sexta-feira, 22 de março de 2019

A NOVELA - PARTE III


Latitude não responde e prende-a novamente nos braços.

Íris não lhe conta que está a ser assediada por um colega de profissão e Latitude esquece as complicações inesperadas do caso em que está a trabalhar.

No dia seguinte, despedem-se à porta do hotel dela e o detective observa-a durante uns minutos.

Há um rapaz parado na entrada que lhe segura o braço quando ela passa, mas Íris tira-lhe a mão e afasta-se.

O rapaz fica contrariado e diz-lhe qualquer coisa, mas a amiga finge que não ouve e desaparece no átrio.

" Olá, mas o que se passa aqui?" murmura o detective " O que é que não me contaste?"

" JAIME" o grito é tão agudo que Jaime assusta-se e levanta-se. Quem gritou? É real ou ficção?

É a realidade, é a ex-mulher que está à porta do escritório. Está nervosa e a voz soa mais aguda do que é habitual.

" O que se passa? Como é que entraste?" pergunta o escritor.

" Com a ajuda do porteiro, tu não atendes o telemóvel. Sabes onde está o Manuel? Ele telefonou-te, contou-te alguma coisa? " e Carolina respira profundamente.

" Não, não. Mas o que é que se passa? " pergunta o Jaime.

" Não sabemos dele há mais de dezasseis horas." explica calmamente o Rodrigo, o marido da Carolina. " Vê o teu telemóvel, pode ter-te deixado uma mensagem."

Jaime está aturdido e percorre as mensagens. Não, o Manuel não lhe deixou nenhuma mensagem.

" Já falaram com os amigos dele? Talvez saibam alguma coisa?" sugere, mas a Carolina abana a cabeça.

" O Zeca e o Luís também desapareceram e os outros não sabem de nada."

" Ou não querem dizer!" comenta o Rodrigo " Falei com os professores, com o director da Escola, mas ficaram tão surpreendidos como nós."

" Então, eles foram às aulas? " Jaime não sabe o que pensar.

" Ontem, hoje, não apareceram. O Manuel disse que ia dormir em casa do Zeca, o Zeca em casa do Luís e o Luís em nossa casa." explica o Rodrigo, porque a Carolina desata a chorar.

CONTINUA

quinta-feira, 21 de março de 2019

A NOVELA - PARTE II


" Então, minha querida Íris, o que te traz até cá?" e Latitude beija-lhe o ombro.

" Boa companhia, bom vinho e...." e o detective concluí: " E bom sexo!".

Íris ri-se, bem humorada. São amigos há algum tempo e confiam totalmente um no outro.

" Só estou cá por uns dias. Uns personagens viajam e a produção escolheu esta cidade para filmar as cenas." conta a amiga.

" Qual é o teu papel?" e o detective deita mais vinho nos copos.

" Sou a dor de cabeça dos meus Pais... Na ficção, claro... Fugi com um homem pouco recomendável... a história habitual." concluí Íris.

" E, o que dizem os teus Pais a isso? " pergunta Latitude.

Mas, neste ponto crucial, o Jaime decide fazer uma pausa.

Tem que dormir um pouco e depois dar uma volta.

Grava, fecha o ficheiro e o computador e só volta a pensar na história umas horas depois.

Quer dizer, está a pensar na história; vai ter que introduzir mais personagens, criar histórias paralelas, se o objectivo é uma novela mexicana.

Está hesitante... 

Por isso, volta a ler o que escreveu até aí e decide explorar a personagem da Íris.

Reescreve a primeira parte e mantém os diálogos.

" Os meus Pais?" repete a Íris " A que te referes exactamente? Eu querer ser actriz, a história da minha personagem ou tu seres pouco recomendável.?"

CONTINUA

quarta-feira, 20 de março de 2019

A NOVELA


" Acho que vou tentar escrever uma novela." anuncia o Jaime durante o jantar semanal com o Leonardo.

O editor olha-o surpreendido e pergunta:

" Vais parar com a série do Inspector Latitude? As pessoas gostam dele: é inteligente, um pouco ortodoxo na forma como investiga os casos e é um pinga-amor. "

" Ainda não sei bem o que vou fazer. É só uma ideia; posso arrastar o Latitude para lá." confessa o Jaime.

