sexta-feira, 31 de maio de 2019

A DECEPÇÃO - PARTE IV


A Fátima fica surpreendida com a visita do Telmo, mas conversam como bons amigos.

Até ao momento em que o Telmo lhe faz a pergunta que ela tentava evitar.

Porquê? O que é que aconteceu de tão errado entre eles para ela decidir partir sem qualquer aviso, sem qualquer explicação?

A Fátima hesita um pouco, o Telmo não foi um mau marido, mas acaba por lhe contar a verdade.

" Não sei... Ele fez-me sentir desejada, no topo do Mundo... Estavas a ter aqueles problemas na empresa, eu não estava satisfeita com o meu trabalho, estávamos distantes..."

" Podias ter falado comigo..." recrimina o Telmo " Talvez pudéssemos mudar... mas nunca te queixaste... e eu estava muito abalado com a situação da empresa..."

" Talvez, mas não o fiz. A culpa foi minha e lamento se te magoei..." diz a Fátima " E o Francisco... Ele parece que não quer falar comigo..."

" Tens que lhe dar tempo. Ele ficou muito magoado; pensou que a culpa era dele." explica o Telmo " Foi tudo muito complicado; dá-lhe tempo para pensar, para se organizar... Talvez um dia ele te procure."

Mas a Fátima duvida. Telmo parece ter-se reconciliado com a vida; está com óptimo aspecto e a Marina acha que ele tem alguém.

" Não vive com ela abertamente." confidencia a irmã " Mas já o encontramos com ela; é uma pessoa interessante. E, tu? "

" Não, não tenho ninguém. Tive romances relâmpago, mas nada definitivo." comenta a Fátima " Para já, quero concentrar-me no meu trabalho, organizar a minha vida... Gostaria que o Francisco fizesse parte dela, mas ... "

" Compreendo, mas não te posso ajudar nisso. Tem que ser ele a decidir..." concorda a Marina.

Fátima convida-a para passar um fim de semana nas Caldas da Rainha, mas a Marina declina gentilmente.

" Ainda estamos magoados!" percebe a Fátima, embora a irmã não o tenha dito alto.



CONTINUA

quinta-feira, 30 de maio de 2019

A DECEPÇÃO - PARTE III


O Francisco telefona ao Pai nessa noite e conta o que se passou.

" O quê??? A Fátima está em Portugal, a viver nas Caldas da Rainha? " repete Telmo incrédulo.

" Pois está. Encontrei-a à saída de um Centro Comercial!" diz o filho.

" Falaram? " e ouve-o atentamente. Não o pode criticar por ter aquela reacção, mas ele, Telmo até gostaria de se encontrar com a Fátima e ouvir o que ela tem para dizer.

Nada o levou a pensar que a Fátima, uma mulher cheia de força e moralista, tomasse a decisão que tomou.

Abandonar tudo por um homem que era, segundo os rumores, um grande vigarista.

Quem era esse homem? O que a atraiu? O que esperava? Onde é que ele, Telmo, falhou? O que não viu?

Sim gostava muito de a ouvir.

Por isso, sem dizer ao Francisco, telefona à irmã de Fátima e pede-lhe o endereço.

A Marina fica verdadeiramente surpreendida e comenta:

" Tens a certeza de que queres fazer isso? Não foi nada fácil, Telmo. Pensei que isto era uma situação passada; afinal, tens uma outra vida com uma outra pessoa."

" Mas a Fátima é a Mãe do meu filho e preciso de respostas. Neste momento, o Francisco não quer saber dela, mas ninguém me garante que num futuro próximo ele não a contacte. Quero estar preparado para o apoiar!" explica Telmo.

A Marina compreende a posição dele e dá-lhe o endereço da Fátima.

CONTINUA


quarta-feira, 29 de maio de 2019

A DECEPÇÃO - PARTE II


" Minha nossa, é igual ao Pai! " pensa a Fátima.

" A minha Mãe aqui? Mas não estava no Brasil?" o Francisco está confuso.

Não a vê há mais de cinco anos, mas nunca esqueceu a cara dela.  

Está mais velha, claro, veste-se de uma forma que ele considera exuberante, mas é ela.

" Francisco? " pergunta a Fátima, hesitante " O que fazes aqui? Vives aqui? "

" Não, estou só a passar o fim de semana." a resposta foi um pouco seca, mas Fátima não esperava outra coisa.

