sábado, 31 de outubro de 2020

VIVER COM O MAJOR - PARTE VI


O Amadeu transforma-se, torna-se mais carinhoso, mais alegre e às vezes, tenho que lhe dizer que estou apenas grávida.

Lê revistas de decoração, traz amostras de cores, o rapaz tem que ter um quarto amplo, arejado, cheio de cor, explica.

Já pensaste que pode ser uma rapariga? pergunto, não será melhor escolhermos uma cor neutra como, por exemplo, o cinza clarinho? 

Que horror! reage o Major de imediato, mas eu rio-me e ele acaba por sorrir.

Acabamos por escolher o verde clarinho e ele e o Bernardo passam as tardes de sábados a pintar o quarto.

Ás vezes, o Gustavo aparece para ajudar e eu perco a cabeça a preparar o enxoval.

O bebé não vai usar metade disso, avisa o Major, mas eu mando-o calar, o nosso filho tem que andar na moda.

A única sombra é a relação com os filhos, aceitaram muito mal a notícia, o Amadeu não conta nada sobre o que foi dito naquele almoço.

Não estive presente, estava muito enjoada e fiquei a descansar. 

Quando ele voltou, com a cara fechada como quando o conheci, percebi logo que a discussão foi feia.

Abstive-me de fazer perguntas, fi-las à Catarina, mas esta abana a cabeça, não sei de nada, o Frederico pouco fala comigo.

Não te preocupes, aconselha a Natália, goza a gravidez, desfruta do tempo.

Eu sigo as palavras à risca, torno-me caprichosa, abuso da paciência do Amadeu, mas este está tão feliz que não diz nada.

Entro na última semana de gravidez, começo a ficar mais nervosa, assaltam-me milhares de dúvida.

Mas esqueço-as quando me colocam a Mariana nos braços.


CONTINUA



sexta-feira, 30 de outubro de 2020

VIVER COM O MAJOR - PARTE V

 

Mas que ideia a tua de me trazeres ao hospital, refilo, mas não me lembro de mais nada, pois, diz o Amadeu mais tarde, voltei a desmaiar.

Fizeram-me todo o tipo de análises e já a noite ia bem adiantada, perguntam-se se estou com " atraso".

Ia responder que não, mas lembro-me que efectivamente estou uns dias atrasada, mas achei que isso se devia ao stress da mudança, das novas funções na Universidade.

O médico sorri, deve estar de umas quatro semanas, descanse, vou prescrever umas vitaminas, mas logo que possa, consulte o seu médico de família.

Saio meia atordoada da sala, o Amadeu espera-me todo nervoso no hall, então, o que disseram? e eu digo baixinho, falamos lá fora.

Quando conto a novidade, o Amadeu fica muito branco, penso sinceramente que vai desmaiar, oh, Amadeu, o que se passa? fala comigo.

O Major respira fundo e repete, um filho? e quando confirmo meia envergonhada, solta uma grande gargalhada.

O meu filho vai ser mais novo que o meu neto! diz, divertido.

Em casa, rodeia-me de cuidados, mas eu reclamo, estou grávida, não estou inválida!

Já pensaste como vão reagir os teus filhos? e o Amadeu desce das nuvens.

Acho que não têm nada a ver com o assunto! Vai ser complicado, talvez deixem mesmo de falar comigo, mas eu estou muito feliz, remata.

A Natália adora saber a novidade, quero ser a Madrinha e a notícia espalha-se pela Universidade.

Começo a receber tantos conselhos que fico zonza, mas a Teresa aconselha-me a esquecer alguns.

Tenha uma vida calma, coma de forma saudável, siga as instruções do seu médico e sobretudo, goze este tempo, comente.

O Amadeu está eufórico, já contou à Catarina quando esta trouxe o neto para passar umas horas com o avô.

O Major com dois novos recrutas, ri-se a Catarina, mas ele está verdadeiramente feliz e não só por causa do bebé.

Ele gosta imenso de si, Glória, está mais descontraído, ri mais, acrescenta, estou muito feliz pelos dois.

Fico comovida pelas palavras da rapariga, espero que encontre alguém que a faça verdadeiramente feliz.


CONTINUA



quinta-feira, 29 de outubro de 2020

VIVER COM O MAJOR - PARTE IV

 

A nova casa fica pronta e o Amadeu diz que temos que dar uma festa de inauguração.

O grupo do Clube de Leitura comparece em peso, a Carolina e o marido também e eu convido alguns colegas da Universidade.

O Nicolau está bem disposto, o novo romance está a ser um sucesso e conta histórias hilariantes sobre as palestras que dá.

Será verdade? pergunto baixinho ao Amadeu e este ri-se alto, o Nicolau tem um sentido de humor caricato, parece ser muito formal, mas acredita, não é.

Dá-me um beijo na face, afasta-se, o Bernardo quer falar comigo, diz alegremente, mas eu sei que não está.

Os filhos declinaram o convite, veio apenas a Catarina, a ex-mulher do Frederico.

O Amadeu tem pena que eles se tenham divorciado, eu não tenho tanta certeza, a Catarina é uma rapariga atraente, estava a ser mal amada pelo Frederico.

A festa é tão divertida que o último convidado só saí depois da uma da manhã.

Estou tão cansada que decido arrumar no dia seguinte, não te preocupes, eu ajudo-te, promete o Amadeu.

Mas quando acordo às onze da manhã, ele ainda ressona e nem dá conta que me levanto.

Aparece duas horas mais tarde quando a cozinha já brilha e dou os últimos retoques à sala.

Devias ter-me acordado, censura, mas eu rio-me e desafio-o para uma corrida.

A esta hora? estranha, na passadeira, no ginásio, esclareço e depois de um duche rápido, lá saímos de casa.

Não sei se é a diferença de temperatura, sinto-me tonta, tenho que me agarrar ao balcão e sinto-me cair.

Glória, Glória, o que se passa? ouço ao longe a voz do Amadeu.


CONTINUA


quarta-feira, 28 de outubro de 2020

VIVER COM O MAJOR - PARTE III

 

O apartamento é amplo, arejado com acabamentos topo de gama, como diz a agente, mas eu tenho a sensação de que estou isolada do Mundo.

É uma área em franca expansão, acrescenta a agente, mas tanto eu como o Amadeu gostamos do buliço da parte antiga da cidade.

Nota-se que a agente não ficou muito satisfeita quando lhe dissemos isso, mas uns dias mais tarde, telefona-nos e diz-nos que encontrou o local perfeito.

A fachada do prédio foi remodelada, o interior renovado e há um T2 Duplex que deve ser perfeito para os Senhores, conclui.

Gostamos imenso do open concept do apartamento, podemos dividir o andar de cima e ter cada um o seu escritório.

Estamos perto da estação de Metro, da livraria e do restaurante onde o Major janta às vezes com o Nicolau e com o António.

É perfeito, concordamos, o preço não é muito elevado, talvez nem seja necessário pedir um empréstimo.

Eu opto por alugar o meu apartamento, o Amadeu já recebeu duas ofertas pela casa dele.

Uma era muito baixa e os filhos rejeitaram, estão a considerar a segunda e eu espero que aceitem.

Quero ver este assunto resolvido o mais depressa possível para me dedicar por completo à minha nova casa.

A única mobília que resolvemos comprar é a do quarto, enchemos o resto do apartamento com os objectos de que gostamos mais.

