domingo, 31 de março de 2019

ÍRIS - O FIM


A Tânia e o Daniel acham um disparate...

Claro que ela não é culpada de nada...

Passou-se tudo cabeça do Guilherme... Se ela nunca lhe deu esperanças...

Tem que reagir e esquecer... Concentrar-se na carreira...

Mas Íris está tão perturbada que se esquece das falas e portanto, as cenas têm que ser repetidas.

Os colegas começam a ficar cansados, o Director chama-lhe a atenção várias vezes.

Um dia, a Íris não aguenta e pede para que " matem " a personagem.

O Daniel e a Tânia estão contra, até o Director conversa com ela sobre o assunto, mas Íris está irredutível.

Vai para casa dos Pais uns tempos e depois recebe um convite de uma pequena companhia de Teatro.

Talvez seja o que precisa... Um outro registo, outras pessoas, outro tipo de audiência.

E entrega-se de corpo e alma...

FIM


sexta-feira, 29 de março de 2019

ÍRIS - PARTE V


Claro que a polícia quer falar com ela.

Já sabem da relação complicada que ela tinha com o Guilherme.

O Director falou nisso, a Tânia e o Daniel confirmaram e agora querem saber a opinião dela.

Não apresentou queixa na polícia? Não, a Íris está no início da carreira, não queria entrar em conflitos.

Sim, pode ter namoriscado um pouco, mas pode não ter qualquer significado e se o Guilherme leu o que não estava lá, bem, o problema é dele...

A última vez que viu o Guilherme foi quando ele apareceu no set e o Director o mandou embora.

Não, não sabia nada dos planos dele para o fim de semana. Sim, pode dar os nomes dos amigos.

Quando saí do gabinete, Íris encosta-se à parede e respira fundo.

A Tânia e o Daniel estão à espera dela, estão preocupados, mas a Íris está nervosa, quer descansar.

Eles aceitam a desculpa, mas acompanham-na até ao quarto com recomendações de lhes telefonar a qualquer hora.

Mas Íris quer ficar sozinha, quer processar tudo o que acontece.

A grande questão é: é ela a culpada do suicídio do Guilherme?

Revê tudo o que se passou entre eles e tem a certeza absoluta de que nunca lhe deu qualquer esperança.

Passou-se tudo na cabeça do Guilherme, um homem egoísta.

CONTINUA

DESAFIO AOS COMENTADORES:

A Íris é ou não culpada (moralmente)?


quinta-feira, 28 de março de 2019

ÍRIS - PARTE IV


Sem a presença do Guilherme, as filmagens decorrem mais calmas e sem grandes problemas.

O Daniel regressa e voltam a almoçar juntos. 

A Tânia também almoça com eles de vez em quando e os três são já conhecidos pelos " Divertidos" no set.

Um dia, o Guilherme aparece no set, mas não diz palavra. 

Ri-se sempre que a personagem da Íris fala e o Director pede-lhe para sair.

Como tem folga este fim de semana, a Íris resolve aceitar o convite de uns amigos.

Eles tem um casa na praia, convidaram outras pessoas que a Íris também conhece e o fim de semana promete ser interessante.

Quando regressa na segunda feira de manhã, encontra toda a gente reunida no átrio do Hotel.

A Tânia vê-a e levanta-se imediatamente. Puxa-a pelo braço e fecham num gabinete ali perto.

" O que aconteceu? Diz-me, estás a assustar-me!" pergunta a Íris.

" Tens que ter muita calma. Primeiro que tudo, diz-me. Onde passaste este fim de semana? Estiveste com pessoas que possam confirmar a tua presença?" diz a Tânia.

" Sim, sim, mas o que se passa? Conta-me!" insiste a colega.

" O Guilherme está morto. Suspeitam que é suicídio e dizem que deixou uma nota..." a Tânia interrompe-se e respira fundo.

" Suicidou-se? Uma nota?" repete a outra, sem compreender nada.

" Sim uma nota. Não tenho os pormenores todos, mas ouvi-os falar com o Matos...e diz que és tu a culpada da atitude dele." conta a Tânia.

" EU???" grita a Íris.

