quarta-feira, 30 de setembro de 2020

A BRIGA

O Bernardo encontra o Gustavo, o sobrinho da Rita, na livraria.

Sentam-se no café, conversam sobre os planos de estudo na Universidade o Gustavo convida-o para irem ao bar nessa noite.

A Aída não gosta muito da ideia, mas o filho é uma pessoa responsável e o Gustavo não é um estranho.

Até conhece bem a Madalena, sabe que o Gustavo tem sido um grande apoio para a Mãe no divórcio, mas socialmente não sabe como ele se comporta.

Espera que o filho não beba demais e não faça disparates.

Aconselha-se com o Major, aquele é um recruta, ensinei-lhe a ter limites, diz, não vai haver problemas.

Nenhum dos rapazes bebe demais, mas o bar tem gente a mais, alguém começa a lutar e chamam a polícia.

A polícia identifica-os, manda-os para casa e os dois decidem não dizer nada às respectivas Mães.

Contudo, no dia seguinte, não se fala noutra coisa na Universidade e a Glória conta ao Major.

" Oh, Bernardo, diz-me que não estiveste envolvido na luta!" pergunta o Major antes da sessão do Clube.

" Claro que não!" exclama o Bernardo " Nem estávamos perto do bar; só demos conta que se passava alguma coisa porque começaram a gritar. Depois, chegou a polícia e pediu-nos a identificação."

" Beberam demais?" pressiona a Aída e o filho responde:

" Eles talvez, nós não! Pediram-nos a identificação, porque o bar estava cheio e houve uma luta!" 

A Madalena pergunta a mesma coisa ao Gustavo.

" Até me ofende, Mãe! Não participei na luta; estava muito sossegado a conversar com o Bernardo e com uns amigos. Não aconteceu nada demais!" repete.

CONTINUA


terça-feira, 29 de setembro de 2020

A CASA DE CAMPO - FIM

 

" São rapazes saudáveis!" comenta o meu cunhado Pedro " Até aquela migalha que é o meu filho anda a bater nos outros meninos. Dizem que é por ser muito mimado!"

" O Miguel mimado?" repete o Miguel primo " Que ideia! É um rapaz de barba rija!" e todos riem.

Volto a ter uma conversa séria com o Matias e o Edgar, eles prometem que se comportam " decentemente", mas as tréguas duram pouco.

A briga é tão feia, o motivo tão insignificante que a Carolina decide fechar a porta de comunicação entre os quartos.

Até estabelece um horário para eles utilizarem a casa de banho, o que todos acham ridículo, mas que acaba por resultar.

A Filipa pergunta-nos se pode passar uns dias com o namorado e uns amigos na casa de campo.

" Eles estão dispostos a pagar... disse-lhes que os Pais fariam um preço razoável." explica.

" Oh, Filipa, isso não é necessário!" protesto, mas a minha filha abana a cabeça e diz:

" Não, foram os Pais deles que o sugeriram. Não me comprometi, mas acho que podemos aceitar."

Eu e a Carolina não sabemos bem o que dizer, cobrar a estadia aos amigos da nossa filha? mas a verdade é que temos que controlar as finanças por uns tempos.

Por isso, concordamos num valor que os amigos da Filipa acham razoável e lá vão todos contentes passar uns dias na casa.

A família também resolve fazer o mesmo, nem pensar em recusar, dizem e pouco a pouco as nossas finanças ficam estáveis.

O único problema continua a ser a luta, " pelo território" como diz o Miguel, entre o Matias e o Edgar.

Temos períodos de tréguas, mas basta uma palavra para incendiar os ânimos.

Será que vão ser assim em adultos? Nem quero pensar no assunto.


FIM


segunda-feira, 28 de setembro de 2020

A CASA DA PRAIA - PARTE V

 

O Miguel fica surpreendido e faz algumas sugestões, mas eu chamo-lhes a atenção de que todo o processo envolve uma certa logística e a decisão final é nossa.

A Carolina faz o projecto, pede vários orçamentos e passamos várias noites a discutir até decidirmos pelo que é mais viável em termos estruturais e financeiros.

Onde vamos ficar enquanto duram as obras? é a outra questão.

A Filipa e o Miguel ficam em casa de amigos, o meu irmão recebe o Matias e o Edgar, tenho filhos da mesma idade, diz.

Eu, a Carolina e a Inês ficamos em casa do Pedro e a nossa cobre-se de pó e paredes derrubadas.

Apesar dos protestos da Filipa e do Miguel, que tinham planos com os amigos, alugamos a casa de campo.

Tem que ser, explicamos, temos que rentabilizar o investimento feito e pagar o empréstimo para concluirmos as obras.

A família está disposta a ajudar-nos, mas não aceitamos.

As obras prosseguem, às vezes temos que fazer alguns ajustes, mas fica concluída na data prevista.

Quero alugar os serviços de uma empresa que faz a limpeza após obras, mas as mulheres protestam e encarregam-se de fazer.

Pedem, no entanto ajuda para instalar os móveis e aquele fim de semana é para esquecer com o trabalho a fazer.

Nem sei como fui capaz de fazer a apresentação ao meu cliente no dia seguinte, tão cansado estava.

Mas o meu colega concluiu o negócio, passei os detalhes o departamento respectivo e reúno-me com eles no final de semana para responder a questões.

Em casa, apesar de terem dois quartos e uma casa de banho só para eles, o Matias e o Edgar continuam a discutir.

" Porque a pasta de dentes está no copo do Edgar e devia estar no copo do meio que é comum...porque o Matias vestiu a T-Shirt dele, etc..." suspira a Carolina " Pensei que terem quartos separados resolveria o problema."

CONTINUA


domingo, 27 de setembro de 2020

A CASA DE FÉRIAS - PARTE IV


Explico novamente que temos que resolver os problemas com as palavras e não com violência, que me estão a desiludir porque prometeram que não teriam novamente este tipo de atitudes.

Mandei-os arrumar o quarto, tomar um banho e mudar de roupa, pedi ao Miguel para os vigiar e vou ter com a Carolina.

A Inês deve estar a dormir, porque a Filipa está sentada ao pé da Mãe a contar-lhe as novidades.

" Estão bem? Preciso de ir lá?" pergunta-me a Carolina.

" Não, estão com o Miguel. Mas temos que pensar em mudar para uma casa maior; temos que os separar." explico " Caso contrário, vamos continuar ter cenas de pugilato e não podemos estar constantemente a separá-los."

" Oh, Pai! Que horror deixar esta casa, tenho tantas memórias aqui." diz a Filipa.

" Mas o teu Pai não deixa de ter uma certa razão; já tivemos que transformar o escritório num quarto para a Inês e não vamos pôr o Matias ou o Edgar no do Miguel." intervém a Carolina.

" E, se fizéssemos obras?" sugere a Filipa " Modificar o layout da cozinha e da sala, retirar espaço ao corredor?"

Eu e a Carolina olhamos espantados para a nossa filha, sabemos que gosta de decoração, mas optou por entrar na Faculdade de Direito.

" Acho que pode resultar e mesmo que sejam mais pequenos, o Matias e o Edgar ficam com dois quartos." continua a nossa filha muito séria.

" É uma ideia a explorar!" comento " Mas pensei que não estavas interessada neste tipo de coisas!"

" E, não estou, mas a Mãe fala tanto nos projectos que desenvolve que aprendi qualquer coisa." respondo a Filipa.