" Podemos tomar um café e conversar um pouco?" diz a Fátima, mas Francisco abana a cabeça.

" Não, obrigada. Estou com uns amigos e depois... " não sabe que palavras usar, sem a ofender " não tenho nada a dizer-lhe!" concluí e afasta-se.

Fátima está abalada, ela que se acha uma mulher forte, que nada a derruba.

Em casa, depois de arrumar as compras, senta-se e telefona à irmã.

Quando lhe conta o que aconteceu, a Marina suspira e observa:

" Estavas à espera de quê? Beijos e abraços? Abandonaste-o, ficou sozinho com o Pai... A Mãe fugiu para o Brasil atrás de um homem, é o que ele ouviu, o que sabe de ti."

" Podia ter sido mais simpático!" e a irmã reage de imediato:

" Mas ele foi muito simpático! Não te insultou; foi apenas claro! Tu já pensaste bem no que fizeste? Magoaste toda a gente!" repete.

Fátima abre a boca para explicar a situação, mas a irmã despede-se e desliga o telemóvel.

CONTINUA



terça-feira, 28 de maio de 2019

A DECEPÇÃO


Fátima acha que o Brasil já deu o que tinha a dar.

Quer regressar a Portugal, mas decide ficar numa cidade mais pequena, no centro.

Caldas da Rainha, Évora, Seixal... Não quer encontros confrangedores com a família e os amigos.

Foi complicado... Deixou tudo para ir através de um idiota que só queria o dinheiro dela.

O filho ignorou as cartas que lhe enviou e o marido pediu o divórcio.

A família trata-a com uma certa frieza e a Fátima está muito cansada para se envolver em discussões sobre egoísmo, culpa e faltas de respeito.

Por isso, Caldas da Rainha é um bom local para começar. 

A cidade está a crescer, tem sorte logo no primeiro dia em que procura trabalho.

A agência é pequena, mas tem muito movimento e a Fátima interessa-se, participa activamente nos eventos.

Em breve, tem um pequeno circulo de amigos e a vida está a correr bem.

Tem um apartamento em vista e tenciona fazer uma pequena viagem com os novos amigos até Santiago de Compostela no feriado de 5 de Outubro.

Por isso, é um choque naquele sábado quando, ao sair do Centro Comercial, dá de caras com o filho.

Deixou-o um adolescente desajeitado, encontra-o um homem interessante.

Ficam os dois a olhar um para o outro, incapazes de falar.


CONTINUA


domingo, 26 de maio de 2019

O DIARIO DA CARMO - FIM


Maio, 10


O Amadeu parece que ganhou senso e concordou em encontrar-se comigo no gabinete do meu advogado.

Quem parece é o advogado dele que apresenta a proposta do Amadeu. 

Desisto da queixa contra ele e em troca, assina os papéis do divórcio. 

O advogado entrega outra proposta para a divisão de bens.

Quando este saí, o meu advogado aconselha-me a analisar bem as propostas,  a não me precipitar.

A Eduarda também pensa o mesmo e o Miguel acha que ele está a armar uma cilada.

Eu quero acabar com tudo o mais depressa possível e por isso, contra os conselhos de todos, desisto da queixa.

Mas o Amadeu não assina os papéis e pede para se encontrar comigo.


Maio, 15

A pressão é tanto que acabo por ceder e vamos jantar fora hoje.

Ao nosso restaurante favorito, diz ele e a Eduarda tenta convencer-me a não ir.

" Tenho um mau pressentimento!" mas eu não quero voltar atrás.

O Afonso também me pede para não ir, não acredito que esse tipo fique bonzinho assim de repente, tem qualquer coisa na manga.

Discutimos forte e feio e a certa altura, o Afonso desiste, diz que tem que acalmar, acabávamos por nos magoar e gosta demais de mim para isso.

Por isso, quando saio de casa da Eduarda para me encontrar com o Amadeu, sinto-me muito sozinha.

Parece que tenho o Mundo todo contra mim. mas mal vejo o Amadeu, com aquele sorriso frio e calculista, percebo que ele tem alguma coisa na manga.

E, tenho a certeza de que isto vai acabar muito mal.

Nunca pensei que fosse só para mim....


FIM


sábado, 25 de maio de 2019

O DIÁRIO DA CARMO - PARTE V


Março, 30

Estou em casa da Eduarda.

