terça-feira, 30 de abril de 2019

A BABY SITTER - PARTE III


O Maurício está a estagiar numa cidade próxima.

Podia ir e vir todos os dias, mas achou melhor alugar um apartamento perto da empresa e de vez em quando, passa os fins de semana com os irmãos.

Os irmãos adoram-no, respeitam-no e durante um ou dois dias, até se comportam, pois o Sr José tem a certeza de que a Edite se queixa das partidas daqueles dois.

Sim, porque as gémeas ainda são pequenas e a Edite é a pessoa que passa mais tempo com elas.

Quando nessa noite, pouco antes do jantar, a Edite saí disparada de malas feitas, dizendo que não volta, a governanta chama o Sr José e pede-lhe uma opinião.

" Acho melhor telefonarmos ao Menino Maurício. Já avisei o meu marido de que vou ficar cá a dormir, não os vou deixar sozinhos, mas é o Menino que tem que decidir o que fazer. " diz a D. Lurdes.

" Não vale a pena telefonarmos ao Dr Sarmento. Não vai resolver nada e muito menos a esta hora da noite..." concorda o Sr José " Vamos telefonar ao Menino Maurício. Onde é que estão aqueles dois? "

" Estão no quarto; dei-lhes um sermão e eles nem se atreveram a falar. " responde a D. Lurdes, já a marcar o numero do Maurício.

O Maurício fica furioso, concorda com a solução apresentada para aquela noite e amanhã à hora de almoço estará lá para conversarem.

O Duarte e o Henrique estão calados ao jantar, sabem que a D. Lurdes não é para brincadeiras.

" Há tempo para tudo; para brincar e para se comportarem como uns homens. O jantar é para conversar e desfrutar a companhia dos outros; por isso, não quero cá confusões." esclarece.

CONTINUA

segunda-feira, 29 de abril de 2019

A BABY SITTER - PARTE II


Um amigo do Duarte, o David diz-lhe que nem sempre o facto do Pai estar presente significa que se interessa pelos filhos.

" O meu Pai está quase sempre ao telemóvel e foi preciso a minha Mãe impor-se para ele o desligar à hora do jantar. E, mesmo assim, pouco fala connosco."

" Ah, não sabia!" confessa o Duarte " Os nossos conversam connosco, mas começo a pensar se estão verdadeiramente interessados no que temos para dizer."

" Onde é que eles estão agora?" pergunta o David.

" Não sei... Foram muito vagos... O Henrique está a preparar uma série de partidas para ver se a Edite se cansa. Mas eu não sei se será a solução!" conta o Duarte.

Nessa noite, volta a falar com o Henrique, mas este está decidido em continuar com o programa de " partidas " à pobre da Edite que desata aos gritos quando o vê caído no chão da cozinha.

O jardineiro ouve-a e entra de imediato. Ajoelha-se ao pé do Henrique e abana-o.

" Oh, menino Henrique, que é isto? Ande lá, abra o olhos que eu sei que está a fingir...." e o Henrique não teve outro remédio senão abrir os olhos, levantar-se e pedir, contrariado, desculpas à Edite.

" Ela é uma boa menina; parece ser vossa amiga. Porque é que lhe estão a fazer a vida negra? " comenta o Sr José que os conhece desde pequenos.

" Queremos que os Pais voltem!" e o Sr José suspira.

" E é a fazer a vida negra aos outros que o vão conseguir? Acho que não..." e o Duarte que chega nesse momento e ouve a última parte, concorda com ele.

Mas o Henrique encolhe os ombros, sem compreender bem o que o Sr José quer dizer.

" Não o consigo convencer! " desabafa o Duarte.

" Porque é que não fala com o seu irmão Maurício? Talvez ele tenha uma solução!" sugere o Sr José.

CONTINUA

domingo, 28 de abril de 2019

A BABY SITTER


" Não achas que estamos a exagerar?" pergunta o Duarte ao Henrique naquela noite.

" Porquê? O plano não é aborrecer a Edite de tal forma que ela desista? " responde o Henrique " Depois, despede-se e os Pais têm que voltar para casa."

" Ouvi-a falar com a Mãe dela. Queixou-se dos barulhos, de ter a certeza de que pagou a conta de luz, mas não encontra o recibo..." diz o Duarte, pensativo.