" O que é que aprendeste com a Mãe?" quer saber o Miguel que entra nesse momento com os irmãos, os dois muito calados.

" Vamos fazer obras na casa para termos mais espaço." anuncia a Filipa.


CONTINUA

sábado, 26 de setembro de 2020

A CASA DE FÉRIAS - PARTE III

 

Não é o fim de semana relaxado que pretendo, a Carolina já está a pensar numa forma de rentabilizar o investimento feito.

Quanto à Inês, só sorri feliz.

Quando sabem o que se passou, o Matias e o Edgar têm pena de não terem estado lá, lutariam com os ladrões e venceriam.

" Que disparate!" atalha o Miguel " E se tivessem uma arma? Podias ser morto!"

" Que ideia mais estúpida!" diz a Filipa, mas o Matias e o Edgar não estão preocupados.

Dez minutos mais tarde, estão no quarto a encenar o roubo.

" Aqueles dois vão estar entretidos por umas horas!" rio-me e a Carolina concorda.

A Filipa oferece-se para tratar da irmã, o Miguel desaparece no quarto dele e nós ficamos na cozinha, a saborear um copo de vinho.

" Podemos alugar no fim de semana do Carnaval, na Semana Santa..." sugere a Carolina " A Filipa e o Miguel podem não gostar.. gostam de ir lá nas férias com os amigos."

" Vamos com calma." aconselho " Ok, tivemos que contratar uma empresa de segurança e instalar novas portas, mas vamos subir o preço do aluguer e ver o que acontece!"

A Carolina fica pensativa um pouco, mas não consegue dar uma opinião, porque, do quarto dos rapazes, vêm gritos terríveis.

" Bolas!" suspiro " O que aconteceu agora?"

No corredor, a Filipa está furiosa, acabei de adormecer a Inês e o Miguel prepara-se para fazer uma " intervenção".

No quarto, reina a confusão, os irmãos estão a lutar.

O Matias tem o lábio rebentado, o Edgar o nariz a sangrar. Voam murros, há pontapés.

" PAREM JÁ!" grito, mas os rapazes ignoram-me.

O Miguel prende o Edgar, eu puxo o Matias que continua a dar pontapés.

Um atinge a canela do Miguel que resolve a situação rapidamente com uma bofetada.

" O que é que se passa? Não falamos já disto? Não há murros e pontapés!" quero saber " Os problemas resolvem-se a falar."

Os dois miúdos ficam muito corados e tentam desculpar-se, mas o Miguel interrompe-os.

" O Pai ainda não acabou de falar!"

CONTINUA



sexta-feira, 25 de setembro de 2020

A CASA DE FÉRIAS - PARTE II

 

A Carolina está relaxada, a Inês está a adorar a viagem de carro.

Eu ligo o rádio no máximo, faço a Carolina rir e recrimino-me por não fazer isto mais vezes.

Ao fazer a curva para entrar na garagem da casa, acho estranho o portão estar aberto.

Paro o carro, digo à Carolina para não se mexer e saio.

O portão foi arrombado, a porta da garagem também, embora pareça que não há qualquer problema com a da casa.

Lembro-me então que há uma porta de ligação entre a garagem e a casa.

" O que foi? O que aconteceu?" pergunta-me a Carolina e noto que está assustada.

" Fica aqui. Alguém arrombou as portas; pode ser que esteja ainda lá dentro." explico e com muito cuidado, entro na garagem.

A porta de ligação está aberto, subo os degraus e a cozinha está virada do avesso.

Remexeram em toda a casa, roupas, objectos decorativos estão no chão.

À primeira vista, parece que levaram apenas a televisão, o micro-ondas.

" Ai, meu Deus, o que aconteceu aqui?" exclama a Carolina que aparece na cozinha com a Inês nos braços.

" Disse-te para ficares lá fora!" repreendo " Deve ter sido um assalto; vou telefonar à polícia. Talvez seja melhor telefonares para àquele hotel, não podemos ficar aqui."

Enquanto a Carolina toma providências para nos arranjar alojamento para a noite, telefono à polícia que aparece uma hora depois.

Sim, têm recebido queixas de assaltos na zona, se pudesse facultar uma lista do que desapareceu, seria útil.

Confirmamos que roubaram a televisão, o micro-ondas, a máquina de cortar a relva., fáceis de substituir.

Também peço um orçamento a uma empresa de segurança e contacto um colega meu para se encarregar da instalações de novas portas.

Ficamos no pequeno hotel, a Carolina vai passear com a Inês pelas redondezas e eu fico a vigiar os trabalhos.

CONTINUA


quinta-feira, 24 de setembro de 2020

A CASA DE FÉRIAS

 

Ninguém diria que continuo casado com a mulher que conheci numa festa da universidade e que tenho cinco filhos!

Planeamos o nascimento da Filipa e do Miguel com todo o cuidado, mas o Matias e o Edgar foi uma surpresa.

Surpresa maior foi o nascimento da Inês e tenho que recomeçar tudo!

A casa parece uma creche, além dos meus filhos, estão os meus sobrinhos e até os dos vizinhos.

Tivemos que impor uma regra: a partir das dez da noite, têm que estar todos no respectivo quarto, a ler, estudar, dormir.

Eu e a Mãe temos que ter tempo e espaço para conversar, explico

O Matias e o Edgar riem, não percebem o que quero dizer, mas a Filipa e o Miguel troçam olhares trocistas.

A Carolina está a desenvolver um projecto que parece interessante.

Descreve-o em pormenor, faço algumas sugestões e no écran do computador, parece perfeito.

Fica um pouco desiludida quando o cliente rejeita as sugestões e prefere um look mais clássico.

" Parece que as pessoas têm medo de arriscar. É uma casa de férias que pretendem alugar; móveis modernos, claros e acessórios com cores suaves fáceis de substituir em caso de acidente. Mas enfim..." suspira " Mostrei a nossa casa de férias, mas não os consegui convencer."

" Deixa lá; terás mais sorte na próxima." digo " Por falar em casa de férias, vamos lá passar uns dias? Teremos que levar a Inês, o Matias e o Edgar têm a festa em casa dos primos, o meu irmão diz que podem lá ficar. O Miguel e a Filipa têm os seus próprios planos."

" Não digo que não! A Inês tem muita coisa para explorar por lá e não há perigo de cair na piscina, pois colocamos a grade!" concorda a Carolina.


CONTINUA



quarta-feira, 23 de setembro de 2020

O CASO - FIM


A vida continua, repete a Madalena para si e tenta organizar uma rotina para ela e para a Clarinha.

Impõe-se aos mais velhos, têm que estudar e sair com amigos e até podem passar um fim de semana fora de vez em quando.

A Rita aconselha o Gustavo a só trabalhar nas férias para não interferir nos estudos e naquele Verão, ele vai para um campo de férias como monitor.

A Matilde fica um pouco desapontada, também queria fazer alguma coisa e a tia diz que pode substituir a recepcionista da empresa durante as férias desta.

" O que é isso de recepcionista?" pergunta a Clarinha curiosa.

" Vai tirar fotocópias, abrir o correio, atender o telefone, levar as visitas até à sala..." enumera a Rita.

O Bernardes tem estado muito ocupado, a família não sabe bem se é por causa do trabalho ou da nova namorada.

" E, que tal é ela?" quer saber a Rita, mas os sobrinhos pouco têm a dizer.

