segunda-feira, 27 de setembro de 2021

O ANIVERSÁRIO

 

Quem diria que amanhã hoje vinte e cinco anos de casado? E que tenho cinco filhos? 

As pessoas fazem comentários engraçados, mas há quem diga que nos tempos que correm é uma irresponsabilidade.

Não vejo porquê, os meus filhos são felizes e eu e a Carolina não queríamos que as coisas fossem diferentes.

Claro que o nascimento da Inês foi uma surpresa, mas tivemos que nos adaptar como sempre fizemos.

Não foi uma viagem pacífica, nos dois primeiros anos tivemos que viver num apartamento dos meus Pais e pouco tempo depois de nascer o Miguel, a Carolina foi despedida.

Eu estava há pouco tempo numa nova empresa, tinha um contrato de seis meses e o ordenado da Carolina fazia falta.

A minha mulher não desistiu, começou a fazer trabalhos de decoração como freelancer, sempre posso gerir o meu horário, dizia e dois anos mais tarde, abriu a empresa.

Entretanto, eu fui promovido e conseguimos juntar dinheiro suficiente para comprar esta casa.

Nesse ano, nasceu o Matias e no ano seguinte, o Edgar. A Filipa e o Miguel já eram suficientemente crescidos para ajudarem com os irmãos e ambos desempenham esse papel muito a sério.

Ás vezes, penso que eles os controlam melhor que nós, confesso à Carolina na véspera do jantar de aniversário, tem dias, comenta a minha mulher, a Filipa fica um pouco ressentida porque tem que reorganizar a agenda, como diz e tenho que ter cuidado com os jogos do Miguel.... Podem ser um pouco violentos e os miúdos ficam muito agitados.

Ah, sim, concordo, noutro dia, tive que intervir, a D. Margarida estava a ficar louca com os gritos de guerra que vinham do quarto dos rapazes. Confrontei o Miguel e ele explicou que queria sair com os amigos e só o podia fazer se os irmãos ficassem suficientemente cansados para adormecerem logo!

A Carolina ri-se, tem uma certa lógica, admite, porque é que eu não me lembrei disso? diz e eu abano a cabeça.

Temos que organizar outro tipo de jogos, como respeito, consideração, humildade, enumero, creio que o Matias ainda não compreendeu isso e quando o Matias souber, o Edgar também aprende!

Somos interrompidos por novos gritos, não sabemos se são os rapazes ou a Inês que consegue ser uma verdadeira peste e assume sempre um ar de inocente.

Abro a porta da sala, grito, o que é que se passa aqui? Matias, apresente-se ao Comandante Supremo.

Ouço-os cochichar, estão a combinar a história, murmuro e cinco minutos depois, aparece o Matias.

A T-Shirt está rasgada, o cabelo todo despenteado, escorre um fio de sangue do nariz.

A Carolina solta um grito, o que é que aconteceu?

CONTINUA

domingo, 26 de setembro de 2021

A PROPOSTA FIM

 

Queres comer alguma coisa, Miguel? pergunta o Pai, o Miguel abana a cabeça, ok, lavar os dentes, fazer xixi e cama, diz o Pedro.

O Miguel obedece sem uma palavra, queres que te leia uma história? sugere o Pai, mas o miúdo vira-lhe as costas.

Valha-me Deus, repete o Pedro, está a ficar como a Laura. Tenho que falar com o médico e amanhã!

Mas a manhã corre mal, a Maria Rosa faz uma birra, o Miguel não quer tomar o pequeno almoço e o Pedro desespera.

Chegam atrasados ao infantário, o António telefona-lhe, há certos detalhes a esclarecer, pode passar pelo escritório dentro de quinze minutos? pede e o Pedro não hesita.

Passa parte da manhã com o António, declina o convite para almoço, tenho uma reunião com a Administração do Grupo, explica, depois falo contigo.

Vê que tem uma chamada do infantário, não tem tempo, se não conseguiram falar com ele, telefonam para a Beatriz ou para a Carolina.

Não pensa mais no assunto, tem muita coisa a resolver, é um dia muito longo, está exausto quando entra finalmente no carro para regressar a casa.