" Pois, não. Está aqui escondido!" observa o Henrique abrindo uma gaveta e mostrando o dito recibo.

" Então, foste tu!" refila o Duarte " Acha que isto já não está a ter piada... E, já pensaste na reacção dos Pais se a Edite for embora? Lembras-te do que disseram na última vez? Não quero ir para casa do Tio Bruno!"

" Oh, blá, blá... Não vão fazer nada disso. Estão aqui umas semanas até encontrarem uma nova baby sitter e depois.... nós voltamos a fazer-lhe a vida negra até eles perceberem que não podem fazer isto." diz o Henrique, mas o Duarte acha que isso nunca vai acontecer.

Os Pais viajam muito em trabalho, oferecem-lhes férias fabulosas que faz com que os colegas tenham inveja, mas no fundo, quem tem inveja é o Duarte.

A maior parte dos Pais está em casa à noite, janta, brinca com os filhos...

Como o Duarte gostaria que os Pais estivessem aqui e jantassem com eles!

CONTINUA

sábado, 27 de abril de 2019

DESAFIO AOS COMENTADORES


Hoje, lanço um novo desafio aos meus comentadores.

Vou escrever o primeiro paragrafo e aguardo as vossas sugestões se deve ser uma história:

policial
amor
crianças
fantasia


Até já

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Tenho que sair desta casa. Está possuída por um espírito maligno...

Não estou sossegada um minuto com portas a abrirem-se sozinhas, vasos partidos e papéis que desaparecem.

Dizem que estou a ficar maluca... Estarei?

Então, porque é que me desligaram a luz se eu tenho a certeza de que a paguei?

sexta-feira, 26 de abril de 2019

A VIAGEM - FIM


Finalmente, chegam ao destino e são recebido como heróis.

A Madalena até tem lágrimas nos olhos e tanto o marido como o filho brincam com o facto.

" Eu estava tão preocupada!" protesta, mas o marido abana a cabeça e diz:

" O Amadeu é um rapaz responsável e tem que aprender a resolver sozinho as situações."

" E eu assino em baixo." interrompe o avô " O rapaz manteve-se calmo, pediu ajuda e trouxe-nos sãos e salvos."

" É isso mesmo." comenta o Daniel " E, não acham que está na hora de petiscar qualquer coisa?"

Todos riem e entram em casa.  

Sentam-se à mesa, servem a sopa e trocam-se cumprimentos, piadas e risos.

Quando servem o café, estão todos relaxados, o avô confessa a vontade de dormir uma soneca, mas a Cristina tem outras ideias.

" Bem, vou ter com os meus amigos. Tenho que ir agora, senão chego atrasada.." e levanta-se.

Todos a olham surpreendidos. É Domingo de Páscoa, é tempo para estar com a família.

Manuela respira fundo e pergunta baixinho:

" Ter com os amigos? Hoje, Domingo de Páscoa?"

E, a família sabe nesse momento que o dia estava inevitavelmente estragado.

FIM

quarta-feira, 24 de abril de 2019

A VIAGEM - PARTE IV


Entretanto, o Amadeu segue as indicações dadas e em breve, entra em Amarante pela zona norte.

" Conheço isto; daqui a casa da Tia, vai ser fácil!" anuncia, aliviado.

" Calma, respira fundo." aconselha o avô " Mais cinco ou dez minutos... não vai haver problema."

" Pensas tu!" declara a avó " A esta hora, devem estar aflitas e a pensar o pior. "

" Acontece! Eu explico-lhes tudo!" diz o avô " Aliás, devemos ter rede aqui e vou ligar já."

Nesse momento, o telemóvel do Amadeu toca e é o avô quem atende.

" Ah, és tu.... Não, Madalena, não aconteceu nada. Apenas nos perdemos... O rapaz enganou-se na saída e andamos à volta até encontrarmos uma rotunda... Não, não, o rapaz foi muito cuidadoso, a culpa foi minha que o distraí...." e faz uma pausa a escutar atentamente a filha " Chega, Madalena. Estaremos aí dentro de 10, 15 minutos." e desliga.

" Estava aflita? Bem te disse!" comenta a mulher, amuada.

" Xiu! Não se fala mais no assunto. A tua Mãe é uma exagerada, já estava a pensar num acidente, num rapto..." explica o marido e o neto ri-se.