Estão sozinhos com o Pai a maior parte do tempo.

Por vontade dela, a Rita aprofundava a história, querem ver que não há mulher nenhuma?, é apenas um crise de meia idade, diz.

O Gonçalo não acha que isso seja importante, é um assunto que só a Madalena e o Bernardes podem resolver.

Eles vão ao Japão, não aceita um "não" como resposta.

E quanto à Madalena? questiona a Rita, mas o Gonçalo assegura-lhe que a irmã tem os seus próprios planos.

A irmã da Teresa oferece-lhe a casa que tem no campo e a Madalena conta mais tarde à Rita que gozou finalmente o tempo.

Está a ultrapassar o divórcio, a adaptar-se às mudanças.

FIM


terça-feira, 22 de setembro de 2020

O CASO - PARTE VI


Quando a Rita chega, já a Teresa convenceu a Madalena a tomar um calmante e a deitar-se.

A Rita decide ficar, o Gonçalo improvisa uma cama no sofá e a Teresa diz ao António que a Madalena está exausta, cedeu finalmente à pressão.

No dia seguinte, a Madalena está mais calma, pede desculpa aos filhos por os ter assustado e promete à irmã consultar um médico.

Com urgência, insiste a Rita e a Madalena acena que sim.

No carro, é a vez da Rita ceder à emoção e chorar, o que espanta e preocupa o Gonçalo.

Nunca a viu assim tão vulnerável e tenta consolá-la, a Madalena é forte, não está sozinha, tu és uma irmã extraordinária.

A Madalena apresenta-se na loja, a Teresa fica admirada, pensei que ias tirar o dia, diz.

Não, não, hoje chega uma nova remessa, quero ajudar na descarga, explica a Madalena.

Felizmente, o fornecedor chega à hora marcada e o resto da manhã é passado a conferir a mercadoria.

À tarde, a Madalena vai para a loja no Centro Comercial, confere a caixa e após algumas instruções à funcionária sobre a decoração da montra, volta para casa.

Precisa de passar algum tempo com a Clarinha, ela deve ter-se assustado e a miúda está realmente muito triste, muito calada.

A Mãe explica-se calmamente o que se passou, a Clarinha acena que sim, mas a Madalena acha que a deve também levar ao médico.

Marca consulta para o médico de família, depois vê-se.

O Gustavo e a Matilde chegam a horas, a Madalena fica surpreendida, pensou que iam ficam a estudar na biblioteca.

Mas os dois irmãos decidiram que o melhor era a Mãe não ficar sozinha e por isso, vão revezar-se.

Só quando for estritamente necessário é que ficam a estudar na biblioteca.

CONTINUA



segunda-feira, 21 de setembro de 2020

O CASO - PARTE V

 

O Bernardes saí de casa naquele fim de semana; a Rita leva a Clarinha ao cinema, mas os dois mais velhos ficam.

É uma despedida dolorosa para todos; o Pai quer dizer alguma coisa, mas limita-se a abraçá-los, a prometer que lhes telefona brevemente.

Os três ficam ali parados no meio do corredor até que a Madalena sugere que encomendem uma pizza.

Na cozinha, explica que terá que haver alguma contenção nas despesas, talvez seja uma boa ideia mudarem para uma outra casa.

O Gustavo prontifica-se a procurar um part-time, mas a Mãe rejeita a ideia, não, tem que se concentrar nos estudos.

Mas o Gustavo já decidiu falar com a Rita, a tia conhece tanta gente, alguém há-de ter um lugar para ele.

Em casa do António, fala-se no caso, a Teresa ainda não acredita, um casal tão estável, comenta.

O António está convencido que foi essa a razão porque o Bernardes insistiu tanto para que a Madalena se tornasse sócia da loja.

Se foi para ela ter um rendimento, ainda bem, mas não deixa de ser doloroso, exclama a Teresa.

Gostava que ela chorasse, gritasse para esvaziar toda aquela dor que se nota no olhar, acrescenta, mas ela está tão calma...

A Clarinha não entende nada, pergunta pelo Pai, a Madalena tenta explicar a situação, não consegue e é a Rita que responde às questões da menina.

Acho que ainda não entenderam bem o que se passou, desabafa a Rita, parece que flutuam.

O Gonçalo não diz, não há nada a dizer, também ele está preocupado.

A Madalena e o Bernardes decidem vender a casa, ela encontra um apartamento no prédio da Teresa e do António.

Os filhos aprovam, não ia fazer uma cena e dizer que não vejo necessidade de mudar, confessa o Gustavo à tia que concorda.

É na primeira noite que passam na nova casa que a Madalena cede à pressão de todos aqueles meses e começa a gritar.

A Clarinha assusta-se, a Matilde leva-a de imediato para casa da Teresa, a quem explica rapidamente a situação.

O Gonçalo tenta consolar a Mãe sem sucesso e quando a Teresa chega, já telefonou à Rita.

A Madalena chora agora desconsoladamente, sentada no chão.

CONTINUA

domingo, 20 de setembro de 2020

O CASO - PARTE IV


A Rita não consegue concentrar-se no trabalho, o Gonçalo pergunta-lhe várias vezes o que se passa, mas ela apenas diz, falamos em casa.

Quando lhe conta a história, o Gonçalo fica surpreendido porque o Bernardes parecia ser uma pessoa cheia de regras de que não se desvia um milímetro.

" Trabalham juntos, muitas horas... acontece!" diz o Gonçalo " É duro depois de 20, 25 anos de casamento..."

" A minha irmã parece calma, acha que ele foi honesto... Assusta-me um pouco!" comenta a Rita..

" Nem todos os divórcios são complicados como o teu." comenta o Gonçalo " Já está em cima da mesa, têm que dizer aos filhos, esclarecer uma série de pormenores."

" Isso não me consola, Gonçalo! Preferia que a Madalena gritasse, atirasse com as coisas à parede, sei lá... vai sofrer mais depois!" observa a Rita.

Entretanto, na casa do Inspector, decidiram que seria ela a dizer aos filhos, uma Madalena muito calma explica-lhes a situação.

" O Pai conheceu outra mulher, foi?" é a pergunta directa do Gustavo e a Matilde acrescenta de imediato que não a quer conhecer.

" Não estamos a discutir isso!" interrompe a Mãe " O Pai vai sair de casa, para já ficamos aqui, depois decidimos o que fazer. O Pai também vai falar convosco, só estou a pedir que o escutem."

" Não sei se o quero ouvir!" responde o Gustavo e a Matilde apoia-o.

" Vocês não são crianças; são adultos!" exclama a Madalena " Continua a ser vosso Pai e quer falar convosco!"

" Ok, Mãe! Tenho que ter tempo para digerir isto!" reclama o filho " Não é fácil ver a minha vida ruir de um momento para o outro!"

" E a minha não?" repete a Mãe e o Gustavo dá-lhe um abraço, arrependido.

Foi um egoísta, nem pensou no que a Mãe está a sofrer.

A Matilde suspira, é a primeira a dizer que sim, que vai falar com o Pai e ouvir as explicações dele, mas não promete nada.

" Para já, só quero que o escutes. Depois, temos que arranjar uma forma saudável de viver isto. Por causa da Clarinha!" replica a Mãe.


