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CASO ANTIGO II

  Chegado à sede, desce até ao arquivo; solicita acesso aos casos antigos do Inspector Leandro. Todos? estranha o sargento de serviço, sim, afirma o Sargento, quero conhecer o homem, tentar perceber a forma de pensar, pode ajudar-me no caso que tenho em mãos, explica. O sargento encolhe os ombros, confirma os links de acesso, era um homem muito calado, diz, sabe que deixou dinheiro para abrirem uma fundação para ajudar delinquentes a encontrarem uma carreira? Não, não sabia, responde Sargento, mas isso é interessante. Agora quero saber mais sobre o homem e sobre essa fundação. O sargento sorri, ah, e não se esqueça do Zé do Laço, acrescenta, ele é uma peça fundamental para o caso. Zé do Laço? repete o Meireles, a minha vítima também tem essa alcunha, penso que são parentes, sabe alguma coisa? questiona, mas o colega abana a cabeça e volta a sentar-se. O Sargento ignora os comentários jocosos sobre a nova indumentária e começa a pesquisa sobre a vitima recente. Está tão concentrado ...

CASO ANTIGO

  Porquê? suspira o  Sargento Meireles quando lhe entregam o dossier e vê que é um caso antigo. O Inspector responsável pelo caso já morreu, e em circunstâncias suspeitas dizem as más línguas e o sargento reformou-se e vive algures no Nordeste Transmontano. Porquê? repete o Sargento, mas nota que o nome da vitima de outrora é parecido com o do caso actual; também foram mortos da mesma maneira e coincidências, não, não fazem parte do quotidiano de Meireles. Por isso, relê os dois dossiers cuidadosamente, toma notas, faz uma lista de testemunhas e decide falar com o médico-legista. Há realmente pontos em comum, diz o Dr Bastos, com um ar sério. Não deve ter mais que cinquenta anos, pensa o Meireles, mas  parece mais velho, talvez por estar já careca e usar uns óculos antiquados e falar pausadamente.  Mas? incentiva o Sargento e o médico continua, este último caso, e aponta para a mesa onde a nova vitima está deitada, é um pouco mais cruel.  Aguardo ainda o resulta...

OS AMANTES FIM

  “ Oh, Manuel, tem visto o Joaquim?” pergunta o Vicente. “ Sim, vem cá todas as manhãs tomar café. Também aparece à tarde, mas é raro. Passa-se alguma coisa?” o Tio Manuel não resiste à curiosidade. “ Não, não. Queria trocar umas impressões com ele sobre um novo programa informático. Se o vir, Manuel, diga-lhe para me telefonar, ok?” e com um sorriso, o Vicente despede-se e sai. “ Programa informático? Que desculpa tão esfarrapada! ” concluo enquanto pego na mochila para me ir embora “ Desconfias de alguma coisa como eu!” remato, triunfante. No dia seguinte, temos sorte e o Filipe apanha o autocarro por um triz.  Uma hora mais tarde, manda-me um SMS a dizer que a Catarina deve estar atrasada e que o Joaquim está a ficar impaciente. “ Tem calma! “ escrevo “ Fica perto deles e tenta escutar o que dizem.” e aguardo pelas novidades, também impaciente. O tio Manuel nota e repreende-me: “Oh, João, onde estás com a cabeça? Leva esse café antes que fique frio! Estes adolescentes são ...

OS AMANTES PARTE V

  “ Bolas!” repito e é então que reparo que há um painel na parede. Talvez indique o que há em cada piso e é assim que descubro que os últimos são apartamentos.  Certamente que eles foram para um desses apartamentos e eufórico, mando um SMS ao Filipe, pedindo-lhe para se encontrar comigo. Apanho o autocarro para casa e só então me lembro do que aconteceu naquela manhã. Espero que o Tio Manuel não tenha telefonado à minha Mãe a contar o sucedido e dito que me deu a tarde de folga. Ela vai querer saber onde passei a tarde e eu não posso discutir o assunto com ela. “ Dizes que foste para minha casa estudar Matemática.” resolve o Filipe, mas eu abano a cabeça. “ Matemática foi uma das poucas disciplinas a que tirei boa nota; ela não vai engolir isso!” contesto, mas o Filipe encolhe os ombros, como se o assunto não fosse importante e pede urgente: “Conta lá o que se passou!” Faço um relatório completo do meu trabalho de detective, mas embora tenha descoberto parte da “conspiração”...

