segunda-feira, 31 de agosto de 2020

MIGUEL

Um outro bebé? Mas que ideia é essa? Os Pais a terem sexo? 

Não achei piada quando o Matias e o Edgar nasceram, mas eram rapazes e impus logo regras que eles obedecem cegamente.

Mas uma rapariga chata, idiota... poupem-me; por isso, tento não estar muito em casa.

O Matias e o Edgar estão um pouco confusos, tudo roda em torno da Inês, devia dar-lhes um pouco mais de atenção, mas estou farto das perguntas deles.

Os Pais estão exaustos, a Filipa está ocupada com a Universidade, ninguém percebe que chego tarde, às vezes nem janto.

Até ao dia em que resolvo beber um pouco mais que a conta e fico um pouco alegre.

Acendo a luz do corredor, dou um pontapé no armário e escorrego no chão da cozinha.

Tento agarrar-me à cadeira, mas esta caí comigo e o Pai aparece quase de imediato.

" És tu, Miguel? Sabes que horas são?" e ajuda-me a levantar.

" Tantos discursos ao Matias e ao Edgar sobre regras e ser-se civilizado e para ti, isso saí pela janela!" recrimina o Pai " Vai tomar um duche, lava os dentes e dorme. Amanhã, apresenta-te no meu escritório para termos uma conversa entre homens como dizes aos teus irmãos."

Apresso-me a obedecer, não é boa política desafiar o Pai quando está zangado e no dia seguinte, vou ter com ele ao escritório.

Só quando a secretária me deixa entrar é que percebo que era no escritório lá em casa.

" Não era aqui que eu planeava ter esta conversa contigo, mas já que resolveste vir...." diz o Pai e convida-me a sentar.

Estou desconfortável e sei que não vou gostar de ouvir este discurso, mas mereço-o.

CONTINUA


domingo, 30 de agosto de 2020

O JANTAR MISTÉRIO - FIM

" E, agora aparece com esta Dra Francisca. Será que trabalham juntos como ele diz ou é só uma fachada?" observa a Rita.

A Teresa fica calada, está pensativa e de repente, abre a porta da cozinha e chama:

" Oh, Pedro, és capaz de vir aqui à cozinha? Precisamos da tua ajuda!" e volta a fechar a porta.

" O que é que vais fazer?" pergunta a Rita, mas a Teresa abana a cabeça e murmura, espera, já vais ver.

O Pedro obedece ao pedido da irmã, entra na cozinha bem disposto com um copo de gin na mão.

" O que é que se passa? Ups...vocês estão com um ar tão sério!" comenta ao ver a irmã e a Rita encostadas à bancada.

" Quero saber quem é exactamente esta Dra Francisca... " pergunta a Teresa.

" Já o disse. É uma das Directoras da Empresa, está cá para supervisionar o projecto que estou a desenvolver. Está sozinha, o Gonçalo disse que podia trazer uma amiga e se bem que a Dra não o seja verdadeiramente, achei que seria de boa educação convidá-la." explica o irmão " Qual é o problema?"

" O problema não é nenhum!" responde a irmã " Mas o que quero saber é com quantas mulheres tu andas! No Natal, apresentas à família a Eduarda ou Beatriz, já nem me lembro do nome, a Rita diz que te viu na semana passada com alguém que se chama Margarida. Num jantar mistério! O que é...."

" Cala-te, Teresa. " interrompe o Pedro " Não tens nada a ver com isso! Tanto a Eduarda como a Margarida são boas amigas, se tenho sexo com elas, não te diz respeito."

A Teresa sente-se a corar, a Rita também, a irmã tinha razão, foi uma indiscrição ter revelado a história.

" Estive com o Gonçalo e a Rita nesse jantar, vi logo que ficaram curiosos e a imaginar uma série de histórias." continua o Pedro muito calmo " Mais cedo ou mais tarde, isto ia acontecer; por isso, resolvi pregar-vos uma partida!"

À Rita parece que lhe falta o ar, nunca na vida se sentiu tão mal e o Gonçalo vai gozá-la indecentemente quando lhe contar.

" Tens toda a razão!" desculpa-se a Teresa de imediato " Desculpas-me? " e em resposta, o irmão dá-lhe um abraço, claro que sim, tonta, não te preocupes, eu sei cuidar de mim.

O Pedro pisca o olho à Rita como que a dizer que está perdoada e acrescenta:

" Esse jantar vai sair ou não? Estamos todos esfomeados e Rita, a Dra Francisca está a falar com o Gonçalo, parece estar interessada no vosso trabalho... quem sabe? podemos fechar um bom contrato de publicidade." e saí da cozinha calmo, senhor de si.

Nem a Teresa nem a Rita se sentem senhoras de si naquele momento; estão muito confusas.

Mas o Pedro tem razão: é a vida dele, têm apenas que o apoiar.

Por isso, respiram fundo, servem o jantar e usufruem de um bom momento de convívio.


FIM



sábado, 29 de agosto de 2020

O JANTAR MISTÉRIO - PARTE VI

A Sofia e o Gonçalo ficam em casa com a prima Filipa e o namorado, a Teresa e o António estão descontraídos e felizes.

O quê? O meu irmão Pedro também vem jantar? A Teresa está admirada, tem falado com ele ao telefone, ele apareceu uma ou duas vezes na loja, mas quase nunca está disponível para um almoço ou um jantar.

Então, somos dois, comenta o Gonçalo, também não estou com ele há imenso tempo e a Rita achou que este jantar seria uma boa oportunidade para estarmos juntos.

O António aceita uma bebida e pergunta ao irmão baixinho:

" Passa-se alguma coisa? " e o Gonçalo finge-se espantado.

" O que queres dizer com isso? " e o António abana a cabeça, também conheço a Rita, murmura.

Tocam à campainha, deve ser o Pedro e a amiga, diz a Rita e apressa-se a abrir a porta.

No patamar, estão o Pedro e uma senhora alta, elegante, de cabelo grisalho.

Tal é o espanto que a Rita não consegue falar por uns segundos, onde está a Margarida? quem é esta?

" Olá, Rita. Podemos entrar?" o Pedro sorri-lhe, deixa passar a senhora, ajuda-a a despir o casaco.

" Posso apresentar a Dra Francisca Campos? É uma das directoras da empresa, trabalha na Sede, mas está aqui a supervisionar um projecto que estou a desenvolver.  Espero que não te importes por a ter trazido?" acrescenta.

A custo, a Rita relembra os deveres de anfitriã, cumprimenta a senhora, apresenta-a aos outros.

O Gonçalo oferece-lhe uma bebida, o António convida-a a sentar-se enquanto o Pedro cumprimenta efusivamente a irmã.

Há quanto tempo, tenho saudades dos nossos almoços, como é que estás e o Miguel? e os dois conversam animadamente.

A Rita permanece calada, quieta no meio da sala sem saber o que fazer ou dizer.

Isto está estranho, mas mesmo muito estranho. Estou sem palavras, pensa.

" Estás bem?" a Teresa está preocupada, a Rita faz-lhe sinal para a seguir até à cozinha.

Desculpam-se, a Dra Francisca está a conversar com o António enquanto que o Gonçalo e o Pedro riem de qualquer piada.

