quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

OS NOVOS INSPECTORES - PARTE V


Quando chegam à gruta e ao nicho, alguém retirou as tábuas e a caixa não está lá.

Está uma mala metálica que os rapazes tentam abrir. Mas está fechada com um segredo, afirma o Luís.

" Se calhar, mandam a combinação por SMS. Só a pessoa que o recebe é que a pode abrir." e o Gonçalo concorda.

" Deixem-me tirar uma foto!" pede o Bernardo que tem registado tudo com o telemóvel.

" O que é que estás a fazer? No tempo do Inspector Maigret, não havia telemóveis!" protesta o Gonçalo.

" Mas isto é um crime do século XXI!" contrapõe o Bernardo e os outros concordam.

" E, agora? O que vamos fazer? " pergunta o Francisco " Alguém deve vir buscar esta mala!"

" Vamos montar uma operação de vigilância como nos filmes?" sugere o Luís excitado com a ideia.

" Sim, não acredito que esta mala fique aqui muito tempo!" acrescenta o Bernardo.

" Ok, vamos dizer às nossas Mães que queremos fazer um piquenique e procuramos um sítio onde seja possível ver a gruta, mas não nos verem." declara o Gonçalo.

" Há uma clareira aqui perto, acho que é esconderijo perfeito." e o Francisco aponta para um grupo de árvores muito juntas.

O Gonçalo duvida que seja possível passar por elas mas verifica que é apenas uma ilusão de óptica.

O Luís oferece-se para ficar enquanto os outros correm até às respectivas casas.

Quando regressam com o piquenique, o Bernardo diz ao Luís que passou por casa dele e convenceu a Mãe a mandar-lhe uma merenda.

" E, a minha Mãe que disse? " pergunta o Luís.

" Diz que tens que estar em casa até às seis; caso contrário, não há piqueniques à pressa durante umas semanas." ri-se o Bernardo.

CONTINUA

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

OS NOVOS INSPECTORES - PARTE IV


" Oh, pá, anda lá! De que é que estás à espera?" refila o Luís, mas o Francisco está a saborear o momento.

" Alguém deixou uma caixa na gruta!" diz devagarinho.

" Quem? Que tipo de caixa? O que contém?" falam todos ao mesmo tempo.

" Dois homens tiraram uma caixa grande de um carrinha branca e levaram-na para a gruta. Esconderam-na no nicho da esquerda e taparam-na com tábuas!" esclarece o Francisco.

" Só isso? Não falaram? Não disseram nada sobre o conteúdo da caixa?" pergunta o Gonçalo.

" Um perguntou isso, mas o outro disse-lhe que era melhor que ele não soubesse." explica o pseudo médico-legista.

" Será um corpo?" sugere o Bernardo.

" Droga? " comenta o Luís e olham todos para o Gonçalo à espera que este se pronuncie.

" Ou armas!" diz o Inspector Maigret com um olhar distante.

" O que vamos fazer agora? Explorar a gruta? " diz o Bernardo, mas o Luis é contra.

Está a escurecer, têm que ir para casa. Não têm lanternas, não vão ver nada.

Melhor irem no dia seguinte, afinal todos conhecem a gruta e por isso, combinam encontrar-se lá.

" Não se esqueçam de levar uma lanterna! E, prestem atenção às notícias, pode ser que falem de alguma coisa." comunica o Gonçalo.

" Como, por exemplo? " questiona o Francisco.

" Desaparecimento de alguém, roubo de armas... qualquer coisa desse gênero!" responde o Bernardo, impaciente.

No dia seguinte, ninguém se atrasa, mas antes de entrarem na gruta, o Gonçalo quer que o Francisco lhe mostre onde estacionaram a carrinha.

Voltam à clareira, o Francisco marca o local e Luís diz, todo importante:

" Vê-se bem a marca das rodas e como arrastaram a caixa." 

" Schiu!" recrimina o Gonçalo " Vamos lá seguir o percurso dos homens."

CONTINUA




terça-feira, 29 de janeiro de 2019

OS NOVOS INSPECTORES - PARTE III


Os homens estão cansados quando chegam à gruta.

O mais velho diz: " Vamos descansar um bocado antes de a colocarmos lá dentro."

O outro, não terá mais de 30 anos, mas o Francisco não é bom a avaliar as pessoas, concorda e pergunta:

" Afinal, o que está dentro da caixa?" mas o outro abana a cabeça e repete:

" Não queiras saber! É melhor para ti!" e levanta-se. 

Desaparecem no interior da gruta, Francisco avança um pouco mais. 

Os homens não avançam muito, deixam a caixa num nicho à entrada e põem umas tábuas a tapar.