Acabei por lhe telefonar, ela e o Miguel levaram-me o hospital e insistiram que eu apresentasse queixa na Polícia.

O Amadeu já telefonou, já apareceu aqui, exigindo falar comigo, mas o Miguel barrou-lhe a entrada.

Ele foi-se embora, não sem fazer algumas ameaças que o Miguel desvalorizou.

Mas sei que falaram com um advogado.

O Afonso já me visitou, ficou horrorizado com a história e até se prontificou a ir comigo a um advogado de divórcio.

Porque tu vais pedir o divórcio, é o que todos pensam, mas eu tenho medo de falar no assunto com o Amadeu.

Isso resolve-se, não precisas de falar com ele, dizem, o advogado contacta-o.

Mas eu estou hesitante.


Abril, 15

Falo com o advogado, diz que será fácil até porque um relatório médico e uma queixa de violência doméstica na Polícia.

Será como ele diz? Duvido...

O Amadeu telefona-me e é a Eduarda quem atende. Recusa passar-me o telefone e o Amadeu ameaça-a.

A resposta da Eduarda é muito simples, queres falar com o meu advogado? e o Amadeu pede de imediato desculpas.

Não seria muito bom para a imagem do Dr Luís ser processado pela cunhada.

E, pela mulher?

Tenho medo.....


CONTINUA

sexta-feira, 24 de maio de 2019

O DIÁRIO DA CARMO - PARTE IV


Março, 3

Felizmente, está frio e posso vestir camisas de manga comprida.

O Afonso está ocupado com uma crise na revista e pouco temos falado. Não sei como lhe explicaria as nódoas negras.

Mas a Eduarda tem um sexto sentido e aparece de surpresa um dia ao fim da tarde, exigindo saber o que se passa.

Conto-lhe por alto a cena, mas ela fica horrorizada e pede-me para apresentar queixa na Polícia.

Não, não é preciso. Tenho a certeza de que isto não se vai repetir e a minha irmã suspira.

Não te atrevas a contar aos Pais, peço e embora não concorde, a Eduarda promete.

Quanto ao Amadeu, pouco fala comigo. Somos dois estranhos a partilhar uma casa.


Março, 25

A reunião na revista termina tarde e recuso o convite do Afonso para uma última bebida.

Estou cansada, quero tomar um duche, um jantar rápido e dormir.

Infelizmente, o Amadeu está em casa e começa um interrogatório exaustivo.

Já te disse que estava numa reunião na revista e o sorriso dele é de aço quando insiste na pergunta, tens a certeza?

Claro que tenho a certeza, responde irada e é o suficiente para receber um grande pontapé nas costas.

Caio desamparada no sofá e tento proteger-me.

Mas o Amadeu não desiste e recebo novo pontapé nas pernas. 

Torce-me um dos braços e dá-me uma grande bofetada que me abre o lábio.

Outro atinge-me o olho e a última é no peito.

Depois, atira-me novamente para o sofá e saí da sala.

CONTINUA

quinta-feira, 23 de maio de 2019

O DIÁRIO DA CARMO - PARTE III


Fevereiro, 25

O Afonso gosta do texto sobre a viagem e até publica algumas das fotos que tirei.

O Amadeu continua sisudo, pouco fala e é muito raro estar em casa.

Reparto o tempo entre o Afonso e a família. 

A Eduarda e o Miguel estão sempre a convidar-me para passar parte do fim de semana com eles e não falho o almoço de domingo em casa dos Pais.

Se perguntam pelo Amadeu, dou sempre a desculpa de um turno duplo ou um trabalho urgente no laboratório.

Não comentam; esforçam-se ainda mais para eu não estar tão sozinha e por vezes, isso aborrece-me.

Até porque o Afonso está na lista rápida do telemóvel e pronto a ir ter comigo, seja num bar, num restaurante ou no motel.

Por isso, hoje, após o almoço, desculpei-me com um texto urgente a entregar no dia seguinte e fui ter com o Afonso ao motel.

Passamos uma tarde calma, divertida e dei por mim a compará-lo com o Amadeu.

O Afonso sentiu que se passava qualquer coisa, quis saber o que foi, mas eu disfarcei e disse que tinha que me vir embora.

Não sei se foi o sexto sentido, mas quando cheguei a casa, aborrecida comigo mesmo, o Amadeu já lá estava.