Os filhos aceitam a proposta, a casa é vendida e o dinheiro dividido pelos três. 

Também passam revista ao que está em armazém, levam o que gostam e o resto é vendido.

Como te sentes agora? pergunta-me a Natália e eu sorrio, aliviada.

Até o Amadeu recuperou o bom humor e está cheio de planos para fazer novos Mapas, preparar novos workshops.


CONTINUA


terça-feira, 27 de outubro de 2020

VIVER COM O MAJOR - PARTE II


Para ser franca, não sei o que esperava, confesso à Natália no dia seguinte ao almoço.

Sempre frios, sempre distantes, ouviram sem interromper o Pai e no fim, olharam um para o outro e disseram " não" ao mesmo tempo.

Mas não porquê? foi a pergunta do Amadeu, ninguém vai ser prejudicado, venda ou alugue a casa.

É a casa onde sempre vivemos com a Mãe, não nos parece ser muito correcto vender uma coisa que ela adorava, explica o Frederico.

Sabes, nem me atrevi a respirar, achei aquilo um absurdo e depreendi que o Amadeu pensava o mesmo e a Natália toca-me na mão em sinal de solidariedade.

Foi uma discussão brutal, nem me atrevo a repetir o que disseram, porque o Frederico e o Francisco foram muito ingratos, continuo.

A Natália suspira e pergunta, mas decidiram alguma coisa?

Foi a Maria, a namorada do Francisco quem os acalmou, conto, achou a discussão um absurdo quando a solução era muito simples: vende-se a casa, divide-se o dinheiro e cada um investe-o como quer.

Por isso, em conclusão, o Amadeu já contactou uma agência imobiliária, deve ir lá hoje tirar fotos para colocar no site e vamos ver o que acontece.

O Amadeu está nervoso e eu também.

Durante uns dias, nem falamos sobre comprar ou alugar casas; o Amadeu começa a encaixotar objectos pessoais, alguns deixa em minha casa, o restante fica num armazém que aluga ali perto.

A minha casa torna-se pequena demais para os dois, começamos a ficar muito enervados e o Amadeu diz-me naquela tarde que há uns apartamentos interessantes, são perto da Universidade, vais gostar e já marquei uma visita para sábado.


CONTINUA


segunda-feira, 26 de outubro de 2020

VIVER COM O MAJOR

 

Viver com o Major pode ser complicado.

Contam-me que a primeira mulher estava sempre a chamar-lhe a atenção para o facto de estar em casa e não no quartel.

Em casa, a prioridade era o diálogo, a negociação e para isso, o Major devia escutar mais as pessoas.

Não me posso queixar disso, porque o Major é um bom ouvinte, até consegue ser divertido.

É rigoroso nos horários, é um facto, mas eu também o sou, porque trabalho na Universidade e chefio uma equipa.

Já não me lembro bem quem beijou quem, se fui eu ou se foi ele. Sei que acordamos juntos na cama dele com o Sol a entrar pelas cortinas entreabertas.

Começamos a passar os fins de semana juntos, ou na cidade ou fora, a explorarmos trilhos e uma noite, o Major perguntou-me se eu queria viver com ele.

Não posso negar que não tenha pensado nisso, mas decidi não ser eu a abordar o assunto.

Onde vamos viver? Na tua ou na minha casa? Talvez na minha, sugere o Major, tem mais espaço, tu vais querer um escritório.

Não sei, os teus filhos podem não aceitar muito bem que uma estranha viva na casa que foi da Mãe, argumento.

O Major fica calado um minuto, talvez tenhas razão, diz, então, temos duas hipóteses, ou alugamos ou compramos.

E o que fazemos às nossas? observo, vendemos, alugamos? não será melhor perguntares aos teus filhos se não querem ficar lá a viver?

Só se for o Francisco, está a viver com a namorada, queixam-se que o apartamento é muito pequeno, principalmente agora que vão ter um filho, conta o Major.

Vamos combinar um jantar? sugiro e fico um pouco apreensiva, porque sempre que nos encontramos com os filhos dele, estes foram muito frios, distantes.

CONTINUA



domingo, 25 de outubro de 2020

O CASAMENTO PERFEITO - FIM

 

A Clarinha está impossível naquela manhã.

Não quer beber o leite, entorna o sumo, enche a boca com o pão e depois cospe para cima da mesa.

A Mãe dá-lhe uma palmada, o Gustavo fala-lhe grosso, mas a Clarinha apenas se ri.

Suspiro de alívio quando ela saí com o Gustavo, mas a Mãe está preocupada.

A Clarinha era um doce, agora está uma grande rebelde, comenta, não sei mesmo o que fazer, tenho que conversar com o teu Pai, acrescenta.

Vão encontrar uma solução, digo para a animar, mas a Mãe nem me escuta.

Saio também, tenho aulas toda a manhã, depois vou para a biblioteca terminar um trabalho.

Por isso, tenho o telemóvel desligado e só o ligo quando entro na cafetaria.

Estou cheia de fome, quero comer qualquer coisa antes de voltar para casa.

Vejo sete chamadas perdidas da Mãe, quatro da Rita e uma do Gonçalo.

O que terá acontecido? murmuro e estou a clicar no numero da Mãe quando ouço um grito.

As conversas param e todos procuram descobrir donde vem o grito.

A Clarinha, a minha irmã desapareceu, repete o Gustavo muito nervoso e sinto que alguém me segura.

Dizem-me mais tarde que fiquei muito branca, parecia que ia desmaiar.

Tem calma, és irmã do Gustavo, não és? perguntam-me, eu aceno que sim, estou entorpecida.

O Gustava passa por mim, nem me vê, é seguido pelos amigos.

Tem calma, a voz repete-me, eu levo-te a casa e não imagines já o pior, tudo se vai resolver.

Não sei quem me leva a casa, não falo durante o trajecto e encontro a casa num caos.

Reconheço a Teresa e o António, a Rita e o Gonçalo também lá estão.

A Mãe está sentada no sofá, abraçada ao Gustavo e eu sento-me também.

Ai, Matilde, telefonaram-me da escola, a Clarinha desapareceu, geme a Mãe.

Vejo o Mundo girar à minha volta e desmaio.


FIM

sábado, 24 de outubro de 2020

O CASAMENTO PERFEITO - PARTE V


A Maria acha que a minha Mãe é uma pessoa sensata, às vezes, os Pais destroem a relação com os filhos, porque os obrigam a escolher, diz.

Concordo com a atitude da tua Mãe, a Clarinha vai aprender a separar as coisas e isso vai ser útil na vida, remata.

Foi o que os teus Pais fizeram? pergunto e a Maria abana a cabeça, a minha Mãe tentou que eu ficasse contra o meu Pai, mas ele nunca falou contra ela e nem admitia que eu o fizesse, explica, por isso, decidi que era mais simples não comentar.

A Rita não concorda com a atitude da Mãe, a Clarinha vai ficar ainda mais confusa, observa, mas o Gonçalo apoia a cunhada.

Devem ter tido uma discussão sobre isso, pois mal se falam no dia seguinte no escritório, estou lá para atender telefones e abrir o correio, a Rita paga-me as horas.

Mas quanto mais penso no assunto, mais me convenço de que a Mãe e a Maria têm razão; a Clarinha deixa de falar na " amiga do Pai", conta apenas as actividades do fim de semana.

