segunda-feira, 30 de setembro de 2019

O PROBLEMA DA MADALENA - O FIM


O organizador do evento mostra-se um pouco relutante, estas pessoas confiaram em mim, diz.

O Inspector concorda, mas a pessoa em questão morreu em circunstâncias que têm que ser esclarecidas, devemos isso à família, explica.

Estavam inscritas doze mulheres e doze homens, a Madalena falou com todos, mas não manifestou interesse por nenhum.

Houve três homens que manifestaram interesse em a conhecer melhor, mas o organizador não lhes deu o email dela, porque ela não deu qualquer feedback. 

O Inspector e o Osório suspiram, pois não sabem o que fazer.

Alguém a seguiu, é óbvio e terá sido alguém que esteve naquele " speed dating".

Mas quem? Se ela não informou o organizador que estava interessada em alguém?

Podem falar com os homens interessados nela, mas, embora se lembrem dela, a vida continua.

" E, não vais fazer mais nada?" insiste a mulher nessa noite.

" Teresa, pensas que eu estou satisfeito? Gostava imenso de encontrar quem a matou, mas não posso prender todas as pessoas que a viram naquela noite. Não tenho provas! " grita o Torcato, impaciente e consciente de que falou demais.

Mas está frustrado, porque gostaria de dar uma resposta à família e não pode.

O Sargento Osório também se sente frustrado, é um beco sem saída.

Talvez ele cometa um erro...

Uma semana depois, estão na mesma praia a olhar para uma outra mulher morta da mesma maneira que a Madalena.

Na carteira, encontram um cartão e curioso? 

Ela esteve no mesmo speed dating que a Madalena.

Por isso, quem foi? 

O organizador que teve acesso a toda a informação ou algum dos homens presentes?


FIM

domingo, 29 de setembro de 2019

O PROBLEMA DA MADALENA - PARTE VI


" Esperava que a Senhora me ajudasse a preencher algumas lacunas!" disse o Inspector polidamente.

Torna-se óbvio que a Madalena pouco ou nada dizia à Mãe sobre quaisquer problemas que tivesse.

Esta fica espantada quando o Torcato lhe diz que a filha estava a tentar obter um empréstimo bancário para pagar a parte da casa ao ex-marido.

" Por amor de Deus! Com a venda da casa, ela podia comprar um apartamento mais pequeno, talvez até perto do infantário do Ricardo... Porque é que não me disse? Podia ter ficado comigo até resolver a situação..." lamenta a senhora e o Torcato fica apreensivo.

Espera que o Sargento tenha tido mais sorte com a irmã, porque a investigação está num beco sem saída.

Segundo a Cristina, conta o Osório, a Madalena ia com uma amiga a um Hotel para um " speed dating".

" Não sei bem o que é isso! " confessa o Sargento " Mas a amiga chama-se Clotilde, está na lista de contactos do telemóvel da Madalena... e, sim, já lhe telefonei a pedir que venha até cá."

O Torcato sorri, o Sargento está a revelar-se um grande apoio.

A Clotilde não sabe o que dizer, o " speed dating" foi no Hotel Marquês e segundo sabe, a Madalena não se mostrou interessada por ninguém.

Não deve ter comunicado nada ao organizador, elas foram apenas por brincadeira, para verem como tudo se desenrolava.

O Inspector e o Osório decidem ir até ao Hotel; devem saber quem alugou a sala, pagou as bebidas, etc.

O Hotel é muito prestável e o "speed dating" foi na semana anterior à morte da Madalena.

A sala foi alugada pela Empresa " Hot Dreams" e dão-lhes o nome e o nº de telemóvel da pessoa responsável.

" Se foi alguém que ela conheceu aqui, pode tê-la seguido e vigiado." concluí o Inspector e o Osório concorda.

É o mais lógico.

CONTINUA

sábado, 28 de setembro de 2019

O PROBLEMA DA MADALENA - PARTE V


No dia seguinte, o Torcato não está muito bem disposto. 