Março, 1

A discussão foi violenta, porque o Amadeu exigiu saber onde eu tinha passado a tarde e não aceitou a desculpa de " um texto urgente ".

Na revista, tinham dito que eu não estava lá, por isso, onde é que eu estava?

Fui dar uma volta de carro, mas ele também não acreditou e cerrou os punhos.

" Onde estiveste, Carmo?" repetiu muito devagar, quase a soletrar as palavras.

Fiquei surpreendida quando me bate com toda a força no ombro. Desequilibro-me e embato na estante.

O Amadeu aproveita o facto para me bater novamente no ombro.

" Amadeu, Amadeu, para com isso!" mas recebo um pontapé na canela.

CONTINUA





quarta-feira, 22 de maio de 2019

O DIÁRIO DE CARMO - PARTE II


Janeiro, 31

Não sei o que aconteceu, mas eu e o Afonso acabamos por ir até ao motel.

Necessitava de atenção e de afecto e foi exactamente isso o que o Afonso me deu.

O Amadeu já não me toca há meses; continua distante e frio.  

Sou apenas um "adereço" nas festas que me obriga a ir. 

Detesto vestir-me formalmente e exibir todas aquelas jóias pesadas que o Amadeu insiste em me dar.

" És a minha mulher! Actua como tal." explode um dia em que me queixo.

Mas que tal tu actuares como meu marido? Mas nunca lhe faço a pergunta.


Fevereiro, 10

O Amadeu exige que vá com ele a uma conferência no Brasil.

" O que é que eu vou fazer lá?" pergunto e o Amadeu sorri friamente:

" Vais à praia, convives com as outras mulheres, fazes uma reportagem sobre moda."

O Afonso acha a ideia da reportagem interessante.

" Claro que não quero que fales só sobre moda." explica a rir " Fala da cidade, da história, das pessoas, da conferência, etc... Diverte-te."

Fico convencida e como o Amadeu me deixa mais ou menos sozinha (só tenho que estar presente no banquete de abertura e de encerramento), até me divirto.


CONTINUA

terça-feira, 21 de maio de 2019

O DIÁRIO DA CARMO


Janeiro, 03

O Amadeu é um egoísta!

Tenho quase a certeza de que casou comigo para receber o generoso bónus dos Pais.

O homem apaixonado e divertido com quem me casei tornou-se distante, controlador e às vezes, assusta-me com o tom frio com que me fala.

Parece que me está a interrogar e eu sinto-me como uma criança culpada.

Devo confessar de que não é agradável. No início, desvalorizei, mas agora está a tornar-se um problema.

As discussões são longas, tensas e fico esgotada.

Como castigo, o Amadeu passa as noites no Hospital e eu procuro refúgio em casa da minha irmã.

" É um absurdo!" diz a Eduarda e se bem que concorde com ela, não sei bem o que fazer.

Até ter conhecido o Afonso naquela festa...


Janeiro, 10

O Afonso convidou-me para tomar uma bebida ao fim da tarde.

O Amadeu não está cá; está numa conferência na Polónia e não sei porquê, acho que está acompanhado pela Dra Sofia.

A Eduarda pergunta-me se não terão um affair e não digo que não.

A Sofia também é médica, cardiologista como o Amadeu e estão a desenvolver um projecto que não percebi muito bem.

Os dois estão entusiasmados com os resultados e creio que nunca vi o Amadeu tão empenhado.

O Afonso é o novo editor da revista onde trabalho como freelancer.


CONTINUA

segunda-feira, 20 de maio de 2019

NOVA DESAFIO AOS COMENTADORES




Agora que terminei uma nova história, aguardo sugestões para a próxima:

Que acham de:


  • O Sr Abílio presencia uma cena bizarra quando vai passear com o cão

  • Encontram o diário da Carmo Luís

  • O Dr Amadeu escreve uma carta aos Pais a explicar tudo

  • A  D. Fátima  regressa do Brasil e não sabe o que fazer à vida


Já sabem; só podem escolher uma.

Até já

domingo, 19 de maio de 2019

ZONA LESTE - FIM


O porteiro da Torre Nova onde o Dr Luis alugou um apartamento não sabe para onde ele foi.

O Dr Luís pediu apenas que qualquer correspondência que chegasse fosse enviada para um escritório de advogados.

Sim, tem o cartão deles e o Brites tira uma foto com o telemóvel. E o apartamento?
  