" Vamos embora." e o Francisco esconde-se no outro nicho.

Espera que não o vejam, encosta-se bem à parede, mas os homens estão com pressa.

O rapaz aguarda uns minutos e saí por sua vez.

Avança com cuidado, mas a carrinha já não está na clareira.

Francisco corre até à cabana onde os outros discutem a próxima cena.

" Onde é que estavas?" pergunta o Gonçalo " Já descobrimos o morto; precisávamos do médico-legista e tu... desapareceste!"

" Esquece isso, porque eu vi um verdadeiro crime!" responde o Francisco.

Os outros bombardeiam-no com perguntas, mas Francisco demora o seu tempo a explicar a situação.

CONTINUA


segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

OS NOVOS INSPECTORES - PARTE II


" Janvier, recebi um telefonema muito estranho..." diz Gonçalo.

" Mas eu não ouvi o telemóvel a tocar." atalha Francisco e Bernardo dá-lhe de imediato uma sapatada.

" Isto é a fingir, vê se entendes, pá! O meu Pai diz que a acção se passa nos anos 50 e nessa altura, não havia telemóveis!" concluí o " Inspector Janvier".

" Bolas, como é que era possível viver assim?" pergunta o Francisco.

" Não sei, mas o meu avô diz que era possível." explica o " Inspector Laponte".

Francisco fica calado, enquanto Gonçalo na pele do Inspector Maigret pede ao Janvier para ir até ao Café do Cais e tentar descobrir se esteve lá alguém que utilizasse o telefone fixo.

" Não entendo nada desta história! " lamenta-se o Francisco, mas os outros nem lhe ligam.

Estão concentrados nos papéis e no desenrolar da acção.

Cansado de não fazer nada, o Francisco saí da cabana e resolve ir até ao riacho.

Não deve ir, principalmente porque choveu e o chão está escorregadio, mas ele quer lá saber.

Está entretido a atirar pedras para a água quando ouve um ruído estranho.

Parece um carro a travar, mas aqui, neste tipo de chão? Francisco acha curioso e começa a andar naquela direcção.

Pum! É uma porta... Francisco aproxima-se mais, há ali um arbusto e ele corre até lá.

É uma carrinha, uma das portas laterais tem uma grande mossa e a bagageira está aberta.

Dois homens estão a tirar uma grande caixa.

" Onde é a tal gruta?" pergunta um e o outro aponta para um grupo de árvores a cerca de 50 metros.

Francisco segue-os curioso. Sabe muito bem de que gruta falam.

CONTINUA


domingo, 27 de janeiro de 2019

OS NOVOS INSPECTORES


" Hoje, vamos encenar um episódio daquela série da FoxCrime." anuncia o Gonçalo no início da reunião semanal do Bando da Árvore.

" Do MacGyver?" pergunta o Francisco " Saltar de aviões, de arranha-céus, essas coisas? "

" Não, parvo, isso é no AXN. Só pode ser a Testemunha Silenciosa ou o Father Brown. Aviso já: não faço de padre! Ou de mulher!" observa o Luís.

" Nada disso! Estou a falar do Inspector Maigret!" esclarece o Gonçalo.

" Mas esse gajo é muito chato! Só pensa e fuma cachimbo!" refila o Bernardo, calado até aí.

" Os polícias não andam sempre aos murros e pontapés!" diz o Francisco e Bernardo interrompe de imediato.

" O que é que tu sabes disso? Confundiste o AXN com o FoxCrime e és um perito???"

" Ordem!" e o Gonçalo bate com o martelo na mesa, a impor silêncio. " Eu vou ser o Inspector Maigret, o Bernardo é o Janvier..."

" Jan... quê? repete o Bernardo.

" O outro Inspector, vais gostar dele. Tem uma arma... O Francisco pode ser o médico-legista e o Luís é o outro Inspector, o Laponte." concluí Gonçalo, satisfeito com a distribuição dos papéis.

" Vou trabalhar com os mortos!" lamenta-se o Francisco, mas Luis apressa-se a explicar.

" O que tu encontrares nos mortos... pode ser importante para a investigação!" e o Francisco fica mais satisfeito.

" Então, vamos começar..." e Gonçalo respira fundo.

CONTINUA

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Aos meus comentadores, fica um desafio:

1 - este " crime" vai ser apenas uma encenação
ou vão encontrar mesmo um corpo?
2- vão fazer uma investigação paralela à da
polícia?
3 - vão ficar em perigo?

Comentem a história, é importante que o façam
e deixem um dica.

sábado, 26 de janeiro de 2019

A LISTA NEGRA - O FIM


" Se pensarmos bem... tem toda a lógica." confessa a Céu quando a Carolina termina " O problema começou no nosso Departamento; não sabemos o que o Antunes disse... Não despediram ninguém, mas estão a enviar-nos uma mensagem."

