quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

PACIÊNCIA





" NÃO GRITES!" e toda a gente olha.

Que gritaria é aquela? Ainda ninguém despiu os casacos...

" Bem lhe disse para não atender os telefones antes das nove!" pensa a D.Goretti, pois reconhece a voz da Rita, que está já muito nervosa e com a cara vermelha.

Mas a Rita sempre gostou de chegar dez, quinze minutos mais cedo. Diz ela que assim tem tempo para organizar convenientemente o trabalho.

 D.Goretti encolhe os ombros; não percebe a diferença entre estar já preparada quando alguém telefona e ter que pedir desculpa e oferecer-se para retribuir a chamada, pois o computador ainda não está ligado, etc.

" Já te expliquei que hoje vão estar encerrados... Mas eu disse isso tudo; não somos exclusivos... há mais gente..." e, pouco depois, a Rita desliga.

" Não entendo! Devo realmente ser muito burra, porque não entendo!" repete.

" Não entende o quê? " pergunta a D.Goretti. " Já sabe que ele é um parvalhão e não aceita as opiniões dos outros... Já lhe disse várias vezes para só o atender às nove; é a sua hora de entrada."

" Não, é a hora a que devo começar a trabalhar." explica pacientemente a Rita.

" Pois, pois.... " e a D.Goretti afasta-se para falar com a Luciana.

CONTINUA





sábado, 24 de fevereiro de 2018

O ACIDENTE - O FIM


Resolvi ficar em casa da minha Mãe... Não sei porquê, mas não quis ficar sozinha com o Jaime na minha casa super moderna.

Apesar dos conselhos médicos, comecei o meu trabalho de pesquisa e um dos meus colegas confirmou as suspeitas do detective.

Não sobre a Madalena, mas sobre a proposta de fusão. Ele também não estava de acordo.

Concorda comigo: a empresa está sólida no mercado, para quê arriscar?

Poucos dias depois, sei que a Madalena está a organizar os relatórios financeiros e o meu colega avisa-me de que ela encontrou umas pequenos "desvios".

" Que desvios???  Deixei as contas direitas! Não brinco em serviço!!!" contesto e a minha Mãe sugere:

" Desacreditar-te? " e o detective Figueiredo, quando sabe, concorda.

" Mas não se preocupe; já informamos os Administradores da situação. Queremos que eles alinhem. Já não é só a Madalena que nos interesse." e não diz mais nada.

Umas semanas mais tarde, o Grupo retirou a proposta de fusão.  Uma das empresas do grupo era suspeita num caso de tráfico humano e o escândalo prejudicou os negócios.

Pouco tempo depois, a Madalena despediu-se e o caso dos travões do meu carro ficou arquivado, por falta de provas.

Eu e o Figueiredo achamos que tínhamos muito em comum e estamos a viver juntos.

A relação com o Jaime melhorou, ele e o Figueiredo são grandes amigos, o que não agrada muito ao meu ex.

Quanto ao trabalho,  não voltei para a empresa. 

Decidi abrir uma pequena empresa de consultadoria, ter mais tempo para mim, para o meu filho e para o Figueiredo.

E, sobretudo... não ter acidentes por causa de travões cortados e interesses empresariais.



FIM


quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

O ACIDENTE - PARTE V




Figueiredo hesita antes de responder.


" Está ao corrente da proposta de fusão que a empresa recebeu? " e eu fico espantada.



" Não, ocupo um cargo importante, mas não a esse ponto." explico " Mas porquê? " insisto.


" Segundo sabemos, a proposta foi apresentada por um Grupo, em que o marido da D.Madalena tem interesses. Aliás, a oficina onde deixa o carro para reparar pertence a esse Grupo." acrescenta.

Começo a ter uma ideia do que se poderá estar a passar e quando o detective se prepara para falar novamente, interrompo:

" Foi efectivamente a Madalena quem me recomendou essa oficina e terá todo o interesse em que eu não esteja na empresa enquanto decorrerem as discussões. Porque, eventualmente comunicar-me-iam e eu opor-me-ia." declaro.

" Acha que a Madalena poderá estar envolvida no acidente? " atalha a minha Mãe.

" É uma das pistas que estamos a averiguar. Pode explicar-me porque é que se oporia a essa fusão? " questiona-me o detective.