CONTINUA

quarta-feira, 27 de março de 2019

ÍRIS - PARTE III


" Ou a do Guilherme. É promovido, começa a circular noutros locais e a Íris fica onde está." contrapõe o argumentista.

Na semana seguinte, o elenco recebe as novas cenas e o Guilherme não fica satisfeito com a reviravolta da personagem.

Quando discute o assunto com o Director, este diz-lhe que é melhor estar calado; afinal, a personagem está a evoluir e não era isso o que ele queria?

A Íris esteve de folga e passou o fim de semana fora; por isso, só quando regressa é que sabe das alterações.

O Guilherme está cá fora no jardim; se por coincidência ou à espera dela, Íris não sabe.

Mas sente a mão dele a fechar-se no braço e a fúria quando lhe segreda:

" Pensas que te livras de mim? Não contes com isso; vou arranjar uma maneira de te chatear e tu vais pedir que matem a tua personagem."

Íris fica assustada, mas dá-lhe um safanão e entra apressadamente no estúdio.

Vai de encontro à Tânia e esta percebe de imediato que se passa alguma coisa.

" Oh, rapariga, parece que viste o Diabo? Se foi o Guilherme, afasta-te. Não te preocupes; ele vai ter outro destino." continua a Tânia.

" Que outro destino? De que é que estás a falar? " pergunta a Íris.

" Não sabes? Alteraram o guião e o Guilherme já não tem cenas contigo." responde a outra actriz.

" O quê? " e Íris fica preocupada. 

Agora, está tudo explicado. 

Será que agora vai ter paz?

Não sabe bem porquê, mas acha que as coisas vão ser mais complicadas.

CONTINUA

terça-feira, 26 de março de 2019

ÍRIS - PARTE II


Íris está satisfeita com as cenas que gravou. 

Estava descontraída, ela representa uma personagem que vê sempre o lado positivo das coisas.

Mas o Guilherme acaba de chegar e sorri-lhe. É um sorriso irónico, calculista e Íris fica um pouco apreensiva, tanto mais que tem que passar por ele.

" Oh, minha Princesa, hoje não te enganaste? Pronunciaste bem as palavras, escondeste esse sotaque de ilha?" e ri-se.

" Guilherme, eu já sabia, mas agora tenho a certeza absoluta de que és um grande, mas mesmo grande malcriado." diz a Tânia, uma outra actriz que está sentada ali perto " Deixa a rapariga em paz."

O Guilherme abre a boca para protestar, mas a Tânia é daquelas pessoas que impõem respeito e nem mesmo ele gosta de a irritar.

" Não podes deixar que ele te fale assim; tens que lhe responder à letra!" aconselha a Tânia.

" Tento ignorá-lo. Acho que é o melhor a fazer." confessa a Íris.

" Não sei; há homens que compreendem e aceitam, mas o Guilherme não está habituado a que lhe digam não." observa a Tânia " Tem cuidado para não te magoar ou prejudicar." remata.

No dia seguinte, o Guilherme está insuportável e as cenas têm que ser repetidas.

A certa altura, Íris não aguenta a pressão e saí de cena.

Está toda a gente aborrecida e o Director reúne-se com o argumentista.

" O que se passa com aqueles dois? Sabes de alguma coisa?" pergunta.

O argumentista encolhe os ombros e responde:

" Se bem conheço o Guilherme, ele não vai desistir. Ela deve ter dito não a qualquer coisa e ele não gostou."

" Ela pode dizer não... Mas nenhum dos dois vai falar no que se passou. A solução será dar um outro destino à personagem da Íris, por exemplo. Gosto muito dela, é muito natural, muito expressiva..." comenta o Director.


CONTINUA


segunda-feira, 25 de março de 2019

ÍRIS


Íris está preocupada. Não sabe o que fazer e talvez a culpa seja dela...

Bebeu um pouco demais, namoriscou demais e talvez o Guilherme tenha pensado que ela seria uma conquista fácil.

Mas uma rapariga pode dizer não... está no seu direito de dizer não e não avançar mais....

O Guilherme não aceitou a recusa e agora está a fazer-lhe a vida negra. Pior, até pode estar a prejudicá-la profissionalmente

Sempre que filma uma cena com ela, engana-se propositadamente e quando ela tem que responder, ele " estraga" tudo, rindo-se.