" Sim, tipo " não temos a certeza, mas vão trabalhar com outras pessoas, outras coisas." concorda Carolina.

" Uma forma muito subtil de resolver o assunto." suspira a Céu " Não sei se vou gostar de trabalhar nas Encomendas. E tu? Vais para onde?"

" Para o Laboratório. Ser responsável pelo arquivo das cores, das amostras, dos pedidos dos clientes, etc. Um trabalho enfadonho!" responde a Carolina. " Podemos tomar café ou almoçar na mesma."

Mas a organização dos departamentos é diferente; às vezes, a Carolina já almoçou quando a Céu entra na cantina e quanto ao Manuel, já nem se lembram da última vez que o viram.

Tal como a Dra Amélia tinha dito, cada departamento recebe uma directiva sobre as transferências, o que causa um certo espanto e aborrecimento.


As pessoas já tinham as suas rotinas, contactos estabelecidos e agora, têm um Chefe diferente, uma estrutura de trabalho nova.


Há pessoas que ficam felizes com a ideia, enfrentam-na como um desafio.


Outras protestam, reclamam tanto mais que a directiva diz que as transferências ocorrerão de dois em dois anos e mediante os relatórios de desempenho.


Contudo, quando são novamente transferidas, tanto a Céu como a Carolina reconhecem que é uma boa ideia.


O trabalho torna-se um desafio, aprendem novas técnicas de trabalho, aperfeiçoam as que já tinham desenvolvido.


Talvez tenham que agradecer ao Manuel por ter pregado aquela partida. 


Sim, ao Manuel, que, diz a Judite, vai ser nomeado Director do Departamento de Marketing.




FIM

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

A LISTA NEGRA - PARTE V


A Carolina também recebe um mail semelhante, mas, ao contrário da Céu que não quer fazer perguntas, resolve falar com o novo Chefe sobre o assunto.

O Sr Veiga sorri e diz delicadamente:

" Entendo as suas dúvidas, mas não sou a pessoa indicada para as esclarecer. Acho que o melhor a fazer é ir até ao Departamento de Recursos Humanos." e Carolina sobe de imediato ao terceiro andar.

A Dra Amélia não fica muito surpreendida com a pergunta e Carolina fica preocupada.

" O nosso objectivo com as transferências é dar ao pessoal o conhecimento geral da orgânica de cada departamento, estimular a criatividade, o desenvolvimento pessoal e profissional. Pensamos que não dará azo a tantos erros." concluí.

" Ou seja, não querem que as pessoas fiquem com vícios." pensa Carolina.

" Estamos a preparar uma directiva sobre o assunto..." continua a Dra Amélia " Sim, a Carolina não pense que vai ser só no seu Departamento que vai haver transferências... Esta é uma primeira fase...."

" E, decidiram começar pelo nosso?" pergunta a Carolina inocentemente e viu que a outra ficou um pouco embaraçada.

" Tínhamos que começar por um..." responde vagamente a Dra Amélia e Carolina teve então a certeza de que desconfiam do que se tinha passado.

Agradece, despede-se rapidamente e quase corre pelas escadas abaixo.

A Céu está a organizar os processos com um ar muito triste e Carolina faz-lhe sinal para a seguir.

Entram na casa de banho, a Carolina espreita para se certificar que não está ninguém nos cubículos e conta-lhe rapidamente a conversa.

CONTINUA




quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

A LISTA NEGRA - PARTE IV


A única coisa que se sabe é que é o próprio Director quem vai controlar a conta daquele cliente.

A Judite prestou atenção ao que estava a ser dito enquanto lhes serviu café e água, mas não ouviu nada de concreto.

O Chefe foi suspenso por dez dias e todo o trabalho da secção está a ser conferido.

Por isso, o Manuel, a Céu e a Carolina andam numa roda-viva a esclarecer todas as decisões que tomaram.

" Conta o que fizeste!" implora a Carolina no fim de um dia exaustivo, mas o Manuel acha que é melhor elas não saberem.

Pouco a pouco, são introduzidas mudanças.

Recebem novos protocolos de trabalho, são informados do novo código de conduta e do " dress code".

" Ouçam isto, recomenda-se o uso de cores neutras, mesmo nos estampados e xadrez." lê o Manuel " O que querem dizer com isto?"

" Cinza, preto, castanho, azul escuro, branco." enumera a Céu.

" Sim, não podemos trazer um vestido vermelho!" acrescenta a Carolina que adora a cor.