Acordou com dores nas costas, os filhos fizeram uma birra e chegaram tarde ao infantário.

Por isso, não fica nada satisfeito quando o Osório lhe diz que o álibi do ex-marido está confirmado e os sistemas de vigilância, tanto do local de trabalho como o de casa, são muito sofisticados.

" Fica tudo registado e basta a pessoa encostar-se à porta de emergência para o alarme disparar." explica o Sargento " Quanto ao divórcio, segundo os advogados, os problemas eram a casa e a custódia do miúdo."

Conturbado, dissera a Teresa, mas parece estar a ser um divórcio normal, pensa o Torcato.

" Ela não está a conseguir negociar um empréstimo para lhe pagar a parte dele da casa, por isso, os advogados aconselham a venda." continua o Osório " Quanto à custódia, ele quer ficar com o miúdo semana sim, semana não e ela não aceita!"

" Pois, as crianças ficam perdidas no meio dos pais." suspira o Inspector " E, a Mãe, quando chega? "

" Hoje, ao meio dia. Vamos esperá-la? " propôs o Osório e o Torcato concorda.

É o mínimo que pode fazer e só espera que o Consulado lhe tenha dado a notícia cuidadosamente.

A Mãe de Madalena é uma senhora ainda jovem, discreta, bem vestida, com o cabelo já a mostrar as brancas e uns olhos verdes enormes.

Com ela, está o neto que corre de imediato para os braços do Pai, que também está presente e uma rapariga, que não deve ter mais de vinte e cinco, trinta anos, com os mesmos olhos verdes e cabelo ruivo.

A Senhora aceita a boleia do Inspector que a leva até à morgue. 

O médico legista responde às questões que a senhora lhe coloca e o Inspector leva-a até à esquadra.

" Sei que é um momento complicado, mas há umas perguntas que tenho que fazer..." desculpa-se o Inspector, mas a voz da senhora é firme quando diz:

" Sei que as tem que fazer, por isso, esteja à vontade. Mas sabe dizer-me o porquê?"



CONTINUA


quinta-feira, 26 de setembro de 2019

O PROBLEMA DA MADALENA - PARTE IV


No Hospital, apesar de lidarem com a morte todos os dias, a equipa médica fica estupefacta com a ocorrência.

" Têm a certeza? " pergunta o Director Clínico e o Torcato estende a foto da Madalena.

" Mas como? Porquê?" insiste, mas o Torcato diz que ainda estão a investigar o caso e gostaria de falar com os outros membros da equipa de nutrição.

Não, a Madalena era uma boa colega, óptima com os doentes... Sim, o divórcio tinha sido complicado, mas não sabiam os detalhes todos.

Talvez a Dra Torcato soube mais alguma coisa sobre isso... O Senhor desculpe, mas é parente da Dra Torcato? Ah, é o marido... 

A disposição da Dra Madalena nos últimos dias? Não, nada a assinalar, estava mais calma, mais relaxada, talvez porque o filho não estava e não tinha que andar a correr.

É o Sargento Osório quem interroga a Teresa e esta manda de imediato um SMS ao marido.

" Quero pormenores!" escreve, mas nessa noite, já tarde, o marido diz:

" Teresa, és casada com um Inspector da Polícia; sabes que não posso falar sobre uma investigação em curso. Não é como dizer que o Osório pensa que é o Nikki Lauda e o Sargento da Recepção é fadista amador."

Embora saiba que ele tem razão, Teresa insiste:

" Foi o ex-marido? Só pode ter sido ele!" e o Inspector suspira profundamente.

Felizmente, o filho mais velho aparece na sala, a dizer que há um monstro debaixo da cama e o irmão não se cala.

Quando a mulher volta, o Torcato está a dormir no sofá e a Teresa não tem coragem de o acordar.


CONTINUA


quarta-feira, 25 de setembro de 2019

O PROBLEMA DA MADALENA - PARTE III


" Madalena Gonçalves... e este cartão diz que é médica nutricionista no Hospital do Covelo..." lê o Inspector " Deve ser a colega desaparecida da minha mulher..." acrescenta.