OS AMANTES PARTE IV

Não hesito; entro também no autocarro, tendo cuidado para que o Joaquim não me veja.  O autocarro está cheio e toda a gente protesta contra o atraso. O Joaquim continua impaciente, a olhar para o relógio e para o exterior. Murmura qualquer coisa que não consigo ouvir, mas agora entramos numa rua onde o tráfego não é tão intenso e o autocarro acelera.  Fico surpreendido quando o Joaquim saí no Largo das Universidade, mas depois lembro-me de ter ouvido o tio Manuel comentar que a Catarina tem uma empresa de consultadoria num destes edifícios modernos.  Tenho uma outra ideia brilhante: será a empresa da Catarina uma fachada para a lavagem de dinheiro e o Joaquim é um dos sócios?  Mas agora não posso pensar nisso; tenho que andar depressa ou perco o Joaquim que entra confiante num dos edifícios. Entro juntamente com um grupo ruidoso e poucos metros à minha frente, vejo a Catarina toda sorridente a cumprimentar o Joaquim.  À minha direita, há uma papelaria e eu escon...

OS AMANTES PARTE III

  “ E achas que o tipo nunca tentou falar com ela?'” estranha o Filipe “ Podes não ter visto! Quem sabe se o ela estar sempre a abotoar o casaco quando passa pelo café não é um sinal?” “ Para se encontrarem?” questiono “ Hoje, vi-o entrar no autocarro que ela apanha todas as manhãs.” e o Filipe dá uma gargalhada e diz triunfante: “ Ou podem estar a planear um golpe! Não disseste que ele sabe muito de computadores?..  Então, ela pode querer roubar o marido e precisa da ajuda desse Joaquim para aceder aos códigos das contas!” “ Será?” pergunto-me, mas escrevo, pois tenho que explorar todas as hipóteses. Há ali um mistério e eu vou descobrir. A porta do vestiário abre-se e mal tenho tempo de esconder o bloco. Mas não é o tio Manuel, mas sim, o meu primo Bernardo. Está mais alto e mais magro; já não lhe posso chamar “bolinhas”. Como teve boas notas, não foi “convocado” como eu para trabalhar no café durante as férias. “ Olá, o que fazes aqui?” pergunta-me e senta-se ao pé de mim....

OS AMANTES PARTE II

  “ Está frio!” diz com um sorriso e para mim “ A ajudar novamente nas férias? ” e o Tio Manuel corta-me a palavra: “ É para não estar tanto tempo na Net e não aprender maluquices!” e o Joaquim ri-se: “ Agora já ninguém faz nada sem os computadores e a Net.  Até estou a instalar no escritório novos computadores, já com o sistema operativo Windows 8.1. “ “ Pois, eu tive que instalar esta maquineta e não quero saber de mais nada! ” contraria o Tio Manuel e eu aproveito para perguntar ao Joaquim: “ Posso ir ao escritório e ver esses computadores.” mas o telemóvel do Joaquim toca nesse momento e pela cara dele, vejo que não fica muito satisfeito com a chamada. Paga, dá as boas noites e sai. “ Viu, Tio Manuel? Quem seria? Ele não ficou nada satisfeito!” digo, excitado e o Tio Manuel dá-me um safanão e diz-me, ameaçador: “ Não tens nada com isso! Não andes a inventar histórias sobre os clientes! Vai para casa! Sem desvios!” acrescenta. Cruzo-me com a Catarina na paragem do 620, mas ...