" Contas-me o que se passa?" questiona a Teresa quando fecham a porta da cozinha.

A Rita dá-lhe uma versão resumida dos acontecimentos da noite do jantar mistério, a Teresa fica igualmente sem palavras.

" Tens a certeza de que era uma outra mulher?" repete a Teresa.

" Claro que sim! Também estive no jantar de Natal e a mulher que ele apresentou é completamente diferente da que conheci no jantar!" quase grita a Rita.

" O Pedro diz que não quer uma relação séria para já. Não falamos muito sobre isso; ele ficou um pouco abalado com tudo o que aconteceu com a Laura!" insiste a Teresa " Mas duas mulheres diferentes em tão poucos meses...."

CONTINUA



sexta-feira, 28 de agosto de 2020

O JANTAR MISTÉRIO - PARTE V


" Talvez seja essa razão, o Pedro quer estar com uma mulher diferente da neurótica da minha irmã!" protesta o Gonçalo " Bolas, Rita, fomos lá para nos divertirmos e tu estás preocupada com o que se passa com o Pedro!"

" Tens que concordar que tudo aquilo é muito estranho!" defende a Rita " Duas mulheres diferentes numa questão de meses! O que é que ele quer provar? "

" Não sei! Não o vejo há algum tempo, estamos os dois concentrados nas carreiras e com o divórcio, as coisas estão diferentes." insiste o Gonçalo " Porque é que estamos a falar do Pedro? Esquece o Pedro e a idiota da companheira."

Mas a Rita não está pronta para esquecer, não sabe se deve abordar o assunto com a Teresa e com a Carolina.

No fim do mês, vai haver uma reunião na loja para discutirem a expansão e como é um dos sócios, o Pedro vai lá estar.

Claro que não vai levar a Margarida, a Rita tem a certeza disso, mas é melhor avisar as irmãs.

" Acho que fazes mal! Tenho que concordar com o Gonçalo!" diz a Madalena após o almoço de domingo, o Gonçalo está a conversar com o Bernardes na sala" Podes causar problemas entre os irmãos desnecessariamente. Deixa lá o homem sair com uma idiota!"

A Aida também é da mesma opinião, se calhar elas já sabem e quem sabe? a Margarida até pode ser uma pessoa interessante, as primeiras impressões nem sempre correspondem à verdade.

A Rita tem sérias dúvidas sobre isso, talvez siga os conselhos da irmã e da amiga ou não, quer saber mais sobre o assunto.

Por isso, nessa noite, sugere ao Gonçalo convidarem o Pedro para jantar, para reatar os laços, explica.

O Gonçalo fica desconfiado, não desistes, pois não? e a Rita sorri-lhe como a Carmen.

O Gonçalo ri-se, ok, eu telefono-lhe, mas vamos convidar também a Teresa e o António.

Se ficou surpreendido pelo convite, o Pedro não diz, apenas pergunta se pode levar uma amiga? mas claro, é a resposta.


CONTINUA


quinta-feira, 27 de agosto de 2020

O JANTAR MISTÉRIO - PARTE IV

A Margarida revela-se um pouco fútil e como diz a Rita mais tarde à Aída, as palavras favoritas são " extraordinário" e " maravilhoso".

" Extraordinário encontrares amigos aqui, Pedro. O Mundo é pequeno!" diz e o Pedro explica-lhe que o Gonçalo e a Rita são responsáveis pelo design do flyer.

" Maravilhoso! Gostei muito das cores!" comenta a Margarida e a Rita quase se engasga com o champagne.

Nesse momento, anunciam o jantar, a Margarida solta um gritinho e prende a mão do Pedro.

" Estou curiosa para saber o que vão servir. Deve ser maravilhoso! E pensar que não querias vir!" e o Pedro cora novamente.

" Ah, sim e porque não, Pedro?" repete a Rita, mas a Margarida está apressada, quer saber onde se vão sentar e puxa-lhe pela mão como uma criança excitada.

O Gonçalo e a Rita ficam onde estão, respiram fundo e depois desatam a rir.

" Onde é que ele a desencantou?" pergunta a Rita e o Gonçalo encolhe os ombros.

" Não sei, não estou preocupado. É melhor irmos. Vamos divertir-nos!" aconselha e dá-lhe um beijo rápido nos lábios.

Há cerca de 60 mesas espalhadas pela sala, cada mesa deve ter dez, doze pessoas, calcula a Rita.

Apontam-lhes a mesa do centro, o Gonçalo reconhece o cliente, o organizador do evento, este apresenta-lhe os restantes membros da equipa.

Servem o primeiro prato ao som do " Let's dance" do David Bowie, a Rita percebe agora a razão de terem pedido para trazer qualquer coisa vermelha e o cliente ri-se.

" A verdade é que sou fã do David Bowie e desta canção em particular. " confessa " Conheci a minha mulher no ano em que foi lançada."

" São momentos inesquecíveis!" concorda a Rita e sussurra:

" Será que a Margarida sabe quem é o David Bowie?" e o Gonçalo pede-lhe para esquecer a Margarida, o Pedro e se divirta apenas.

É capaz de o fazer? e continua a conversar com a senhora que está ao lado dele.

A Rita tenta fazer o mesmo, mas está mais interessada em saber onde estão o Pedro e a Margarida, há naquela história qualquer coisa estranha.

" Não percebo o Pedro, aguentou os delírios da Laura com força, com determinação e agora, aparece com uma idiota??? Não me convence!" desabafa a Rita quando chegam a casa.


CONTINUA


quarta-feira, 26 de agosto de 2020

O JANTAR MISTÉRIO - PARTE III

Dão a password ao segurança na entrada, confirmam o nome com a recepcionista, que lhes diz que vão jantar na mesa VIP.

Somos pessoas importantes, murmura a Rita, o Gonçalo ri e aceitam um taça de champagne de um dos barmen.

Apreciam a decoração do espaço, há fotos gigantes do David Bowie nas paredes e a música ambiente são as canções mais famosas dele.

" Ainda não percebi porque é que disseram para trazermos qualquer coisa vermelha!" diz a Rita.

" Deve ter a ver com alguma das canções do Bowie!" responde o Gonçalo despreocupadamente.

Já há vários grupos espalhados pela sala, são amigos, conhecem-se? questiona-se.

A Rita aceita uma outra taça de champagne, está curiosa em saber quem serão os companheiros de mesa, espera que sejam pessoas interessantes.

Vai comentar isso com o Gonçalo, que está já a falar com alguém quando vê o Pedro no centro da sala.

A companheira dele, uma loira sedutora, aperta-lhe o braço possessivamente e ri-se alto.

O quê? O Pedro aqui? A Rita está espantada, nunca pensou que o Pedro fosse tão aventureiro, mas depois daquela história deprimente com a Laura, não admira!

Com um sorriso, interrompe a conversa do Gonçalo e diz baixinho:

" O teu cunhado está aqui! E bem acompanhado!"

" O Pedro? Onde?" e segue o dedo da Rita.

É o Pedro, sim, um Pedro diferente, mais descontraído, mais risonho e parece que está muito apaixonado pela companheira que lhe segreda qualquer coisa ao ouvido.

Os dois desatam a rir, a Rita e o Gonçalo estão indecisos, falam ou não com ele?

