mas o Ricardo está muito comovido.

Haverá novas propostas para ele e novos desafios para os actores.

As críticas não podiam ser melhores e durante uns meses, os bilhetes estão esgotados.

A Beatriz é a primeira a sair, recebeu um convite para fazer uma novela e o Luís está já a preparar uma nova peça.

A vida está a correr bem e tudo começou com uma peça de que ninguém gostava.


FIM




sábado, 15 de junho de 2019

A PEÇA DE TEATRO - PARTE IV


Estão todos entusiasmados e o Luis tem a certeza absoluta de que a peça vai ser um sucesso.

O Ricardo está um pouco nervoso, ouve as opiniões dos actores atentamente.

Uma peça é um pouco diferente de um argumento, pensa e pode ditar o fim da carreira, mas só o saberá no dia da estreia.

O teatro está cheio e todos chegaram cedo demais.

Até a Alice está nervosa e verifica novamente os adereços. 

A Beatriz e a Susana partilham um camarim, a maquilhadora está a terminar, mas parece que as compreendeu e também não fala.

A Paula já está pronto, acha o camarim sufocante e por isso, saí para o corredor. 

O Carlos e o Sérgio já lá estão, mas estão calados e a Paula não se atreve a interromper o silêncio.

O Luís está no gabinete, sabe que deve descer para apoiar os actores, mas está a adiar ao máximo esse momento.

Quanto ao Ricardo, não se aproxima do teatro. É errado, admite, mas não consegue.

As pancadas de Moliére soam, a cortina sobe, as luzes acendem e o Carlos começa a rir-se.


CONTINUA

sexta-feira, 14 de junho de 2019

A PEÇA DE TEATRO - PARTE III



" Pois... e eu sou apenas o amigo dos copos da personagem do Carlos..." acrescenta o Sérgio " Sempre que abro a boca, ele começa com outro discurso... Alguém tem que reescrever a minha personagem... Quero dizer à personagem do Carlos o que penso verdadeiramente dela."

" Mas isso é óptimo!" interrompe o Luís " São boas ideias; teremos que estudar a maneira de as incorporar no texto original, mas gosto. Gosto bastante!"

" Se reescreverem a personagem do Sérgio, também quero que a minha o seja. Afinal, sou a melhor amiga... " exige a Susana.

" E eu também!" diz a Paula mas o Luís intervém de imediato.

" Vocês perceberam a minha ideia? Não vamos alterar a peça original, vamos simplesmente incluir as vossas opiniões. Ok? "

" OK." repetem os cinco actores.

Nessa noite, o Luís, munido das notas da Alice, discute o assunto com o produtor.

Este concorda com as ideias expostas e o Luís pede ajuda a um argumentista amigo dele.

Ao princípio, o Ricardo fica hesitante, mas depois de ler as notas, acha interessante a ideia e lê a peça original.

Decidem escrever uma nova peça e toda a acção decorre na reunião geral antes de começarem os ensaios.

Na semana seguinte, os actores recebem a nova peça e ficam entusiasmados.

Como o Luís disse, todas as ideias foram aproveitadas e escritas numa forma mais polida.

As novas personagens estão mais ricas, mais profundas e todos têm um papel de destaque.

CONTINUA

quinta-feira, 13 de junho de 2019

A PEÇA DE TEATRO - PARTE II


A Beatriz lê a primeira linha e, como combinado, o Carlos começa a rir-se.

" Estás a rir-te de quê?" pergunta a actriz e o Carlos tenta conter o riso.

" Mas isso é tão pobre, tão triste... Tenho que rir!" responde o Carlos.

" Se tens uma ideia melhor... sou toda ouvidos!" comenta a Beatriz, fingindo-se irritada.

A Susana interrompe com um ar muito confuso.

" Vocês desculpem, mas eu não entendo nada. Isso não está aqui!" e aponta para o guião.