" A situação da empresa é sólida e teriam que me pedir um parecer financeiro... Teria que ter acesso também às contas do Grupo, pesquisar o mercado... Não, não neste momento, a empresa pode sobreviver sozinha." declaro.

" Talvez tenha sido por isso que alguém mexeu nos travões do teu carro. " sugere a minha Mãe.

O detective despede-se e eu peço à minha Mãe para convencer o médico a deixar-me ir para casa.

Tenho muito em que pensar....


CONTINUA

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

O ACIDENTE - PARTE IV



A Mãe trouxe-o hoje, mas o Jaime pouco fala. Senta-se numa cadeira ao fundo do quarto a jogar qualquer coisa no telemóvel.

Fico destroçada; pensei que poderíamos conversar, saber o que ele pensa e quer. 

Fecha-se em copas; parece estar muito à vontade com a avó e nota-se que a visita está a ser uma " seca ".

A Mãe sorri e percebo que tem alguma a coisa a dizer, mas a presença do Jaime impede-a.

Chega um dos detectives que está a investigar o meu caso. O Jaime fica curioso e até gostaria de lhe fazer umas perguntas, mas a avó manda-o sair do quarto.

O detective, Figueiredo creio, abre um bloco de notas e diz:

" Investigamos todos os nomes que a D.Madalena nos deu. Um deles está a viver em Londres e os restantes estão já a trabalhar noutras empresas. Funcionários exemplares e os que têm carro, não utilizam a oficina onde deixa o seu. "

" Mas falaram mesmo com eles? " interrompe a minha Mãe.

" Sim, sim..." confirma Figueiredo " O que se passou, está resolvido e nem querem pensar mais no assunto." olha-me fixamente e pergunta:

" Conhece bem a D.Madalena?" 

" Não somos íntimas, mas trabalhamos juntas há uns quatro, cinco anos. Conhecemo-nos bem o suficiente para desenvolvermos os projectos." respondo.

" Porquê? Suspeita de alguma coisa? " questiona a minha Mãe.


CONTINUA

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

O ACIDENTE - PARTE III





Mas não tenho tempo para reflectir sobre o assunto, pois a polícia faz-me uma visita.

Não tenho culpa que o acidente tivesse ocorrido (se calhar, pensaram que eu estava intoxicada com álcool), pois a perícia determinou que alguém "mexeu" nos travões.

O nome da oficina onde levo o carro quando tenho problemas? Sei o nome do mecânico? Quando é que foi a última vez que levei o carro lá?

Recebi mails, telefonemas estranhos, em tom de ameaça? Rio-me, se os recebesse, limpava-os de imediato, digo.

Nessa altura, a Madalena, a minha assistente, interrompe e fala de um incidente que acha ser importante para o caso.

" Não se lembra quando despediu o Chefe da Manutenção e este a ameaçou? Tivemos que chamar a segurança... E, da manifestação que os Chefes de Turno fizeram por ter reorganizado os horários? "

A polícia fica interessada e pede detalhes. A Madalena prontifica-se a entregar todos os elementos no dia seguinte.

A minha Mãe fica aborrecida por não lhe ter contado.

" E, se o Jaime estivesse contigo? " 

Pois, naquele dia, em vez de ir para a escola, o Jaime foi para o Centro Comercial com uns amigos.

CONTINUA


quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

O ACIDENTE - PARTE II


Não sei porquê, mas lembrei-me da minha Mãe, dos comentários que fazia sobre a vida apressada que levava.

" Goza o tempo... vais perder muita coisa, se continuas assim..."

Analisando agora a situação, de que me serve ter subido até ao topo se o meu ex mal fala comigo e o meu filho é um estranho?

Na altura do divórcio, acusei-o de ser pouco ambicioso... Ele não respondeu; virou costas e saiu de casa, da minha vida.

Falamos o indispensável sobre o filhote, que prefere a companhia dele à minha.

Por amigos comuns, sei que a empresa de informática que abriu pouco depois do divórcio está a ter sucesso.

Mas nunca me apresentou uma proposta nem eu a pedi.

Magoei-o? Como? 

Um dia, perguntei à minha Mãe que, sensatamente, respondeu:

" Se não o sabes, é porque nunca prestaste atenção!" 