" No Natal, quando estivemos em casa da Carolina, ele não apareceu lá com alguém? Mas não me parece ter sido esta!" comenta a Rita, mas o Gonçalo não sabe.

Há já algum tempo que não fala com o cunhado, nem sempre é possível almoçarem ou saírem juntos, as carreiras profissionais são exigentes.

O Pedro vê-os nesse momento e cora violentamente. 

Diz qualquer coisa à companheira que parece ficar amuada e aproxima-se deles.

" Vocês aqui? Por esta não esperava! Como estás, Rita? E tu, Gonçalo?"

" Fomos os responsáveis pelo flyer de divulgação do jantar." explica o Gonçalo " E, como bónus, fomos convidados a participar. E, tu? Foi através do Face?"

" Os pormenores não sei. Foi a Margarida que tratou de tudo!" responde o Pedro.

" Não a apresentas?" a Rita faz a pergunta com um sorriso que o Gonçalo classifica mais tarde de fatal.

Não sejas ridículo, protesta a Rita, não percebeste que ele não queria que soubéssemos que esteve naquele jantar com aquela mulher?

O Pedro fica embaraçado, sente-se encurralado, mas não pode fazer nada.

Faz sinal à Margarida para se aproximar.

CONTINUA


terça-feira, 25 de agosto de 2020

O JANTAR MISTÉRIO - PARTE II

No sábado, por volta das cinco da tarde, o Gonçalo recebe um SMS dos organizadores do jantar.

" Tema: David Bowie. Obrigatório: utilizar qualquer coisa vermelha. Local: Antiga discoteca Alameda, Rua do Couteiro....Hora: 20h00. Password: Red." lê.

" Ok, até gosto do David Bowie!" diz a Rita " Qualquer coisa vermelha? Umm, tenho uns sapatos vermelhos!" 

" Eu vou comprar uma gravata vermelha.. Ou uma camisa? O que achas? " questiona o Gonçalo.

" Uma gravata! Uma camisa vermelha é muito espalhafatosa..." explica a Rita.

" O Nicolau usa!" brinca o Gonçalo.

" Mas o Nicolau é um professor boémio; pode usar o que quiser. Aliás, se usasse roupa convencional, seria estranho. Tu tens uma imagem a preservar no mercado!" exclama a Rita.

O Gonçalo ri-se, ele gosta do " casual chic", a Rita defende uma imagem mais clássica e nem sempre estão de acordo.

Mas isso é apenas um pormenor e é por isso que sai com um sorriso de casaa para comprar a gravata vermelha.

Quando chega, a Rita está a maquilhar-se, um vestido preto está em cima da cama.

O Gonçalo assobia, é extremamente sexy e a Rita ainda o vai tornar mais sexy.

Beija-lhe o ombro, desaparece na casa de banho para tomar um duche e quando reaparece, a Rita já está vestida.

Está deslumbrante e o Gonçalo beija-a levemente na boca.

" Melhor ires para a sala; caso contrário, não respondo por mim!" aconselha e é a vez da Rita rir.

Às sete e meia, saem de casa e faltam dez minutos para as oito quando chegam à antiga discoteca.

Há um parque de estacionamento improvisado, há uma passadeira vermelha que vai até à porta onde está um segurança.

A Rita observa as toilettes, chama a atenção do Gonçalo para o ridículo de algumas, mas sente que todos estão tão curiosos com o que vai acontecer como ela.

CONTINUA


segunda-feira, 24 de agosto de 2020

O JANTAR MISTÉRIO

É o Gonçalo quem aceita fazer o flyer para o dito jantar misterioso.

A Rita fica um pouco desconfiado, um jantar misterioso, não se sabe a ementa nem o local e é preciso uma password para entrar? mas o que é isso, pergunta.

O Gonçalo só se ri; por alguma razão se chama misterioso, vamos lá pensar no flyer/convite.

" Ah, vamos ser convidados VIP nesse jantar.... " acrescenta e ao ver o ar espantado da Rita, ri novamente " Não te preocupes; não vai acontecer nada ilegal. Vamos apenas divertir-nos."

" Espero bem que sim!" conta a Rita à Aída ao fim da tarde.

É quarta-feira, o António está um pouco atrasado para a sessão.

" Um jantar misterioso? Tipo Harry Potter?" pergunta a Aida.

" Espero bem que não! Vi os filmes por causa dos meus sobrinhos, mas participar num jantar com esse tema, é o meu limite!" responde a Rita e a Aida ri.

O António chega entretanto, pede desculpas pelo atraso e a sessão começa.

A discussão sobre a lista de livros a ler é acesa e não é fácil chegar a um consenso.

O Nicolau sugere uma votação secreta, o livro que tiver mais votos ganha.

Acaba por ganhar o livro de Ken Follet " A Ameaça" com os votos da Carolina, do Bernardo e do Major.

" Veremos se é interessante; se não for, eu escolho o próximo livro e vou escolher um romance de cordel!" ameaça a Rita bem-humorada.

O Bernardo e o Major riem-se, há muito que decidiram " banir " esse tipo de literatura. A única excepção é o romance/ficção histórica.

" Quer dizer que podemos ler o Outlander?" questiona a Carolina, mas a Aida diz que o objectivo é diversificar os temas e ler os oito volumes da série seria complicado.

A Rita compra o livro e vai ter com o Gonçalo ao restaurante perto do escritório.

O Gonçalo está satisfeito com o projecto, mostra-lhe o primeiro draft, já enviou para o cliente, aguarda uma resposta.

" Afinal, quando é esse jantar? Continuas sem saber qual é a ementa e o local?" insiste a Rita.

" É no próximo sábado e não, não sei absolutamente nada. Depreendi que o jantar tem um tema e a ementa e o local estão relacionados com isso." explica o Gonçalo " Pode ser sobre o Michael Jackson, sobre um personagem dos livros da Agatha Christie, sobre Paris nos anos 20.... não sei, Rita, diverte-te apenas." pede.


CONTINUA

domingo, 23 de agosto de 2020

A IRMÃ DO MEIO - FIM

 

" Cala-te!" vocifera o Gustavo e tenta expulsar-me do quarto, mas eu não cedo.

" Não vês que estás armado em parvo? Desde que entraste na Universidade, andas com o Rei na barriga." continuo " Já sabes como os Pais são: basta cumprirmos as regras."

" O Pai gere isto como se fosse uma esquadra!" diz o Gustavo " E eu não sou um criminoso!"

" Não sejas idiota! Que ideia, isto não é uma esquadra, é uma casa com regras para beneficio de todos!" defendo " A Mãe tem toda a razão: estás muito arrogante!"

" Mas qual é a tua?" pergunta o Gustavo " O que é que tu sabes disso? És uma fedelha indecente! Andas por aí com esse ar desconsolado, como se fosses uma falhada!"

Voa uma bofetada, o Gustavo prende-me os braços, abre a porta e empurra-me para fora do quarto.

" És um parvalhão!" grito novamente, mas o Gustavo não reage. Está muito sério, a olhar em frente.

Viro-me e vejo a Rita no meio do corredor, a observar a cena.

Com a discussão, nem ouvimos a campainha, nem sequer sabíamos que ela vinha hoje.

