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DIFERENTE PARTE III

  Na sessão seguinte, o Luís discursa sobre o "Mapa Cor de Rosa" e o Américo fala detalhadamente sobre a Índia. O Pedro escolheu como tema o Primeiro Ministro Disraelli e a Alice comenta as relações de amizade ou de amor, questiona, da Rainha com os criados John Brown e Abdul Karim. Quanto à Cristina, ou não fosse ela estilista, a moda na época vitoriana foi explicada com a ajuda de fotos e desenhos. A Ana não diz nada, está tão surpreendida como a Madalena como o livro serviu de base para o desenvolvimento da discussão. Essa autora tem mais livros? pergunta a Alice e a Madalena sorri, sim, tem vários, também sobre personagens históricas. O Américo abre a boca para perguntar quais, mas a Cristina antecipa-se, tira um livro do saco e mostra-o, estou a ler este, é sobre a Princesa Constança, diz. Constança? Não me lembro de nenhuma Princesa Constança, estranha o Pedro e a Ana ri-se, é muito famosa, diz-se Constança que ama Pedro que ama Inês. Ah, Inês de Castro, repete o Pedro,...

DIFERENTE PARTE II

  É sobre a Rainha Vitória, explica a Ana calmamente, e a amizade que a une a Portugal. Intercala páginas do diário da Rainha com a história do País. Ah, a época vitoriana, puritana, interrompe o Luís, os ideais...mas também de grandes descobertas tecnológicas, acrescenta o Américo. Uma mulher horrível, declara a Alice, é a impressão que tenho dela, sempre a falar no "querido Alberto" . Casa os filhos com as casas reinantes da Europa porque assim o queria o "querido Alberto". Essa é uma interpretação, comenta o Pedro, como é que essa autora a apresenta? pergunta e olha expectante para a Ana. A Ana fica muito corada, é mesmo tímida, pensa a Madalena, e a Cristina sorri-lhe. Apresenta-a como sendo uma mulher sensual, a viver um amor intenso pelo marido, diz, e quando o perde... Fica louca de dor, concluí o Pedro, sorrindo à Ana que baixa os olhos e volta a corar. Interessante, responde a Cristina, não era realmente essa a ideia que tinha da Rainha Vitória. Como a Alic...

DIFERENTE

  Talvez a ideia seja absurda, pensa a Madalena pela milésima vez, onde é que eu tinha a cabeça? Um Clube de Leitura em que cada um lê o livro que quer e depois tem que falar sobre ele aos restantes membros. Mas a verdade é que seis pessoas se inscreveram, devem estar a chegar, o que é que estão à espera? e a Madalena suspira. Batem à porta, alguém espreita e pergunta a medo, é aqui o Clube de Leitura? e entra quando a Madalena acena com a cabeça e lhe aponta uma cadeira. Um café, um chá? oferece e a rapariga declina com um sorriso tímido, despe o casaco preto, revelando também um vestido preto muito simples. As únicas amostras de cor são o cabelo ruivo solto e um lenço amarelo e preto. Senta-se e volta a sorrir, a Madalena abre a boca para falar, mas entram mais pessoas que vão escolhendo os lugares e se apresentam delicadamente. Agora que estamos todos, anuncia a Madalena, vou explicar um pouco a minha ideia. Sei que a ideia geral de um clube de leitura é ler o mesmo livro e depo...