Atenção a quê?


CONTINUA


 

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

O ACIDENTE




Morri?... Não morri?

Não sei.... estou dorida demais para pensar...

Custa-me a respirar e o rosto do médico é uma mancha branca...

Afinal, o que é que se passou?... Será possível alguém desligar esse alarme?

" Siga o meu dedo..." alguém diz e eu tento ordenar os meus pensamentos....

Onde é que eu estava antes de tudo acontecer? No carro?

Tenho que fazer um esforço e lembrar-me...

Sei que recebi um telefonema quando entrei no carro. 

Era da escola a perguntar-me onde estava o meu filho que tinha ido passado o fim de semana com o Pai.

Entrei em pânico e resolvi ir de imediato ao escritório do meu ex.



CONTINUA

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

LATITUDE - O FIM


Jaime está ciente do prazo....

Mas está num impasse... É um momento decisivo na narrativa... 

Não é o Latitude aceitar a missão que está em causa... 

O problema é que poderá não escapar... 

"Matar" uma personagem que o público começa a conhecer poderá ser um erro fatal.

Mas é a única alternativa... Caso contrário, o Latitude passará o resto da vida a " fugir " e ele é um homem corajoso...

Por isso, quando chega a casa e abre o computador, Jaime escreve os últimos capítulos.

Latitude é descoberto, torturado e morto.

É um sucesso, o livro, mas Jaime não está contente...

Já se tinha afeiçoado ao feitio do Latitude, tão parecido com o seu....


FIM

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

LATITUDE - PARTE V


Quando entra na sala de reuniões, reconhece de imediato o Inspector Graça e o Comissário Maurício. Não conhece o terceiro homem que apenas sorri quando o cumprimenta.

Depois dos cumprimentos da praxe, surpreendem-no ao mostrarem fotos dele a conversar com um director da tal empresa interessada nos seus serviços de segurança.

Latitude fica boquiaberto; não notou nada de estranho. " Devo estar a perder qualidades!" pensa, mas lembra-se de que a reunião foi num local público e que, certamente não era ele a pessoa a vigiar.

" Quem é ele? " pergunta e o Inspector Graça ri-se.

" Temos quase a certeza de que essa empresa é uma fachada, uma " lavandaria". Pensamos que pertence ao Grupo do Maurício, a " cara " por detrás da qual eles escondem as operações de protecção/ extorsão dos bares da zona da Ria." explica o Comissário Maurício.

" O assassinato do Joaquim do Bar da Estrela pode estar relacionado com essas operações." conclui Latitude.

" Talvez." concorda Graça " É o que que te queremos propor. Que aceites o trabalho de Director de Segurança e tentes saber como a operação funciona."

" Isto está óptimo!" grita Leonardo " E agora? Vai aceitar? "

Jaime acaba de fumar o cigarro e diz:

" É cedo demais para o afirmar."

" Oh, pá, olha o prazo!"



CONTINUA
 

domingo, 4 de fevereiro de 2018

LATITUDE - PARTE IV


" Olha o Latitude! Que andas a fazer? Disseram-me que estavas suspenso? Por causa de uma stripper? " diz baixinho o Salgado.

Latitude ignora o comentário e pergunta: " O que se passou aqui? "

" À primeira vista, parece ser um assalto violento, mas não temos a certeza. Há muitas coisas a ter em conta." responde o Salgado, acendendo um cigarro.

" Então, suspeitam de mais alguma coisa? " observa o ex-detective, mas o Salgado abana a cabeça e ri-se.

" Não posso dizer mais nada! Vamos tomar um café um dia destes? " e com um aperto de mão, afasta-se.

Latitude fica parado no meio da rua. Tem que descobrir o que se passou, mas o acesso ao local do crime está vedado.

Só se " assaltar " o bar à noite, mas afasta logo essa ideia da mente. Talvez consiga alguma coisa através do Gonçalves da equipa forense.

Telefona-lhe quando chegar a casa, decide, mas não o faz, porque recebe uma chamada do Comando a pedir-lhe para se apresentar na Sede naquela tarde às 14h30.

O Comando a pedir-lhe para se apresentar na Sede? O que aconteceu?


CONTINUA