Luís bate palmas e elogia:

" Isto está óptimo. Podemos aprofundar um pouco mais os diálogos, mas é exactamente isto que quero. Quero comunicação com o público, quero que eles compreendam os vossos objectivos...." explica.

A Paula e o Sérgio estão calados a observar a cena atentamente e decidem também falar.

" Protestamos!" diz o Sérgio, surpreendendo toda a gente.

" Protestam o quê?" questiona o Carlos, sem entender, pois , segundo o guião, as personagens da Paula e do Sérgio só entram no segundo acto.

" Vocês dominarem o primeiro acto e eu e a Paula só entramos no segundo. As nossas personagens são tão importantes como as vossas." acrescenta o Sérgio.

" Ah, sim? Então e eu? " observa a Susana " Na maior parte das cenas, eu só escuto a Beatriz a queixar-se."

" Mas estás presente!" intervém a Paula " Agora, eu pareço a parente pobre, a cidadã de segunda classe."

O Luís ri-se e pergunta baixinho à assistente:

" Estás a anotar isto tudo?" e a Alice confirma.

CONTINUA


quarta-feira, 12 de junho de 2019

A PEÇA DE TEATRO


" Isto é horrível! exclama a Beatriz na leitura da peça " Não sei se a quero fazer; vamos ter  más críticas e a peça não vai durar mais que um dia..."

" Bravo! É exactamente isso que eu quero! Comentários, receios, sugestões..." diz o Luís, o encenador " Uma peça sobre uma peça."

" Uma peça sobre uma peça?" repete o Carlos, não muito convencido.

" Sim, vamos improvisar.  Conversem uns com os outros, estabeleçam diálogos que serão inseridos nesta peça." explica o Luís, entusiasmado.

Os actores saem, sem saberem exactamente o que fazer e o Carlos convida a Beatriz e a Susana para jantarem.

No restaurante sossegado do bairro, a Susana pergunta aos outros dois:

" Acham que vai resultar? "

" Talvez. A ideia é diferente. Nunca me pediram para escrever os meus próprios diálogos." responde a Beatriz " Acho que posso aproveitar isto."

" Sem dúvida. O Luís falou também em receios... Podemos expor isso... mas temos que reler a peça para saber como." sugere o Carlos.

Os três trabalham até de madrugada em casa do Carlos e antes de se encontrarem no teatro ao fim da tarde, voltam a ler o que escreveram.

A Beatriz acrescenta algumas linhas, a Susana retira outras, mas o Carlos mantém as suas.

" Então? " Luís fica no centro do palco à espera que eles falem.

" Tenho algumas ideias. Trabalhei com a Susana e o Carlos, uma vez que as nossas personagens na peça real estão interligadas." comenta a Beatriz.

" Óptimo! Vamos ouvir... " 


CONTINUA


domingo, 9 de junho de 2019

O SUSTO - FIM


Foi apenas um tiro disparado para o ar, Brites constata quando entra no armazém.

Os detectives dominaram os motoristas e o Inspector Lucas tenta controlar o Jaime, que protesta veementemente contra a intrusão.

A Beatriz, muito pálida está encostada a uma parede. 

Brites guarda a arma e fica apenas a observar a cena. 

Há uma série de caixas espalhadas pelo armazém e um detective está já a abrir uma.

O Jaime cala-se finalmente e o Inspector Lucas faz sinal a um outro detective para o levar para o carro policial que chegou, entretanto.

Repara, então no Sargento Brites e diz-lhe:

" Não devias estar aqui!... Eu sei, ouviste um tiro, foi aquele palerma que não parava de falar que disparou." explica " Afinal, qual é o teu interesse nisto?"

" Conheço alguém que trabalha no Call Center que me apresentou o tal Jaime e a Beatriz. Ouvi uma determinada conversa e..." confessa o Sargento Brites.

" Quiseste saber se ela estava metida nisto. " interrompe o Lucas " O pessoal do Call Center está limpo; só estes dois é que estavam implicados."

" O que vai acontecer agora? " quer saber o Brites.