" A minha Mãe é mesmo assim. Então, quando saio à noite, o meu Pai diz que ela fica impossível. Até me pediu para ser vago relativamente às horas, mas mesmo assim, ela fica numa agonia..." comenta o Amadeu.

" Pois! O que esperavas da tua Mãe?" responde a avó e o marido interrompe:

" Oh, a Madalena foi sempre uma exagerada emocionalmente. A Manuela é mais fria, mais concentrada."

" Mas faz a vida difícil à Cristina e a Cristina explode facilmente. Por isso, há muitas discussões entre elas." conta o primo.

" Esta juventude!" suspira a avó.

CONTINUA

terça-feira, 23 de abril de 2019

A VIAGEM - PARTE III


" Já deviam estar cá!" diz a Madalena, preocupada " A que horas era a missa?"

" O Amadeu disse-me que se ia encontrar com os avós à porta da igreja por volta das onze." esclarece a Cristina, que tinha acabado de chegar " Oh, Tia, lá estás tu a pensar o pior!" exclama ao ver a cara da Madalena.

" Ontem, recomendei-lhe que guiasse com cuidado para não assustar os velhotes e ele está a cumprir!" acrescenta a Manuela. " Devem estar a chegar... Anda, preciso de ajuda com as flores."

A irmã vai ajudá-la, mas não se consegue concentrar. Tenta ligar para o filho, mas o telemóvel não dá qualquer sinal.

" Oh, João, deve ter acontecido alguma coisa ao Amadeu. Ainda não chegou e estou farta de tentar o telemóvel e não tenho sinal!" desabafa Madalena.

O marido está sentado na sala, a saborear um Martini com o cunhado e olha-a surpreendido.

" Ainda não chegou??? Que horas são???... Ups, já devia ter chegado!"

" Pois devia. Não atende o telemóvel, será que está sem bateria?" pergunta a Madalena.

" Ou sem rede!" responde a sobrinha " Não te preocupes! O Amadeu é responsável..."

" Explicaram-lhe onde devia sair? Pode ter saído no local errado e estar às voltas para regressar à rotunda." sugere o Daniel.

" Pode ter acontecido isso..." admite a Manuela " E, se está sem rede, não pode comunicar... Vamos a ter calma."

" Calma? Queres que tenha calma?" repete a irmã " Não sabemos onde estão o meu filho e os nossos Pais!"

" Não exageres! Por amor de Deus, o teu filho vai resolver a situação e os nossos Pais ainda têm a cabeça no lugar." diz a Manuela.

" Sim, Tia, tens que confiar no Amadeu. Não vale a pena irmos à procura deles, porque não sabemos por onde começar." apoia a Cristina.

Mas a Madalena continua inquieta.

CONTINUA

segunda-feira, 22 de abril de 2019

A VIAGEM - PARTE II


Com a conversa, o Amadeu distraí-se e engana-se na saída.

" Oh, rapaz, não te enganaste? Tenho quase a certeza de que este não é o caminho?" pergunta o avô.

" Valha-me Deus! A culpa é tua, estás sempre a falar e o rapaz não presta atenção ao que está a fazer!" reclama a avó.

O Amadeu está preocupada, pois não sabe o que fazer.  

Tem que seguir em frente e encontrar uma estação de serviço. Talvez seja mais fácil dar a volta aí e encontrar a saída correcta.

Tenta ligar para a Mãe, mas há pouco rede. Os avós discutem e o Amadeu fica mais nervoso.

" Vamos todos respirar, ok?" pede " Temos que estar com atenção; deve haver uma estação de serviço aqui perto e a partir daí, estabelecemos um plano."

" Porque não tentas ligar para a tua Mãe?" sugere a avó, mas o neto abana a cabeça e explica:

" Há pouca rede aqui!" e a avó exclama:

" Bonito! Estamos perdidos!" e o avô tenta minimizar a situação.

" Olha, há uma estação de serviço ali à frente. Vira aqui!" aconselha.

Na estação de serviço, dizem-lhe que a autoestrada termina uns quilómetros à frente e que deve virar na primeira rotunda à esquerda.

" Como se fosse para Freixo de Baixo... É uma estrada secundária, mas está em muito bom estado e vai chegar à parte norte da Amarante." 

A avó tenta telefonar para uma das filhas, mas não consegue.