O DIVÓRCIO FIM

  Acabo por aceitar a proposta do Dr Aragão e a casa é avaliada por outra equipa. O valor, diz-me o Dr Aragão, é ligeiramente superior ao apresentado pelo Dr Ramiro, por isso, continua, aconselho a que a casa seja entregue a uma imobiliária para venda por esse valor. Já consultei o meu colega e ele está de acordo. Quem não gosta da ideia é o Ramiro, está com pressa para vender porquê?, interrogo-me e contacto o amigo do meu irmão para marcar umas visitas a apartamentos. Pode ser perto do meu irmão, digo, conheço bem a zona, tem bons supermercados, restaurantes e está bem servida de transportes e o Leandro Coutinho sorri. Não tem que ser no prédio do meu irmão, continuo, e ah, tem que ter elevador e o agente ri-se, tenho o apartamento ideal para si. E realmente é, amplo, tem uma boa varanda, pode instalar um grelhador barbacue, sugere o Leandro e aqui perto tem o "Montijo" que é um restaurante take-away bem conceituado. Sorrio, eu sei, respondo, eu e o meu irmão vamos lá busca...

O DIVÓRCIO PARTE IV

  O meu irmão escuta atentamente tudo o que tenho para dizer e quando termino, respira fundo, acho que deves marcar a tal reunião para acertarem detalhes para a venda. Mas porquê? protesto, gosto da zona, também a paguei, mas o Bernardo abana a cabeça, é melhor para todos, repete. Quando nos despedimos, prometo marcar uma reunião com os advogados e com o Ramiro e ele dá-me o nome de um amigo que trabalha numa imobiliária. Pode ajudar-te a encontrar um T1 em conta na zona que queres, mas eu ainda não sei valores, interrompo, mas o Bernardo insiste em ter todas as opções em aberto. É a primeira vez que vejo o Ramiro em dois meses, cumprimenta-me educadamente, mas mantém uma distância, ainda não compreendi muito bem o que causou a separação. O meu advogado, pois fiz questão que a reunião fosse no escritório dele, convida a sentar-nos, servem-nos café e água. O Ramiro pede licença para falar primeiro e enquanto expõe a visão, percebo que até já tem um comprador em vista para casa. Ente...

O DIVÓRCIO PARTE III

  Mas, D.Leonor, a senhora tem que tomar uma decisão, atalha o Dr Aragão, compreendo que seja complicado, mas temos que resolver isto. Vamos por partes: quer ou não ficar com a casa? Não, respondo após uns minutos, é a casa de sonho do Ramiro, não é a minha. O Dr Aragão baixa a cabeça, lê qualquer coisa, teremos que pedir uma avaliação para saber o valor no mercado, diz. Eu tenho que pedir uma avaliação??? interrompo e o advogado volta a sorrir, que cliente complicado, é o que deve estar a pensar e pacientemente, explica-me que é importante fazer uma avaliação independente, para termos a certeza de que o valor apresentado é o correcto. O Ramiro pode ter muitos defeitos, respiro fundo, mas não é ladrão, concluo, mas o advogado insiste e dou o meu aval. O homem deve detestar-me, comento com a Margarida quando nos encontramos para jantar, parece ridículo ter que fazer uma avaliação à casa, ao recheio e o que fazemos com os carros? Ele fica com o dele e eu com o meu, não há qualquer dú...

O DIVÓRCIO PARTE II

  Pois, não sei o que fazer, remato e a minha sobrinha Margarida suspira, Leonor, Leonor, não sei o que te dizer, é uma situação delicada, confessa, mas se queres a minha opinião, tu e o Ramiro já não estavam bem há algum tempo e isso era visível para todos. Abro a boca de espanto, o que é que isso significa? pergunto, o nosso casamento foi sempre um pouco tempestuoso, mas isso é porque somos pessoas com personalidades fortes. A Margarida volta a suspirar, teimosos queres tu dizer, atalha, nas reuniões familiares, notava-se que tinham discutido forte e feio antes. Ok, às vezes, essas reuniões podem ser aborrecidas, mas organizamos um jogo, qualquer coisa que nos faça rir e o Ramiro ficava sentado com ar de mártir e tu estavas tão amuada que nem falavas, acrescenta. Olho-a incrédula, é verdade isso? repito e a Margarida encolhe os ombros, o que tens a fazer é arranjar um advogado que leia esses papéis e prepare um bom acordo. Vocês têm bens em comuns e tens direitos. Estás muito aju...