O Chefe regressa, mas é transferido para outra secção, o que leva o Manuel a organizar uma lista com os nomes de pessoas que podem ocupar o cargo.

Mas o próprio Manuel é surpreendido com a sua transferência para outro departamento.

A Céu e a Carolina ficam assustadas.  Será que também vão ser transferidas? Oh, Manuel, o que é que fizeste?

Mas este trabalha agora no outro lado do edifício e poucas vezes o vêem.

Melhor continuar a trabalhar e não dar muito nas vistas. 

Um dia, a Céu abre o computador e tem um mail dos Recursos Humanos a informá-la de que deve arrumar a secretária e entregar os processos ao novo Chefe, pois na semana seguinte, começa a trabalhar no Departamento de Encomendas.


CONTINUA

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

A LISTA NEGRA - PARTE III


No dia seguinte, estão todos com uma grande dor de cabeça e têm dificuldade em concentrarem-se.

A meio da manhã, o Manuel sussurra: " Já sei como podemos pregar uma partida ao chefe."

" Vê lá o que fazes; podemos ser todos despedidos." protesta a Carolina.

" Não te preocupes; fui muito discreto!" diz o colega " Só tens que dizer que não sabes de nada!"

O Chefe irrompe no gabinete e pergunta:

" Quem foi o idiota que mandou este orçamento?"

" Gostaria de chamar a atenção do Chefe que não há aqui nenhum idiota!" responde o Manuel delicadamente.

" Ah, ah, foi o Manuel?" insiste o Chefe.

" Eu? Ainda não mandei nenhum orçamento hoje! Não sei do que está a falar! " responde o Manuel.

" Céu? Carolina?" mas as duas abanam a cabeça e Carolina atreve-se a questionar.

" Orçamento de quê e para quem? "

O Chefe estende-lhe o documento e avisa:

" Vou descobrir o que se passou e haverá consequências para o culpado!" e saí.

Os três estudam o orçamento que obedece rigorosamente à tabela entregue.

O problema é que foi para um cliente com preços e condições pré-estabelecidas.

" Oh, Manuel, o que fizeste?" repete a Céu " O cliente vai exigir uma explicação."

O Chefe desaparece nessa tarde e é a Judite, a recepcionista, quem lhes diz que está reunido com o Director do Departamento e com um cliente.

" O homem estava furioso e o Dr Almeida também parecia." conta a Judite " E o Antunes nem diz palavra."


CONTINUA

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

A LISTA NEGRA - PARTE II


" Lista negra, lista negra!" repete o Manuel em voz sepulcral.

As duas mulheres dão-lhe uma palmada amigável no braço e ele faz uma careta.

Ainda bem para ele que vê sempre o lado positivo das situações, embora tenham quase a certeza de que não vai gostar quando receber a lista.

A lista dos preços e descontos não faz qualquer sentido. 

Há igualmente uma nota a dizer que só devem propor pagamento a 30 dias para montantes acima dos EUR 200,00.

" Como é que eu vou explicar isto a clientes que já têm essas condições?" queixa-se a Maria do Céu.

Nem o Manuel nem a Carolina sabem como responder e como estão todos frustrados, resolvem jantar juntos.

" Ai, aquele Antunes! Apetece-me bater-lhe!" confessa a Carolina.

" A clientes novos, posso pedir pagamento à recepção da Factura..." diz o Manuel " mas o que faço com os habituais?"

" Não sei..." responde a Céu " Só se dissermos que são novas regras da empresa..."

" E vão perguntar: só agora é que se lembram disso?" contesta a Carolina com uma certa razão.

" Pois..." concordam os outros dois....

De repente, o Manuel dá um murro na mesa, sobressaltando-as e atraindo o olhar das outras pessoas no restaurante.

" Já sei! Vamos pregar uma partida ao Antunes!" anuncia.

" Uma partida???" repetem as duas mulheres e a Carolina expressa o que lhes vai na mente.

" Acho que já bebeste demais. Vou ter que te chamar um táxi..."

" Um táxi para todos!" concluí a Maria do Céu, fazendo sinal ao empregado.

CONTINUA

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

A LISTA NEGRA


" OH, Céu, oh, D.Maria do Céu!" diz alto o Manuel " Faça o favor de se apresentar ao Chefe. Vai ser chamada à pedra!" acrescenta em tom de gozo.

A Maria do Céu suspira e pensa no que é que está mal desta vez. 

De há uma semana para cá, estão sempre a apontar-lhe o dedo.

Ou porque ofereceu o artigo errado, calculou mal o preço ou demorou mais de um dia para enviar um simples orçamento.

Mas não dizem nada quando o cliente duplica a encomenda, aceita as condições de pagamento propostas ou pede ofertas para outros artigos.