" Vamos lá ver se conseguimos chegar a tempo!" observa o avô.

" Não me parece que comecem a almoçar sem nós!" responde a avó e o Amadeu apressa-se a entrar no carro.

Está tudo em ordem, tem gasolina suficiente e arranca.

Em Amarante, estão a ficar inquietos com a demora.


CONTINUA

sábado, 20 de abril de 2019

A VIAGEM


" Amanhã, nada de excesso de velocidade." recomenda a tia ao Amadeu que a olha desconfiada.

" Os avós não gostam de andar depressa e não quero os ouvir falar da irresponsabilidade dos jovens. Não no Domingo de Páscoa." acrescenta.

" Eu respeito os limites da velocidade." protesta o sobrinho, mas a tia abana a cabeça.

" Conheço-te muito bem; és como o teu Pai..." e suspira.

O sobrinho ri-se e sai. Se a estrada estiver livre, vai acelerar...

Se calhar, os velhotes até gostam e a Tia Manuela está enganada.

Como os avós querem assistir à Missa antes de irem para Amarante, o Amadeu combina encontrar-se com eles à porta da Igreja por volta das onze.

" Será que vamos chegar a tempo?" preocupa-se a avó quando entra no carro.

" Se bem conheço as tias, o almoço não será antes da uma, uma e meia." responde o neto e arranca.

Respeita os limites da velocidade enquanto prepara a saída da cidade, mas quando entra na autoestrada, esquece-se das recomendações da tia.

A avó dá um pequeno grito, mas o avô está entusiasmado.

Quando param numa estação de serviço para tomarem um café, o avô diz:

" Isto é que é um carro! E tu conduzes muito bem!" 

Mas a avó respira fundo e queixa-se que o Amadeu foi um pouco irresponsável.

" Já não tenho idade para isto! Vais mais devagar agora, está bem, Amadeu?" pede e o neto dá-lhe um abraço.

Por isso, no resto do caminho, contém-se e responde calmamente às perguntas que lhe fazem.

Sobretudo sobre as namoradas, o avô quer saber todos os pormenores.

CONTINUA



quarta-feira, 17 de abril de 2019

SKATE - FIM


O meu Pai chega finalmente e fica espantado com a história que lhe contam.

Tinham sido muito simpáticos na Câmara, localizaram o jardineiro chefe que abriu os portões e os levou até às estufas, mas garantiu que o Jacinto era um homem muito honesto.

E, ali estava a prova. Entregou o Gonçalo são e salvo aos Pais.

" Estou tão arrependida do que pensei.." repete Alice, mas toda a gente lhe assegura que é normal.

A minha operação é bem sucedida e dão-me alta uns dias depois.

Recebo muitas visitas, mas a minha Mãe controla o tempo, pois estou de castigo.

" Até aprenderes a ser responsável..." diz o Pai.

" E que qualquer acto tem uma consequência. Foi uma sorte o Jacinto Jardineiro ser um homem honesto; não o conheces suficientemente bem para deixares o Gonçalo com ele." acrescenta a Mãe.

" Sim, não tens 6 anos; tens 12, é altura de começares a pensar nas consequências dos teus actos." concluí o Pai.

" A partir de agora, tens que merecer a nossa confiança." observa a Mãe, mas não percebo muito bem o que ela quis dizer.

A vida torna-se um pouco aborrecida após o acidente, pois estou proibido de andar de skate.

Posso sair com os amigos, mas tenho horas para voltar e se desobedecer, fico uma semana em casa.

Não posso dormir ou passar uns dias em casa de um dos meus amigos.

E, como se isso não bastasse, reveem a matéria comigo, fiscalizam os TPC e se tiver uma negativa, sofro um longo interrogatório.

Enfim, uma seca!

Entretanto, o Gonçalo está feliz, pois o Jacinto deu-lhe uma planta para cuidar.

De vez em quando, a Mãe leva-o até ao Parque para ver as novidades nas Estufas e o Jacinto não se importa nada de lhe explicar tudo.

Por isso, o Gonçalo anuncia aos quatro ventos que vai ser " jardineiro como o Jacinto " e os Pais só se riem.

Para já, não quero ser nada... 

Mas o meu Pai diz que, mesmo não querendo ser " nada ", tenho que estudar.