" A tua amiga perdeu o emprego. Há coisas piores do que isso!" responde o Lucas e afasta-se.

Há mil e uma coisas a fazer agora, o Sargento Brites sabe que está a mais e sai para a noite.

No dia seguinte, conta a história toda ao Inspector Bernardes e a conselho deste, espera que a Catarina o contacte.

A meio da manhã, esta telefona-lhe, desesperada. 

Já sabe o que aconteceu, nunca lhe passou pela cabeça que o Call Center uma fachada para traficar droga.

Nossa, e ela que pensava que a Beatriz e o Jaime eram pessoas decentes, até os tinha convidado para jantar algumas vezes em casa dela!

A Catarina está desconsolada e o Brites combina almoçar com ela.

Quando o Bernardes conta o caso à mulher, esta olha-o muito séria, depois sorri e observa:

" Agora, posso convidá-los para jantar sem medos, culpas. Não há conflito de interesses!"

O marido olha-a surpreendido, terá Lúcia aprendido algumas coisas com ele ou é das séries policiais que vê?


FIM










sexta-feira, 7 de junho de 2019

O SUSTO - PARTE IV


A carrinha vira para um beco.

Brites atravessa a rua calmamente e mantém a cabeça baixa, não vá a Beatriz reconhece-lo.

Mas esta voltou para dentro da loja e apaga as luzes.

No beco, estão a descarregar umas caixas e há uma porta aberta.  

Brites reconhece o Jaime como um dos homens a descarregar.

Deixa-se ficar encostado à parede. Está longe demais para ouvir o que dizem, mas não pode arriscar.

Não pode ser visto e é enquanto pondera o que fazer que alguém o agarra e segreda:

" Nem um pio, pá! " e o Brites reconhece a voz do Inspector Lucas.

O Brites conhece-o desde o tempo da Academia, trabalharam algum tempo na mesma brigada, mas depois o Lucas foi promovido e transferido para a Anti-Droga.

Por isso, isto está relacionado com droga, deduz o Sargento e obedecendo ao gesto impaciente do Inspector, segue-o para fora do beco.

A brigada está já posicionada e espera apenas o sinal do Lucas para intervir.

Este dá o sinal e entram no beco.  As portas da carrinha estão abertas, mas já não tem caixas.

Os homens devem estar lá dentro e um dos detectives aproxima-se da porta do edifício.

Faz sinal de que está livre e entram.

Há gritos, alguém dispara e Brites corre naquela direcção.

CONTINUA

quinta-feira, 6 de junho de 2019

O SUSTO - PARTE III


" NÃO, não acredito! Aquele homem tem um azar com as mulheres!" comenta a Lúcia quando o Bernardes lhe conta o caso.

" Não temos a certeza; ele apenas ouviu uma conversa um pouco estranha. Não se sabe se ela está implicada. Há muita gente que trabalha nessas empresas de lavagem de dinheiro e afins e não sabem nada de nada." explica o Bernardes.

" Mas os dois colegas podem estar...." diz a mulher.

" Seja como for, não podemos agir... Não está relacionado com um caso da nossa Brigada." insiste o marido e abre o jornal, sinal de que a conversa terminou.

A mulher não insiste, mas gostaria de conhecer essa tal Catarina. 

Não sabe bem porquê... considera-se uma boa avaliadora de carácter e talvez a Catarina seja realmente inocente.

O problema será convencer o Bernardes... Se calhar, vai começar os discursos de que será confraternizar com o inimigo, conflito de interesses, mas a pessoa é inocente até prova em contrário.

" Não é verdade? Ou estará a ver muitas séries policiais?" pergunta ao cão, mas este está pouco interessado no monólogo.

Entretanto, a Catarina manda um SMS ao Brites. 

Lamenta, uma colega faltou, vai fazer turno duplo. Encontram-se amanhã?

Brites responde que sim, mas resolve passar pelo Call Center.

Este fica numa loja à face da rua, está bem iluminado e o Brites estaciona numa viela ali perto.