Tanto eu como o Gustavo seguimos os passos da miúda e também não falamos sobre a Inspectora Mafalda à Mãe.

É mais nova do que a Mãe, magra demais, comenta o Gustavo, veste-se bem, respondo e inteligente, porque não tenta agradar-nos.

Não vai ser a minha melhor amiga, confesso à Maria, mas está a respeitar-nos e isso é importante.

Já estabelecemos uma rotina, o Gustavo é gozado por vezes, pois tenta assumir o papel de chefe da casa, mas a preocupação maior está a ser Clarinha.

Continua inquieta, mal humorada, a professora queixa-se que está distraída e é agressiva para com os outros miúdos.

A Mãe tenta falar com ela, avisa o Pai do facto e até o Gustavo dá a sua opinião.

Mas a Clarinha simplesmente não ouve.

CONTINUA

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

O CASAMENTO PERFEITO - PARTE IV

 

Mudar de casa é uma boa oportunidade para nos concentrarmos noutra coisa; temos que decidir o que vai para a casa nova, o que vamos doar e o que vamos vender.

Eu queria uma mobília nova no meu quarto, mas a Mãe diz que não é possível.

Quem me salva é a Rita, oferece-me uma colcha e uns cortinados novos.

Pinto a minha velha secretária, coloco umas prateleiras na parede e o meu canto de estudo fica todo moderno.

O Gustavo e uns amigos pintam o quarto dele e o resultado é que parece ser mais uma caverna do que um quarto de dormir,

A Clarinha assusta-se, a Mãe suspira, este meu filho tem umas ideias estranhas, mas o Gustavo defende que é o refúgio perfeito para um homem.

O António ri-se, acha piada, eu também tenho um, diz, mas a Teresa chama a atenção de que não é a "caverna do Batman".

O Pai não diz nada quando lá vai buscar a Clarinha para passar o fim de semana com ele.

De vez em quando, eu e o Gustavo almoçamos ou jantamos com ele, mas se estamos ocupados, o Pai não insiste.

A Rita não acha que a nossa atitude seja a mais correcta, ele continua a ser o vosso Pai, comenta, mas o Gustavo apenas encolhe os ombros, magoou a família e ainda não estou pronto para perdoar.

Há alguma coisa a perdoar, pergunta a Rita e o Gustavo não esclarece o assunto.

A Clarinha conta que conheceu uma senhora muito simpática, almoçou com ela e com o Pai.

Depois, foram ao cinema, voltaram para casa, estiveram a jogar no computador e a senhora ajudou o Pai a deitá-la.

Mas não gosto dela, remata a Clarinha, mas a Mãe não faz qualquer comentário.

Não quero saber pormenores, explica, quero que ela perceba que o que faz em casa do Pai, fica lá.

CONTINUA



quinta-feira, 22 de outubro de 2020

O CASAMENTO PERFEITO - PARTE III

 

Claro que tive um ataque de nervos, pensei que a Maria estava errada e que ia aguentar o impacto sem dizer um ai.

Mas custou-me ver o Pai a embalar roupa, livros, tudo o que lhe pertencia e sair de casa definitivamente.

O Gustavo quis ficar, eu estava indecisa, mas não podia deixar a Mãe sozinha.

Quando o Pai se foi embora, olhamos uns para os outros e unimos-nos num grande abraço.

Eu e a Mãe desatamos a chorar, creio que o Gustavo também tinha vontade de fazer o mesmo, mas achou que não o podia fazer.

É o homem da casa, tem que ajudar a Mãe e ser forte.

Mas ser forte, como diz a Rita mais tarde, não significa que não se possa quebrar, gritar tudo o que vai na alma e depois, avançar.

Doí mais se não admitires que estás magoada, explica a minha tia e acabo por concordar com ela.

Sinto-me um pouco perdida nos dias seguintes, parece que o trabalho não rende e às vezes, tenho vontade de bater na Clarinha.

Está sempre a perguntar pelo Pai, a Mãe explica pacientemente que ele não vai voltar mais para a casa, mas a miúda está confusa e insiste na mesma questão.

O outro golpe é quando a Mãe decide vender a casa, não temos necessidade de ter uma casa tão grande, diz, há um apartamento para vender no prédio da Teresa e do António.

Tantas mudanças, Mãe! Não sei se vou aguentar, confesso, mas a Mãe abana a cabeça e fala em impostos, condomínios, etc e não ter agora tanta disponibilidade financeira.

Além disso, é mais perto da escola da Clarinha e da loja, remata.

O Gustavo também não fica muito satisfeito com a ideia, mas vai com a Mãe ver o apartamento.

Há um autocarro directo para a Universidade, conta mais tarde e como é um T3 + 1, vais ter um quarto só para ti.

Eu já escolhi o meu quarto, diz, é melhor fazeres o mesmo.

CONTINUA

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

O CASAMENTO PERFEITO - PARTE II

 

Eu não quero saber mais nada, peço desculpa e saio. A Mãe quer que eu fique, é um assunto importante, mas eu não consigo.

Fecho-me no quarto, ligo o PC, vejo quem está online.

É a Maria quem me responde, os Pais também se divorciarem e ela escuta-me pacientemente.

" Não há casamentos perfeitos, tu sabes disso!" escreve " Claro que nunca pensamos em divórcio, principalmente que sejam os nossos Pais a tomar essa decisão. Há outra mulher, outro homem?"

" Não sei; não quis saber. O Gustavo ficou lá, a fazer uma série de perguntas... Talvez amanhã, com calma pergunte mais detalhes!" conto.

" Não, devias ter ficado! É importante que ouças as explicações dele...." insiste a Maria.

" Não consigo!" repito e depois de mais uns minutos de conversa, desligamos.

A Mãe bate-me à porta, Matilde, podemos falar? mas eu finjo que estou a dormir e ouço os passos dela a afastarem-se.

No dia seguinte, o ambiente está tenso na cozinha, apenas a Clarinha fala.

O Gustavo prontifica-se a levá-la até à escola, a miúda bate palmas de contente, tu fazes-me rir, diz, mas eu acho que o meu irmão não está com disposição para isso.

A Mãe está com olheiras, não deve ter dormido muito e eu fico com remorsos.

" Posso fazer alguma coisa?" questiono e a Mãe sorri.

" Não sei se há alguma coisa a fazer. Temos que nos apoiar uns aos outros. O teu Pai conheceu alguém e vai sair de casa este fim de semana!"

Olho-a horrorizada, já? mas não saí qualquer som da minha boca.

" Preciso que tenhas calma, que me ajudes com a Clarinha. Ela não vai perceber, vai fazer muitas perguntas e para já, eu não sei como responder." continua a Mãe.

Não tenho a certeza de que eu o consiga, mas tens que tentar, comenta a Maria mais tarde, a miúda tem sete anos, vai ser uma revolução na vida dela.

E, na minha, não é? exclamo e a Maria suspira, claro que sim, ninguém espera que não tenhas um ataque de mau humor, mas não o podes ter em frente da Clarinha.

CONTINUA

terça-feira, 20 de outubro de 2020

O CASAMENTO PERFEITO

 

Continuo a dizer que isto de ser a irmã do meio, não tem piada.

A Rita acha que é apenas uma fase, a Mãe não concorda e diz que serei sempre a voz da razão entre o Gustavo e a Clarinha.