FIM


terça-feira, 16 de abril de 2019

SKATE - PARTE IV


Depois de muitos abraços e beijos ao Gonçalo, a minha Mãe repara nas três pessoas que o acompanham.

Ela conhece muito bem a D.Fernanda e o Sr José, os porteiros do prédio e a terceira apresenta-se como Jacinto.

" Eu explico tudo, D. Alice." apressa-se a dizer a D. Fernanda " O Simão deixou o Gonçalinho aqui com o Jacinto e como estava a ficar tarde, o Jacinto foi à procura dele no terreiro. Quando chegou lá..."

" Soube do acidente..." interrompe o Sr José " Ficou sem saber o que fazer, se havia de levar o menino a uma esquadra de polícia, mas, como conhece quase toda a gente da zona, perguntou..."

" E a D. Madalena do 505 disse-lhe para vir ter connosco." diz a D. Fernanda " Telefonamos tanto para a D. Alice como para o Dr Gaspar, mas não atenderam."

" Por isso, viemos até cá e o Jacinto veio connosco..." acrescenta o Sr José.

" Para entregar o Gonçalo aos Pais, já que foi o Simão quem o deixou ao meu cuidado." esclarece o Jacinto.

Todos ficam em silêncio, sentem-se culpados pelas ideias macabras que passaram pela cabeça. 

Mas ouve-se tanta coisa e a verdade é que nem sabiam da existência do Jacinto Jardineiro.

A D. Alice agradece imenso, o Jacinto responde que não há nada a agradecer e despede-se.

A D. Fernanda e o Sr José também se vão embora e a D. Alice tenta localizar o marido.

A cunhada oferece-se para levar o Gonçalo para casa e dar-lhe de jantar.

Adivinha-se uma noite muito longa... 



CONTINUA

segunda-feira, 15 de abril de 2019

SKATE - PARTE III


O médico acaba por dar um sedativo à minha Mãe e cá fora, o meu Pai fala com o polícia de serviço e a assistente social.

O parque fecha às seis horas, o Pai tem medo que o Gonçalo se tenha perdido e esteja a vaguear sozinho pelas estufas.

Entretanto, chegam os Pais do Mateus que conhecem alguém que trabalha na Câmara e será que pode ajudar? pergunta o meu Pai.

O pobre do Mateus recebe um sermão, apesar de não ter culpa e me ter alertado para o facto de termos deixado o Gonçalo sozinho, mas está toda a gente muito nervosa.

Levam-me para cima para o bloco operatório e o Pai do Mateus conseguiu falar com o amigo.

Meia hora depois, este telefona a dizer que encontrou o encarregado do Parque e que estão a caminho para vasculhar as estufas.

O meu Pai e os Pais do Mateus e do Maurício vão lá ter com eles e as Mães ficam com a minha, a dar-lhe apoio.

A família vai chegando, a preocupação não é a minha perna partida, mas sim o Gonçalo.

Têm que o encontrar, não pode passar a noite sozinho naquela parque. E, afinal, quem é esse Jacinto Jardineiro?

Que irresponsabilidade do Simão! Deixar o irmão a brincar ao pé de alguém que ninguém conhece.

Que importa se é conhecido de toda a gente no Parque? Nós não o conhecemos, repete a Mãe do Mateus, que confessa mais tarde, nunca a viu assim tão zangada.

As horas passam, o desespero é crescente, suspiram de alívio quando o médico diz que a operação correu bem, mas voltam de imediato ao cerne da questão.

Onde está o Gonçalo? Deve estar tão assustado, diz a minha Mãe e desata num chora que aflige toda a gente na sala de espera.

" Mãe, oh, Mãe!" exclama a voz fininha do Gonçalo.

CONTINUA



domingo, 14 de abril de 2019

SKATE - PARTE II


Claro que foi uma irresponsabilidade tentar aquela pirueta.

Embato no muro, deslizo pela curva a toda a velocidade e desmaio.

Acordo no Hospital e um médico aponta uma luz para os olhos.

" Ainda bem que tinhas o capacete!" diz " Caso contrário, seria bem pior. Vou falar com os teus Pais, vão gostar de saber que já acordaste."

A enfermeira diz-me que tenho uma fractura má na perna e parti o pulso. 

" Vais estar umas semanas em casa." acrescenta e saí também.

Fico sozinho a pensar como tudo aconteceu e só então me lembro do Gonçalo.