Há um café em frente do Call Center que está ainda aberto e Brites pede um café.

Pouco depois das dez da noite, vê a Catarina sair apressada, mas decide não ir atrás dela.

Quer ver o que acontece agora, as luzes ainda estão acesas.

A Beatriz saí e faz sinal a uma carrinha estacionada ali perto. Não estava ali há cinco minutos!

Brites paga o café e saí para a rua. 


CONTINUA






quarta-feira, 5 de junho de 2019

O SUSTO - PARTE II


A noite termina no apartamento de Catarina e, como é muito tarde, esta convida-os a dormirem lá.

O Brites acorda com sede de madrugada e levanta-se cuidadosamente para não acordar a Catarina.

Ao passar pelo corredor, vê que a porta do outro quarto está entreaberta e o Jaime e a Beatriz estão a conversar.

"... desconfia se continuares a agir desse modo!" diz a rapariga.

" Agir como? Achas que é fácil estar a falar descontraidamente com alguém que sabemos que é da polícia?" pergunta o Jaime.

" Estás a fazer uma tempestade! Ele vai adivinhar o que se passa verdadeiramente no Call Center? " observa a Beatriz. " Vê se dormes e deixa os outros dormirem."

Calam-se e Brites volta para o quarto, pensativo.

Catarina continua a dormir, mas Brites já não consegue.

Veste-se rapidamente, dá-lhe um beijo rápido e sem fazer barulho, saí.

O que se passa naquele Call Center? Droga, lavagem de dinheiro, extorsão?

" Bolas! Não tenho sorte nenhuma!" lamenta o Brites e o Bernardes nota de imediato a irritação do Sargento.

" O que se passa? Qualquer coisa não está a correr bem!" e quando Brites encolhe os ombros, Bernardes não aceita um " não ".

" Não posso investigar sem uma razão legítima!" concluí o Sargento.

" Não, mas pode perguntar, discretamente..." frisa o Inspector, embora saiba que o Brito é muito cuidadoso " às outras Brigadas se sabem de alguma coisa."

" Isso vai dar azo a perguntas! " pondera o Brites.

" Dê uma resposta vaga. Que está no meio de uma investigação e o nome surgiu...." aconselha o Bernardes.


CONTINUA


terça-feira, 4 de junho de 2019

O SUSTO


" Creio que o Brites está apaixonado!" diz o Inspector Bernardes à mulher nessa noite.

" Que bom! O pobre homem estava traumatizado com aquela história daquela mulher... raptada e morta, não foi? " comenta a Lúcia.

" Pois, espero é que não tenha uma nova decepção...É inteligente, honesto, com bons instintos. Vai ser um bom Inspector..." elogia o Bernardes.

Nesse momento, o Brites está num bar sossegado com a Catarina.

Ainda não pararam de falar e a Catarina pede uma pausa.  Precisa de ir à casa de banho e...

" Tu vais pedir uma nova rodada!" acrescenta, roubando-lhe um beijo.

Brites sorri. Há muito tempo que não se sente tão relaxado, tão bem com a vida.

Nem está a pensar no caso aberto! A Catarina é faladora, interessante...

Desde a Amália que não tem uma namorada a sério. Se bem que não pudesse considerar a Amália uma namorada.

Foi mais um flirt que terminou logo que soube que ela trabalhava com a primeira vítima.

Não, não, não posso pensar nisso. É a minha noite de folga, tenho que me divertir.

" Ah, o que aconteceu com as bebidas? Voaram? " brinca a Catarina que vem acompanhada por um casal jovem.

" É o Jaime e a Beatriz. Trabalham comigo no Call Center, o Jaime como supervisor e a Beatriz como delegada."

Depois dos apertos de mão e dos " muito prazer", sentam-se e o Jaime pergunta:

" E, tu o que fazes? "

" Trabalho na Brigada de Homicídios." e parece ao Brites que o Jaime fica preocupado.

CONTINUA