CONTINUA

sábado, 19 de setembro de 2020

O CASO - PARTE III

 

" O teu cunhado não consegue resolver o caso!" brinca o Gonçalo, mas a Rita acha que aconteceu qualquer coisa mais grave.

Não é a primeira vez que o Bernardes não resolve um caso de imediato; às vezes, demoram meses, até anos.

Por isso, a Rita adia as reuniões daquela manhã e como sabe que a irmã só entra na loja às onze, vai ter com ela a casa.

A Madalena ainda está de roupão, os olhos estão vermelhos, o que alarma de imediato a Rita.

" Vais contar-me o que se passou este fim de semana! Porque eu sei que aconteceu alguma coisa!" repete a Rita perante a resposta lacónia da irmã de que está tudo bem.

A Madalena senta-se, bebe um pouco de café, estão sentadas na cozinha.

Os miúdos, valha-me Deus, a Matilde e o Gustavo são praticamente adultos, pensa a Mãe, estão nas aulas, o Bernardes também já saiu.

" O Bernardes pediu-me o divórcio." anuncia a Madalena num tom de voz tão baixo que a Rita pede para repetir.

" Divórcio? O Bernardes quer o divórcio? Após todos estes anos???" a Rita não quer acreditar " Vocês estão casados há mais de 25 anos!"

A Madalena suspira, ainda não aceitou bem a ideia, não sabe como aceitar, confessa.

" Compreende-se..." diz a Rita " Vocês pareciam tão felizes; qualquer casamento tem os seus problemas, mas vocês sabiam resolver isso."

" Ele conheceu alguém." explica a Madalena " Ao que parece, trabalha numa das brigadas da Polícia. Como consultor, ele está em contacto com muita gente e tem chegado tarde a casa, porque ela é uma" pessoa interessante, excitante, com uma perspectiva nova da vida"."

" Foi o que ele disse?" a Rita está lívida. 

" Foi franco e pensando bem, ainda bem que o foi!" esclarece a Madalena " Ok, estou magoada, frustrada, furiosa, mas não me escondeu nada."

A Rita fica calada, não sabe o que dizer.

" Tenho que me vestir. Não quero chegar atrasada; a loja relaxa-me. Falamos depois? " exclama a Madalena.


CONTINUA



sexta-feira, 18 de setembro de 2020

O CASO - PARTE II


Por isso, naquele fim de semana, os Pais vão para fora, " reacender a chama da paixão" como diz o Gustavo a uma Clarinha muito amuada.

Mas tu gostas de estar em casa da Rita, dizes sempre que te divertes muito, estranha a Matilde, mas a benjamim da família fica muito calada.

O Gonçalo e a Rita levam-na a um parque de diversões e em casa, o Gonçalo ajuda-a a fazer um desenho 3D no computador.

Achas que isso é uma boa ideia? pergunta a Rita, a Madalena está a limitar-lhe o acesso, só quando é mesmo necessário.

Só estamos a fazer um desenho e isto é inofensivo, declara o Gonçalo, aliás, ela parece estar feliz.

A Matilde e o Gustavo chegam entretanto, o combinado era saírem e depois jantarem em família.

" A Mãe diz que o caso do vosso Pai é complicado e que ele anda muito aborrecido. Sabem do que se trata?" pergunta a Rita.

" O Pai não dá muitos detalhes, apenas que quanto mais investiga, mais buracos encontra." explica o Gustavo.

" Toda a gente tem um álibi que está confirmado. Mesmo o do segurança!" esclarece a Matilde " A equipa de limpeza não é suspeita, porque encontrou o corpo às 06h00 da manhã quando começaram a trabalhar."

" Então, há um corpo?" brinca o Gonçalo.

" Claro que há um corpo;  o Pai encontra uma explicação para que haja um corpo!" interrompe a Clarinha e toda a gente ri.

O Gustavo e o Gonçalo assistem ao jogo de futebol, a Rita lê uma história à Clarinha enquanto que a Matilde folheia as revistas da Tia.

No dia seguinte, vão todos fazer jogging para o parque, voltam para casa para tomar banho e almoçam depois num restaurante à beira-mar.

É um dia agradável, apenas ensombrado pelo ar pesado que há entre os Pais quando os vêm buscar ao fim da tarde.

" O que sucedeu?" sussurra a Rita.

" Conto-te amanhã!" murmura a Madalena e saí.

" Houve qualquer coisa entre eles. O que será?" desabafa a Rita.

CONTINUA

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

O CASO

 O caso em que o Inspector Bernardes está agora a trabalhar é complicado e ele chega tarde e muito cansado.

A Madalena está preocupada, acha que não está a descansar o suficiente e ele pergunta como? quando mais descobrimos, mais discrepâncias encontramos.

" O que é isso?" quer saber a Clarinha.

" É quando tu dizes que queres comer pão e o que queres na verdade é bolo!" brinca o Gustavo.

" Oh, Gustavo!" repreende a Madalena " Explica as coisas direito! Clarinha, discrepância significa que o que foi dito não corresponde à realidade!".

A filha acena em concordância e continua a comer.

" O Pai acha que foi um trabalho interno?" questiona o Gustavo.

" As portas não foram forçadas e todos têm álibis sólidos!" responde o Pai.

" Provavelmente o crime foi cometido mais cedo do que pensam!" sugere o filho, mas a Madalena faz-lhe sinal para não continuar com o interrogatório.

" O teu Pai precisa de descansar; este caso está a interferir com a saúde dele. Por alguma razão, aceitou ser só consultor, mas está a trabalhar no caso como se fosse ele o responsável pela investigação." desabafa a Madalena.

" A Mãe já falou com ele? " pergunta o filho e a Madalena suspira.

Claro que já lhe chamou a atenção, lembra-te do que disse o médico, mas o marido quer apoiar ao máximo a brigada e revê com eles todos os aspectos do caso.

" Não vais ter um fim de semana de folga?" é dia de almoçar com a Rita e esta aborda o assunto com a descontracção habitual.

" Vou, mas o que é que isso tem a ver?" replica a Madalena.

" Faz-lhe uma surpresa, marca uma estadia num spa, num hotel rural. Desliga os telefones e andem a explorar a região." explica a Rita " Não te preocupes com a Clarinha; fica comigo. Os outros devem ter planos, mas podem dormir lá em casa também."


CONTINUA

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

MADALENA - FIM


Tal como a Madalena previa, o rapaz mostra-se arrogante, provoca a colega e os clientes queixam-se dele. 

A Teresa chama-o à atenção, mas ele não reage e por isso, a melhor solução, confessa a Teresa ao António mais tarde, é " bani-lo" para o armazém.

Só contacta connosco e com os fornecedores, explica à Madalena que também é da mesma opinião.

O rapaz acaba por as surpreender, porque se revela um bom gestor de logística enquanto a Maria é uma boa vendedora.

" Os outros estagiários eram bons, mas estes superam as minhas expectativas. Principalmente, o Tomás. Organizou ali um sistema de stock muito eficiente." admite a Teresa.

" Tinha as minhas dúvidas em relação ao Tomás!" diz a Madalena " Mas ainda bem que se tornou um bom elemento; os clientes não gostavam dele."

Na reunião mensal da sociedade gestora da loja, os sócios votam a instalação da ilha no centro comercial.

O Tomás vai ser responsável pela instalação, a Teresa e a Maria vão revezar-se no atendimento ao público.