" Da sua mulher? " repete o Osório, mas o Torcato não responde. Diz apenas para ir com o médico legista, verificar as impressões digitais e se for realmente a Dra Madalena Gonçalves, terão que falar com o Hospital.

Infelizmente, as suspeitas do Torcato confirmam-se, é efectivamente a Dra Madalena Gonçalves e a única pessoa que conseguiram contactar é o ex-marido.

Este não parece ficar muito abalado, mas prontifica-se a identificá-la e faculta os contactos da sogra e da cunhada.

" Há quanto tempo não vê a sua ex-mulher? " pergunta o Sargento e o ex-marido encolhe os ombros.

" Eu e a Madalena só conversamos no gabinete dos advogados. Estamos a discutir a custódia do nosso filho." explica secamente " Tínhamos uma reunião marcada para a próxima sexta-feira."

O Sargento pede o nome dos advogados, " vou ter que verificar, o senhor compreende!" e antes que ele saia, coloca uma última questão:

" Não se importa de me dizer onde esteve ontem?"

" Trabalhei até às oito da noite e fui para casa. Tanto o porteiro do escritório como do prédio onde moro podem confirmar. Se é tudo..." e o Sargento apressa-se a abrir a porta.

" Que personagem tão antipática!" comenta mais tarde com o Torcato " Vou verificar tudo, até mesmo se será fácil entrar e sair sem ser visto dos prédios."

" Não estará a precipitar-se?" ri-se o Torcato, mas entende as suspeitas do Osório.

O ex-marido parece ser muito arrogante e é fácil concluir que a morte da Madalena resolve o problema da custódia.

" Oh, Osório, quero saber os pormenores desse processo de divórcio!"

" Também eu, Senhor Inspector, também eu!" concorda o Osório.



CONTINUA


O PROBLEMA DA MADALENA - PARTE II


" Não estará em casa da Mãe, da irmã, de uma outra amiga? Ou não terá um novo namorado? " sugere o Inspector.

" A Mãe foi visitar a irmã que vive na Irlanda e levou o neto para conhecer os primos." responde a Teresa prontamente " Quanto a namorados? Não... ela ficou muito traumatizada com o divórcio e ainda não chegaram a acordo relativamente à custódia.... Achas que o ex-marido a raptou? "

" Acho que estás a ler muitos romances policiais!" diz o marido a rir-se.

" Não podes telefonar lá para as Pessoas Desaparecidas e saber se há alguma denúncia?" pergunta a mulher, mas o Dinis abana a cabeça.

" Pelo que dizes, nem 24 horas passaram e não vou incomodar ninguém do Departamento, só porque a minha mulher acha que a amiga foi raptada!" observa " Podemos jantar qualquer coisa e simplesmente falar? "

O jantar foi sossegado, como sempre, a Teresa tinha algumas histórias para contar.

Não falaram mais sobre a Madalena, embora o Inspector sentisse que a mulher está preocupada.

Alguém daria o alarme; na Irlanda, há telefones e a Mãe contactaria as autoridades competentes se a filha não lhe telefonasse.

No dia seguinte, quando chega ao Gabinete, o Sargento Osório, recentemente transferido da Brigada Especial, informa-o de que apareceu o corpo de uma mulher na Praia da Volta.

" Dei instruções para que ninguém tocasse no corpo. Segundo diz o piquete, limitaram-se a deixá-la ali." concluí.

Quinze minutos depois estão na praia e a mulher parece estar a dormir.

Mas o médico legista afasta o lenço e nota-se marcas de asfixia no pescoço.

" Deve ter sido com o próprio lenço!" e o Inspector Torcato concorda.

Não deve ter sido roubo, a mala está ali perto da mão e não há sinais de violação, porque a roupa não está rasgada.

O Sargento Osório abre a mala e encontra facilmente a carteira. 