Também não sabe de nada; não, ainda não foi alugado. Porquê? 

A Administração do Condomínio deve saber e sim, também pode dar o contacto.

Verem o apartamento? Não deve haver problemas e sobe com eles.

O apartamento está ainda mobilado e parece estar impecavelmente limpo.

Pode haver qualquer coisa, um cabelo, um salpico de sangue e verificam todas as divisões.

Nada e Brites encontra uma embalagem de detergente na cozinha igual à que é utilizada nos hospitais.

" Se é que a matou aqui..." reflecte Bernardes.

" Limpou tudo muito bem... " termina Brites " Posso mandar vir a equipa forense, mas não tenho muitas esperanças."

Bernardes concorda, será uma perda de tempo e vão até ao escritório dos advogados.

Mas estes pouco ou nada dizem. O Dr Amadeu Luís apenas disse que se ia ausentar por uns meses, no máximo um ano, os contactaria regularmente para resolver qualquer assunto pendente, mas não mais do que isso.

Não, até agora não os tinha contactado. E, não, não sabem onde está.

Relativamente ao divórcio de D.Carmo? Ficam muito surpreendidos com a pergunta; não, o Dr Luís nunca discutiu o assunto com eles.

No gabinete, Brites e Bernardes não sabem o que pensar.

A única certeza é a cabeça que está na morgue.

Porque o Dr Luís tornou-se num fantasma e é muito difícil prender um fantasma.

E de quem é a perna? Estará relacionada com a cabeça de Carmo Luís?

Será que este é mais um caso que vai ficar arquivado?

Brites tem quase a certeza de que sim. 

Mas Bernardes acha que ainda vão deslindar tudo. Terá razão?


FIM 

sexta-feira, 17 de maio de 2019

ZONA LESTE - PARTE VI


" Sabe onde foram jantar? Como estava a disposição da sua irmã? O que esperava do encontro? " e Eduarda faculta-lhe todos os detalhes que ele precisa.

Quando diz que o ex-cunhado é um cirurgião, Brites e Bernardes chegam à mesma conclusão.

Pode ter sido ele. O médico legista diz que o corte foi preciso, limpo.  

É uma linha de investigação a seguir. O primeiro local a visitar é o Hospital, onde o Director de Serviço diz que o Dr Amadeu Luís demitiu-se há cerca de um mês.

Recebeu uma proposta irrecusável de um Centro de Investigação no estrangeiro, o Dr Castro não tem a certeza, mas acha que foi da Polónia.

Interrogaram alguns colegas, mas estes nada sabem. O Dr Amadeu foi muito misterioso relativamente à proposta.

" Bem..." diz o Brites " Vamos interrogar a família? Talvez seja uma boa ideia ver a casa onde ele ficou quando se separou."

Mas a família conta a mesma história e fica muito surpreendida quando lhe dizem que tinha convidado a ex-mulher para jantar.

Impossível, ele detestava-a. Queixava-se que ela era uma gastadora, uma mentirosa.

Queixa na polícia? Impossível, repetem, ele era incapaz de lhe bater.

Brites confirma que há realmente uma queixa de violência doméstica contra o Dr Amadeu Luís, mas o assunto não tinha tido ainda seguimento.

O restaurante diz que sim, que eles jantaram lá naquele noite e tiveram uma grande discussão.

A certa altura, o gerente teve que lhes pedir para serem mais discretos ou saírem.

A senhora foi a primeira a sair, visivelmente perturbada e ele seguiu-a, sempre a criticá-la.

Não, não sabem se vierem ou foram juntos no mesmo carro.

" Um beco sem saída." lastima-se Brites " Vamos ver a casa dele? "

Bernardes concorda, até porque o médico legista confirma que a cabeça é da Carmo Luís.

Já não é uma pessoa desaparecida; trata-se de um homicídio.


CONTINUA




quinta-feira, 16 de maio de 2019

ZONA LESTE - PARTE V


Mas dizem-lhe na sede que aquele armazém está já sob vigilância. 

Uma grande operação para desmantelar uma operação de droga e sabem que é ali que descarregam.

Talvez sejam "correios", sugere o Brites, mas o colega diz que não tem conhecimento que a rede trabalhe dessa maneira.

Um gangue rival? Ou um simples crime passional?

Bernardes recebe um telefonema do médico legista.  

Apareceu alguém com uma fotografia de uma mulher com uma estrutura óssea muito semelhante à da cabeça encontrada.