Na opinião da Maria do Céu, isso significa que ficou satisfeito com o que lhe foi apresentado, mas o chefe não entende.

" Quer fazer o favor de me explicar isto? " diz o Chefe quando ela entra.

" Explicar o quê? " pergunta delicadamente a Maria do Céu.

" Este preço tão baixo. Temos que aumentar os preços; as margens não podem estar tão baixas.!" exclama o Chefe.

" O Sr Antunes, desculpa, mas não vou cobrar EUR 2,00 quando o artigo nos fica por EUR 0,94 e ainda temos o desconto a considerar." explica a funcionária " Não estamos a falar de um aparelho que nos custa mais de EUR 1000,00."

" Eu decido isso. Vou preparar uma tabela para seguirem quando calculam os preços." e faz-lhe sinal para sair.

Maria do Céu suspira novamente e a Carolina sussurra:

" O que foi? O que aconteceu? "

" Não entendi nada! A mente dele funciona de uma maneira tão estranha!" desabafa a colega " Estou mesmo na Lista Negra!"


CONTINUA

domingo, 20 de janeiro de 2019

ZECA - O FIM


O resto do serão passou-se assim entre piadas e risos.

Zeca está feliz, nem se lembra daquelas semanas negras antes da irmã o ter " obrigado" a trabalhar.

Nessa semana, Lúcia descobre que está grávida e Gonçalo é promovido a Director de Marketing.

Por isso, insistem que o Zeca jante com eles naquele sábado.

Zeca aparece com uma grande caixa de chocolates para a irmã, uma garrafa de vinho tinto para o cunhado e um jogo para os sobrinhos.

Estes nem querem acreditar; o Tio Zeca era um pouco bruto, nada como este homem todo sorridente, que se sentou no chão com eles.

O jantar foi divertido e quando os miúdos se foram deitar, Gonçalo fala-lhe da promoção e propõe que seja Zeca a ocupar o lugar de Director de Logística.

" Tens a certeza de que queres que seja eu a ocupar esse lugar?" pergunta Zeca.

" Claro que sim; vê o que conseguiste nestes seis meses. As pessoas respeitam-te, resolves rapidamente os problemas que surgem. És a pessoa indicada para o job." confirma o cunhado.

A irmã sorri e anuncia:

" Temos outra novidade. Vai ser tio novamente!"

" Ups!" grita Zeca, levantando-se de um pulo e abraçando-a.  " Também tenho uma novidade."

" O quê? " exclama o casal.

" Contactei a Vitória; quero ver os meus filhos. " diz o Zeca " Ser Director de Logística vai ajudar e muito. Obrigada por me terem ajudado."

" Oh, pá, somos família e estamos cá para isso." comenta Gonçalo e Lúcia acena com a cabeça.

Zeca ri-se, enche o copo dele e do Gonçalo com vinho e com um ar muito sério, recomenda à irmã:

" Para ti, só água, sumo de laranja ou 7Up. Quero que a minha sobrinha seja saudável... Posso propor Madalena como nome?"

Riem-se. Nada podia ser mais perfeito neste momento. 

Apesar dos dias maus, em que tudo parece desmoronar.

FIM

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

ZECA - PARTE V


Nessa noite, numa casa a brilhar e com o frigorífico cheio de coisas básicas (deve ter sido a Lúcia, pensa), Zeca ri-se.

A viagem até à empresa foi divertida, com a D.Conceição a dizer piadas e as outras senhoras a contarem as peripécias do dia.

" É sempre assim?" pergunta ao Loureiro quando se despediram e o motorista acena que sim.

Espera não chegar atrasado ao ponto de encontro no dia seguinte e já está a estudar no Google Maps um trajecto alternativo.

Ao fim de uma semana, já estabeleceu o seu próprio trajecto e com a ajuda do Tiago, que é engenheiro informático, descarregou uma aplicação que lhe permite registar o horário de cada senhora, o local de encontro e recolha, a entrega de materiais, etc.

Lúcia suspira de alívio e Gonçalo diz que não esperava que se empenhasse tanto.

" Se calhar, o Zeca não gosta é de estar dentro de um escritório." confessa " O Loureiro diz que ele é muito engraçado e as senhoras até parecem triste quando é ele quem as vai buscar."

" Ainda bem. Falei com o Tiago noutro dia, ele também acha que ele está diferente. Já não está tão agressivo, está mais relaxado e até se inscreveu num ginásio." conta a Lúcia.

" O Zeca num ginásio? Quem diria? " repete o Gonçalo e riem.

Combinaram sair com uns amigos e ficam surpreendidos quando se cruzam com o Zeca, o Loureiro e algumas das senhoras no Centro Comercial.