Vê o telemóvel, há uma série de chamadas da Beatriz, da Carolina, até da Teresa.

O que é se passa? e liga de imediato para a Beatriz, uma Beatriz muito nervosa que lhe grita, onde é que estiveste? Porque é que não atendeste o telemóvel? Não sabemos onde é que ele está...

Ele quem? interrompe o Pedro, sente um calafrio, é o Miguel, meu Deus! É o Miguel!

Vou já para aí, declara e arranca a toda a velocidade. O trânsito está caótico, o Pedro está desesperado.

Em casa, a Beatriz nem consegue falar e ao vê-lo, foge para o quarto.

É a Carolina quem resume a situação, foi à hora do lanche que deram conta que ele não estava, a educadora pensou que estava com a auxiliar no jardim e a auxiliar que estava com a professora na sala.

Deram logo o alarme, continua o Gustavo, mas como não o encontraram, avisaram as autoridades.

A Polícia? o Pedro tem que se sentar, o cunhado dá-lhe uma palmada amigável no ombro, aconteceu alguma coisa durante o fim de semana? Ele ficou com os avós, não ficou? Ele gosta de lá estar, não gosta? comenta o Gustavo.

A avó disse que ele estava estranho, que se isolou e nem brincou com os outros meninos, conta o Pedro, praticamente não falou comigo, até pensei em falar novamente com a psicóloga.

A Carolina e o Gustavo trocam um olhar, pensam exactamente o mesmo, será que o Miguel herdou as mesmas inseguranças e obsessões da Mãe?

Não dizem nada alto, mas têm a certeza que o Pedro também o pensa.

Ficam ali os três à espera de notícias e já passa das dez da noite quando tocam à campainha e entregam um Miguel muito sujo e muito zangado.

FIM


sábado, 25 de setembro de 2021

A PROPOSTA PARTE V

 

Pedro acaba por seguir o conselho do cunhado e marca um quarto num hotel perto do parque nacional que as irmãs recomendam.

A Beatriz fica um pouco contrariada, mas gosta do spa, da caminhada e do passeio de barco.

Estão os dois sozinhos, livres para conversarem, para rirem e simplesmente relaxar sem estarem preocupados com os miúdos.

O Miguel está estranho, diz a avó quando o vão buscar, isolou-se, não brincou com ninguém. Passa-se alguma coisa?

O Miguel tem medo do novo, não gosta de ver as rotinas abaladas, mas tens que aprender a lidar com isso, não é verdade, pá? responde o Pedro e a sogra suspira, será que o meu neto vai ser como a Mãe?

A Beatriz não diz nada, também já pensou nisso, mas nunca discutiu o assunto com o Pedro, ele fica um pouco perturbado.

A Maria Rosa faz uma festa quando vê os Pais, a Beatriz fica com ciúmes quando a Mãe lhe conta que a neta esteve sempre bem disposta, comeu e dormiu muito bem.

Isto prova que podemos ir para fora mais vezes, afirma o Pedro, nos próximos meses vou estar um pouco ocupado com a nova empresa, mas depois, vamos para fora uns dias, prometo.

Sempre vais avante com esse projecto? interrompe a companheira, tinhas tantas dúvidas, o que é que mudou?

O António está a analisar a proposta, há detalhes que ainda têm que ser discutidos, esclarece o Pedro, mas vou arriscar...Tem que ser agora ou será demasiado tarde...

Já pensaste nos miúdos? pergunta a Beatriz e o Pedro abana a cabeça, decerto que não querem um Pai medroso!\

A Beatriz cala-se, o Miguel escolhe esse momento para tirar a girafa à Maria Rosa que desata a chorar.

Felizmente, já estão a entrar na garagem do prédio e a Beatriz apressa-se a sair do carro, abre a porta.

Miguel, dá-me o brinquedo, pede, mas o miúdo olha-a com um ar tão furioso que a Beatriz desiste.

Trata do teu filho, murmura, pega na filha e sem olhar para trás, dirige-se para o elevador.