Entrega os documentos ao Inspector e confirma que não houve roubo.

" Tem cerca de trinta euros e umas moedas." comenta o Sargento " Sabemos quem ela é, Inspector Torcato? "


CONTINUA




terça-feira, 24 de setembro de 2019

O PROBLEMA DA MADALENA


O agora Inspector Dinis Torcato está satisfeito que o irmão, o detective Lionel Torcato esteja a trabalhar com o Inspector Bernardes.

" É um bom homem, exigente, mas muito profissional. Aprendemos com o melhor, o Inspector Leandro!" e o Dinis cala-se, lembrando-se do rigor com que o Inspector Leandro comandava a Brigada.

O irmão não diz nada, recebe de bom grado todos os conselhos, mas tem as suas próprias ideias e metas.

Por isso, o Inspector Dinis deixa-o em paz e vai para casa. 

A mulher, Teresa, médica nutricionista, já deve estar em casa e deve ter histórias bem engraçadas para contar.

Mas a Teresa está muito agitada, o que surpreende o Torcato. 

Encontra-se sempre o lado engraçado das situações, enche a casa de música e risos e o Torcato não se lembra da última vez que viu os olhos verdes da mulher sombrios e o cabelo loiro assim despenteado.

" O que aconteceu, Teresa? " pergunta, assustado " Alguma coisa com os miúdos?"

" Não, estão com a minha Mãe. Estou preocupada com a Madalena!" responde a mulher.

" A Madalena?" repete o Torcato.

" Sim, aquela médica que trabalha comigo no Hospital. Teve aquele divórcio conturbado, lembras-te? " explica a Teresa, impaciente.

" Ok e o que aconteceu agora? " insiste o marido, servindo-se de vinho. 

A Teresa recusa quando lhe oferece e conta:

" Hoje, não apareceu. Tentamos várias vezes ligar, mas ela não atendeu o telemóvel e agora, quando saí, fui até casa dela e a vizinha diz que não a vê desde ontem."


CONTINUA

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

OS NOVOS DETECTIVES - FIM



Mas o Faria não tem tempo de fazer nada, porque a situação com o " Blue Car" precipitou-se e toda a Brigada tem que colaborar.

O Torcato explica-lhe rapidamente os acontecimentos e o Faria prepara-se para o pior.

Surpreendem os suspeitos, mas estes estão a carregar as carrinhas e o verdadeiro perigo está dentro do edifício.

Apesar dos avisos de Brites, o Faria consegue descobrir uma porta lateral e entra sem ser visto.

Alguns elementos da Brigada do Inspector Marques Coutinho seguem-no e dominam os outros membros do gangue.

Pode dizer-se que a operação é um sucesso, mas Brites acha que o Faria se expôs ao perigo desnecessariamente.

" Isto não pode voltar a acontecer!" diz o Sargento, furioso " Desobedeceu às ordens, pôs em perigo os seus colegas e foi um sorte terem saído de lá só com golpes."

O Torcato sorri-lhe, mas o Faria encolhe os ombros.   

Tem problemas mais sérios e não sabe mesmo como os resolver.

E, fica assustado com o SMS que recebe, mas, depois pensando bem, do que é que estava à espera?

Eles tinham descoberto o seu " calcanhar de Aquiles" e se não lhes obedecesse, o Faria sabe que a vida tornar-se-á ainda mais complicada.

Por isso,  o que é que vai acontecer?

Isso será uma outra história.....



FIM

domingo, 22 de setembro de 2019

OS NOVOS DETECTIVES - PARTE VI


... que esteja a trabalhar como " infiltrado", mas o Torcato rejeita de imediato a ideia, é o primeiro ano como detectives.

O Torcato cresceu com um irmão detective, agora Inspector e sabe que há regras e protocolos a seguir.  Claro que há "desvios", ele sabe, mas não pensa nisso.

De qualquer forma, resolve seguir o Faria nessa noite. 

Há ali qualquer coisa que não lhe está a agradar e receia que o colega o possa prejudicar indirectamente.