O Director já lhe chamou a atenção, o resto da equipa está a ficar cansada, pois obriga-os a fazer horas extra.

Na cantina, deixa-se ficar para o fim só para conversar com a menina da caixa e a Íris tem que esperar dez, quinze minutos para pagar e comer sossegada.

Uma vez, o atraso foi de tal ordem que a Íris só teve tempo de engolir a sopa e guardou a salada para comer numa pausa.

O Daniel deu conta que se passava alguma coisa, perguntou-lhe, mas Íris desvalorizou a situação.

O Daniel não insistiu, mas sempre que pode, convida-a para almoçar e se está presente no set, o Guilherme comporta-se.

Mas agora a personagem do Daniel está a fazer uma viagem e só regressa daqui a duas semanas; por isso, não está no set e o Guilherme está sempre a provocá-la.

Íris suspira; hoje, vai ter um dia tranquilo, pois não tem nenhuma cena com o Guilherme.

Porque é que o argumentista não arranja uma viagem ou o mata mesmo?

CONTINUA

domingo, 24 de março de 2019

A NOVELA - FIM


Os culpados estão sentados no sofá. Estão sujos, com fome e um pouco apreensivos.

Sim, que a Mãe do Luis disse-lhes umas verdades.

Onde é que estavam com a cabeça? Mentirem, faltarem às aulas e preocuparem toda a gente? A que propósito passaram a noite no Museu Municipal?

O Manuel, como líder, contou a história. Queriam recriar a aventura do herói do livro; ele esconde-se num Museu e consegue impedir o roubo de uma estátua.

" O que é que estava em perigo no nosso Museu?" pergunta o Pai do Francisco friamente.

Nada, só queriam ver se conseguiam enganar os seguranças do Museu e passar lá a noite.

Foram bem-sucedidos e estão bastante satisfeitos com o resultado, acrescenta o Luis.

Mas os Pais não estão nada satisfeitos e durante dois meses, declaram, só saem de casa para ir à escola, visitas de estudo e almoçar em casa de familiares.

Não há Internet, Televisão, o telemóvel só pode ser utilizado para emergências, nada de jogos de futebol no parque, festas de ano.

E, quando o Manuel protesta, a Carolina pergunta-lhe se quer que prolonguem o prazo para um ano.

O Manuel cala-se de imediato e a Margarida aperta-lhe a mão em solidariedade.

Como a Carolina e o Rodrigo têm que voltar ao trabalho, o Jaime fica com os dois miúdos.

Só à noite é que consegue sentar-se ao computador e trabalhar um pouco.

Contudo, já não tem vontade de escrever sobre a Íris e o detective Latitude.

Abre um outro documento e escreve como título:

" ONDE ESTÁ O MANUEL?"

Um conto em que fala do medo que todos os Pais têm e que abalou a vida dele por umas horas.


FIM

sábado, 23 de março de 2019

A NOVELA - PARTE V


Carolina não responde, pois batem à porta e ela precipita-se para abrir.

É o Rodrigo e traz uma Margarida confusa. 

Perguntou ao Rodrigo o que se passava, porque é que não podia ir até ao jardim com as amigas, mas o Rodrigo só disse que os Pais queriam conversar com ela.

Em casa do Pai? E os três juntos? Margarida fica ainda mais confusa.

" Margarida.." diz o Pai, ajoelhando-se e pegando-lhe nas mãos " Nós não sabemos onde está o Manuel e pensamos que talvez ele te tenha dito alguma coisa."

" Vá lá, Margarida, fala." e tanto Jaime como o Rodrigo pedem calma a Carolina.

" Está tudo bem!" repete o Pai carinhosamente " Não vamos castigar ninguém..." e ouve a Carolina suspender a respiração.

Quase que pode adivinhar o que ela está a pensar: vai ficar fechado no quarto até ser adulto.

Margarida olha o Pai muito séria e pergunta:

" Ele não está no Parque?"

" Que Parque? " e Margarida assusta-se. Afinal, só tem oito anos.

" O Parque da Madrugada." e Rodrigo olha desesperado para a Carolina.  O parque fica perto da casa do Luís.

" E, sabes porquê? O que há de tão importante no Parque para eles irem até lá?" continua Jaime pacientemente.