Os sobrinhos da Teresa e até mesmo a Matilde ajudam a colocar os produtos nas prateleiras e a Madalena fica responsável pela loja durante aquele período.

É um período louco, mas o resultado é óptimo e fica decidido que no início do ano se discutirá a abertura de uma loja num Centro Comercial.

" Não terei tempo para tudo!" protesta a Teresa " Como é que vou gerir duas lojas?"

" Com a Madalena!" responde o António " O Bernardes convidou-me para almoçar e entre vários assuntos, abordou a possibilidade da Madalena ser sócia. Claro que temos que discutir o assunto em reunião, mas tu dizes que a Madalena é organizada, está à vontade com os clientes, é uma mais-valia para a loja!"

A Teresa fica admirada, mais admirada fica a Madalena porque o marido não discutiu o assunto com ela.

Todos concordam com a proposta e a Madalena não podia estar mais feliz.

Com a loja, o blog, pode dizer-se que tem novamente uma vida pessoal.


FIM




terça-feira, 15 de setembro de 2020

MADALENA - PARTE V

 

" A minha Mãe está toda moderna!" goza o Gustavo, mas a Matilde dá-lhe dicas como formatar o texto e inserir fotos.

Inclusive a Rita ajuda-a a melhorar o template do blog e a Madalena está muito satisfeita com o resultado.

A Clarinha continua a protestar, mas, como ficou combinado que duas vezes por semana a Madalena é responsável pelo menu do café da loja, a Mãe deixa que a ajude a preparar os ingredientes.

" Ajudei a Mãe a fazer isto!" declara a miúda e os irmãos riem-se, vais ser uma chef famosa.

É uma profissão como qualquer outra, comenta o Pai.

" Foi uma boa sugestão!" diz a Madalena à Rita num dia em que almoçam juntas.

" A Teresa gosta muito do teu trabalho." informa a irmã " Agora que os dois estagiários terminaram o contrato, vai precisar da tua ajuda. Para já, não queremos contratar ninguém com carácter definitivo; a Teresa quer manter o ambiente familiar e está a resistir à ideia da expansão."

" O que pensam os outros sócios?" pergunta a Madalena.

" Para já, vamos abrir uma " ilha " num centro comercial durante o Natal para ver como corre." explica a Rita " No principio do ano, ponderemos a hipótese de abrir uma segunda loja num centro comercial. Mas a Teresa não está muito convencida!"

" O ambiente da loja é muito familiar, os novos clientes vão lá porque ouviram falar da loja pelos amigos." responde a Madalena " Compreendo que a Teresa não queira destruir isso."

" Mas a loja não vai perder essa característica! A loja principal será sempre aquela!" observa a Rita " Queremos explorar outras opções."

Tal como a Teresa, a Madalena não está muito convencida.

Há ali um clima de amizade, de confiança que todos apreciam; é a alma da loja.

Fazem uma pequena festa de despedida aos dois estagiários; a Teresa aceita receber mais dois.

Desta vez, é um rapaz e uma rapariga e a Madalena não gosta muito do aspecto do rapaz.

Há qualquer coisa falsa nele, conta ao marido mais tarde, não sei exactamente o quê, a culpa é tua com os perfis de criminosos que discutes à mesa.

O Inspector ri-se, estás a sonhar, diz.

CONTINUA

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

MADALENA - PARTE IV

 A Matilde vai estudar para casa de uma amiga; por isso, só são os três.

A meio da tarde, o António aparece na loja e oferece-se para levar os três miúdos até ao parque.

Ainda bem que o faz, pois as duas estão bastante ocupadas.

Quando o António chega, a Teresa está a fechar a caixa e a Madalena a arrumar a esplanada.

O Inspector Bernardes aparece pouco depois das sete e, em vez de irem a um restaurante com os miúdos, resolvem comprar uma pizza e comer em casa da Teresa e do António.

O Gonçalo adormece pouco depois de comer, a Sofia ainda petisca uma fatia de pizza e a Clarinha está toda satisfeita, pois deixam que coma sentada em frente da televisão.

Os adultos conversam, a conversa é fluída, divertida e a Madalena acha por bem dar a noite como terminada quando as duas miúdas adormecem onde estão.

" Que casal tão simpático!" comenta o António e pega na Sofia com todo o cuidado.

" Sim, sim e a Madalena é muito competente. É afável com os clientes, está sempre pronta a ajudar." concorda a Teresa " Até parece que está mais jovem..."

" Mas não é tão exuberante como a Rita!" diz o António e a Teresa abana a cabeça, não há comparação, o percurso de vida é completamente diferente.

" O António é uma pessoa interessante; está a par das notícias, fez-me uma série de perguntas pertinentes sobre a vida na Polícia." observa o Inspector à mulher.

O Gustavo e a Matilde já estão em casa, a Clarinha aconchegada na cama.

" Ele e a Teresa completam-se. O António é um pouco rígido, a Teresa vive a vida de uma forma muito " zen "." responde a Madalena.

O Inspector ri-se, tens que me explicar o que é isso de zen e fecha a luz.

Está cansado, mas quer acordar cedo, ver se vai fazer um pouco de jogging.

Talvez o Gustavo esteja disposto a acompanhá-lo.

Mas o filho resmunga que quer continuar a dormir e a única disposta a acompanhá-lo é a Clarinha.

A Madalena fica a actualizar o blog; já tem 20 followers.


CONTINUA

domingo, 13 de setembro de 2020

MADALENA - PARTE III

 

" Que tal o primeiro dia?" quer saber a Teresa e a Madalena sorri.

" Interessante. Aprendi muito; isto está muito bem organizado e os estagiários são prestáveis, interessados, competentes." responde a irmã da Rita e é a vez da Teresa sorrir.

" Vou ter pena quando o contrato deles terminar; para já, não posso ter empregados a tempo inteiro." explica a Teresa " A loja começa agora a ter lucro, mas ainda temos que ter cuidado. Não queremos perder tudo se avançarmos depressa demais."

" Estou cá para ajudar. Os meus filhos já estão crescidos, mesmo a Clarinha, posso gerir o meu tempo de outra maneira." confessa a Madalena " Até amanhã, então."

A Madalena ocupa a tarde a explorar o computador, em breve domina o básico e passado poucas semanas, até fala em criar um blog.

" A que propósito? Sobre o quê?" ri-se o Gustavo e a Matilde dá-lhe um abanão, deixa a Mãe em paz, segreda.

" Posso falar num certo jovem adulto que " perdeu " a irmã no parque ou bebeu mais do que a conta." diz a Madalena e o filho cora violentamente.

" E, o trabalho na loja?" interrompe o marido e a Madalena explica em pormenor tudo o que a Teresa está a fazer na loja.

O Inspector sorri, a mulher parece estar mais feliz, mais descontraída.

" Até estou a pesquisar receitas saudáveis para o café da loja... Compreendo a ideia da Teresa, quer manter um ambiente confortável, intimo, mas podemos variar um pouco o menu. " comenta a mulher.

" E, eu?" a Clarinha está amuada, sente-se um pouco sozinha por não ter toda a atenção da Mãe.

Ainda por cima, a Mãe não a deixa jogar no computador, tens muito tempo para isto, é a resposta que recebe.

" Hoje, como é sábado, podes vir comigo para a loja; acho que a Teresa também vai levar a Sofia e o Gonçalo." observa a Madalena e a Clarinha fica mais entusiasmada.