" A vossa Mãe tem razão; a arrogância é o prato do dia!" diz a Rita " O que é que se passa convosco?"

" Não se passa nada comigo..." friso " É o Gustavo que se está a armar em parvo e não ouve ninguém."

" Tu também não estás a ouvir, Matilde!" comenta a Rita muito séria.

Fico indignada, tento ripostar, mas a Rita não me deixa falar.

Faz-nos sinal para a seguirmos até à sala, o Gustavo não se atreve a desafiá-la, mas não se senta.

" Esta é uma reunião de família?" questiona a tentar ser engraçado.

Mas os Pais não estão presentes; é apenas a Rita que fala, talvez os Pais pensem que uma outra abordagem resolva o assunto.

Continuo sem compreender porque é que tenho que estar presente, mas a Rita insiste.

Só anos mais tarde é que compreendo o meu verdadeiro papel na família: sou a mediadora, a " ponte " para a resolução dos conflitos.

E até gosto de desempenhar esse papel.


FIM


sábado, 22 de agosto de 2020

A IRMÃ DO MEIO - PARTE VI


O Gustavo não me atende, talvez porque entretanto, o Pai chega ao Astúrias, encontra o Gustavo a preparar-se para a noitada e obriga-o a voltar para casa.

O Gustavo protesta, já tenho dezoito anos, não sou um garoto irresponsável, mas o Pai responde que, uma vez que se está a comportar como tal, é exactamente assim que o vai tratar.

" Por causa do que aconteceu com a Clarinha?" repete o Gustavo e o Pai suspira, aconselha-o a pensar em tudo o que tem feito ultimamente, se não encontrar a resposta, não está preparado.

" Para quê?" questiona o meu irmão, mas encontra apenas o silêncio.

Os Pais pedem-nos para voltarmos para os nossos quartos, estão muito desapontados connosco, o que acho injusto, porque não fiz nada.

" Estás a ver? Tu é que fazes a asneira e eu é que pago!" digo e dou-lhe um safanão.

" Está calada, miúda!" o Gustavo está aborrecido, os colegas devem estar a fazer troça dele por o Pai ter aparecido no bar " Como é que o Pai soube que eu estava no Astúrias? "

" Não sei, não me interessa, não quero saber! Sou só a miúda!" e fecho a porta do quarto com estrondo.

Os dias seguintes são um pouco complicados, o Gustavo não fala com ninguém, vinga-se do facto de não poder sair sem autorização prévia.

" Creio que ele não compreendeu o que o Pai lhe disse!" ouço a Mãe comentar ao telefone, deve ser com a Rita " O Gustavo está a ficar muito arrogante e só queremos que ele compreenda que essa não é a atitude correcta."

O Gustavo continua a ouvir música alta, fica irritado quando me vê entrar no quarto.

" Oh, miúda, não sabes bater à porta? Isto é a minha caverna!" grita.

" Só quando pedires desculpa aos Pais! O ambiente aqui está insuportável!" declaro.


CONTINUA



sexta-feira, 21 de agosto de 2020

A IRMÃ DO MEIO - PARTE V


A música continua alta, a Clarinha bate-me à porta, quero dormir e não consigo.

" Gustavo, GUSTAVO, baixa a música!" grito, mas o meu irmão finge que não ouve.

Bato novamente à porta, os Pais apercebem que há qualquer coisa de errado e aparecem no corredor.

" Mas o que é que se passa?" o Pai está aborrecido, quer ler o jornal, ouvir um pouco de música.

" É o Gustavo, está a ouvir música tão alta que ninguém consegue dormir!" explico.

" Ele sabe que não pode fazer isto!" diz a Mãe e abre a porta do quarto que está completamente às escuras.

Só o PC está ligado a " vomitar " música.

O Pai acende a luz, o quarto está vazio e desarrumado.

" Gustavo, Gustavo, aparece imediatamente. Não tem piada!" chama a Mãe e o Pai abre o armário, era o local favorito do meu irmão para se esconder quando era pequeno.

A janela está aberta e a Mãe vê que o anorak, o telemóvel e as sapatilhas desapareceram.

" Foi dar uma volta!" observa o Pai, já a ligar-lhe para o telemóvel.

Claro que o Gustavo não atende, o Pai fica furioso.

" Sabes de alguma coisa?" pergunta-me a Mãe " Tinha alguma coisa planeada para esta noite?"

" O Gustavo não me diz nada. Diz que sou uma idiota!" respondo.

" Ele falou com o Martim..." interrompe a Clarinha, mas o Martim, o filho do vizinho do lado, não sabe de nada.

Sim, falou com o Gustavo de tarde, confirma, pediu-lhe um livro emprestado e não, ele não disse nada sobre o que ia fazer nessa noite.

" Sei que ele e os colegas gostam de ir até ao Astúrias!" acrescenta.

O Astúrias é um pequeno bar ao fundo da rua; é o ponto de encontro para a " night".

O Gustavo ainda pode lá estar ou ir já a caminho de outro bar.

O Pai agradece ao Martim e depois de trocar umas palavras com a Mãe, volta a sair.

A Mãe vai deitar a Clarinha e eu fico parada no meio do corredor, sem saber o que devo fazer.

Resolvo tentar novamente ligar para o telemóvel do Gustavo.

CONTINUA

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

A IRMÃ DO MEIO - PARTE IV

 " Oh, Madalena, não estarás a exagerar?" pergunta o meu irmão.

" Mas que falta de respeito é essa?" diz a minha Mãe " Estás a falar comigo, não com uma das tuas amigas que queres impressionar! Pede desculpa, não te admito esse tipo de conversas."

O Gustavo fica muito vermelho, mas não diz nada. A Mãe insiste, o Gustavo continua calado como se tivesse toda a razão.

" Gustavo, estou à espera que me peças desculpas." a Mãe está muito séria e eu olho ansiosamente para o meu irmão.

" Vá lá, Gustavo, pede desculpa." sussurro, mas ele não ouve.

" O que é que se passa aqui?" o Pai entra na sala, está com um ar cansado, decerto não quer ouvir discussões familiares.

" Estou à espera que o Gustavo peça desculpas pela falta de respeito e arrogância que acaba de demonstrar." explica sucintamente a Mãe.

" Pede desculpa à tua Mãe, Gustavo. Estás a comportar-te como um miúdo!" e é o suficiente para o Gustavo se levantar da mesa e começar a protestar contra a opressão.

A Clarinha não entende nada, puxa-me a manga, quer saber o que é a opressão.

Não lhe respondo, estou fascinada pelo discurso inflamado do Gustavo que os Pais ouvem sem interromper.

" Muito bem, então retira-te para o teu quarto e só saí de lá quando compreenderes que isto é uma família e que, como tudo na vida, há regras a seguir. Se é assim que pretendes gerir uma empresa... eu não gostaria de trabalhar lá!" interrompe o Pai muito sério e servindo-se de salada.

O Gustavo fica confuso, não sabe o que fazer, mas a Mãe aponta-lhe a porta da sala.

" Então, Matilde, gostaste da tua visita à Universidade?" e eu volto a explicar porque é que acho que aquele curso é o melhor para mim.

" Ok, se achas isso, então avança!" concorda o Pai.