" Não sei. O Manuel disse que era assunto de adultos e fechou a porta do quarto." explica a Margarida.

Pela cabeça dos três adultos, passa o pior dos cenários. Droga, violência, prostituição... 

O Jaime beija a miúda e instala-a em frente da televisão. Conversam os três baixinho na cozinha; não se lembraram de ir até ao Parque e os dois homens resolvem ir até lá quando o telemóvel da Carolina toca.

É a Mãe do Luís. Os " desaparecidos em combate" estão em casa dela.

Acabam de chegar; segundo dizem, passaram a noite no Museu Municipal.

Porquê? perguntam todos, mas a Mãe do Luís pede para irem até lá.

Assim, eles contam a história de uma só vez.


CONTINUA

sexta-feira, 22 de março de 2019

A NOVELA - PARTE IV


" A culpa é tua!" lamenta a Carolina.

" Minha???" repete o Jaime estupefacto e Rodrigo esboça um gesto de contrariedade.

" Sim, se não vivesses tanto as aventuras do teu detective e lhe prestasses mais atenção..." e Rodrigo acha por bem interromper a mulher.

" Oh, Carolina, que disparate! O Jaime é um Pai muito presente e o Manuel orgulha-se muito disso."

" Eu sei, desculpa, mas estou de cabeça perdida!" diz a mulher e o Jaime liga ao filho.

A chamada vai directa para a caixa de mensagens e os três ficam sem saber o que fazer.

Avisar a polícia? O conselho vai ser para esperarem, para contactarem os amigos e isso já fizeram.

" Não terá dito nada à Margarida?" pergunta o Jaime à Carolina.

" Provavelmente, não... A Margarida é faladora..." observa a ex-mulher.

" Mas defende o irmão até às últimas consequências." acrescenta Jaime.

" Pois defende e até pode saber alguma coisa, mas não vai dizer!" concorda o Rodrigo.

" Então, vamos falar com ela. Onde é que ela está? Na escola? " e Jaime só então percebe que está ainda de roupão.

" Eu vou buscá-la à escola." oferece-se o Rodrigo " Tu vais fazer um chá enquanto o Jaime se arranja." e saí.

Carolina vai até à cozinha e resolve dar-lhe uma arrumadela. Não é que esteja suja, mas precisa de uma outra organização e isso vai ocupar-lhe a mente.

O Jaime toma um duche rápido e veste uns jeans e um sweater.

Encontra Carolina sentada na cozinha a beberricar o chá.

" Vejo que vou ter que fazer uma viagem de reconhecimento para encontrar as coisas..." comenta, divertido.

CONTINUA

A NOVELA - PARTE III


Latitude não responde e prende-a novamente nos braços.

Íris não lhe conta que está a ser assediada por um colega de profissão e Latitude esquece as complicações inesperadas do caso em que está a trabalhar.

No dia seguinte, despedem-se à porta do hotel dela e o detective observa-a durante uns minutos.

Há um rapaz parado na entrada que lhe segura o braço quando ela passa, mas Íris tira-lhe a mão e afasta-se.

O rapaz fica contrariado e diz-lhe qualquer coisa, mas a amiga finge que não ouve e desaparece no átrio.

" Olá, mas o que se passa aqui?" murmura o detective " O que é que não me contaste?"

" JAIME" o grito é tão agudo que Jaime assusta-se e levanta-se. Quem gritou? É real ou ficção?

É a realidade, é a ex-mulher que está à porta do escritório. Está nervosa e a voz soa mais aguda do que é habitual.

" O que se passa? Como é que entraste?" pergunta o escritor.

" Com a ajuda do porteiro, tu não atendes o telemóvel. Sabes onde está o Manuel? Ele telefonou-te, contou-te alguma coisa? " e Carolina respira profundamente.

" Não, não. Mas o que é que se passa? " pergunta o Jaime.

" Não sabemos dele há mais de dezasseis horas." explica calmamente o Rodrigo, o marido da Carolina. " Vê o teu telemóvel, pode ter-te deixado uma mensagem."

Jaime está aturdido e percorre as mensagens. Não, o Manuel não lhe deixou nenhuma mensagem.