Como se fosse possível lidar com a arrogância do Gustavo e a teimosia da Clarinha!

Como se tu também tivesses um feitio fácil, comenta o simpático do meu irmão.

E tu não te tivesses esquecido da Clarinha no parque, observo e o Pai manda-nos calar de imediato.

Obedecemos, nem sempre o Pai janta connosco e sabemos que não gosta muito de palhaçadas.

Mas, esta noite, os Pais estão nervosos e eu e o Gustavo esquecemos as hostilidades e concentramos-nos nos sinais corporais.

Os Pais não se tocam, evitam olhar-se e a conversa é formal, com grandes pausas.

Ups! sucedeu qualquer coisa grave, penso e vejo pela cara do meu irmão que concluiu o mesmo.

Quando terminamos de jantar, a Mãe faz-me sinal para levantar a mesa enquanto prepara a Clarinha para a cama.

O Pai e o Gustavo instalam-se na sala, discutem o jogo de futebol do dia anterior e quando a Mãe saí do quarto da Clarinha, pede-me para ir também para sala.

Temos uma coisa para discutir convosco, acrescenta e eu passo rapidamente em revista os acontecimentos do dia para ver o que fiz mal.

Os Pais estão desconfortáveis, não sabem como abordar o assunto e é o Gustavo quem pergunta:

" O que se passa? Podemos ajudar em alguma coisa?"

" Eu e a vossa Mãe decidimos divorciar-nos. Foi uma decisão difícil, mas é o melhor para nós. Para nós, como família." explica o Pai.

" Mas o que é que sucedeu exactamente? Vocês pareciam ter o casamento perfeito!" comento.

" Nenhum casamento é perfeito, Matilde. Há altos e baixos e o segredo é saber navegar por entre os obstáculos!" responde a Mãe.

" E qual é obstáculo desta vez? Outra mulher, outro homem?" a voz do Gustavo é tão séria, tão cortante que até me assusta.

CONTINUA


segunda-feira, 19 de outubro de 2020

O GRUPO DE ESTUDO - FIM

Ups! Pelo Pai? pergunto e o Gustavo diz que a mulher tinha um companheiro que foi morto mais tarde num tiroteio.

A Clarinha foi entregue à Segurança Social, tentaram encontrar familiares e não conseguiram, comenta o Gustavo, nessa altura, a Mãe já tinha ido ver a miúda, estabeleceu logo laços com ela, convenceu o Pai a adoptá-la.

Tudo o que a Clarinha precisava e precisa é de amor, observo, o que vi esta noite foi muito amor entre todos; ela vai superar, mas não sei se será boa ideia ela estar novamente com a tal Sofia.

Elas conhecem-se desde bebés, a Sofia ouviu a avó falar no caso, lá estava aborrecida com a Clarinha e achou que aquilo era uma grande ofensa, esclarece o Gustavo e com um beijo na face, deixa-me em frente à porta do prédio.

A minha Mãe também concorda comigo quando lhe conto a história, coitadinha da Sofia, também deve estar confusa, de um momento para o outro, ficou sem a amiga, repete.

As pessoas deviam ter cuidado com o que dizem, insiste, pensamos que elas estão no quarto, mas elas estão na varanda ou na cozinha e já não podemos voltar atrás.

No dia seguinte, o Gustavo conta-me que a Clarinha tomou o pequeno almoço sem protestar e ficou a brincar com as amigas no recreio quando a deixou na escola.

És tu que a levas? e o Gustavo explica que é o dia de folga da Mãe, por isso, ele leva a irmã à escola e a Mãe vai buscá-la.

Têm tudo organizado, comento e o Gustavo encolhe os ombros, tem que ser, temos que nos ajudar uns aos outros.

A semana é complicada, estamos a acabar uns trabalhos para apresentar antes das frequências e não temos realmente tempo para falar mais sobre os problemas da Clarinha.

Suspiramos de alívio quando termina a primeira frequência, é a mais exigente e estou com a Marília na cafetaria a relaxar quando o Gustavo se aproxima da nossa mesa, acompanhado pelo Rafael, os dois muito pálidos e transtornados.

Tenho que me ir embora, a minha Mãe telefonou, a escola não sabe onde está a Clarinha, o Gustavo quase grita.

Eu e a Marília levantamos-nos de imediato, o que podemos fazer? o Rafael já está a organizar um grupo para nos ajudarem a procurar a menina.

São quase seis da tarde, em breve anoitecerá e ninguém quer que a miúda fique perdida na rua durante a noite.

Mas por onde devemos começar? 

Vai ser uma noite de desespero, penso enquanto sigo o Gustavo que parece ter-se esquecido do resto do Mundo e só murmura, onde estás, Clarinha, onde estás?

Sim, Clarinha, onde estás?


FIM


domingo, 18 de outubro de 2020

O GRUPO DE ESTUDO - PARTE VI


A Clarinha fica intrigada quando digo que sou adoptada e pergunta com quem vives então?

Mostro fotografias dos meus Pais, ela quer saber porque é que me adoptaram.

Não podiam ter filhos, tinham muito amor para dar e então, adoptaram-me, explico, sabes que há muitos meninos que não têm Pais e que estão sozinhos num lar. 

Tu e eu tivemos sorte, porque encontramos alguém que nos ama, digo consciente de que a Clarinha já deve ter ouvido a frase várias vezes. Talvez soe diferente por eu ter sido adoptada.

A miúda morde os lábios, sussurra pois e eu respiro fundo. Hesito, não sei se devo continuar a falar, talvez tenha dito o suficiente para a acalmar.

A Sofia é má, não é minha amiga, foi ela quem disse que os meus Pais não são meus Pais, declara a Clarinha.

O Gustavo e a Mãe suspendem a respiração, venho a saber mais tarde que a Clarinha não falava na amiguinha há muito tempo.

Não, a Sofia não é má, falou no que não devia, esclareço, às vezes, acontece, as pessoas não pensam e dizem a primeira coisa que lhes vêm à cabeça.

A Sofia é má, não gosto dela, não a quero ver, grita a miúda e foge da sala.

A Matilde levanta-se para ir atrás dela, a Mãe impede-a, é melhor que fique sozinha por uns minutos.

Não queria provocar isto, desculpo-me, mas a Madalena sorri, não, não, é bom saber que ela está magoada com a Sofia, elas estão em escolas diferentes, não temos mantido contacto, mas talvez seja uma boa ideia encontrarem-se novamente.

O Pai da Sofia trabalhou uns anos com o meu, conhece bem a história da adopção, conta o Gustavo quando me leva a casa, tem uma ex-mulher um pouco excêntrica.

Depreendo que a família não gosta muito da ex-mulher e o que aconteceu entre as miúdas tenha sido um pretexto para se afastarem.

E, qual é a história da Clarinha? insisto e o Gustavo responde lentamente.

O meu Pai teve que investigar a morte da Mãe, encontrou a Clarinha sozinha com o corpo da Mãe num apartamento.

CONTINUA


sábado, 17 de outubro de 2020

O GRUPO DE ESTUDO - PARTE V


Hesito, não sei bem se o devo dizer, mas alguém está a sofrer e talvez possa ajudar.

Sei, sim, também sou adoptada e o Gustavo olha-me surpreendido.

Também soube por alguém mal-intencionado, continuo, mas era um pouco mais velha que a Clarinha e os meus Pais foram excelentes na forma como geriram a situação.