" Por aqui? " pergunta Lúcia.

" Sim, combinamos jantar juntos uma vez por mês e como todos gostamos do MacDonald's, é para lá que vamos. " explica o Zeca " E vocês? "

" Comer qualquer coisa e depois ao cinema." responde o Gonçalo.

Despedem-se e a D.Conceição diz:

" Ups, que a mulher do Dr Gonçalo é bem jeitosa. Mas também o Dr Gonçalo não é de se deitar fora...."

" OH, D. Conceição, nada de cobiçar o meu cunhado!" repreende amavelmente o Zeca.

" Oh, bonitinho, acha que o seu cunhado vai trocar aquela mulher jeitosa por uma velha como eu???" 


CONTINUA

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

ZECA - PARTE IV


" Não me digas que tens um código de conduta na tua empresa!" zomba o Zeca.

" Tive que o fazer. Houve um caso de assédio e tive que actuar rapidamente." responde o Gonçalo e o Zeca abre a boca de espanto.

" Vocês são doidos!" repete, mas Lúcia não se contém e diz:

" José Amadeu, não digas parvoíces. Queremos ajudar-te e não vais andar por aí a gastar dinheiro com bebidas, actividades e amigos duvidosos. Vais ajudar o Gonçalo, precisam de um outro motorista.... Não, não, deixa-me acabar." pede.

" Queres arranjar um emprego adequado ao teu diploma..." e Gonçalo frisa a palavra " certo, tudo bem. Mas até lá, a tua irmã tem toda a razão!"

" Quem nos avisou foi o Tiago. Encontrou-te à saída do bar, levou-te a casa e como viu que não estavas bem, telefonou-nos. Deixa de ser egoísta, está visto que tens bons amigos, usufrui disso, da tua família." explica Lúcia.

Por isso, contrariado, o Zeca entra no carro do cunhado e passa a tarde na empresa.

Saí com o outro motorista para conhecer a rota e este confessa-lhe que bem precisa de uma folga.

" O Dr Gonçalo fez o serviço uns dias, mas eu não me sentia bem deixá-lo sozinho por mais tempo." desabafa " Isto não tem nada que saber, vai ver." e explica que o ponto de encontro da equipa das sete da manhã é na empresa.

Há uma outra equipa que começa às dez, mas o ponto de encontro é na Praça.

" O mais aborrecido é o regresso, pois tem que as ir buscar à Praça, à Rotunda e levá-las à empresa, à estação Central de Metro." concluí.

" Não há problema. E a carrinha, deixo-a na empresa? E gasolina, limpeza?" pergunta Zeca.

" Temos um contrato com uma garagem perto da empresa. Se tiver qualquer problema, pergunte pelo Abílio." explica o motorista.

Entretanto, chegam à Rotunda e entram três senhoras muito bem dispostas.

" Aqui a D.Conceição está sempre a dizer piadas." confidencia o Loureiro.

CONTINUA


quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

ZECA - PARTE III


Como a equipa de limpeza chega entretanto e o assunto a discutir é delicado, decidem almoçar na casa deles.

Os miúdos almoçam no colégio e a governanta já deve ter saído.

Lúcia prepara qualquer coisa rápida para comerem e vai directa ao assunto, assim que sentam à mesa.

" Agora que foste despedido, o que tencionas fazer? "

Zeca encolhe os ombros e diz: 

" Sei lá! Gozar a vida!"

" Embebedares-te e dares cabo da cabeça aos outros?" pergunta Lúcia.

" O que queres que eu faça? Trabalhe como motorista para o Gonçalo?" zomba o irmão.

" É capaz de ser boa ideia! Levas as senhoras aos locais de trabalho, entregas os produtos e vais buscá-las." responde a irmã muito séria.

Zeca fica estupefacto; disse aquilo a brincar, mas a irmã está seriamente a pensar no assunto.

" Talvez fiques mais humilde, mais normal." continua Lúcia.

" Mas eu tenho um diploma!" protesta Zeca.

" Vê-se o que fazes dele! " intervém o Gonçalo " O que é que se passou para eles te despedirem?"

Zeca explica o que aconteceu e tanto Gonçalo como Lúcia estão horrorizados.

" Mas estás parvo ou quê?" exclama Lúcia " Não admira que tenham tomado essa atitude. Não trataste dos assuntos convenientemente, mostraste-te desinteressado, indiferente, ainda por cima, foste malcriado, arrogante..."

" Aquilo era uma parvoíce!" repete o irmão.

" Não, não é. Há muitas empresas a aderir a esse tipo de código para facilitar a comunicação e evitar esse tipo de situações." explica Gonçalo.