" Também quero tirar um curso!" intervém a Clarinha.

" Quando aprenderes a escrever correctamente!" e a minha irmã fica amuada.

Pede licença para se levantar, eu também. Os Pais ficam sozinhos na sala e eu fecho a porta.

Ainda bem que o faço, porque o Gustavo tem a música ligada no máximo; é o que faz sempre que discute com os Pais.

CONTINUA


quarta-feira, 19 de agosto de 2020

A IRMÃ DO MEIO - PARTE III

Quem é a Natália? E a Glória? Como é que elas me podem ajudar? quero perguntar, mas o que digo não agrada nada à Rita.

" Não estás a perceber nada! Não sei o que quero estudar!" grito e a Rita volta a ficar muito séria.

" Tens a certeza de que é isso que queres fazer, Matilde? Atenção! Não estás a ser bem-educada; só estamos a sugerir que fales com alguém que trabalha na Universidade e que te pode orientar."

" Vá lá, Matilde, vai falar com elas. Tenho a certeza de que te vão ajudar!" aconselha a Teresa.

A Mãe fica um pouco relutante quando sabe da visita à Universidade, a coordenadora não te pode ajudar? pelos vistos, não está a fazer um bom trabalho, responde tranquilamente a Rita que vai comigo.

A Natália e a Glória são uma simpatia, fazem-me uma visita guiada às instalações, explicam-me os cursos, as saídas profissionais e até me deixam conversar com um aluno de mestrado.

À saída, encontramos o amigo da Rita, aquele velhote engraçado com a boina basca e a camisa de xadrez que nos oferece um chá num café ali perto.

Não estou muito interessada em falar com ele, mas o Nicolau até é engraçado e oferece-me uma cópia do livro dele.

Não achas que é um pouco erudito para ela, Nicolau? questiona a Rita, mas ele abana a cabeça, ela fará bom uso dele quando chegar a altura, diz sorridente.

Nessa noite ao jantar, a Mãe pergunta-me se já decidi alguma coisa.

" Estou a pensar numa licenciatura em Línguas, Literaturas e Culturas." esclareço.

" Ah, vamos ter uma intelectual na família!" ri-se o Gustavo que entrou no Curso de Gestão.

" E qual é o problema? Pelo menos, eu sei escrever." exclamo e o Gustavo atira-me um pedaço de pão.

Infelizmente, atinge a Clarinha que protesta veementemente.

" Querem fazer o favor de se calarem?" ralha a Mãe " Parecem dois miúdos e francamente, Gustavo, não estou a gostar das tuas atitudes ultimamente. Estás a ser muito arrogante!"

" Arrogante, eu??? " repete o Gustavo.


CONTINUA


terça-feira, 18 de agosto de 2020

A IRMÃ DO MEIO - PARTE II

Escondo-me na cozinha, a boa disposição dos outros está a dar-me dores de cabeça.

Trouxe o meu diário, queixo-me de tudo e de todos. Sinto-me aliviada, mas não volto para a sala.

Deixo-me ficar ali até a Rita me encontrar. O Gonçalo vem atrás dela, trocam um longo beijo e riem.

" O que fazes aqui, Matilde? Porque é que não estás na sala com os outros?" pergunta a Rita.

O Gonçalo não diz nada, limita-se a abrir a porta do frigorifico à procura de qualquer coisa.

" Nada! Estou a escrever!" respondo e fecho o diário.  A Rita senta-se ao meu lado e insiste.

" A ideia do almoço é conviver com as pessoas, trocar ideias. O teu irmão e o Bernardo desafiaram o António e o teu Pai para um jogo de bilhar. Vem ver."

" Não quero! Quero ficar aqui!" quase grito e a Rita fica muito séria.

" Matilde, o que é que se está a passar contigo? Não te vou deixar ficar aqui sozinha!" diz e percebo que está a ficar zangada.

O Gonçalo encontrou o que queria e desaparece de imediato, deixando-nos sozinhas.

Não por muito tempo. A Teresa entra nesse momento com o Gonçalo bebé ao colo.

" Ah, desculpem! Venho preparar o biberão deste artista! Posso voltar depois!" sugere de imediato.

" Não, não. É apenas a minha sobrinha a fazer birra!" observa a Rita e levanta-se.

Pega-me no braço, quase que me obriga a levantar.

" Oh, Rita, não quero ir lá para dentro!" peço e desato a chorar.

" Então, Matilde? O que se passa?" repete a minha Tia e faz sinal à Teresa para ficar.

" Estou farta de ser a irmã do meio!" desabafo e as duas riem.

" Todos passamos por isso... Eu sou a mais nova e houve alturas em que tive vontade de bater no Pedro e na Carolina. Controlavam todos os meus passos, ainda mais que os meus Pais!" conta a Teresa e a Rita abana a cabeça em sinal de concordância.

" E tenho que escolher o que vou estudar no próximo ano e estou muito confusa!" confesso.

" Pensei que gostavas de design." a Rita está admirada, sempre gostei de ver os projectos de publicidade dela " Mas vamos lá por partes. O que é que gostas de fazer?"

" Literatura, Línguas, História de Arte..." enumero " Também gosto de Matemática, mas não quero aprofundar o assunto."

A Teresa e a Rita escutam-me atentamente, o Gonçalo bebé protesta levemente, mas a Mãe aconchega-o e ele cala-se.

" Se estás interessada em Literatura e afins, talvez possas falar com o Nicolau!" comenta a Rita.

" Ou a Natália!" contrapõe a Teresa " Mesmo a Glória; acho que são as pessoas mais indicadas!"


CONTINUA


segunda-feira, 17 de agosto de 2020

A IRMÃ DO MEIO

Detesto ser a irmã do meio.

Estou no meio da ponte, não, não te interessa, diz o Gustavo e a Clarinha só pensa nas bonecas.

O Pai está sempre muito ocupado, a Mãe suspira por uns minutos só para ela e até a tia Rita está um pouco distante.

E, eu? Estou cheia de dúvidas, não sei se quero seguir ciências ou letras e a coordenadora confunde-me com a variedade de cursos disponíveis.

Não, não quero estudar design de comunicação... Não, não quero ser engenheira informática; nem sei o que isso é!

Por isso, estou com este ar aborrecido no almoço de domingo em casa da Tia Rita e do Gonçalo.

O Gonçalo é " um pedaço de mau caminho" como diria a D. Luísa, parece que ouviu a expressão numa novela brasileira e ficou surpreendida quando lhe perguntei o que significava.

" Não é óbvio? Um belo homem que nos faz suspirar... mesmo uma velhota como eu!" acrescenta.

Começo a ver o Gonçalo com outros olhos, meto os pés pelas mãos quando fala comigo e fico furiosa porque ele é tão simpático, tão comunicativo que é uma pena que não consiga conversar como um ser humano com ele.

" A tua sobrinha Matilde é muito calada, não é? " ouço-o a dizer à Rita e a Tia ri-se, está naquela idade ingrata, complica tudo.

Pois, complico tudo e invejo o meu irmão que adora ser o centro das atenção, mas não tem grande tempo para mim.

Abre uma excepção para a Clarinha, mas isso é porque a perdeu no Parque um dia e tem que ganhar novamente a confiança dos Pais.