Os meus Pais explicaram a situação à Clarinha numa versão simplificada, interrompe o Gustavo, o problema é que se divorciaram pouco depois e isso afectou muito a miúda.

Também nos afectou, a mim e à Matilde, mas gerimos isso de outra maneira, observa o irmão da Clarinha e eu sorrio em concordância.

Posso falar com ela, se quiseres, talvez ajude se ela souber que há outras pessoas na mesma situação, ofereço-me.

O Gustavo fica calado por uns minutos, vou falar com a minha Mãe e ver o que ela diz, mas gosto da ideia, confessa.

Telefona-me uns dias depois, estou livre para jantar com eles no sábado? os Pais acharam a ideia interessante e talvez a Clarinha fique mais calma.

Conto a situação à minha Mãe, há gente que fala demais e do que não deve, comenta, vê se ajudas a menina, coitadinha.

A Clarinha olha-me desconfiada, o Gustavo apresenta-me como a minha amiga Margarida, mas a miúda não diz nada.

Vais ter que te esforçar e ganhar a confiança dela, sugere a Matilde, a irmã mais velha, tão descontraída que ela era e agora parece um bicho do buraco!


CONTINUA


sexta-feira, 16 de outubro de 2020

O GRUPO DE ESTUDO - PARTE IV

 

A conversa dominante durante aquela semana é a morte da Júlia e o que acontecerá ao ex-namorado, mas o Gustavo não manifesta qualquer opinião.

Preocupa-me, mas tanto a Marília como o Rafael dizem que, como o Pai dele é o chefe da investigação, talvez haja conflito de interesses e o Gustavo tenha optado por não dizer nada.

Nunca se sabe quem está a escutar, podem interpretar a opinião dele de forma errada e comprometer a investigação, explicam.

Não estarão a ver CSI's em demasia? pergunto a rir, mas até são capazes de ter razão.

Ao que eu sei, a família do Gustavo é muito unida, sente-se mais à vontade a conversar sobre isto com eles do que propriamente connosco, remata o Rafael.

As sessões de estudo continuam, o Gustavo demonstra ser um bom investigador e o professor elogia o nosso trabalho.

Naquela semana, a Marília e o Rafael não aparecem, ela tem consulta no dentista, ele vai buscar os Pais ao aeroporto, somos só nós e é em minha casa.

O Gustavo aparece atrasado, pede imensa desculpa, mas a Clarinha fugiu e tive que ir à procura dela, explica.

Não quis preocupar a minha Mãe, deixei-a com a minha tia Rita, está a brincar às secretárias, esclarece.

Mas fugiu porquê? Pelos vistos, não é a primeira vez, comento e o Gustavo suspira.

É uma grande mudança, os Pais divorciaram-se, mudamos de casa e ela de escola, é natural que se sinta perdida, diz.

Tento estar o mais presente possível, continua, mas tenho que estudar, preparar-me para os trabalhos, as frequências.

É complicado, concordo, também há uma grande diferença de idades entre vocês.

O Gustavo hesita, a Clarinha é minha irmã adoptiva, tinha meses quando foi lá para casa, eu teria doze anos e a Matilde, dez, confessa.

Fico surpreendida pela revelação, não vi grandes parecenças entre os dois, mas a miúda podia sair mais à família do Pai.

Sabes como são os miúdos, repetem o que ouvem, continua o Gustavo e disseram à Clarinha que ela era adoptada.

Imaginas o trauma? repete.

CONTINUA



quinta-feira, 15 de outubro de 2020

O GRUPO DE ESTUDO - PARTE III


Despedimos-nos, prometo visitar a loja brevemente e saímos.

O Rafael dá-me boleia, os outros preferem apanhar o Metro.

Ficamos a saber umas coisas sobre ele hoje, comenta o Rafael, mas continua a não se abrir muito.

Ainda não nos conhece bem, não esperas que conte a história de vida de imediato, respondo, e soubemos da história da Júlia porque estavam lá outras pessoas que assistiram e falaram.

O Rafael sorri, para em frente da minha casa e depois de combinarmos um encontro na cafetaria da Universidade às nove, entro em casa.

A Tia Áurea veio para jantar, quer saber as novidades e não penso no Gustavo ou na Universidade até ao dia seguinte.

Quando chego à cafetaria, a Marília já lá está e faz-me sinal para me sentar na mesa dela.

Há pequenos grupos espalhados pela sala, todos a falarem baixinho, presumivelmente do que a Marília me conta.

A Júlia foi encontrada morta e suspeitam do ex-namorado.

Imaginas? Ser espancada até à morte por alguém que supostamente te ama? a Marília está indignada, será que a Polícia nos vai interrogar?

Estou preocupada com o Gustavo, será que já sabe? pergunto, mas a Marília não o viu.

O Rafael chega entretanto, também já sabe da novidade, bem te disse que aquela Júlia não me inspirava confiança.

Ok, mas não merecia morrer assim, comento e o Rafael encolhe os ombros.

Ninguém está a dizer isso, repete.

Nos vários grupos, a opinião divide-se: há quem tenha pena, outros acham que ela merecia por ser tão superficial e não compreender que estava a lidar com um tipo violento.

O Gustavo não faz qualquer comentário sobre o caso; age como se fosse um dia normal.

Não sei se não é a melhor atitude.


CONTINUA


 


quarta-feira, 14 de outubro de 2020

O GRUPO DE ESTUDO - PARTE II


Parecia emproado, mas é muito acessível, simpático, diz o Rafael no dia seguinte.

Também me surpreendeu, concordo, mas viste como ergueu uma barreira quando lhe perguntamos pelo pulso?

Não admira, observa o Rafael, não deve ter sido fácil ser maltratado por causa de uma sujeita que se fartou de rir.

Não lhe chames sujeita, repreendo, mas o Rafael acha que a Júlia é uma parvinha, que se anda a exibir pelos corredores da Universidade e em quem não se pode confiar.

Na semana seguinte, encontramos-nos para estudar na casa do Gustavo.

Ele abre-nos a porta, acompanhado por uma miúda que não deve ter mais que sete anos e que apresenta como sendo a Maria Clara, a minha irmã mais nova.

Hoje, portou-se mal, veio directa da escola para casa, explica o irmão, agora vai lanchar e depois, fica no quarto a brincar, ok?

A Clarinha não lhe respondeu, nota-se que está furiosa, mas obedece.

Não é parecida contigo, repara o Rafael e o Gustavo sorri, não, somos todos diferentes, o que é bom, não é?

Nota que ele está a erguer outra barreira e por isso, desvio a conversa para o tema em discussão.

Trabalhamos durante uma hora, fazemos depois uma pausa e o Gustavo oferece-nos uma bebida.

Vamos até à cozinha? convida, bebemos qualquer coisa, acho que a Mãe deixou uns scones e umas bolachas, vende-os na loja.

A Clarinha está sentada ao balção, com uma chávena de leite em frente e um prato com torradas.

Já deve estar tudo frio, penso, porque é que não comeu?

Nâo me apetece, responde a miúda à pergunta do irmão, deixa-te de disparates, recrimina o irmão, queres que te aqueça o leite?

Mas a Clarinha morde os lábios, abana a cabeça e o Gustavo desiste, manda-a para o quarto.

Está numa idade complicada, não aceitou bem o divórcio dos Pais, esclarece o Gustavo.