Bernardes e Brites precipitam-se para a morgue; querem conversar com essa pessoa.

É uma senhora, não terá mais de trinta, trinta e cinco anos e Brites tem quase a certeza de que é irmã da desconhecida.

" Boa Tarde, chamo-me Bernardes, Inspector Bernardes e gostava muito de falar com a Senhora." apresenta-se.

A senhora aperta-lhe a mão e pergunta ansiosa:

" Sabe alguma coisa da minha irmã? É verdade o que dizem as notícias que apareceu uma cabeça de mulher?"

" Vamos conversar para um local mais agradável? " sugere o Inspector e depois de se sentarem num dos gabinetes no piso superior.

" O que se passa com a sua irmã para a trazer até aqui? " pergunta o Brites.

" A minha irmã e o meu cunhado estão com problemas... Até apresentou uma queixa..." explica Eduarda Martins e o Bernardes interrompe de imediato:

" Agressão? Violência doméstica? " e Eduarda acena que sim.

" Separaram-se e a Carmo iniciou o processo de divórcio... " a senhora cala-se, sem saber bem como continuar.

" E recebeu ameaças por parte do marido? " continua o Inspector.

" Sim, ela até pediu ao meu marido para falar com ele, mas ele ignorou-nos. E, há cerca de 3 semanas, telefona, diz que aceita o divórcio e convida-a para a jantar.  Nunca mais a vimos! " concluí Eduarda.

Brites oferece-lhe um copo de água e Bernardes espera uns minutos antes de lhe fazer a próxima pergunta.


CONTINUA


quarta-feira, 15 de maio de 2019

ZONA LESTE - PARTE IV


" Isso ajuda-nos a estabelecer a cronologia..." afirma o Bernardes quando o Brites lhe conta a história.

" Pode ter sido num local aqui perto..." acrescentou o Brites " É uma hipótese, mas esta é uma zona um pouco isolada e pode haver algum armazém abandonado..."

" Vamos falar com alguém que conheça a zona..." decide o Bernardes.

O Brites resolve falar com alguns dos polícias que responderam à chamada e estes confirmam que efectivamente há uma série de armazéns abandonados a cerca de 2 km dali.

" Chamam-lhe a "Conserva"... Funcionou ali uma pequena empresa de conservas que faliu..." esclarece um dos polícias " Não vamos lá muito... não temos conhecimento de qualquer distúrbio."

O Inspector e o Sargento resolvem ir até lá. 

Seguem as instruções e em breve, avistam um parque com dois armazéns que parecem estar em muito mau estado.

A estrada está cheia de buracos, mas o Brites conduz com cuidado e entram no parque.

A primeira coisa que notam é que a porta do primeiro armazém tem um cadeado novo.

" Vamos dar uma volta; pode ser que haja uma outra forma de entrarmos." sugere o Inspector.

Dão uma volta, mas as janelas estão igualmente protegidas.

O segundo armazém está completamente vazio, com as janelas partidas e a porta arrombada.

Um ou outro sem-abrigo pode esconder-se lá, mas o Brites não encontra que tal aconteça.

" O que fazemos? " pergunta o Brites já dentro do carro.

" Alguém terá que vigiar o local durante uns dias e ver o que acontece. " responde o Inspector.

CONTINUA

segunda-feira, 13 de maio de 2019

ZONA LESTE - PARTE III


Não, não viram nada.  Nem ouviram nada de anormal. 

Apenas alguns jovens desocupados que se divertiram a derrubar os contentores.

Na praia? Apenas o Sr Abílio, mas esse é figura habitual. Levanta-se cedo, vai passear com o cão e às vezes, fica a conversar com eles.

Acham que poderá ter visto alguma coisa? Encolhem os ombros, porque é que não falam com ele? Ele mora ali perto e gosta de conversar.

Por isso, Brites bate à porta pintada de azul. O jardim está bem cuidado e ouve o cão a ladrar.

" Calma, Xico." pede uma voz de mulher e a porta é aberta por uma senhora de cabelo branco e um avental imaculado.

" Ora, bom dia, o que o trás até cá? " e sorri. O Brites sente-se conquistada pela simpatia e a simplicidade da senhora que depreende ser a mulher do Sr Abílio.