Por isso, às nove da noite, quando o Faria sai, um pouco irritado, porque o Brites o criticou na forma como organizou o serviço, o Torcato segue-o.

Fica surpreendido quando o vê bater na porta de serviço, ouve-o murmurar uma senha e alguém saudá-lo amigavelmente.

Jogo? Jogo clandestino, só pode ser, Torcato tem quase a certeza.

Toma nota do nome do clube, da rua e no dia seguinte, investiga.

Confirma o que pensava, mas não sabe se deve confrontar o Faria ou avisar o Inspector.

Afinal, é só uma suspeita, não tem provas.

O Torcato ainda não sabe, mas o Brites está atento aos passos do Faria.

Falou ontem com alguém que o conhece bem e as informações não foram as melhores.

O Faria, naquela manhã até está de mau humor; perdeu bastante e não sabe o que vai fazer para pagar a divida.

Talvez pedir dinheiro emprestado aos pais, mas já o avisaram de que seria a última vez.


CONTINUA


sábado, 21 de setembro de 2019

OS NOVOS DETECTIVES - PARTE V


" Vamos falar com o Marques Coutinho... este é um dado importante!" decide o Bernardes " O Torcato vai comigo e, Brites... fale também com a Brigada Anti-Fraude... Se são irmãos, não me admira que estejam na mesma área de negócio."

" E, eu? " pergunta o Faria, mas o Inspector ignora-o.

É o Sargento quem lhe responde trocista:

" Vai procurar todos os processos relacionados com a Viela onde a vítima apareceu e seleccionar aqueles em que a morte foi semelhante à desta." 

O Faria ignora a ironia, até sorri e só diz:

" Para ontem?" e o Brites sorri também e repete " Para ontem!"

Quando o gabinete fica vazio, o Faria diz um palavrão e pega no telemóvel.

Há duas chamadas perdidas do Brites e uma do Torcato, provavelmente para o avisar.

O Faria encolhe os ombros, interessa-lhe mais a outra chamada. 

O nº é privado, mas ele sabe bem quem lhe telefonou.

É que ele tem um vício perigoso, mas até agora tem tido sorte.

Deve haver um jogo esta noite, com apostas altas tal como ele gosta.

Só não sabe se é no local habitual. 

É isso que precisa de saber e telefona para o contacto habitual.

Como pensa que está sozinho, não baixa a voz.

Só que o Torcato esqueceu-se do telemóvel (maldição! Que cabeça a minha) e volta atrás.

Ouve apenas a parte final, mas acha estranho o Faria estar a marcar um encontro num local de má fama.

A não ser ....


CONTINUA




sexta-feira, 20 de setembro de 2019

OS NOVOS DETECTIVES - PARTE IV


O Faria chega meia hora mais tarde, de casaco no braço e o Bernardes nota que ele tem uma tatuagem.

O Inspector apressa-se a interpelá-lo para evitar que haja um confronto entre o detective e o Brites.

" Onde esteve? Porque é que não atendeu o telemóvel?" exige saber numa voz baixa, mas cortante.

O Faria fica parado no meio da sala, está surpreendido por ser o Inspector a perguntar.

" Fiz-lhe uma pergunta e espero uma resposta." repete o Bernardes na mesma voz baixa, mas o Brites sabe que aquele tom pode mudar de um momento para o outro e não será nada agradável.

" Estive com o médico legista e há pouca rede." explica o Faria calmamente.

Ainda não percebeu que não é forma de agir, pensa o Torcato e o Brites tem vontade de intervir.

" Mas cá fora há e não pensou que seria uma boa ideia verificar as chamadas perdidas? " continua o Bernardes.

" Eu só fui ao médico legista e vim directo para cá. Não estamos a trabalhar num caso activo...." justifica-se o Faria.

" Eu decido se o caso está activo ou não. E, deve SEMPRE, está-me a ouvir? VERIFICAR o telemóvel, porque alguém pode ter enviado um SMS ou deixado uma mensagem. " insiste o Bernardes num tom muito seco e autoritário.