Ai, meu Deus, onde está o miúdo e a minha Mãe pensa a mesma coisa, porque depois de se certificar que estou bem, pergunta pelo meu irmão.

" Deixei-o a brincar com o Jacinto Jardineiro." confesso e a minha Mãe fica tão branca que penso que vai desmaiar.

O meu Pai fica convencido do mesmo, pois segura-a e segreda:

" Calma, Luisa. Onde está o Gonçalo? Conta tudo, Simão."

" Queríamos andar de skate e o Gonçalo gosta de flores... O Jacinto Jardineiro não se importa..." conto e vejo a minha Mãe a ficar muito vermelha " não, não, o Jacinto Jardineiro é de confiança...."

Mas claro que os meus Pais estão já a pensar o pior e o Pai sai da sala para falar com os meus amigos e esclarecer a história toda.

" Irresponsável! Não posso confiar em ti." declara a Mãe, toda zangada e pela primeira vez em anos, desato a chorar.

A enfermeira entra, pergunta o que se passa e aconselha a Mãe a ter calma.

CONTINUA

sexta-feira, 12 de abril de 2019

SKATE


" Eh, pá, ás vezes não entendo a D.Alice. " escrevo no Messenger.

" Quem é a D.Alice?" responde o Mateus. 

Eu e o Mateus éramos inimigos declarados e um dia, lutamos por causa do meu irmão Gonçalo.

Fomos obrigados a fazer as pazes e descobrimos que temos interesses em comuns.

Desde então, não há um dia em que não estejamos juntos e como já passa da meia noite, estamos a falar pelo Messenger.

" Não sabes que a D.Alice é a minha Mãe? Adiante, está sempre a dizer que sou um irresponsável e amanhã tenho que levar o miúdo comigo para o parque!!" queixo-me.

" Que estopada! O que é que vais fazer? " pergunta o Mateus, pois amanhã já combinamos andar de skate e claro está que o Gonçalo não pode andar.

Ainda parte a cabeça e a minha Mãe fuzila-me.

" Vou deixá-lo com o Jacinto Jardineiro. Ele gosta de flores e o Jacinto gosta de mostrar as estufas." decido.

Por isso, o Gonçalo, com a promessa de um gelado gigantesco, fica a ajudar o Jacinto a tirar ervas daninhas.

Eu, o Mateus e o Maurício vamos para o terreiro e preparamo-nos para deslumbrar umas miúdas que estão a assistir aos treinos com as nossas habilidades.

Ao fim de uma hora, o Maurício pergunta-me:

" Não será melhor ires ver o teu irmão? "

" Tem a lancheira; está bem!" e lanço-me numa pirueta que nunca tentei antes.

Aquela miúda de azul é um espanto.

CONTINUA

quinta-feira, 11 de abril de 2019

IMPOSSÍVEL - FIM


E, como não queremos ceder, continuamos calados até que ao dia em que o Francisco envia um SMS.

" Temos que falar " é só o que diz e eu imagino mil coisas sobre o tipo de casamento que vamos ter, a viagem de núpcias, etc.

É um choque, e eu não me assusto facilmente, quando o Francisco diz que quer terminar tudo.

É muito stress, confessa, tem uma vida preenchida e bem sucedida.

O casamento poderá um entrave e....

" Um entrave a quê? " pergunto de imediato " À carreira? Já tínhamos falado sobre isso, porque ambos queríamos continuar a investir nisso."

Mas o Francisco não responde.  Não quer discutir o assunto; está encerrado.

" Assim tão facilmente?" insisto " Sem me ouvires?"

" Não há mais nada a dizer... Estás a ficar mole..." observa o Francisco e levanta-se para sair.

Não sei o que aconteceu, mas a minha mão levanta-se e acerta-lhe em cheio na face.

O Francisco prende-me o pulso e sorri, velhaco.

" Mole!" e empurra-me suavemente. 

Volto a cair na poltrona e ouço os comentários das outras pessoas.

" O que se passa? " pergunta uma.

" Que falta de respeito!" diz outra e há uma terceira que comenta: " Então, ele está a acabar com ela!?

Mas este não é o local ideal para o fazer.

O Francisco é mesmo impossível e passados uns dias, eu já não penso no assunto.

Até me recuso a comentar com a Cristina e com a Madalena que ficam desesperadas.