Os scones são óptimos, até como mais do que devia e faço mais perguntas sobre a loja.

O Gustavo não poupa os detalhes, passa por lá, tem um ambiente fantástico, diz.


CONTINUA

terça-feira, 13 de outubro de 2020

O GRUPO DE ESTUDO

 

Conheço o Gustavo de vista, das aulas, da cafetaria, da biblioteca da Universidade.

Está sempre rodeado de amigos, é popular e não tenho coragem de " meter conversa" como diria a minha tia Áurea.

Até acontecer aquele episódio; há quem se tenha rido, outros dizem que o Gustavo não teve qualquer hipótese de se defender, mas todos estão de acordo numa coisa: não gostaram da atitude da Júlia.

O ex-namorado a agredir uma pessoa que estava apenas a conversar com ela e ela a rir-se às gargalhadas.

O Gustavo torna-se mais reservado, pede para gravar as aulas, afinal tem o pulso directo fracturado.

Encho-me de coragem e pergunto-lhe se não quer fazer parte do meu grupo de estudos.

Podes estudar pelas nossas notas, passamos as tuas para o computador, lês as nossas pesquisas, digo para o convencer.

O Gustavo agradece, é capaz de ser boa ideia, comenta, vou precisar de ajuda nas próximas semanas e por isso, naquele dia, acompanha-me a casa do Rafael.

Ás vezes, encontramos-nos na biblioteca quando temos que fazer trabalho de pesquisa, explica, caso contrário, é sempre em casa de um dos membros.

Hoje, é a vez do Rafael, espero que não te importes, mas o Gustavo não diz nada.

A sessão de estudo decorre muito bem, o Rafael até imprime um resumo das conclusões que discutimos para o Gustavo reler.

Então, gostaste? pergunto e o Gustavo sorri, agradece-me novamente.

É uma ideia interessante, discutir o que aprendemos na aula e procurar alternativas, gostei muito, responde.

Também nos podemos reunir em minha casa, tenho a certeza de que a minha Mãe não se vai importar.


CONTINUA


segunda-feira, 12 de outubro de 2020

O NAMORADO - FIM

 

Claro que as coisas não voltam a ser como antes, não confio totalmente nela, mas tenho saudades dos miúdos e até a bebé Inês me dá um xi-coração.

Continuam a convidar-me para as festas, sempre que posso, vou assistir aos jogos dos rapazes e torno-me no mentor do Miguel.

Ajudo a Filipa a estudar e a estabelecer um plano para não se perder e ela recupera facilmente.

Aprendeu a lição, há tempo para tudo, diz a Teresa.

Continuo envolvido em alguns projectos, os meus Professores estão satisfeitos e propõem o meu nome para um estágio no estrangeiro.

Os meus Pais estão hesitantes, mas, por coincidência, o Gustavo também vai fazer um estágio na mesma cidade e como não estarei sozinho, autorizam.

Tenho muita coisa a preparar, parto amanhã, há uma pequena festa no bar habitual, mas nada de beberem demais, avisam os Pais.

A noite é animada, pedem-me para dar notícias sempre que possível.

Vou ter saudades deles, confesso ao Gustavo e este responde que seis meses passam num instante e que tenho que me concentrar no que vou aprender.

E, cá estou eu numa Universidade estrangeira, a aprender, a investigar, a construir uma carreira.

Em casa, estão todos bem, a Filipa está a ter boas notas.

E o Guilherme?

Apenas sabemos que já defendeu a tese e onde está agora, ninguém sabe.


FIM



domingo, 11 de outubro de 2020

O NAMORADO - PARTE VI


Aceito o estágio, é só por um mês, os Pais vão passar uma semana à Madeira e levam a Guiomar.

A Gabriela fica em casa de uns amigos e eu aproveito o estágio ao máximo. Sou pontual, interessado, disciplinado e as pessoas até me dizem que tenho " entrada livre ", posso colaborar com eles em pequenos projectos mesmo quando estiver em aulas.

No último dia do estágio, encontro o Gustavo que me desafia a ir com eles, eu, o Bernardo, o Jaime, esclarece, acampar com o amigo deles, o Major.

Já sabes, disciplina militar, diz e ah, sim, o irmão da Filipa, o Miguel também vai, espero que não haja problema, acrescenta.

Não, não há problema, sempre me dei bem com o Miguel e este fica contente por me ver.

É ele quem me conta que a Filipa reprovou a algumas cadeiras, os Pais ficaram surpreendidos e desiludidos e houve uma grande discussão.

Os Pais acham que o Guilherme não está a ser um boa influência, confidencia, que ela está mais interessada em sair do que em estudar.

Até a Teresa acha um disparate, e tu sabes que a minha tia é a pessoa que acalma sempre os ânimos, diz.

Ainda por cima, o Guilherme está a ignorá-la, foi para férias e ela nem sequer sabe para onde.

Não digo mais nada, o Miguel também não, o Major trata-nos como se fossemos recrutas, o que é divertido.

Voltamos para casa, cheios de energia e histórias engraçadas, as minhas irmãs também me querem contar as aventuras delas.

O telemóvel toca, é um SMS da Filipa, a perguntar se podemos conversar, mas eu ignoro.

O Gustavo aconselha-me a não ser tão radical, podes apenas ouvi-la, ela está magoada e precisa de um amigo.

É o que pode ser, mais nada, se não quiseres, remata.

CONTINUA



sábado, 10 de outubro de 2020

O NAMORADO - PARTE V


No regresso do fim de semana prolongado, noto que a Filipa está estranha, desculpa-se com as saídas em trabalho dos Pais e ter que ficar com os irmãos.

Isso nunca foi um problema, observo, até te ajudo, mas a Filipa recusa delicadamente e o Gustavo, com quem almoço na cafetaria da Universidade, pergunta-me se ela não estará interessada noutra pessoa e não sabe como me dizer.

A Filipa, não, reajo de imediato, mas fico a pensar se não será verdade. Sempre confiamos um no outro, não tínhamos segredos e agora, parece que há uma parede.

A Filipa acaba por me contar tudo depois de jantarmos em casa dela, ela e o Guilherme estão juntos há uns meses, têm muitos interesses em comum.

Pensei que nós também tínhamos interesses em comum, friso e a Filipa fica muito corada.

Desculpa, não te queria magoar, mas estamos apaixonados, queremos estar juntos, repete.

Fico meio aturdido, nem sei bem como me despedi e quando estou na rua, telefono ao Gustavo que me escuta atentamente.

Ao menos, já sabes, comenta, podes seguir com a tua vida, mas eu não tenho tanta certeza.

Evito a Filipa nos próximos dias, penso seriamente em mudar para outro horário, mas já tenho projectos com outros colegas e professores, não os posso abandonar.

É um pouco complicado vê-la com o Guilherme, mas o Gustavo e a Margarida apoiam-me bem como o Bernardo.

Em breve, a vida regressa ao normal, estou envolvido com os estudos e os projectos e até me propõem um estágio no Verão.

CONTINUA

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

O NAMORADO - PARTE IV

 

Como estamos na fase final da tese e precisamos de ajuda, sugiro ao Guilherme que a Filipa trabalhe connosco.

A minha namorada fica entusiasmada e mostra ser uma pessoa disciplinada, ponderada e briosa.

O Guilherme fica surpreendido, a Filipa está entusiasmada e assim, sempre passamos mais tempo juntos.