" Já falaram com os amigos dele? Talvez saibam alguma coisa?" sugere, mas a Carolina abana a cabeça.

" O Zeca e o Luís também desapareceram e os outros não sabem de nada."

" Ou não querem dizer!" comenta o Rodrigo " Falei com os professores, com o director da Escola, mas ficaram tão surpreendidos como nós."

" Então, eles foram às aulas? " Jaime não sabe o que pensar.

" Ontem, hoje, não apareceram. O Manuel disse que ia dormir em casa do Zeca, o Zeca em casa do Luís e o Luís em nossa casa." explica o Rodrigo, porque a Carolina desata a chorar.

CONTINUA

quinta-feira, 21 de março de 2019

A NOVELA - PARTE II


" Então, minha querida Íris, o que te traz até cá?" e Latitude beija-lhe o ombro.

" Boa companhia, bom vinho e...." e o detective concluí: " E bom sexo!".

Íris ri-se, bem humorada. São amigos há algum tempo e confiam totalmente um no outro.

" Só estou cá por uns dias. Uns personagens viajam e a produção escolheu esta cidade para filmar as cenas." conta a amiga.

" Qual é o teu papel?" e o detective deita mais vinho nos copos.

" Sou a dor de cabeça dos meus Pais... Na ficção, claro... Fugi com um homem pouco recomendável... a história habitual." concluí Íris.

" E, o que dizem os teus Pais a isso? " pergunta Latitude.

Mas, neste ponto crucial, o Jaime decide fazer uma pausa.

Tem que dormir um pouco e depois dar uma volta.

Grava, fecha o ficheiro e o computador e só volta a pensar na história umas horas depois.

Quer dizer, está a pensar na história; vai ter que introduzir mais personagens, criar histórias paralelas, se o objectivo é uma novela mexicana.

Está hesitante... 

Por isso, volta a ler o que escreveu até aí e decide explorar a personagem da Íris.

Reescreve a primeira parte e mantém os diálogos.

" Os meus Pais?" repete a Íris " A que te referes exactamente? Eu querer ser actriz, a história da minha personagem ou tu seres pouco recomendável.?"


CONTINUA

quarta-feira, 20 de março de 2019

A NOVELA


" Acho que vou tentar escrever uma novela." anuncia o Jaime durante o jantar semanal com o Leonardo.

O editor olha-o surpreendido e pergunta:

" Vais parar com a série do Inspector Latitude? As pessoas gostam dele: é inteligente, um pouco ortodoxo na forma como investiga os casos e é um pinga-amor. "

" Ainda não sei bem o que vou fazer. É só uma ideia; posso arrastar o Latitude para lá." confessa o Jaime.

" Sim, o Latitude vai perder a cabeça no meio de tanta mulher bonita! " concorda o editor.

" A acção pode centrar-se numa só mulher e pode ser nem muito nova nem muito velha!" diz o escritor.

" Tenta e manda-me uma sinopse. Dentro de duas semanas, está bem?" pede o Leonardo.

" Ufa, Leonardo, é só uma ideia. Não quer dizer que vá escrever..." protesta o Jaime, mas o editor sabe que ele já está a trabalhar na ideia.

E, na verdade, Jaime tem uma ideia clara do que quer escrever e no computador, há já um ficheiro intitulado " Novela".

Abre-o e o Inspector Latitude começa a falar com ele.

Está num quarto de hotel (Jaime faz uma anotação para descrever melhor o quarto) e com ele, está uma actriz.

Melhor dizendo, pensa o Jaime e escreve uma nota, uma aspirante a actriz.

Porque é que está num quarto de hotel com o Latitude... o Jaime ainda não decidiu.



CONTINUA

terça-feira, 19 de março de 2019

ANTÓNIO - FIM


A D.Mariana insiste, estão todos convidados para jantar.

António aceita, um pouco contrariado e fica surpreendido por ver a família e vários amigos à espera dele na casa dos Pais.

" Foi ideia da Andreia; eu só ofereci a casa." diz a D. Mariana e o António sorri grato à mulher.

" Agora, vão ter que conversar e conversar mesmo." pensa a Mãe e a Andreia espera que consigam finalmente equilibrar as coisas.

O António está tão descontraído e divertido que os Pais não o reconhecem.