" Posso passar por lá ao fim da tarde e vamos jantar fora?" sugere o Inspector Bernardes.

" Eu não!" declara imediatamente o Gustavo " Vou jantar com uns colegas ao centro comercial."


CONTINUA

sábado, 12 de setembro de 2020

MADALENA - PARTE II


A Teresa explica os objectivos da loja, a necessidade de conhecer bem os produtos e aconselha a leitura de certos artigos.

A Madalena mostra-se interessada, faz perguntas pertinentes e fica combinado que trabalhará todas as manhãs e duas tardes por semana.

Quem não gosta nada da ideia é o Gustavo, pois a primeira coisa que a Mãe faz quando regressa é pedir-lhe o computador " emprestado".

" Porque é que não compras um para ti?" protesta e a Madalena fica a pensar no assunto.

Pode fazer pesquisa sobre os produtos, ler a informação dos sites dos fornecedores da loja, até mesmo tirar um curso online.

" Talvez devas começar por um curso básico de informática" aconselha a Rita " sei que tens alguns noções por causa dos teus filhos, mas deves aprofundar isso. Quanto ao PC, não te preocupes; há um no escritório que podes utilizar. "

No dia seguinte, na loja só estão os dois estagiários, a Teresa tem uma pequena reunião, deve voltar antes das onze, dizem-lhe.

Fazem-lhe um tour da loja, explicam-lhe como funciona o pequeno café e como estão organizados os produtos.

Levam-na até ao armazém, há uma palette para ser descarregada, não se importa de ajudar? perguntam.

Claro que não, diz a Madalena, mas não fica ninguém na loja?

Há uma pequena sineta na porta, avisa-nos se alguém entrar, explicam e é no armazém que a Teresa a encontra quando regressa.

" Olá, bom dia, não era bem isto que tinha planeado para o primeiro dia." desculpa-se a Teresa, mas a Madalena abana a cabeça.

" Não há problema! Isto faz parte do trabalho numa loja, é um pouco como conferir a lista do supermercado!" responde a Madalena " E a reunião, correu bem? "

" Veremos, dão-me uma resposta mais tarde. Venha, vamos tomar um café e provar os scones que trouxe." convida a Teresa.

" É um bom plano!" concorda a Madalena e as duas sentam-se novamente na esplanada.

Os estagiários estão ocupados, estão a acabar de atender um casal.

CONTINUA


sexta-feira, 11 de setembro de 2020

MADALENA


Em conversa com a irmã, a Madalena confessa-se aborrecida.

O Gustavo e a Matilde são praticamente adultos e a Clarinha está tão ocupada com a escola e as actividades extra-curriculares.

Foi uma pena não ter recomeçado a trabalhar quando se mudarem definitivamente para a cidade, mas aqueles primeiros anos com o Bernardes a trabalhar duramente para a promoção foram complicados e perdeu um pouco a noção das mudanças do mercado de trabalho.

Agora, com a vida estável, os filhos com uma vida própria, sente-se a mais.

" Estás a exagerar!" diz a Rita " Às vezes, invejo-te. Não tive filhos com o Raul pelas razões óbvias e agora com o Gonçalo é um pouco tarde."

" Mas tens uma carreira que te permite ter uma certa liberdade." diz a irmã " Não me falta nada; mas queria um pouco mais."

A Rita fica pensativa, a Madalena está um pouco desactualizada, pode frequentar algum workshop, resta saber o que ela quer fazer.

Por coincidência, na reunião mensal da sociedade da gestão da loja, a Teresa avisa que a Cristiana, a gerente, apresentou a demissão.

" O noivo teve uma proposta para trabalhar no Alentejo e claro está que ela quer ir com ele. " explica a Teresa " Por isso, tenho que pensar em contratar alguém..."

" A minha irmã Madalena pode ajudar-te..." interrompe a Rita " Está à procura de um part-time; ela está um pouco enferrujada, terás que a ajudar..."

" Acho que é uma boa ideia! É alguém de confiança e teremos tempo suficiente para analisar currículos." comenta o António.

O Gonçalo e o Pedro também estão de acordo e na semana seguinte, a Madalena apresenta-se na loja.

Os filhos acham interessante a ideia, a Clarinha não percebe muito bem e o marido incentiva-a, não estarás limitada ao ambiente familiar e aos vizinhos.

A Teresa acolhe-a com um sorriso, oferece-lhe um café e sentam-se as duas na pequena esplanada para conversarem.

CONTINUA

Nota:

A Madalena é irmã da Rita e casada com o Inspector Bernardes.

É mãe do Gustavo, da Matilde e da Maria Clara (Clarinha) que é a filha adoptiva.


quinta-feira, 10 de setembro de 2020

OS BEBÉS - FIM

 No entanto, todos concordam com o Miguel Primo.

O Miguel bebé está muito mais sociável, talvez por causa do Matias e do Edgar que inventam uma série de jogos que só eles entendem, diz a Carolina, mas na verdade, mantém os bebés interessados.

A Teresa concorda em parte, mas talvez seja porque o Miguel tem horas, rotinas e isso é fundamental na vida de um bebé.

O Pedro está entusiasmado por ter o filho a viver com ele, até contratou uma governanta para manter a casa organizada.

Quanto à Laura, sabe-se que está encantada com o novo emprego em Madrid.

Resta saber até quando, observa o Gonçalo e a Rita repreende-o, deixa a rapariga em paz, ela precisa de crescer e talvez lhe faça bem estar sozinha.

" Estou preocupado com ela!" confessa o Gonçalo ao irmão quando se encontram para jantar depois da sessão do Clube.

" Também eu! Quando lhe pergunto se está tudo mesmo a correr bem, ela diz que pareço ser o Velho do Restelo, que está a aprender muito e as pessoas são formidáveis!" responde o António.

O Nicolau, que também está presente, abstém-se de comentar. Tem quase a certeza de que a Laura vai voltar, desiludida e a culpar toda a gente.

Esse pressentimento confirma-se quando a Laura regressa para passar o Natal com o filho e com a família.

No jantar pré-Natal, desta vez em casa da Teresa e do António, o Gonçalo pergunta-lhe até quando ela vai ficar.

A Laura fica corada, aperta as mãos e como o António insistisse numa resposta, ela responde:

" Não volto! Não está a resultar, por isso, concordamos que não devo voltar!"

A família fica em silêncio uns minutos e depois, desatam todos a falar ao mesmo tempo até a Teresa protestar a dizer que o assunto tem que ser discutido, mas não naquele momento.

Contudo, já ninguém tem vontade de se divertir; estão novamente no ponto de partida.


FIM


quarta-feira, 9 de setembro de 2020

OS BEBÉS - PARTE V

Mas o António não sabe o que responder; está cansado, quer gozar a noite.

Os detalhes da conversa da Laura com os Pais são escassos: pode ir para Madrid, se quiser, mas terá que dar um curso intensivo à assistente para manter a empresa a funcionar e estar disponível para conversas via Zoom ou outra ferramenta para ajudar nos projectos a desenvolver.

O Pai diz aos filhos, vocês têm que ajudar também, bem sei que têm as vossas próprias empresas, mas sabem como a Laura muda de ideias e quero que tenha aqui qualquer coisa para se manter "à tona".

O Gonçalo não fica muito feliz, tem muito que fazer na empresa que gere com a Rita, mas não pode deixar o António a tratar de tudo sozinho.