CONTINUA

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

ZECA - PARTE II


A irmã e o cunhado ficam aterrados quando entram no apartamento.

Não sabem o que está pior: o Zeca com cabelo comprido, olhos inchados e boca pastosa, mal se percebe o que ele diz ou o apartamento.

" Credo!" exclama Lúcia " Isto não deve ser limpo desde que a Vitória se foi embora!"

" Não me fales dessa sacana!" murmura o Zeca.

" Sacana?" insurge-se a irmã " Oh, Zeca, agrediste-a violentamente em frente de centenas de testemunhas. Partiste-lhe o maxilar e um braço e não satisfeito com isso, tentaste impedi-la de ver os filhos."

"É melhor pensares melhor; tu é que foste um sacana!" diz o Gonçalo.

Zeca levanta-se do sofá, pronto para agredir o cunhado, mas Lúcia segura-lhe o braço.

" Vai tomar banho e mudar de roupa. Temos que conversar." e Zeca entra no quarto.

Lúcia e Gonçalo olham um para o outro; a prioridade é limpar o apartamento, mas sinceramente não sabem por onde começar.

" Talvez seja melhor pedires a uma das tuas equipas para fazer esse serviço." sugere Lúcia enquanto abre as janelas.

" Sim, sozinhos não vamos conseguir." concorda o marido que telefona para a empresa onde trabalha.

Por sorte, ainda estão a atribuir tarefas e uma equipa virá dentro de uma hora.

" Vamos tratar do lixo; não quero que vejam todas estas garrafas." suspira a irmã.

Entretanto, Zeca está a acabar de se arranjar. Encontrou uma toalha limpa no fundo do armário e a camisa está um pouco enrugada, mas apresentável.

Quando volta à sala, encontra o Gonçalo com um grande saco do lixo cheio de garrafas na mão.

" O que é que estão a fazer?"

CONTINUA

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

ZECA


" Não estás a ser generoso com a bebida... mesmo nada! " queixa-se o Zeca nessa noite no Bar da Esquina.

" Não acha que está a beber demais? " pergunta o barman pacientemente " Não tem que trabalhar amanhã? "

" Não, despediram-me... De um dia para o outro! Como se fosse um cão!" responde o Zeca vivamente.

O barman encolhe os ombros, mas recusa-se servir-lhe mais uma bebida.

O Zeca zanga-se, deita umas moedas em cima do balcão.

Na rua, encontra o amigo Tiago que se prontifica a levá-lo a casa.

" Não quero ir para casa! Não tenho casa para voltar!" grita o Zeca, mas o Tiago lá o consegue convencer a entrar no carro.

Chegados a casa. o Tiago, com a ajuda de um vizinho que entrava naquele momento,  empurra-o suavemente para dentro do elevador.

O Zeca está a cantar baixinho e Tiago pensa no que terá sucedido para estar naquele estado.

A casa está desarrumada e Tiago apressa-se a abrir uma janela.

" Oh, Zeca, há quanto tempo não limpas esta casa???" mas o Zeca deixa-se cair no sofá e adormece.

Tiago suspira, procura uma manta no quarto, tão sujo como a sala e cobre-o.

Volta a fechar a janela e ao pousar a chave na mesa do hall, vê a carta de despedimento.

" Oh, Zeca, o que é que fizeste?" murmura baixinho e saí.

Quando conta à mulher, esta encolhe os ombros e sugere:

" Telefona à irmã dele... Ela é que tem que tomar uma atitude."

CONTINUA

sábado, 12 de janeiro de 2019

O CÓDIGO DE CONDUTA - FIM


A empresa abre um processo disciplinar e o Zeca é despedido.

A Justa é transferida para aquela secção para ocupar o lugar e a Isabel acha que a situação vai melhorar.

Efectivamente, o resultado da avaliação foi excelente, mas Isabel fica um pouco sentida por não ter sido promovida.

" Não te preocupes, porque vais ser promovida. Tenho a certeza absoluta." consola Justa.

" Ok, mas quando?" pergunta Isabel desanimada.

" Estas coisas levam tempo... Querem que a poeira assente." diz Justa, referindo-se ao processo disciplinar e ao despedimento do Zeca.

" Pois..." concorda Isabel e desvia o assunto para uma encomenda pendente.

O ano passa, a Justa adapta-se bem ao novo posto de trabalho e Isabel até está a planear umas férias no Hawai.


Pouco tempo depois de regressar de férias, recebe a promoção tão desejada.

As duas amigas resolvem celebrar, indo a um jantar dançante num restaurante que o marido de Justa descobriu.

Os dois casais divertiram-se imenso, estão satisfeitos com o rumo da vida.