CONTINUA

domingo, 16 de agosto de 2020

O PROBLEMA - FIM


Os Pais resolvem contar uma versão simplificada dos acontecimentos à Clarinha.

Como os Pais morreram, ela ficou à guarda da Segurança Social, eles souberam da história e como tinham filhos pequenos, adoptaram-na.

Ela está a crescer numa família com muito amor, a Matilde e o Gustavo adoram-na e se calhar, a Sofia tem ciúmes porque não tem irmãos para brincar com ela.

A Clarinha ouve-os atentamente, a Madalena não tem a certeza de que ela percebeu, porque a menina não diz nada.

" Talvez seja melhor escolher outra escola e outro ATL. O que achas? " pergunta ao marido enquanto se preparam para deitar.

" Vai ser complicado conseguir vaga noutra escola. Podemos falar com a escola, pedir para a colocarem noutra turma." aconselha o marido " A Sofia deve ter ouvido a avó a falar com a Mãe sobre o assunto; a Carla diz que estava a brincar no corredor."

" Mas foi o suficiente!" suspira a Madalena " Sei que lhe teríamos que dizer um dia, mas nunca pensei que seria hoje, aos seis anos!"

O Bernardes também está irritado e observam cuidadosamente a Clarinha nos dias seguintes.

A Madalena consegue que a escola a coloque numa turma diferente da de Sofia e no ATL, a educadora também tem esse cuidado.

A Clarinha gosta da escola, de aprender as letras como diz e toda a família respira aliviada.

A tensão passa, a vida continua e quando acham que a Clarinha tem idade suficiente para saber todos os detalhes, a Madalena e o Inspector Bernardes voltam a falar no assunto.

A Clarinha agradece saber a história por detrás da adopção, mas a família dela é aquela e não precisa de saber mais nada.


FIM

sábado, 15 de agosto de 2020

O PROBLEMA - PARTE V

 A auxiliar é a primeira a reagir, pega no braço da Sofia e afasta-a da Clarinha.

" Que coisa feia, Sofia! Isso não se diz! A menina está a ser muito má!" e faz sinal à educadora, vai sair da sala com a Sofia e os outros meninos.

A educadora fica sozinha com a Clarinha que está com um ar muito infeliz. 

" A Sofia falou sem pensar, Clarinha!" diz a educadora " Não, não vamos chorar por causa disso, vamos esquecer o que se passou. A Sofia vai pensar no que disse e depois pede desculpas."

Mas a Clarinha desata a chorar e a educadora acha melhor chamar a Mãe. Suspira, um assunto tão grave como este não deve ser discutido em frente das crianças.

Tanto a Madalena como o Inspector Bernardes têm o telemóvel desligado, atende o Gustavo quando tenta o fixo.

O Gustavo prontifica-se a ir buscar a irmã, ele avisa os Pais depois, não se preocupe, nós tratamos disso, explica.

Meia hora depois, apresenta-se à educadora, é educado, cheio de charme, vai arrasar corações, confessa a educadora mais tarde à auxiliar.

A Clarinha está mais sossegada, está a fazer um desenho com cores muito sombrias.

" Olá, o que se passa aqui? Que desenho tão feio!" comenta o Gustavo.

A Clarinha não responde, está triste, está magoada e o Gustavo tira-lhe o lápis da mão.

" Mau! Feio!" reage a Clarinha " Dá-me o lápis!"

" Mas que fera que temos aqui! É assim que se fala ao irmão?" observa o Gustavo e a Clarinha fica muito vermelha.

" Tu não és meu irmão! Eu não tenho Pais nem irmãos!" grita.

O Gustavo e a educadora ficam abalados com o desabafo, tenho que conversar com os Pais da Sofia, pensa a educadora, o que é que a Mãe faria se estivesse aqui? murmura o Gustavo.

" Claro que tens! Sou o teu irmão do coração, o melhor de tudo e nada e ninguém nos pode separar! Estamos unidos para a vida e enfrentamos quem nos fizer mal até à morte!" discursa o Gustavo apaixonadamente " A Sofia tem inveja, não tem um irmão como eu! Sou o teu cavaleiro, uso as tuas cores!"

A educadora sorri, a Clarinha também e o Gustavo sugere:

" Vamos embora? Vamos comer um gelado?" e a Clarinha concorda.

O Gustavo ajuda-a a arrumar a mochila, a vestir o casaco, a Mãe telefona-lhe, promete quando se despede da educadora.

Mas está preocupado, a Clarinha sempre foi uma miúda tão pacífica.

CONTINUA


sexta-feira, 14 de agosto de 2020

O PROBLEMA - PARTE IV

Naquela semana, o Brites almoça com a ex-mulher e conta-lhe rapidamente a história.

A Carla fica abismada, não, nunca disse à Sofia que a Clarinha era adoptada, a miúda nem deve saber o que é isso, começa por dizer, mas depois cala-se.

" A não ser...'" e o Brites insiste, a não ser o quê?

" A minha Mãe passou uns dias connosco e perguntou-me pela Clarinha. Elogiou a Madalena e o Bernardes por estarem a criar a Clarinha como se fosse mesmo filha deles..." diz a Carla lentamente " A Sofia estava a brincar no corredor, será que ouviu? Oh, meu Deus!"

" Só pode ter sido..." concorda o ex-marido " Mas não sei se será uma boa ideia falar com a Sofia sobre isso; isto pode tornar-se numa bola de neve e há muita gente que vai ficar magoada."

" Podemos abordar o assunto de forma ligeira, tipo, a Clarinha está magoada contigo, o que é que lhe disseste?" sugere a Carla.

" Vamos ver se há alguma diferença no comportamento das duas...Sei que a tia da Clarinha pediu às educadoras para estarem atentas, vamos ver..." aconselha o Brites.

O ATL fecha, as meninas vão para férias com os Pais.

É uma festa quando regressam ao infantário, contam as aventuras que tiveram na praia e todos respiram de alívio.

O assunto está esquecido, pensam, contam a história à Clarinha quando ela tiver idade suficiente para compreender.

Mas num dia de chuva, a Sofia fica muito aborrecida porque não a deixam ir para o pátio para brincar.

É dia de estar na Sala da Fantasia, tu gostas, diz a Clarinha, mas a Sofia está aborrecida, esteve doente de noite, queria ficar em casa, mas não tinha febre nem tosse e a Mãe não consentiu.

" Anda lá, Sofia, deixa de estar mal-humorada." e a Clarinha estende a mão para a ajudar a levantar.

" Oh, cala-te, inútil!" grita a Sofia, para ela, chamar inútil a alguém é um grande insulto.

A Clarinha acha piada e ri-se, o que enfurece mais a Sofia.

" Cala-te, miúda sem pais!" grita a filha de Brites e os outros meninos calam-se de imediato.

A educadora e a auxiliar olham uma para a outra, o que fazer?

CONTINUA


quinta-feira, 13 de agosto de 2020

O PROBLEMA - PARTE III

A Madalena fica preocupada quando sabe da história, mas o marido aconselha calma.

Ele e o Brites seguiram caminhos separados, mas ainda almoçam juntos de vez em quando e vai tentar saber o que se passou.