Quanto ao Miguel, o Pedro continua a opor-se a que vá igualmente para Madrid e propõe ficar com ele.

A Laura não concorda, há uma nova discussão, envolvem os advogados, preparam-se para ir a Tribunal.

Toda a gente acha que é uma tolice, o Pedro está preocupado com o que poderá acontecer em Madrid, se a Laura o deixa entregue à baby-sitter aqui e o advogado aconselha-a a pensar na proposta do ex-marido.

Além do Pai, o Miguel tem os tios, os primos, os avós; não estará sozinho e o Pedro não lhe negará visitas ou que passe uma semana ou duas com ela em Madrid.

A Laura não está muito convencida, mas a Mãe diz que ela está a ser egoísta, não está a pensar no bem-estar do filho.

Relutante, a Laura aceita a proposta do Pedro e prepara tudo para a mudança para Madrid.

Os Pais acompanham-na, querem ter a certeza de que fica instalada num bom bairro, numa casa adequada e prometem visitas frequentes.

" Vocês acham que vai resultar?" pergunta a Rita à mesa durante um almoço em casa da Carolina.

" Espero bem que sim." diz o Gonçalo " Aquela minha irmã cansa-me!"

O Miguel ri-se e comenta:

" Eu acho que está a ser bom para o Miguel. Está a começar a comportar-se como um homem!"

A gargalhada é geral.

CONTINUA





terça-feira, 8 de setembro de 2020

OS BEBÉS - PARTE IV

 

A discussão é longa e azeda, o Pedro e a Laura trocam acusações e o Gonçalo e o António sentem-se impotentes, pois o casal não os escuta.

No fim da manhã, aparecem a Carolina, a Teresa e a Rita, igualmente preocupadas, pois ninguém atende os telemóveis e não conseguiram perceber a história confusa que a baby-sitter contou.

O Gonçalo aproveita a vinda da Rita para dizer que precisa de fazer um intervalo, vai almoçar a um sítio " bonito" e depois volta.

O António convida a Laura para almoçar, temos que conversar com calma, a irmã protesta, lá estás tu a interferir na minha vida! se te escutasses a voz da razão, não tinha que fazer nada, comenta o gémeo.

A Carolina e a Teresa ficam com o irmão que descarrega toda a raiva que sente e lhes pede depois desculpa.

Mas é natural que ele se sinta assim, a maior parte das decisões da Laura são unilaterais, e o Miguel é filho dos dois, a Laura não é mãe solteira.

Entretanto, o Pai telefona para o Gonçalo, sabes onde está a tua irmã? não atende o telemóvel, vai directo para a caixa de mensagens.

O Gonçalo conta-lhe uma versão resumida do que se está a passar e a meio da tarde, todos já no limite do desespero, os senhores tocam à porta.

A Laura fica perturbada quando vê os Pais, principalmente quando lhe perguntam que história é essa de se querer mudar para Madrid.

Não devia discutir o assunto primeiro com eles? Não financiaram eles o projecto dela?

O Pai pede aos filhos, ao Pedro e irmãs para se irem embora, querem conversar com a filha a sós.

" Também queremos conversar contigo, Pedro, mas ligamos-te, ok?" e o Pedro concorda.

O Miguel fica com o Pai nessa noite, decide a avó e a Carolina pergunta ao irmão se deve embalar algumas coisas.

Não, não, tenho tudo o que ele precisa, responde o Pedro e saem.

Cá fora, na rua, o Gonçalo diz:

" Não sei o que querem fazer, mas eu vou ao ginásio, preciso de nadar para aliviar toda esta tensão e depois, faço uma massagem."

A Rita aceita o desafio, mas os outros querem ir para casa, para verem os filhos.

" O que pensas disto tudo?" quer saber a Teresa mais tarde.

Os filhos estão a dormir, eles estão sentados no sofá, a televisão está ligada, mas eles não estão a prestar atenção.

CONTINUA

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

OS BEBÉS - PARTE III

 

O António fica uns segundos sem falar, a Teresa não sabe se há-de acalmar os filhos ou telefonar ao irmão.

" Pelos vistos, o Pedro "acampou" no patamar do andar dela, tem medo que a Laura fuja durante a noite..." continua o Gonçalo " Falei com ele há uns dez minutos, acho melhor irmos até lá; isto vai dar uma confusão!"

" Dá-me quinze minutos!" decide o António e desaparece no quarto.

A Teresa oferece um café ao Gonçalo, não te preocupes comigo, diz o cunhado, vai lá tratar dos teus filhos.

Vinte minutos depois, os dois irmãos estão a entrar no carro, nervosos, nem falam um com o outro.

Mas que ideia é esta? é o que lhe ocupa o pensamento.

Quando chegam ao prédio onde mora a irmã, a confusão é total.

Há vizinhos em roupão no hall de entrada, nas escadas, a protestarem contra o facto de terem acordado com a violenta discussão entre o Pedro e a Laura.

A Laura saí geralmente por volta das sete da manhã para fazer uma corrida e depara-se com o Pedro que lhe pergunta violentamente que planos são esses de levar o Miguel para Madrid.

Nem entram em casa, discutem ali mesmo no patamar, os vizinhos abrem a porta, sabem que é sábado, já repararam nas horas? Há quem queira dormir... mas os dois nem prestam atenção.

O porteiro reconhece o António e o Gonçalo, ainda bem que vieram! não sabemos o que fazer, o administrador já foi falar com eles, mas não há quem os cale.

Os dois irmãos sobem até ao 3º Andar, encontram um Pedro zangado e uma Laura altiva.

" Lá para dentro! Já!" ordena o António " Vocês estão doidos ou quê? Acordaram toda a gente do prédio por causa de um assunto que tem que ser resolvido em família!" e acentua o " família".

O Gonçalo vai até ao quarto do Miguel, a criança está furiosa e a baby-sitter está assustada, incapaz de acalmar o bebé.

" Apanhe um táxi, vá para casa do meu irmão, sabe onde é? Óptimo, fique lá até lhe dizermos que é seguro voltar!"

O Gonçalo volta para a cozinha, o António está a fazer café, o Pedro está sentado numa ponta da bancada, a Laura na outra.


CONTINUA


domingo, 6 de setembro de 2020

OS BEBÉS - PARTE II

 " Eu tenho a D. Guida, a Joana para organizarem a casa. A Filipa e o Miguel também ajudam muito, mas agora estão mais ocupados, têm mais responsabilidades. Mas tanto eu como o Gustavo tentamos estar em casa à hora do jantar, para estarmos com eles, sabermos as novidades. E, claro o fim de semana é sagrado; é para fazermos actividades juntos!" diz a Carolina.

" Nós tentamos fazer o mesmo. Até nos revezamos a levá-los e a buscá-los à creche e não é a primeira vez, nem será a última que os levo para a loja se estou ocupada com alguma coisa importante. Uma vez por mês, contratamos uma ama para sairmos para jantar, ir ao cinema, etc." acrescenta a Teresa.

" Mesmo ao fim de semana, a Laura deixa-o com a baby-sitter. Nem sempre me avisa, porque não é flexível nisso - o juiz diz que o vês em fins de semana alternados e às quartas-feiras." e o Pedro imita a voz da Laura o que faz as irmãs rirem-se.