Porque é que fizeste isso, Miguel? Já te disse para não assustares a Maria Rosa! ralha o Pedro, o filho não responde, olha-o muito sério como se o estivesse a censurar.

Valha-me Deus, é mesmo parecido com a Laura! pensa o Pedro e entrega-lhe a mochila sem uma palavra.

O Miguel arrasta-a pelo chão, o Pedro não se atreve a dizer-lhe para não o fazer e os dois sobem silenciosos até casa.

A Maria Rosa já parou de chorar, as luzes estão todas acesas e o Pedro leva as malas para o quarto.

O filho fica parado no corredor, a segurar a mochila e muito calado.

CONTINUA 


sexta-feira, 24 de setembro de 2021

A PROPOSTA PARTE IV

 

A Beatriz não diz mais nada, o Pedro sente-se sufocado e resolve dar uma volta.

Acaba por bater à porta da irmã, o cunhado convida-o a entrar no escritório, aqui estamos sossegados, ninguém nos incomoda, confidencia.

Oh, pá, a minha sina parece ser conhecer mulheres neuróticas, desabafa o Pedro, primeiro foi a Laura com as inseguranças, depois foi a Guiomar que não queria ser " mãe" do meu filho e agora a Beatriz, uma psicóloga, alguém que teria uma mente mais aberta e atenta às necessidades dos outros, tem medo de deixar a filha com os avós.

O Gustavo sorri, não vou dizer que o meu casamento com a tua irmã é perfeito, diz, mas tanto eu como a Carolina aprendemos a encontrar um equilíbrio para proporcionarmos aos nossos filhos um lar tranquilo... se bem que rapazes e a Inês sejam uns revolucionários e ponham tudo em pantanas... mas o que quero dizer é que se não estivermos bem como casal, os miúdos percebem e o ambiente fica tenso...

Foi isso que lhe tentei dizer, observa o Pedro, mas desde que nasceu a Maria Rosa, a Beatriz modificou-se totalmente e isso confundiu-me...

O cunhado ri-se, tens mesmo que ir para fora uns dias, tens que a convencer a ir contigo, eu e a Carolina tentamos passar um fim de semana sozinhos de dois em dois meses... Também aprendemos a delegar... a Carolina também teve uma reacção parecida quando nasceu a Filipa, mas depressa concluiu que precisava de ajuda.

Lembro-me que eu e a Teresa fazíamos turnos quando a Filipa ficava em casa dos Pais, conta o Pedro, a Mãe tratava da alimentação, do banho, mas à noite, ficava connosco. Uma noite, a Teresa resolveu fazer a dança de ventre, a Filipa adorou e foi muito complicado convence-la que era hora de dormir... A propósito, como é que ela está?

Está a fazer o estágio, a gostar imenso, responde o cunhado, diz que gostam do trabalho dela, mas não sabe se a convidam a ficar quando terminar.

Ela pode vir trabalhar comigo, e o Pedro explica resumidamente os novos planos, não vai ser fácil, vou ser um patrão exigente, acrescenta, mas é capaz de a ajudar a perceber a dinâmica de uma empresa.

É um desafio e ela gosta de desafios, admite o Pai, tens que falar com ela, explicar-lhe tudo...

Claro que sim, e o Pedro suspira, sente-se mais relaxado. Vê as horas, oh, pá, já é tão tarde, é melhor ir-me embora, a Beatriz deve estar furiosa.

Pensa no que eu disse, marca o fim de semana, se for preciso à rebeldia da Beatriz, aconselha o cunhado, os teus Pais ou os da Laura ficam com o Miguel e com a Maria Rosa se for preciso.

CONTINUA


quinta-feira, 23 de setembro de 2021

A PROPOSTA PARTE III

 

António vai precisar de certos documentos, o Pedro entrega-lhe os que tem, já previa que os pedisse, explica com um sorriso.

Ok, vou fazer a minha análise, diz o cunhado, se precisar de mais alguma coisa, contacto-te e o Pedro volta a sorrir.

Levanta-se, tenho que ir para casa, a Beatriz está sozinha com os miúdos, desculpa-se e quer despedir-se da irmã.