" Tu..." confessa o Dr Sérgio mais tarde à mulher " Eu sabia que o meu filho era assim." mas recusa-se a discutir o assunto.

A festa é um sucesso. 

Todos brincam com o talento criativo do António e há mesmo alguém que declama um dos poemas, o que arranca comentários divertidos da audiência.

Ninguém tem pressa de se ir embora, mas o Dr Sérgio resolve isso de uma forma diplomática.

" Há muito que não danço com a minha mulher." anuncia " Uma valsa vienense... Por isso, a última dança da noite é para mim e para a minha mulher."

A D. Mariana fica corada, mas aceita o convite e os dois deslizam como dois profissionais pela sala.

Ninguém dança, ficam apenas a admirar o profissionalismo do par e começam a despedir-se.

Amanhã é um outro dia.

O António e a Andreia têm que conversar. 

Sobre o que querem verdadeiramente na vida.


FIM

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Aceitam-se ideias para o próximo conto... 
Já conhecem as personagens...


segunda-feira, 18 de março de 2019

ANTÓNIO - PARTE V


O piquenique é divertido e os dois miúdos adormecem encostados ao sofá.

O António leva o André para o quarto e a mãe faz o mesmo à Carolina.

O António volta a descer e fecha-se novamente na biblioteca.

Andreia suspira e vai dormir. Têm que falar, mas o António quando quer ser teimoso...

O clima  entre o casal é tenso nos dias seguintes e no dia do lançamento do livro, a família mais chegada está preocupada.

O António ainda não chegou e está marcado para as seis.

" Espero que não se tenha esquecido." observa a D. Mariana.

" Também eu, mas ele não respondeu aos SMS que lhe enviei." comenta a Andreia.

O Dr Sérgio ri-se e diz:

" Respondeu ao meu!" e a D. Mariana pergunta, curiosa:

" O que é que lhe disseste? "

" Se eu estou cá, tu também tens que estar." e o Dr Sérgio volta a rir-se. Selecciona o SMS e lê:

" Pai, o livro é meu, tenho mesmo que estar!"

" Vocês e as vossas piadas!" e a D. Mariana afasta-se para falar com a editora, que está farta de olhar para o relógio.

Nesse momento, ouve-se uma salva de palma e o António avança, a distribuir apertos de mãos.

" Parece um político!" resmunga o Dr Sérgio e a Andreia ri-se baixinho.

A conversa que se segue à apresentação é interessante e com tantas fotos e autógrafos, são os últimos a saírem da livraria.

CONTINUA


domingo, 17 de março de 2019

ANTÓNIO - PARTE IV


A D. Mariana protesta, a noite era deles e os miúdos já estavam a dormir.

Têm planos para a manhã seguinte; podem vir buscá-los depois de almoço.

O filho e a nora agradecem e voltam para o carro.

" Aqueles dois discutiram. Valha-me Deus, queria tanto que conversassem!" diz D.Mariana ao marido.

" O teu filho é um cabeça no ar, mas o que é que se espera de um cientista?" comenta o Dr Sérgio.

D.Mariana sorri e não diz mais nada. Está cansada, os miúdos têm tanta energia.

Os pais não falam mais naquela noite.

O António fecha-se na biblioteca e acaba por adormecer lá e a Andreia levanta-se cedo e vai até ao ginásio.

Encontra lá uma colega e resolvem almoçar juntas. Depois, vai buscar os miúdos a casa da sogra.

" O António não veio contigo?" pergunta a D.Mariana.

" Não e não sei se está em casa." responde a nora e D.Mariana fica apreensiva.

" As coisas não correram bem? " e Andreia abana a cabeça.

Quando chegam a casa, o carro do António não está na garagem e Andreia bate à porta da biblioteca.

Ninguém responde e ela entra. Abre as cortinas, a janela, deixa entrar a luz.

A mesa de trabalho está cheia de papéis, há livros no chão e o António deixou o computador ligado.

Andreia dobra a manta e volta a colocá-la no sofá. Coloca os livros numa mesa perto da estante e leva os pratos sujos para a cozinha.

Talvez devesse espreitar o computador, mas quando o faz, fica decepcionada, pois abre numa página cheia de números.

Algum novo projecto, pensa e sai. 