" Sim, o Latitude vai perder a cabeça no meio de tanta mulher bonita! " concorda o editor.

" A acção pode centrar-se numa só mulher e pode ser nem muito nova nem muito velha!" diz o escritor.

" Tenta e manda-me uma sinopse. Dentro de duas semanas, está bem?" pede o Leonardo.

" Ufa, Leonardo, é só uma ideia. Não quer dizer que vá escrever..." protesta o Jaime, mas o editor sabe que ele já está a trabalhar na ideia.

E, na verdade, Jaime tem uma ideia clara do que quer escrever e no computador, há já um ficheiro intitulado " Novela".

Abre-o e o Inspector Latitude começa a falar com ele.

Está num quarto de hotel (Jaime faz uma anotação para descrever melhor o quarto) e com ele, está uma actriz.

Melhor dizendo, pensa o Jaime e escreve uma nota, uma aspirante a actriz.

Porque é que está num quarto de hotel com o Latitude... o Jaime ainda não decidiu.



CONTINUA

terça-feira, 19 de março de 2019

ANTÓNIO - FIM


A D.Mariana insiste, estão todos convidados para jantar.

António aceita, um pouco contrariado e fica surpreendido por ver a família e vários amigos à espera dele na casa dos Pais.

" Foi ideia da Andreia; eu só ofereci a casa." diz a D. Mariana e o António sorri grato à mulher.

" Agora, vão ter que conversar e conversar mesmo." pensa a Mãe e a Andreia espera que consigam finalmente equilibrar as coisas.

O António está tão descontraído e divertido que os Pais não o reconhecem.

" Tu..." confessa o Dr Sérgio mais tarde à mulher " Eu sabia que o meu filho era assim." mas recusa-se a discutir o assunto.

A festa é um sucesso. 

Todos brincam com o talento criativo do António e há mesmo alguém que declama um dos poemas, o que arranca comentários divertidos da audiência.

Ninguém tem pressa de se ir embora, mas o Dr Sérgio resolve isso de uma forma diplomática.

" Há muito que não danço com a minha mulher." anuncia " Uma valsa vienense... Por isso, a última dança da noite é para mim e para a minha mulher."

A D. Mariana fica corada, mas aceita o convite e os dois deslizam como dois profissionais pela sala.

Ninguém dança, ficam apenas a admirar o profissionalismo do par e começam a despedir-se.

Amanhã é um outro dia.

O António e a Andreia têm que conversar. 

Sobre o que querem verdadeiramente na vida.


FIM

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Aceitam-se ideias para o próximo conto... 
Já conhecem as personagens...


segunda-feira, 18 de março de 2019

ANTÓNIO - PARTE V


O piquenique é divertido e os dois miúdos adormecem encostados ao sofá.

O António leva o André para o quarto e a mãe faz o mesmo à Carolina.

O António volta a descer e fecha-se novamente na biblioteca.

Andreia suspira e vai dormir. Têm que falar, mas o António quando quer ser teimoso...

O clima  entre o casal é tenso nos dias seguintes e no dia do lançamento do livro, a família mais chegada está preocupada.

O António ainda não chegou e está marcado para as seis.

" Espero que não se tenha esquecido." observa a D. Mariana.

" Também eu, mas ele não respondeu aos SMS que lhe enviei." comenta a Andreia.

O Dr Sérgio ri-se e diz:

" Respondeu ao meu!" e a D. Mariana pergunta, curiosa:

" O que é que lhe disseste? "

" Se eu estou cá, tu também tens que estar." e o Dr Sérgio volta a rir-se. Selecciona o SMS e lê:

" Pai, o livro é meu, tenho mesmo que estar!"

" Vocês e as vossas piadas!" e a D. Mariana afasta-se para falar com a editora, que está farta de olhar para o relógio.

Nesse momento, ouve-se uma salva de palma e o António avança, a distribuir apertos de mãos.

" Parece um político!" resmunga o Dr Sérgio e a Andreia ri-se baixinho.

A conversa que se segue à apresentação é interessante e com tantas fotos e autógrafos, são os últimos a saírem da livraria.

CONTINUA


domingo, 17 de março de 2019

ANTÓNIO - PARTE IV


A D. Mariana protesta, a noite era deles e os miúdos já estavam a dormir.