A Teresa ainda está com dores de cabeça, mas a febre baixou e ela sente-se humana outra vez, comenta com um sorriso.

O irmão dá-lhe um beijo, telefono-te amanhã, promete e saí do quarto.

O António acompanha-o até à porta, porque não vais passar uns dias fora, recarregar baterias? sugere, estás a precisar disso e se vais assumir este cargo, tens que estar em forma. Fala com a Beatriz, os meus Pais ficam com o Miguel e os teus sogros vão gostar de estar com a Maria Rosa.

Tenho pensado nisso, mas a Beatriz rejeita a ideia, não quer estar muito tempo longe da Maria Rosa, afirma o Pedro, mas estamos muito cansados e a baby sitter despediu-se... Ainda não contratamos outra...

Mas isso é essencial, interrompe o António, pergunta à Carolina, até mesmo à Rita, elas devem conhecer alguém...

O Pedro acena que sim, aperta-lhe a mão e desaparece no corredor.

O António fica um pouco preocupado, suspira, vai ver o que a D. Conceição deixou para jantar.

A Teresa aceita a sopa e a salada de frutos, tenho sobretudo sede, exclama, mas tens que tomar o antibiótico, tens que comer qualquer coisa, responde o companheiro.

O que é queria o Pedro? pergunta a Teresa, está cansado, parece doente.

O companheiro faz-lhe um resumo do que se passa e a Teresa suspira, já podia ter falado comigo, eu posso indicar alguns nomes e mesmo a Beatriz! É médica, conhece imensa gente...Enfim, sem comentários...

Vamos esquecer os problemas do Pedro? Vamos concentrar-nos em ti? observa o António, pareces estar melhor...

Amanhã, já me levanto, diz, mas não vais trabalhar, interrompe o António de imediato, já falei com a Madalena, ela tem tudo controlado.

Odeio estar doente, repete a Teresa e o companheiro ri-se, vê se consegues dormir, não te preocupes com o teu irmão, ele vai ficar bem!

Em casa do Pedro, discute-se, a Beatriz não concorda com a ideia de irem para fora e deixarem os miúdos com os avós.

Não percebo qual é o teu problema! exclama o Pedro, o Miguel vai para a escola no próximo ano e a Maria Rosa fez cinco meses, até é bom que se habitue a estar com outras pessoas!

Mas vai chorar, a minha Mãe não vai saber como lidar com isso, grita a Beatriz e o Pedro levanta a mão.

Fala baixo, os miúdos ainda acordam e então, vamos ter problemas a sério, esclarece, estou cansado, preciso de descansar.

CONTINUA


quarta-feira, 22 de setembro de 2021

A PROPOSTA PARTE II

 

A tarde é mais produtiva, a Carolina avisa que a febre baixou e a Teresa comeu um pouco de canja e uma torrada.

Vou ter que me ir embora, diz a cunhada quando lhe telefona por volta das três, tenho uma reunião às quatro, mas a D. Conceição fica com ela até às seis. Podes estar em casa por volta dessa hora? Não te preocupes com os miúdos; já pedi ao Matias para os levar lá para casa.

O António suspira aliviado, prepara tudo para sair às seis. adia umas reuniões para o dia seguinte.

Já está a fechar o computador quando o Pedro lhe liga.

O Pedro parece cansado, é natural com um bebé pequeno e o Miguel continua a ter pesadelos, não está fácil, confessa quando o António lhe pergunta se está bem.

Eu lembro-me, não é que a Sofia e o Gonçalo não dormissem, mas estamos sempre sobressaltados, têm frio? têm calor? estão a respirar? responde o cunhado, mas o que é que se passa? A Teresa está doente e prometi estar em casa o mais tardar às seis e meia.

A Teresa doente? repete o Pedro, deve estar mesmo mal para ficar em casa. Mas se vais para casa, talvez eu posso passar por lá por volta das sete? Conversamos, bebemos uma cerveja....sugere.

O António concorda, o Pedro é pontual e os dois homens instalam-se na sala.

A febre da Teresa está estável, a D. Conceição deixa uma refeição leve preparada e o António está mais sossegado.