Os miúdos querem ver um filme e estão entretidos a fazer um piquenique no chão da sala quando o António regressa.

" Oh, Pai, vem comer pizza connosco!" convida o André quando o vê.

" Vou só tomar um banho e venho já, ok?" diz o António " Eh, Carolina, guarda-me essa fatia..." e desaparece.

Andreia segue-o e fecha a porta do quarto.

" Podemos conversar?"

Mas a cara do António está fechada, os olhos duros e a resposta é seca.

" Não, não podemos." e entra na casa de banho.


CONTINUA






sábado, 16 de março de 2019

ANTÓNIO - PARTE III


A noite é um sucesso até ao momento em que entregam no quarto o champanhe e os morangos e o António resolve falar no lançamento do livro.

" Podíamos organizar uma festa pós-lançamento para a família e os amigos. A editora vai servir um Porto e uns aperitivos, mas há tanto tempo que não organizamos nada..." diz o António.

" Não organizamos porque tu estás sempre ocupado. Chegas sempre atrasado aos jantares, às festas dos nossos amigos e pareces que não estás lá. E, agora queres organizar uma festa?" interrompe a Andreia, pousando a taça na mesa de cabeceira.

" É uma oportunidade perfeita. Prometo solenemente estar lá!" e o António oferece-lhe um morango.

" Não estou a brincar, António. Que não me fales do teu trabalho, entendo, foi o que combinamos quando casamos, mas um livro de poesia? " e Andreia levanta-se da cama.

" Nunca pensei que ia conseguir. Só quando enviei para a editora e foi aceite..." explica o marido, prendendo-lhe a mão. " Ouve, Andreia, sempre tive uma relação conturbada com a poesia e quando encontrei a Professora Dalila..."

" Ela lançou-te um desafio e tu respondeste." suspira a Andreia " Eu e os teus filhos também temos que te lançar um desafio? "

" Vá lá, Andreia, não exageres. Ok, chego atrasado, às vezes, não apareço... mas sabes como o meu trabalho é exigente..." António começa também a ficar exaltado.

" Eu também tenho um trabalho exigente, mas estou sempre presente..." lamenta a mulher.

" Afinal, estamos a falar do meu livro de poesia ou do facto de não estar tão presente na vida familiar? " pergunta António e a voz soa fria, zangada.

Andreia reconhece os sinais e não diz mais nada. 

Se continuarem a discutir, ainda dizem coisas que não devem e será muito complicado esquece-las.

" É melhor irmos embora!" e fecha-se na casa de banho.

António esvazia a taça de champanhe e come alguns morangos enquanto espera.

Saem do motel sem trocarem uma palavra e nem disfarçam quando vão buscar os miúdos.

CONTINUA





sexta-feira, 15 de março de 2019

ANTÓNIO - PARTE II


" Só lhe contaste depois de tudo organizado... E, só a deixaste ler quando te enviarem as provas." diz a Mãe durante o almoço prometido há semanas e que o António andava adiar por questões profissionais.

" Eu própria fiquei aborrecida por não me teres dito antes. Mas eu sei que tu és feito no ar..." continua a senhora enquanto o António ri.

" A Andreia também sabe disso." contrapõe o António. " Quando tenho um problema complicado para resolver, esqueço-me de tudo."

" Mas exageras; até dos anos do teu filho, te esqueceste. A Andreia comprou a prenda em teu nome e teve que te ir buscar." censura a D. Mariana.

" Pois, eu sei... O André não ficou muito satisfeito e a Carolina esteve uns dias sem me falar." diz o filho.

" Há quanto tempo vocês não jantam juntos? Não fazem uma noitada? " pergunta a D. Mariana " Eu fico com os miúdos; vamos os quatro jantar àquele restaurante de hambúrguers. "

" Uma boa ideia; vou propor isso à Andreia. E vai ser esta noite!"  e o António manda de imediato um SMS à mulher.

A Andreia está relutante, " será que ele não vai esquecer? " murmura.

A D. Mariana afirma que não, que não o deixou sair do restaurante sem essa promessa.

Os miúdos vão para casa dos avós, excitados com a perspectiva do jantar naquele restaurante de nome esquisito, como diz a Carolina.