Não preciso de apoio moral. Apostei, perdi, avanço para outro.

Por isso, aceito o desafio da empresa e vou trabalhar durante seis meses para a Polónia.

Talvez encontre lá outra pessoa. 

Mas é o Francisco quem encontro e surpresa, surpresa, casamos lá.

FIM







quarta-feira, 10 de abril de 2019

IMPOSSÍVEL - PARTE III


Durante alguns dias, não falamos e o assunto torna-se tabu.

Mas a Cristina diz-me que aquele vestido na Rosa Clará é um espanto e a Madalena conta que a Quinta do Tojo é perfeita para a festa.

" Vocês já escolheram o dia? Têm que se marcar com uma certa antecedência." diz, confiante que eu e o Francisco já temos tudo resolvido.

" Não, não resolvemos nada. Nem sequer sabemos se queremos ter uma festa!" acrescento.

" Mas que ideia é essa? Mesmo que não queiram uma grande festa, pelo menos, um almoço." questiona a Cristina.

" Sim, para a família e os amigos. Escusas de convidar aquele tio que só vês uma vez por ano." comenta a Madalena.

" Nem nisso estamos de acordo." confesso e a Cristina e a Madalena olham uma para a outra, incrédulas.

Sei o que estão a pensar.  Somos malucos; também já eu me convenci disso.

" Por amor de Deus..." reage a Cristina " Vocês estavam tão apaixonados, diziam que tinham finalmente encontrado o amor da vossa vida e agora, não sabem o que querem?"

" Doidos! Tanto um como o outro!" desabafa a Madalena " Eu desisto! Nem quero falar mais no assunto."

A Cristina suspira e tenta convencer-me a falar com o Francisco. 

" Não, ele é que tem que falar comigo!" insisto " Ele é que saiu; por isso, ele tem que me pedir desculpa."

" Oh, valha-me Deus! Vocês os dois são mesmo impossíveis. Eu e o Humberto nem sempre estamos de acordo..." observa a Cristina " mas falamos sobre as opções e escolhemos a melhor."

Pois... Mas nós não queremos ceder.



CONTINUA

terça-feira, 9 de abril de 2019

IMPOSSÍVEL - PARTE II


" Então, o que vamos fazer para sermos felizes para sempre? " pergunto.

" Supostamente!" diz o Francisco e eu endireito-me. Afasto-me para o ver melhor e repito:

" Supostamente? O que é que isso significa?" e o Francisco esboça um gesto que significa " deixa para lá".

Mas eu não quero deixar " para lá"; quero uma explicação e insisto:

" Não queres ser feliz para sempre? Como nos contos de fadas? " acrescento, trocista.

" Isso é impossível!" responde o Francisco.

" Impossível?" grito indignada " Mas o que vem a ser isto? Queres ou não casar comigo?"

" Alguém está a dizer o contrário? " resmunga o Francisco irritado " Vamos ter momentos, alguns bons, outros maus como toda a gente. Já devias saber isso."

" Mas o dia do casamento não deve ser um dia feliz? Tu já estás a pensar em obstáculos!" afirmo.

" A única questão aqui é casamos ou não na Igreja. O resto constrói-se depois. Estamos a discutir porquê? " e o Francisco levanta-se " Acho que o melhor é casarmos na Conservatória."

" Ah, queres negar-me a festa!" observo.

" Valha-me Deus! És mesmo impossível! Estás a distorcer tudo, porque não disse nada disso! " mas eu não cedo e volto a perguntar:

 Queres ou não casar comigo?" 

" Estou farto disto!" e saí da sala.

Uns minutos depois, ouço a porta da rua fechar-se com violência.

CONTINUA

segunda-feira, 8 de abril de 2019

IMPOSSÍVEL



Esta é uma história de amor impossível.

Porque todos dizem que eu sou impossível e que ninguém me atura.

Mas a verdade é que conheci alguém tão impossível como eu e estamos fascinados um com o outro.

A ponto de darmos o passo final na relação e a única questão é:

Casamento com tudo incluído ou uma simples ida à Conservatória?

Temos que pensar bem nisso, porque a família pode não compreender e ficar ofendida.

Por outro lado, são os primeiros a dizerem que somos difíceis, complicados, impossíveis porque defendemos as nossas ideias até à última.