O que é a Teresa tem? pergunta, gripe que não se cura com medicamentos caseiros decerto, afirma e o António sorri, sabes como é a tua irmã! Cuida de todos, menos dela!

O Pedro ri baixinho, o António acha-o mais magro, está a precisar de um corte de cabelo e de uma saída com os amigos.

Então o que é se passa? Não deve estar relacionado com a Laura; falei com os meus Pais, ela continua na clínica, comenta o António.

O Pedro suspira, senta-se numa poltrona e diz, a minha empresa está a remodelar os departamentos, a proposta que me fizeram foi eu continuar a trabalhar com eles, mas numa empresa independente. Eles financiam-me, mas eu serei responsável desde a organização até à equipa de trabalho. Não deixo de trabalhar para eles, mas também posso fazer trabalhos para outras empresas.

Uma consultadoria? Faz parte do mesmo grupo, que continuará a ser o cliente principal, mas terá um estatuto diferente, repete o cunhado, parece-me uma excelente proposta, qual é a tua dúvida?

É uma oportunidade única, a Beatriz tem umas certas dúvidas, mas tenho que arriscar, explica o Pedro, precisa é da tua ajuda nas questões financeiras. Vou precisar de um contabilista...

CONTINUA

terça-feira, 21 de setembro de 2021

A PROPOSTA

 

A Teresa está com uma dor de cabeça horrível, sente frio e calor ao mesmo tempo e não consegue levantar-se da cama.

O António fica preocupado, a Teresa raramente está doente e para querer ficar hoje na cama, é grave.

Queres que chame um médico? Levo-te ao centro de saúde? Telefono à tua irmã? o António parece uma barata tonta, sem saber exactamente o que fazer.

A Teresa não consegue responder, doí-lhe tudo e por isso, o António telefona desesperado à Carolina.

A irmã diz que estará lá dentro de meia hora, não te preocupes, eu trato de tudo, leva os miúdos ao infantário, diz, se for necessário, ficam lá em casa esta noite.

O António respira fundo, prepara os filhos e precisa de toda a paciência do Mundo para convencer a Sofia a tomar o pequeno almoço.

Mas que é isso, Sofia? Que é que te deu hoje? pergunta o António, o Gonçalo acha piada e ri-se.

A Sofia atira-lhe com a colher, esta bate no copo e este tomba, espalhando o leite pela toalha e salpicando os jeans do Gonçalo.

Bonito, vês o que fizeste, Sofia? ralha o António, agora vou ter que limpar isto e mudar as calças ao mano.

A Sofia morde os lábios, onde é que está a Mãe? a Mãe é mais divertida que o Pai! pensa e desce da cadeira, pronta para ir à procura da Teresa.

Não, não, Sofia, o António adivinha o que a filha vai fazer, a Mãe está doente, não vás ao quarto dela! Além disso, estamos atrasados!

Felizmente a D. Conceição chega nesse momento e ajuda-o com os miúdos.

O António espreita a Teresa que voltou a adormecer. O companheiro tem a impressão de que está a respirar melhor, mas não tem a certeza.

Passa a manhã apreensivo, sempre a verificar o telemóvel, não vá a Carolina telefonar ou enviar um SMS.

À hora de almoço, o António já está desesperado, a Carolina telefona, não é nada de grave, explica, é uma gripe forte, consegui que o Tomás, aquele nosso amigo médico, lembras-te? passasse por cá.

A D. Conceição já foi comprar os medicamentos, fizemos-lhe uma canja, a ver se ela consegue comer, continua, quando estiver melhor. o Tomás quer que ela faça uma série de análises.

Não te preocupes, eu encarrego-me disso, interrompe o António, nem que seja necessário arrastá-la! A Teresa é muito cuidadosa com todos, mas descuida-se um pouco com ela.

A cunhada ri-se, é verdade! concorda, ah, o Pedro deve telefonar-te! Acho que tem uma proposta para te fazer, ele tentou explicar-me, mas a Inês e o Miguel fizeram tanto barulho que ninguém se entendeu!

CONTINUA