" Tenta conversar com ela, o Miguel pode ficar contigo todos os fins-de-semana, estás à vontade para apareceres lá em casa aos domingos para almoçares com a malta. Até lhe faria bem conviver com o Matias e com o Edgar, ficava um guerreiro feroz!" sugere a Carolina.

O Pedro esboça um sorriso, abraça as irmãs, sussurra obrigada e minutos depois, vai-se embora com um Miguel amuado.

" Vão ter muitos problemas com aquele miúdo!" comenta o Gustavo e a Carolina conta-lhe resumidamente a conversa que teve com o irmão.

" Vá lá uma pessoa entender a Laura. Passa de obsessiva para desleixada num minuto!" desabafa o marido.

A Teresa hesita em contar ao António, ele tem estado tão feliz, não o quer sobrecarregar com um novo problema da irmã gémea. 

Mas é o Gonçalo quem lança a bomba num sábado de manhã.

Bate à porta muito cedo, nem cumprimenta a Teresa quando esta, assustada, lhe abre a porta.

" António? Onde é que tu estás? Anda cá depressa!" grita, acordando os sobrinhos.

" Mas o que sucedeu? " insiste a Teresa e o António, ainda meio a dormir, aparece na sala e pergunta:

" Fala baixo, idiota! O que é que aconteceu para apareceres aqui a esta hora? Ainda não são sete da manhã!"

" A nossa irmã teve uma reunião de trabalho em Madrid, não avisou o Pedro de que ia ficar lá uma semana, deixou o Miguel sozinho com a baby sitter. E, ontem à noite, regressou e avisou o Pedro que se vai mudar para lá e quer levar o Miguel!" declara o Gonçalo.

CONTINUA

sábado, 5 de setembro de 2020

OS BEBÉS

 

A Sofia, o Gonçalo e a Inês gostam de brincar juntos.

Claro que há choros principalmente quando querem o mesmo brinquedo e alguém tem que intervir para restabelecer a paz, mas a maior parte do tempo, estão sossegados.

O problema é quando o Pedro almoça lá em casa e leva o Miguel que está sempre de mau humor.

É muito pouco sociável, tira os brinquedos e esconde-os. Os outros três ficam furiosos e a gritaria é tal que a Teresa e a Carolina resolvem conversar com o irmão.

" O que é que se passa com o teu filho? Está sempre carrancudo, esconde-se..." diz a Teresa.

" Nem todas as crianças podem ser perfeitas como as tuas!" responde o Pedro, um pouco agressivo.

" Oh, Pedro, então? Não é nada simpático; a Teresa apenas te quer alertar para uma situação. Os miúdos. são todos diferentes uns dos outros, mas o teu filho parece estar sempre nervoso, sempre desconfiado e isso não é saudável numa criança que ainda não tem dois anos!" explica a Carolina.

O Pedro senta-se numa cadeira da cozinha, sente-se derrotado, pois está bem ciente do comportamento do filho.

Não tem a certeza se não será o facto da Laura, uma Mãe tão controladora ao princípio, esteja agora a desleixar-se.

A nova empresa está a ocupar-lhe muito tempo e o Miguel fica entregue à baby-sitter.

A Laura tenta compensar a ausência com presentes extravagantes que o Miguel larga pouco depois, porque o que quer mesmo é a atenção da Mãe.

A Carolina e a Teresa suspiram quando ouvem a história; sabem que não é fácil, elas próprias têm uma carreira, mas tem que haver um meio-termo.

CONTINUA


sexta-feira, 4 de setembro de 2020

MIGUEL - FIM

Como não respondo, a minha irmã saí do quarto.

O Pai vai comigo à esquadra e a palestra é mais leve que as restrições que os Pais me impõem.

Nada de saídas aos fins de semana, só para festas de família.

Certificar-me que o Matias e o Edgar estudam as lições, tomam banho, etc.

Organizar actividades para o tempo livre deles.

Fazer um plano de estudos e manter as boas notas.

Ajudar no que for preciso para que a casa e a família funcionem.

O mais importante é conquistar novamente a confiança deles, dizem, só assim poderemos levantar as restrições, acrescentam.

Não gosto, sou gozado pelos meus colegas, e vais obedecer? estranham, mas deixam-me em paz.

Sou um explicador exigente, o Matias e o Edgar queixam-se, mas adoram os jogos que invento.

Até deixamos a Inês participar num jogo, mas o que ela gosta mesmo é das cores dos blocos e torna-se difícil tirá-los.

O Pai aprova o meu plano de estudos, a Mãe controla os meus trabalhos e a D. Guida faz-me os meus biscoitos favoritos.

A Tia Teresa pede a minha ajuda na loja, os Pais consentem e lá passo eu um sábado a arrumar o armazém, a servir os clientes.

Há um ou dois dos meus colegas que passam por lá para dois dedos de conversa, mas é só isso que a Tia permite.

O tempo passa, as minhas notas são boas e os Pais levantam parte das restrições.

Mas, avisam, estas podem voltar a vigorar se fizeres disparates e eu prometo.

Este sábado há uma festa no Arca, o Pedro ofereceu-me um pólo e uns ténis, estou perfeito.

Estou pronto para me divertir, sem fazer asneiras, porque, como a Tia Teresa diz, o que interessa é gozar o momento.


FIM 



quinta-feira, 3 de setembro de 2020

MIGUEL - PARTE IV

 A casa da Beatriz tem um jardim e resolvemos continuar a festa lá.

Na sala começa a ficar muito abafado e por isso, espalhamos-nos pelo jardim a beber, a falar e a rir alto.

Os vizinhos do lado queixam-se, mas nós ficamos indiferentes e continuamos a divertir-nos como se não houvesse amanhã.

O Rafael tenta beijar a Beatriz, o namorado desta não gosta e dá-lhe um soco. 

O Rafael caí, levanta-se com dificuldade e há várias vozes que gritam" bate-lhe também".

O Rafael assim faz e em breve, não se sabe quem bate em quem.

Claro que os vizinhos chamam a polícia que aparece e tenta pôr ordem na confusão.

A polícia quer saber os nossos nomes, avisam-nos que teremos que aparecer na esquadra para prestar declarações e os Pais da Beatriz, que tinham ido ao cinema e regressam naquele momento, dão a festa como terminada.

Entro de mansinho em casa, felizmente os Pais não estão e a Joana não me vai denunciar.

No dia seguinte, digo que a festa foi maravilhosa, mas não me lembro de que o Pai ou a Mãe da Beatriz podem telefonar e contar o sucedido.

É a Mãe quem telefona à minha que fica muito pálida ao ouvir a senhora explicar os acontecimentos da noite.

Só tem que pedir desculpa pelo comportamento do irresponsável do meu filho, diz a Mãe e ainda mais furiosa fica quando a Polícia me convoca para aparecer na esquadra no dia seguinte, com um dos progenitores.

" Mas onde é que tu tens a cabeça?" grita a Mãe e a Pai pergunta se me esqueci da promessa que lhe fiz, de não beber.

O Matias e o Edgar seguem fascinados a reprimenda, mas a Filipa intervém e pede à Joana para os levar ao parque.

Os Pais não querem ouvir a minha versão dos acontecimentos e sou banido para o meu quarto até eles decidirem qual será o meu castigo.

" Oh, Miguel, mas que raio de amigos tu tens!" comenta a Filipa.

" Até parece que tu não bebes!" respondo violentamente.

" Com moderação!" replica a minha irmã.


CONTINUA