O Guilherme convida-nos para jantar após entregar a tese ao Professor.

Escolhe um restaurante italiano, perto da casa dele, venho cá muitas vezes, diz.

O jantar é agradável, a conversa é fluída e a Filipa está bem disposta.

Ainda sugere irmos a um bar, mas a Filipa declina o convite, está um pouco cansada e amanhã, prometeu ajudar a tia na loja.

O Guilherme não insiste, deixa-nos em casa e não sabemos mais nada dele.

Estamos ocupados com as nossas aulas, com as frequências e quando concluímos a última, decidimos celebrar.

Vamos a um bar ali perto do caís e encontramos lá o Guilherme com uns amigos.

Falamos um pouco com ele, mas depois voltamos para o circulo dos nossos amigos.

A Filipa volta ao bar para pedir uma nova bebida, o Guilherme também lá está e os dois ficam a falar tanto tempo que acho melhor intervir.

A Filipa fica um pouco corada, pede desculpa, ele é tão interessante, murmura e eu esqueço o assunto.

Resolvemos passar uns dias fora, ficamos na casa de campo dos Pais da Filipa e começo a achar estranho ela receber vários SMS e chamadas que não atende na minha presença.

Quando pergunto, a Filipa responde que são do Matias ou do Edgar e que eles estão cada vez mais " parvos".

Nem me passa pela cabeça que os SMS e as chamadas podem ser do Guilherme.


CONTINUA


quinta-feira, 8 de outubro de 2020

O NAMORADO - PARTE III

 

Quando chegamos à festa, nem muito tarde, nem muito cedo como recomenda a Mãe, a Teresa e o António já lá estão.

Apresento-os aos Pais, eles são simpáticos, acolhedores e a Teresa chama a irmã.

As três mulheres ficam a conversar, o Pai aceita a bebida que o Gustavo lhe oferece e entretanto, chegam a Rita, o Gonçalo, o Bernardo e a Mãe.

Depois, é a vez do Major, da Glória e mais alguns amigos dos Pais da Filipa que não conheço.

A Gabriela fica muito interessada no irmão mais velho da Filipa, o Miguel, mas este cumpre os preceitos da boa educação e depois de se assegurar que estão servidas, junta-se ao grupo liderado pelo Major.

A minha irmã fica desapontada, o Miguel é tão giro, ouço a cochichar com a Guiomar, que só se interessa pelos doces e quando sabe que a Teresa tem uma loja, faz-lhe uma série de perguntas.

Ainda penso em intervir, mas a Teresa está animada a explicar-lhe como funciona a loja e a Guiomar tão interessada que a Filipa não deixa.

Mal temos tempo para falarmos, há que ajudar com os miúdos, levar a loiça suja para a cozinha.

Perto da meia noite, os Pais despedem-se, a Gabriela amuada porque o Miguel não lhe ligou nada e a Guiomar já meia a dormir.

No dia seguinte, a Mãe diz que todos são muito simpáticos, gostou bastante do ambiente, embora lhe tenha parecido ser um pouco caótico.

O Pai comenta que não está surpreendido, é típico de famílias grandes, mas que se divertiu imenso, gostou muito do António e do Pai da Filipa.

Fico satisfeito e a Filipa também quando lhe conto. Bom sinal para um vida em comum, digo.

Os problemas começam quando um estudante de mestrado me convida para o ajudar na tese.

Fico entusiasmado, o professor acha que é uma boa oportunidade e eu aceito.

A Filipa fica com um pouco de ciúmes, ninguém a convidou, talvez porque as notas dela são mais baixas que as minhas, não sei.

O que é certo é que começamos a discutir, ela está sempre amuada, porque chego tarde ao almoço que combinamos ou não posso ir tantas vezes ao cinema.


CONTINUA 

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

O NAMORADO - PARTE II

 

Os meus Pais estão encantados com a Filipa, as minhas irmãs invejam-lhe a roupa e eu sinto-me orgulhoso.

O jantar é um sucesso, à saída, a Filipa deixa um convite: a Mãe vai dar uma pequena festa e gostaria muito que fossem, frisa.

Os meus Pais estão indecisos, não será cedo demais? pensam, mas acabam por concordar.

Nós também? querem saber as minhas irmãs e a Filipa sorri, claro que sim, esclarece.

Oh, Mãe, não tenho nada para vestir, ouço-as assim que fecho a porta e acompanho a Filipa ao elevador.

Diz que a Zara tem coisas giras e em conta, aconselha a minha namorada e eu rio-me.

Tens que me dizer alguma coisa sobre os Pais dela, pede a Mãe, sei que a família é grande e unida, vê-se pela forma como a Filipa fala deles.

Faço um pequeno resumo, a Mãe diz que está curiosa e pergunta se uma tarte de pêssego é suficiente.

Não quero chegar lá de mãos vazias, explica, o teu Pai vai levar vinho para o dono da casa.

Concordo, a tua tarte de pêssego vai ser um sucesso e sou encurralado no corredor pela Gabriela que quer detalhes sobre os irmãos da Filipa.

O que é que isso interessa, pirralha? e a Gabriela fica furiosa, atira-me um soco a que me esquivo com destreza.

Aquelas duas passam horas a falar de toilettes, se os teus irmãos são giros ou não, confesso à Filipa durante um almoço na Universidade.

Não te esqueças de dizer que o Matias tem nove e o Edgar oito e a Inês fez dezoito meses, responde a minha namorada, divertida.

No dia da festa, a Gabriela e a Guiomar estão tão excitadas que o Pai tem que se impor, ou se calam ou não vão a festa nenhuma.


CONTINUA

terça-feira, 6 de outubro de 2020

O NAMORADO


Espero que a Filipa não queira ter cinco filhos; a casa parece uma creche, porque, além dos irmãos, estão os primos e até os filhos de vizinhos.

Não digo que não seja divertido, temos que ser criativos para os manter distraídos, mas fica-se exausto.

Por isso, acho que três é um numero adequado a uma família como a minha.

Eu sou o mais velho, dois anos mais tarde nasce a Gabriela e quatro anos depois, a Guiomar.

Não gostei nada do nome, Guiomar, mas a Gabriela era muito amiga de uma menina com esse nome e os meus Pais não a quiseram desapontar.

Tive uma infância feliz, houve birras e choros, mas os Pais encararam tudo com bom humor.

Talvez tenha sido por isso que conviver com a Filipa e a creche tenha sido fácil.

Para a Filipa, a família é muito importante e estou muito interessada na Filipa.

É atraente, bem-disposta, curiosa e temos muito em comum.

Hoje, vem cá jantar, estou nervoso, será que vai gostar dos meus Pais e das minhas irmãs?

Tenho uma conversa séria com a Gabriela e com a Guiomar, quero que sejam bem-educadas.

Até parece que não somos, refila a Gabriela e a Guiomar concorda.

Como se eu não soubesse que a vão observar atentamente...

A Filipa aparece pontualmente, traz chocolates para as minhas irmãs e um pequeno cabaz com produtos da loja da tia para a minha Mãe.

Esta fica surpreendida, não estava à espera, segreda-me.


CONTINUA


segunda-feira, 5 de outubro de 2020

A BRIGA - FIM


A Margarida é persistente, convida o Gustavo para uma festa em casa dela.

Convida também o Jaime, o Bernardo e a Matilde que fica muito lisonjeada com o convite.