Não queremos dizer com isto que estamos a impor ideias, opiniões e a rotular pessoas.

Mas há quem pense que é mais fácil cingir-se a ideias pré-concebidas do que discutir e aceitar ideias novas.

Casamos ou não na Igreja com a família ou fazemos uma festa só nossa?

Nem o Francisco nem eu sabemos responder e por isso, estamos sentados no sofá, em silêncio, com a TV ligada sem percebermos nada.


CONTINUA

Desafio:

Estou aberta a sugestões.

Vão casar pela Igreja ou na Conservatória?

A família vai reagir bem ou mal?

Vão discutir por causa disso e acabar?

Até já

domingo, 7 de abril de 2019

O LEGADO - FIM


" Recapitulando: " diz Jorge quando se reúnem no gabinete nesse fim de tarde " o Zé do Laço foi morto porque se encontrou com o Inspector Leandro e foi visto. E, como se isso não bastasse, também o mataram porque andava enrolado com a miúda de um dos membros do gangue. Que confusão!"

" É mesmo uma confusão. Tenho quase a certeza que foi essa a conclusão do Inspector Leandro, mas o sobrinho recusa-se a mostrar os diários." e Leitão suspira.

" Acha que são importantes? Podemos falar com um Juiz..." sugere o Inspector Jorge.

" Isto não é uma investigação oficial. Haverá um relatório, claro está, mas vai ser arquivado." responde o ex-Inspector.

" E, se tentássemos falar com esse tal Cris Forte e com a Rute Beatriz?" comenta Jorge, mas Leitão não está optimista.

Mas, segundo a Brigada Anti-Gangue, o Cris Forte está a viver em Espanha, está casado com uma espanhola e leva um vida muito discreta.

Quanto à Rute Beatriz, há muitos bares, muita gente na zona do Atlântico e talvez ela tenha também ido para outra cidade.

Jorge entrega o relatório, o Leitão assina como consultor no caso e despedem-se.

O Leitão volta para a aldeia onde escolheu viver a reforma, para tratar do jardim e da horta biológica que desenvolveu.

Mas, ao lembrar-se dos diários do Inspector Leandro, pensa que talvez não seja uma boa ideia escrever um livro sobre os seus próprios casos.

Afinal, já colabora com aquela revista com artigos de opinião. 

Um livro não será muito diferente, acha e decide expor a ideia à revista. 

Talvez o possam ajudar...

Será que vai conseguir?


FIM



sexta-feira, 5 de abril de 2019

O LEGADO - PARTE V


" Ah, ah, o Zé do Laço era o motorista. Também organizava jogos de carta com apostas altas." conta o " Baco" " Pensávamos que era inofensivo até que se meteu com a miúda do Cris Forte."

" E quem é esse Cris Forte? Onde o posso encontrar?" pergunta Leitão.

" Um dos distribuidores. O Cris começou a vigiá-lo quando desconfiou que ele andava a dormir com a Rute." explica o " Baco ".

" Estou a compreender..." diz o ex-Inspector. 

Se o Zé do Laço se encontrou com o Leandro e esse tal Cris o viu, percebeu o esquema todo.

" Foi por isso que ele morreu? Por andar com a miúda do Cris?" insiste o ex-Inspector.

O " Baco" abre muito os olhos e repete: 

" Morreu? O Zé do Laço? Como? Quando?"

" Atiraram com um carro contra a porta de uma esquadra na Véspera de Natal e o Zé do Laço estava lá dentro." esclarece Leitão " Não sabias disto? Não te pareceu estranho ele deixar de aparecer?"

" Não, os motoristas rodavam. Eu próprio mudava de zona; por isso, não, não achava nada de estranho." confessa o " Baco".

" Esse tal Cris, onde o posso encontrar? Sabes o nome da miúda dele?" e o " Baco" muda imediatamente de atitude.

" Não sei, não lhe posso dizer. Ouvi dizer que ele foi para Norte, para onde exactamente não sei. E, quanto à miúda, só sei que se chamava Rute Beatriz e trabalhava num bar ali para os lados do Bairro Atlântico." e cala-se.

Deste, já não vou ter mais informações, reflecte Leitão e faz sinal ao guarda.

Contudo, já tem uma ideia muito clara do que aconteceu.

Veremos se o Jorge também concorda.


CONTINUA