" Alguém falou nisso em frente da Sofia e não acredito que tenha sido o Brites." comenta o Inspector.

" Mas o Brites sabe da história?" questiona a Rita e a irmã atalha:

" Claro que sim; ele ajudou na investigação e há uma diferença de meses entre a Sofia e a Maria Clara. Ainda era casado com a Carla na altura e por isso, deve ter comentado com ela. Mas o que eu quero saber é porque é que ela falou no assunto e em frente da filha!" a Madalena está muito nervosa e a Rita compreende a indignação.

O Brites, conta o Bernardes mais tarde, ficou bastante admirado e acha quase impossível que tenha sido a Carla a falar no assunto.

" A Carla não ia falar num assunto tão delicado em frente da Sofia. A Carla é muito honesta, nunca iria falar de um segredo, digamos, que não é dela." observa o Brites " Posso falar com ela e perguntar-lhe."

Entretanto, a Clarinha parece ter esquecido o assunto e volta a ser aquela miúda divertida que faz toda a gente rir.

" Já não imagino a minha vida sem ela!" confessa a Madalena " É minha filha; não saiu dentro de mim, mas cuido dela desde os cinco meses... E se ma tiram?"

" Não imagines coisas que não estão lá!" aconselha a Rita " Ainda não sabemos o que aconteceu... Pode ter sido uma brincadeira de crianças; zangam-se umas com as outras e dizem a primeira coisa que lhes vêm à cabeça!"

" Não que os Pais não são os Pais verdadeiros!" interrompe a Madalena " Esta história não me agrada nada! Claro que sei que tenho que lhe dizer, mas não hoje! E quero que seja nas minhas condições!"

Todos concordam com ela e a história corre pela família suscitando as mais variadas opiniões.

Mas todos protegem a Clarinha.

CONTINUA

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

O PROBLEMA - PARTE II


A Clarinha diverte-se no Clube, a Rita sorri quando a ouve rir e a miúda parece satisfeita quando entram novamente no carro para voltarem para casa.

" Tia Rita..." a Clarinha interrompe os pensamentos da Rita " Sou mesmo filha dos meus Pais?"

A Rita fica tão espantada que trava a fundo; felizmente, não vem ninguém atrás delas.

" Que história é essa, Clarinha? Claro que és filha da Madalena e do Bernardes..." responde quando recupera o fòlego.

" A Sofia diz que não." explica a Clarinha e a Rita fica confusa, a única Sofia que conhece é a filha da Teresa e do António e tem uns dois anos.

" Quem é a Sofia? Uma amiginha do ATL?" insiste a Rita e a Clarinha sorri em concordância.

A Rita desvia as atenções da menina com um sorvete e como o Gonçalo organiza uns jogos quando chegam a casa, a Clarinha não fala mais no assunto.

Mas a Rita está preocupada e desabafa com o Gonçalo depois de deitarem a menina.

" Tenho que falar sobre isto com a Madalena, porque isto é grave... Principalmente porque ela só tem seis anos." diz.

" Então, é verdade? A Clarinha é filha adoptiva?" o Gonçalo não sabe o que pensar.

" É... O Bernardes chefiava uma equipa de investigação de homicídios e a mãe biológica de Clarinha foi morta. Foi um caso complicado, a miúda foi entregue à Segurança Social. Como não encontraram mais ninguém de família, o Bernardes estava já afeiçoado à Clarinha e adoptaram-na."

" Ups! Não sabia nada disso!" confessa o Gonçalo " E tencionavam dizer à Clarinha?"

" Presumo que sim, mas não agora! " a Rita está nervosa, sem saber o que fazer " Tenho que falar com as educadoras e saber quem é essa Sofia."

" Pois, é natural que ela se sinta confusa... Dizerem-lhe que não é filha da Madalena e do Bernardes..." concorda o Gonçalo " As pessoas deviam ter cuidado com o que dizem em frente dos miúdos."

No dia seguinte, a Rita pede para falar com uma das educadoras, explica-lhe por alto o que se passou.

" A D. Madalena sabe muito bem quem é a Sofia. Ela é filha do Inspector Brites, acho que trabalhou com o marido da D.Madalena. É estranho que ela tenha dito isso à Clarinha, elas são amigas desde bebés." conta a educadora " Mas a D Rita não se preocupe, vou estar atenta às duas."

Mas a Rita continua preocupada.


CONTINUA


terça-feira, 11 de agosto de 2020

O PROBLEMA

 

" O que é que se passa com a Clarinha? " pergunta o Gonçalo à Rita enquanto se preparam para deitar.

A Clarinha está a passar uns dias com a tia; os Pais foram fazer uma pequena viagem e os irmãos têm a sua própria agenda e a Madalena acha mais seguro ela ficar com a irmã.

" O ATL está aberto e não há problemas ela ficar lá...Pode ficar lá até às seis da tarde!" explica a Madalena, mas a Rita tem outros planos.

É dona do seu tempo, pode trabalhar durante a manhã e ir buscar a miúda por volta das três horas para passearem.

Mas agora que o Gonçalo fala nisso, a miúda está estranha.

Tão cheia de vida, de conversa, está triste, distante. Saudades dos Pais? Aborrecida com os irmãos? O que será?

" Sinceramente, não sei!" responde a Rita " Amanhã à tarde, levo-a ao Pónei Clube e tento conversar com ela. "

" Ok, diz-me se precisares de ajuda. Tenho uma reunião com aquele cliente chato, mas arranjo uma desculpa!" oferece o Gonçalo.

" Não vais fazer nada disso!" ralha a Rita " A Clarinha confia em mim; vai dizer-me o que se passa... A Madalena apenas disse que ela se queixa que o Gustavo a vigia como um falcão desde que ela " desapareceu" no parque!"

" Pode ser isso... Sente-se pressionada!" concluí o Gonçalo.

" Uma miúda com seis anos pressionada?" ri-se a Rita e apaga a luz.

No dia seguinte, a Rita deixa a Clarinha no ATL e diz-lhe que a vem buscar às três para irem até ao Parque.

A Clarinha acena que sim, mas continua muito triste. 

Ela adorava o parque, murmura a Rita intrigada, parece que aceitou para me agradar.

Mas a manhã é tão complicada que se esquece um pouco da sobrinha.

Come qualquer coisa por volta das duas e apresenta-se no ATL às três em ponto.

A Clarinha já está à espera dela, dá-lhe um beijo e senta-se na cadeirinha do carro, sem dizer uma palavra.


CONTINUA



segunda-feira, 10 de agosto de 2020

A CRECHE - FIM

 

É o Matias quem lê a declaração como explica o Miguel.

Oh, Miguel, eles tinham que perceber o que aconteceu sozinhos, murmura a Mãe e o Miguel explica que só lhes deu uma " pequena ajuda", pois estavam a confundir as coisas.

" O nosso comportamento hoje foi deplorável." o Matias tem dificuldade em pronunciar a palavra " Porque nós não somos uns porcos selvagens; fazemos parte de uma família civilizada e educada e este tipo de comportamento não é permitido.

Temos que apoiar a família e ser um exemplo para o novo mano ou mana. 

Por isso, pedimos desculpa à Mãe, ao Pai e à Filipa que estão sempre prontos a ajudar-nos e nós esquecemos isso.