Mais tarde, a Margarida confessa-lhe que precisava de todos os aliados possíveis para " abrir a mente " do Gustavo.

O Gustavo gosta das pessoas que encontra na festa, há risos, brincadeiras, mas ninguém ultrapassa as marcas.

Acaba por entrar no grupo de estudo da Margarida, começam a conversar mais e a sair juntos.

O meu irmão acorda para vida, goza a Matilde e o Jaime ri, ainda bem, não quero um cunhado zombie.

Mas quem é que está a falar de casamento? pergunta a Matilde, a fingir-se indignada, mas nunca se sabe as voltas que a vida dá.

A Amélia e o Bernardo também se estão a dar muito bem e a Madalena respira fundo, parece que a vida vai entrar num período calmo, desabafa com a Rita.

A Rita não tem tanta certeza disso, pode haver gravidezes inesperadas, diz, por amor de Deus, vês sempre o lado pior das coisas, recrimina a irmã.

Mas podem acontecer, repete a Rita, mas as três raparigas são sensatas e sabem o que querem.

Também os rapazes, o Major faz uma palestra sobre o assunto e tanto o Gustavo como o Bernardo e o Jaime asseguram que querem ter uma carreira " antes de lhe darem o  prazer de ser avó".

O Major fica muito sensibilizado, é incapaz de falar por uns minutos e a Glória só se ri.

Por isso, a vida está calma tal como a Madalena queria.

Até a Clarinha se revoltar e não obedecer a ninguém.


FIM

domingo, 4 de outubro de 2020

A BRIGA - PARTE V

Mas a Madalena não tem tempo para falar com o ex-marido sobre o Gustavo, porque este está ocupado com um caso que causa furor na Universidade.

A tal Júlia aparece morta e o suspeito principal é o ex-namorado.

Bem feito, diz a Matilde quando sabe, oh, Matilde, que insensibilidade! recrimina a Mãe e a Rita acrescenta que a violência doméstica é uma humilhação e uma injustiça para todas as mulheres. 

Não foi bem isso que quis dizer, justifica a Matilde, mas se a Júlia sabia que ele era violento, porque é que não se afastou?

Até se pode ter afastado, explica o Gustavo que estava a escutar da porta, mas ele encontrou uma maneira de penetrar as defesas dela.

Não acho que tenha sido o caso, explica o Bernardo mais tarde ao Major, alguém que a conhece bem, disse-nos que ela andava novamente com ele, até estavam à procura de um apartamento para viverem juntos.

A mente humana tem caminhos sombrios, comenta o Major, mas como estará o Gustavo?

O incidente no bar veio à baila, interrogam novamente o Gustavo sobre o assunto, mas é apenas uma formalidade.

Os cinco voltam a sair juntos, desta vez vão ao cinema e jantar no centro comercial.

E, não vamos falar da Júlia! pede a Matilde e todos concordam.

Em breve, se nota que o Jaime e a Matilde são um casal e o Bernardo e a Amélia tornam-se bons amigos.

Apenas o Gustavo está sozinho, embora a Margarida da turma dele de Economia dê todos os sinais de que está interessada nele.

O meu irmão continua parvo, desabafa a Matilde e o Jaime encolhe os ombros.

Foi um momento traumático para ele, diz, vais ver que, um dia, ele vai acordar e ver que a Margarida é a mulher ideal para ele.

CONTINUA

sábado, 3 de outubro de 2020

A BRIGA - PARTE IV

O Gustavo continua abalado e para o animarem, o Bernardo e o Jaime convencem-no a ir ao bar que descobriram.

A Mãe insiste em que leve a Matilde, ela já convidou uma amiga e sinto-me mais segura por saber que estão contigo e com os rapazes, diz.

A Matilde e a amiga estão excitadas, uma aventura num bar, comenta a Matilde, é um bom título para um livro.

Estás a planear escrever um? goza o Jaime e a Matilde solta uma gargalhada bem disposta. 

O Jaime fica completamente rendido pelo à-vontade da rapariga e desafia-a para um jogo de bilhar.

O Bernardo e a Amélia, a amiga ficam a observar, mas depois, a Amélia sugere que se organize uma pequena competição.

Os que perderem, pagam as bebidas na próxima saída, declara. 

Ela e o Bernardo contra a Matilde e o Jaime e estes concordam, porque não? é uma forma saudável de passar a noite.

Em breve, todo o bar está interessado pelo jogo e há até apostas.

Menos o Gustavo que se mantém sentado, a olhar para o fundo do copo. De vez em quando, levanta os olhos para ver se a irmã está bem, mas depois volta a mergulhar em si.

À uma da manhã, como combinado, os cinco saem do bar.

Deixam o Jaime, o Bernardo e a Amélia nas respectivas casas, a Matilde sempre a falar, mas o Gustavo nem a ouve.

No dia seguinte, a Matilde confessa à Mãe que se divertiu, mas que o Gustavo estava estranho.

" Será que ele ainda está a pensar na Júlia? Pelo que diz o Bernardo, ela não é uma boa pessoa!" concluí.

A Madalena suspira, o Gustavo nem quer falar no assunto.

CONTINUA

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

A BRIGA - PARTE III

 

" Ao que parece, a Júlia tem um ex-namorado, violento e ciumento. O Pai diz que já tem duas queixas de agressão.." acrescenta a Matilde e eu e o Major abrimos a boca de espanto.

" Lá está o Gustavo a conversar com a Júlia, entra o ex-namorado e ao ver a cena, questiona a Júlia. O meu irmão tenta acalmar os ânimos, mas o bruto parte logo para a violência. Empurra-o de tal forma que o Gustavo embarra com a mesa do lado, bate com o pulso no tampo e caem os dois ao chão." continua a irmã " Resultado: duas costelas partidas e o pulso esquerdo também. A Mãe não sabe se deve ficar furiosa ou preocupada e o Pai só pergunta porque é que não foi a outro bar." 

" Estou arrependido de o ter deixado sozinho. Ainda o tentei convencer a vir comigo, mas ele está tão interessado naquela Júlia." confessa o Bernardo mais tarde ao Major.

" Não te culpes! O Gustavo fez uma escolha, não foi a mais acertada e não será a última." atalha o Major " Tenho a certeza de que não voltará àquele bar."

O Gustavo está um pouco abalado com tudo o que aconteceu e desiludido com a Júlia.

" Sabes que ela estava a rir? Não me pareceu de nervoso... e depois, nem apareceu no Hospital nem me telefonou para saber como estou!" desabafa quando o encontro na Universidade.

" Pois...Não penses nisso agora! Sabes, o Jaime levou-me a um bar muito engraçado, podemos jogar bilhar..." conta o Bernardo e descreve o bar em pormenor, frisando o ambiente tranquilo.

O Gustavo fica interessado, está pronto para ir até lá, mas os Pais pedem-lhe que descanse nesse fim de semana.

O Bernardo também acaba por ficar em casa, o Major tem uma palestra na Universidade e ele resolve assistir.

Encontra lá o Nicolau, a Natália e a Glória e depois os cinco vão cear num café perto da casa do Major.

É uma noite divertida, talvez para a próxima, o Gustavo possa vir, sugere o Bernardo.

Afinal, o Gustavo conhece o Major, participou naquele acampamento militar que ele organizou há uns tempos.


CONTINUA