Têm planos para a manhã seguinte; podem vir buscá-los depois de almoço.

O filho e a nora agradecem e voltam para o carro.

" Aqueles dois discutiram. Valha-me Deus, queria tanto que conversassem!" diz D.Mariana ao marido.

" O teu filho é um cabeça no ar, mas o que é que se espera de um cientista?" comenta o Dr Sérgio.

D.Mariana sorri e não diz mais nada. Está cansada, os miúdos têm tanta energia.

Os pais não falam mais naquela noite.

O António fecha-se na biblioteca e acaba por adormecer lá e a Andreia levanta-se cedo e vai até ao ginásio.

Encontra lá uma colega e resolvem almoçar juntas. Depois, vai buscar os miúdos a casa da sogra.

" O António não veio contigo?" pergunta a D.Mariana.

" Não e não sei se está em casa." responde a nora e D.Mariana fica apreensiva.

" As coisas não correram bem? " e Andreia abana a cabeça.

Quando chegam a casa, o carro do António não está na garagem e Andreia bate à porta da biblioteca.

Ninguém responde e ela entra. Abre as cortinas, a janela, deixa entrar a luz.

A mesa de trabalho está cheia de papéis, há livros no chão e o António deixou o computador ligado.

Andreia dobra a manta e volta a colocá-la no sofá. Coloca os livros numa mesa perto da estante e leva os pratos sujos para a cozinha.

Talvez devesse espreitar o computador, mas quando o faz, fica decepcionada, pois abre numa página cheia de números.

Algum novo projecto, pensa e sai. 

Os miúdos querem ver um filme e estão entretidos a fazer um piquenique no chão da sala quando o António regressa.

" Oh, Pai, vem comer pizza connosco!" convida o André quando o vê.

" Vou só tomar um banho e venho já, ok?" diz o António " Eh, Carolina, guarda-me essa fatia..." e desaparece.

Andreia segue-o e fecha a porta do quarto.

" Podemos conversar?"

Mas a cara do António está fechada, os olhos duros e a resposta é seca.

" Não, não podemos." e entra na casa de banho.


CONTINUA






sábado, 16 de março de 2019

ANTÓNIO - PARTE III


A noite é um sucesso até ao momento em que entregam no quarto o champanhe e os morangos e o António resolve falar no lançamento do livro.

" Podíamos organizar uma festa pós-lançamento para a família e os amigos. A editora vai servir um Porto e uns aperitivos, mas há tanto tempo que não organizamos nada..." diz o António.

" Não organizamos porque tu estás sempre ocupado. Chegas sempre atrasado aos jantares, às festas dos nossos amigos e pareces que não estás lá. E, agora queres organizar uma festa?" interrompe a Andreia, pousando a taça na mesa de cabeceira.

" É uma oportunidade perfeita. Prometo solenemente estar lá!" e o António oferece-lhe um morango.

" Não estou a brincar, António. Que não me fales do teu trabalho, entendo, foi o que combinamos quando casamos, mas um livro de poesia? " e Andreia levanta-se da cama.

" Nunca pensei que ia conseguir. Só quando enviei para a editora e foi aceite..." explica o marido, prendendo-lhe a mão. " Ouve, Andreia, sempre tive uma relação conturbada com a poesia e quando encontrei a Professora Dalila..."

" Ela lançou-te um desafio e tu respondeste." suspira a Andreia " Eu e os teus filhos também temos que te lançar um desafio? "

" Vá lá, Andreia, não exageres. Ok, chego atrasado, às vezes, não apareço... mas sabes como o meu trabalho é exigente..." António começa também a ficar exaltado.

" Eu também tenho um trabalho exigente, mas estou sempre presente..." lamenta a mulher.

" Afinal, estamos a falar do meu livro de poesia ou do facto de não estar tão presente na vida familiar? " pergunta António e a voz soa fria, zangada.

Andreia reconhece os sinais e não diz mais nada. 

Se continuarem a discutir, ainda dizem coisas que não devem e será muito complicado esquece-las.

" É melhor irmos embora!" e fecha-se na casa de banho.

António esvazia a taça de champanhe e come alguns morangos enquanto espera.

Saem do motel sem trocarem uma palavra e nem disfarçam quando vão buscar os miúdos.

CONTINUA