Do Zeca, ninguém sabe o que lhe aconteceu.

Quanto à Beatriz, embora todos sejam profissionais e a tratem com educação, desconfiam um pouco dela.

Acham que ela foi precipitada... o assunto poderia ter sido resolvido de uma maneira mais discreta....


FIM




sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

O CÓDIGO DE CONDUTA - PARTE V


A Justa é a primeira a sair, combinam tomar café na manhã seguinte antes de entrarem e já em casa, a Isabel explica tudo ao marido.

Este acha que a atitude do Zeca não está a ser correcta, nem para a empresa nem para os colegas e concorda com todas as sugestões que a Isabel fez na dita caixa.

E, já que o trabalho dela não está em questão, é continuar a manter essa coerência, diz.

Isabel está mais animada quando entra ao serviço, mas encontra uma Beatriz muito contrariada a tentar organizar os dossiers do Zeca que o chefe lhe entregou.

" Já viste isto? Não sei.... não sei mesmo o que é que ele andava a fazer." desabafa mal a vê.

" Porquê? O que se passa? Queres ajuda? " pergunta Isabel.

" Sei lá o que quero...Isto parece ter sido processado, mas o cliente está a reclamar..." diz Beatriz " Vou ter que falar com o chefe; tenho a impressão de que o Zeca tem mentido ao chefe..."

" Pois... o processo que o chefe me entregou ontem, está uma verdadeira miséria. Vou ter que fazer tudo de novo; por isso, fala com o chefe." sugere Isabel.

Com a organização do trabalho, a apresentação de um plano ao chefe, Isabel não pensa mais na conversa que teve com a Beatriz naquela manhã.


Por isso, fica muito surpreendida quando o escândalo rebenta.


A Beatriz apresenta uma queixa contra o Zeca e esta fica registada no portal da empresa.


" Provavelmente, vão abrir um processo disciplinar..." observa Justa.


" Achas que sim?" questiona Isabel.


" Sim, mencionam isso no código. Compreendo o ponto de vista da Beatriz..." continua a Justa " mas não sei se não o resolveria de outra maneira."


" O Zeca deixou tudo desorganizado, não sabemos se concluiu ou não os processos, há duas ou três reclamações...mas acho que bastava apenas dar conhecimento ao chefe." concorda Isabel.


" Na queixa, a Beatriz escreveu " devida à sobrecarga de trabalho, cuja causa está na incompetência da pessoa em questão e não por doença/impossibilidade física e/ou mental da mesma". " cita Justa.


As duas colegas não sabem o que pensar.



CONTINUA


quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

O CÓDIGO DE CONDUTA - PARTE IV


Zeca saí furioso do gabinete do chefe e diz alto:

" Já viram isto? Estou suspenso por dez dias!" e pega na carteira, no casaco, abandonando a secção com um ar de desafio.

Deixa a secretária desarrumada, o computador ligado e a Beatriz, que trabalha ao lado, anuncia de imediato que não esperem que ela faça esse serviço.

O Chefe parece ter envelhecido dez anos, suspira e dá um dossier à Isabel com o pedido de " veja o que pode fazer. Talvez seja melhor começar do princípio...".


É ele que dá uma arrumadela à secretária do Zeca, entrega uns dossiers à Beatriz, que não se atreve a protestar e desliga o computador.


" Não sei o que aconteceu, mas eu vou seguir o conselho do chefe e recomeçar..." conta a Isabel à Justa enquanto esperam pelo autocarro ao fim da tarde.


" O que é que o Zeca fez?" pergunta Justa curiosa.


" As cores estão tão mal que eu não entendo como teve a coragem de as apresentar ao cliente. Este rejeitou e pediu para falar com o chefe. A discussão foi por isso. Ainda por cima, ninguém no laboratório sabe onde estão as cores originais."  diz a Isabel.


" O que vais fazer? Pedir novas cores ao cliente? Isso vai causar uma impressão tão má...." e Justa suspira, ao analisar as implicações. 


" É isso que terei que fazer e o chefe diz para analisar bem as margens de custo para cotar um preço aceitável. Aquele Zeca é mesmo um cowboy... Desde que se divorciou, anda transtornado." diz Isabel enquanto faz sinal ao autocarro.


" Segundo constou, foi um divórcio pouco amigável... Mas o Zeca deve ter feito alguma coisa grave para ela sair de casa com os filhos e lutado para ficar com a custódia total." continua quando se sentaram.


" Violência doméstica? Apanhou-o em flagrante com alguém? " mas Isabel não sabe.


Zeca recusou-se a falar no assunto e souberam do divórcio, porque o marido da Beatriz é advogado e viu-o no Tribunal.



CONTINUA