"

O Pai e a Mãe estão muito sérios, eu mordo os lábios. Os meus irmãos estão muito sérios, não tenho a certeza de que perceberam o que leram, mas aguardam ansiosamente que os Pais falem.

" Aceitamos as vossas desculpas e esperamos que isto não se repita. Não é saudável para ninguém." diz o Pai " Tenho a vossa palavra de que isto não se volta a repetir?" e os miúdos abanam a cabeça em sinal de concordância.

Daqui a uns dias, esquecem e voltam a discutir, penso e sei que a Mãe concorda.

O jantar decorre sem problemas; como os miúdos não comem pudim à sobremesa, nós também não comemos.

" Também somos solidários!" responde o Pai quando o Miguel protesta.

O Edgar e o Matias pedem licença e levantam-se, dentes e mãos lavados antes de irem para a cama, avisa a Mãe.

" Foi um discurso engraçado, mas acho que não perceberam metade." confesso e o Pai ri-se.

" Também acho, mas têm que perceber que agiram mal e que têm que pedir desculpa. E, que têm que ganhar novamente a nossa confiança." esclarece o Pai.

A Mãe ri-se, mas depois encolhe-se com um esgar de dor.

" Carolina, Carolina, o que se passa? É o bebé?" e a Mãe acena que sim.

Passa a hora seguinte a avisar a família que o bebé vai nascer, o que aconteceu ontem com o Gonçalo escondido algures na mente.

A minha irmã Inês nasce nessa madrugada e quando a vejo, parece que já sabe quem sou e sorri para mim.


FIM


domingo, 9 de agosto de 2020

A CRECHE - PARTE V

 " Inês e Francisco, nomes tradicionais.. Demais segundo diz o Miguel!" e o Gonçalo ri-se.

É então que me beija... Não é a primeira vez que me beija, mas agora é diferente.

É mais profundo, mais quente, mais exigente e eu decido naquele momento que não há qualquer problema em dar o próximo passo.

O Gonçalo pergunta-me se tenho a certeza, sei que ele está a pensar no assunto há alguns dias, mas não me quer pressionar.

Digo que sim e vamos até casa dele. Os Pais estão fora, ainda penso se é o local ideal, mas depois esqueço tudo.

No dia seguinte, estou cheia de dúvidas, telefono à Teresa e ela diz logo para ir, estou na loja, a Cristiana não está e podemos conversar sem interrupções.

Os dois estagiários estão a decorar a montra e tanto eles como a Teresa cumprimentam-me entusiasticamente.

Trocamos banalidades por uns minutos e depois a Teresa leva-me para o gabinete.

" Então, qual é o problema?" pergunta-me a Teresa quando fecha a porta e eu me sento no sofá.

" Não é bem um problema, é que...." e conto-lhe o que aconteceu na noite passada.

A Teresa suspira quando me calo.

" Foi com protecção? " é a primeira coisa que quer saber, eu aceno que sim, o Gonçalo é um rapaz prudente, acrescento.

" Ainda bem! Como te sentes?... Acho que foi um pouco cedo, mas agora temos que nos concentrar nos cuidados a ter para evitar..."

Sei do que ela fala, aceito sem protestar que ela marque uma consulta médica e escuto atentamente outros conselhos que ela acha pertinentes.

" Devo dizer à Mãe?" questiono.

" Essa decisão é tua." responde a Teresa " Ela vai acabar por perceber... por isso, sê honesta e diz-lhe tu!"

Mas, naquele dia é impossível falar com a Mãe; o Edgar e o Matias estão a discutir violentamente, não ouvem ninguém, a Mãe está a ficar nervosa.

Tento separar as pestes, mas levo um pontapé do Matias e o Edgar empurra-me.

Felizmente, o Miguel entra nesse momento, dá um grito vindo das profundezas do Inferno e os dois miúdos assustam-se.

" Seus fedelhos impossíveis!" declara o Miguel " A comportarem-se como...nem me ocorre uma palavra decente para classificar isto. Pedir já desculpa à Mãe e depois, não há lanche nem jantar!"

" Isso é radical demais, Miguel!" intervém a Mãe " Eu aceito as vossas desculpas, mas isto não pode voltar a acontecer. Quero que fiquem no vosso quarto, pensem bem no que aconteceu e me digam logo porque é que não podem fazer novamente uma cena destas."

" E o lanche? E o jantar?" tanto o Matias e o Edgar estão muito preocupados. Viram na cozinha um pudim de chocolate e claro que não querem perder a parte deles.

" Claro que vai haver lanche e jantar. Só que não vai haver pudim de chocolate!" esclareço.

CONTINUA

sábado, 8 de agosto de 2020

A CRECHE - PARTE IV

 A Mãe aprova, o Pai não está muito convencido e o resto da família acha engraçado.

O Pedro brinca com a situação e propõe nomes idiotas como Plutão ou Saturno, era o que faltava, refila o Miguel, o rapaz fica com complexos antes de nascer.

Os nomes escolhidos pela Teresa e o António são normais e gosto muito dos que o Gonçalo sugeriu.

Mas porque é que o teu namorado pode sugerir nomes? exclama o Miguel e é o Pai quem explica que o " rapaz faz parte da família, está sempre pronto a ajudar com o infantário".

Gosto de ouvir a explicação do Pai, significa que o aceitam como membro desta família maluca.

No fim do mês, a lista final tem vinte nomes e os Pais pedem que se faça uma nova lista com os dez mais votados.

Após alguma discussão, com o Matias e o Edgar a querem dar também uma opinião, somos irmãos dele também, dizem, entregamos a lista.

A Mãe lê atentamente, passa-a ao Pai que nos olha desconfiado ao ver o nome de Maria da Paz, ideia do Pedro, tenho quase a certeza, murmura.

" Ok, obrigada. Eu e a vossa Mãe vamos escolher cinco nomes de rapariga e cinco de rapazes..." explica o Pai.

" E, quando o bebé nascer, vamos olhar para a cara dele ou dela e decidimos como se vai chamar." acrescenta a Mãe.

" Foi assim que decidiram o meu nome?" pergunta o Matias.

" Não, os Pais deixaram que fosse eu a escolher." respondo " E o Miguel escolheu o do Edgar."

" Então, porque é que não posso ser eu a escolher?" o Edgar está indignado, pronto para discutir.

" Porque é a nossa vez de escolher!" diz o Pai e o Edgar fica calado.

" Acho que os Pais já escolheram o nome...Não o querem é revelar... " confesso nessa noite ao Gonçalo.

Estamos a comer uma pizza, os Pais foram jantar a casa da Teresa e levaram os dois mais novos.

O Miguel foi a uma festa de anos e eu estou contente por ter uma noite sossegada, sem barulhos.

" Afinal, quais são os nomes finalistas? " quer saber o Gonçalo que se ri que nem louco quando falo no Maria da Paz.

" Foi o meu tio Pedro quem o sugeriu. Sempre é melhor do Plutão e Saturno." rio e continuo a enumerar a lista.

" Vicente tem boas hipóteses. Para rapariga, há dois interessantes. Francisca e Frederica que o Miguel não gosta." esclareço.

" E tu? Que nomes escolheste?" questiona o Gonçalo.

CONTINUA