" Sou da Polícia e estamos a investigar um caso...Disseram-me que o Sr Abílio passeia pela praia e talvez tenha visto alguma coisa que nos possa ajudar." explica o Brites.

" Entre, entre... Sim, ouvimos dizer que encontraram uma perna num contentor... Que horror! Quem fez essa barbaridade!" e leva-o para o quintal nas traseiras, onde o Sr Abílio está a tratar das flores.

Oferecem-lhe café que o Brites declina e ouvem com atenção as explicações do Sargento.

" Não, não vi nada. E, deve ter sido esta manhã, porque o Xico cheira tudo e daria o alarme." responde o Sr Abílio.

" Tem a certeza? " repete o Brites, interessado.

" Ah, sim, eu deixo-o correr na praia e não disse que encontraram aí uma mão?" comenta o Sr Abílio " Não, deve ter sido esta madrugada... "

" Ou à noite, muito tarde. Custou-me a adormecer e creio que ouvi um carro a passar por aqui." acrescenta a D. Maria " Não sei se o estamos a ajudar...."

" Não, é muito útil. Muito obrigada." e o Brites sorri.

" É melhor não levar o Xico a passear hoje para aqueles bandas? " pergunta o Sr Abílio.

" Sim vamos ficar por ali umas horas. Temos que verificar tudo!" e saí para o Sol, agradecendo mentalmente o facto do Sr Abílio ter um cão.

CONTINUA

domingo, 12 de maio de 2019

ZONA LESTE - II


O Inspector tem razão: o trânsito na estrada interior é mais fluído e chegam ao mesmo tempo que a equipa forense.

Há já uma fita a limitar o perímetro e o Inspector vê um contentor caído e ao lado uma perna humana.

" Foram uns miúdos que derrubaram o contentor e a perna caiu." explica o agente.

O Bernardes não responde e aproxima-se do contentor. 

O Brites faz sinal a um membro da equipa forense e desce até à praia.

Não há dúvidas de que é uma perna humana, mas é de um homem. 

Bernardes repara que os cortes são cirúrgicos e concluí que está perante um segundo crime cometido pela mesma pessoa.

Há um grito vindo da praia. Brites e o Técnico encontraram uma mão.

O Inspector pede fotografias de todos os ângulos possíveis e quer que levem também o contentor para o laboratório.

Desce, então para a praia onde um outro Técnico está já a fotografar a mão.

" Acho que é dela." observa o Sargento " Terão sido os dois mortos aqui? Ele ficou no contentor e deitaram-na ao mar?"

O Bernardes fica calado, ainda tem que coordenar as ideias, mas a hipótese de Brites é válida.

" Temos que procurar nesta área, pode haver mais restos mortais. Trate de isolar a área." ordena " Vamos tentar também falar com pessoas que morem aqui perto."

" Não sei se vamos conseguir alguma coisa. Esta é uma zona pobre e eles não falam muito..." comenta o Técnico.

" Teremos que os convencer!" responde o Inspector.


CONTINUA



sexta-feira, 10 de maio de 2019

ZONA LESTE


O Inspector Bernardes está frustrado.

Estabeleceram um perímetro na praia à procura de outros restos mortais, mas ele tem quase a certeza de que foi morta e lançada ao mar noutro local.

Veio dar àquela zona por causa da tempestade.

Essa é também a opinião do Brites, recentemente promovido a Sargento. 

Quem a cortou tem conhecimentos de anatomia, pois o médico legista diz que é um corte limpo, feito sem hesitações.

Os jornais não falam de outra coisa e talvez alguém a possa identificar.

O telefone toca e o Brites atende de imediato.

O Bernardes vê a expressão do Sargento mudar e pergunta baixinho:

" O que foi? " mas o Brites faz-lhe sinal para estar calado.

Quando finalmente desliga, o Inspector insiste:

" O que aconteceu? Identificaram-na? Encontraram mais alguma coisa?"

" Não, ninguém a identificou, mas talvez tenham encontrado o local onde foi morta." explica o Brites " Pronto para ir até à Zona Leste?"

Bernardes assobia baixinho e diz:

" Eu não dizia??? Ela foi arrastada pelas correntes... Só pode ter sido!"

" Se for daquela zona, talvez seja mais fácil identifica-la." acrescenta o Brites, já a vestir o casaco.

" Vamos lá então. Talvez seja melhor ir pela estrada do interior, devemos demorar menos." recomenda o Inspector.

CONTINUA