A Andreia toma um longo banho, veste-se cuidadosamente e maquilha-se na perfeição.

Senta-se na sala, a folhear uma revista. De vez em quando, olha para o relógio e pensa, não se vai lembrar.

Mas o António chega, um pouco em cima da hora combinada, mas chega.

CONTINUA

quinta-feira, 14 de março de 2019

ANTÓNIO


Os "oh", os "ah" e os " estás a gozar comigo?" foram tantos que o António resolve desligar o telemóvel pessoal.

Qual é o problema? Ele, António, um cientista, um matemático, escreveu um livro de poesia.

Poemas sensuais, a raiar o erótico. Um marco na literatura erótica, segundo alguns críticos.

António não concorda muito com a leitura feita por esses críticos, mas está satisfeito com o resultado final.

O outro livro que publicou, inteiramente dedicado ao projecto matemático em que está envolvido, só tem sucesso na comunidade cientifica.

Se não tivesse encontrado a Professora Dalila no jantar de antigos alunos, talvez nunca o escrevesse.

Mas a Professora Dalila ainda se lembrava do poema de amor que o António tinha escrito (quase obrigado) no último ano do liceu e lançou-lhe o desafio.

" Porque não tentas? " e o António sorriu. 

Na biblioteca de casa, havia uma secção dedicada a livros de poesia, de ficção cientifica e policiais.

Poucas pessoas sabiam disso, porque António considerava a biblioteca o seu refúgio e nem a mulher tinha licença de lá ir.

Ups, a Andreia estava furiosa, porque o António não lhe contou nada sobre o novo projecto literário.

Nem a dedicatória a tinha apaziguado.

Quem diria que um simples livro de poesia lhe transformaria a vida num inferno?

CONTINUA




quarta-feira, 13 de março de 2019

NOVO DESAFIO


Aqui fica um novo desafio...

Como sabem, as minhas histórias têm vários personagens e o desafio é exactamente esse,

Quem será o protagonista da próxima história?

O Inspector Bernardes a relembrar um velho caso com o seu mentor, o Inspector Leandro?

O Inspector Leitão, que está reformado e a viver naquela aldeia simpática?

A Fátima que foi através de um burlão e teve que ficar no Brasil?

O Sargento Lucas que está nervoso com o casamento?

O António que desprezava os livros e se torna escritor?

Ou o Jaime que escreve sobre o Detective Latitude e alguém espera que ele resolva um caso?

Aguardo as vossas sugestões.



terça-feira, 12 de março de 2019

ROSÁRIO - FIM


No bilhete, a Amélia pede-me para não ler os cadernos e entregá-los a um jornalista se ele publicar uma crónica sobre o tema " Bairro da Leopoldina".

Fico preocupada, mas qualquer coisa me impede de avisar o Telmo. Será melhor para mim não saber o que aconteceu.

O Telmo envia-me um mail a pedir para destruir o disco do meu computador, configurar um outro email pessoal e para não o contactar durante uns seis meses.

" O que é que fizeste?" pergunto-me, mas apresso-me a cumprir o que a Amélia me pede.

Porque a dita crónica é publicada e se o Telmo tinha um plano, a Amélia também tinha tomado as suas precauções.

Entrego os cadernos ao jornalista num café discreto e parto nessa mesma noite para Buenos Aires.

A empresa tem lá uma sucursal e não vai parecer estranho eu trabalhar lá durante seis meses.

São os meus Pais quem me dizem que a empresa de Telmo está envolvida num escândalo.

Ainda não sabem a ligação entre a empresa e o Bairro da Leopoldina, mas estão a vasculhar tudo.

O Telmo? Dizem que está no Brasil ou na Tailândia e o resto da família está desesperada porque não entendem a razão da fiscalização por parte da Judiciária e das Finanças.

Suspiro e penso que não posso voltar à Europa tão cedo.

Será que vão descobrir que o Telmo me pagou a viagem à Tailândia e porquê? 

Melhor ainda, sabem que eu existo?

Quando me propõem ficar na Argentina mais dois anos, não hesito e assino o contrato.

Afinal, o jornalista viu-me e quem sabe se não deu já o alerta?

Não vou correr mais riscos por causa do Telmo e a vida aqui não é nada má.


FIM