O Faria cora violentamente, ser apanhado em falso logo no primeiro dia e murmura uma desculpa que, como descobrirá mais tarde, não agrada ao Inspector.

" O relatório do médico legista? Conseguiu identificar a vítima? " pergunta o Brites.

" Ah, segundo o médico legista, ele deve ser parente de...." e o Faria tira um bloco de notas que folheia nervosamente "... Bernardo Sousa...."

" Bernardo Sousa???" interrompe o Torcato, mas o Brites é mais rápido e diz:

" Está relacionado com o " Blue Car!"


CONTINUA


quinta-feira, 19 de setembro de 2019

OS NOVOS DETECTIVES - PARTE III


" Não sei, mas aquele Faria.... não confio nele!" desabafa o Brites ao almoço.

Hoje, o prato do dia é frango assado e é isso que ele e o Inspector pedem.

" Tenho quase a certeza de que, se não recebesse o relatório dentro do prazo, ele voltava a telefonar ou ia até ao gabinete do médico legista!" diz o Bernardes.

" Também eu! Mas foi a forma como me respondeu!" confirma o Sargento.

" Sim, reparei que foi um pouco arrogante. Temos que estar atentos a isso, mas eles começaram ontem. Vamos com calma!" aconselha o Inspector.

Quando regressam ao gabinete, o Torcato deixou-lhe em cima das respectivas secretárias os processos pendentes e tanto o Bernardes como o Brites ficam satisfeitos com a forma clara como estão organizados.

" Bom trabalho, Torcato!" elogia o Sargento e o Torcato sorri, satisfeito.

" Fiquei com o processo " Blue Car" aqui comigo..." explica o novo detective " porque recebi uma chamada de um Inspector... ah, Marques Coutinho a pedir para o Inspector ou o Sargento o contactarem logo que possível."

" E é sobre esse processo que ele quer falar? " pergunta o Bernardes.

O Torcato acena que sim e Brites percebe que o detective foi ao arquivo buscar o processo para se inteirar do assunto.

" Bem, muito bem!" repete o Inspector satisfeito " Faz-me a ligação? " e, ao reparar que o Faria não está, comenta:

" O Faria ainda não veio de almoçar? " mas o Torcato não sabe.

Brites abana a cabeça, aborrecido. vê que o relatório do médico legista não está na secretária e resolve ligar para o telemóvel do Faria.

Vai directo para a caixa de mensagens e o Brites bate impaciente com os nós dos dedos na secretária.


CONTINUA

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

OS NOVOS DETECTIVES - PARTE II


Mais tarde, o Brites não consegue explicar porque é que antipatizou com o Faria.

Seria o seu porte atlético? Vestir totalmente de preto e ter o cabelo cortado à escovinha? Ou ter um olhar insolente?

" Não sei!" diz à mulher nessa noite " Não confio nele! Acho que se vai armar em herói e pôr toda a gente em perigo!"

" Que disparate!" responde a Carla " O homem só lá está há um dia, como é que podes dizer isso?"

Quanto ao Torcato, é muito parecido com o irmão. 

Talvez seja um pouco mais baixo, mas tem os mesmos olhos vivos e observadores e parece ser igualmente simpático.

Nesta manhã, está a organizar os processos e o Bernardes sussurra ao Brites que o está a fazer de uma forma muito eficaz.

" O irmão era um pouco trapalhão. Eficiente, mas desorganizado. Quantas vezes tive que lhe devolver os processos, porque ele não incluiu um relatório." ri-se o Sargento.

Quanto ao Faria, está sentado calmamente na secretária. Parece não estar a fazer nada e o Brites não gosta dessa atitude.

Por isso, atravessa a sala rapidamente e, surpreendendo o outro com uma palmada forte na secretária, pergunta-lhe:

" Então, o relatório do médico-legista que lhe pedi? E já contactou o Arquivo?"

" O médico diz que o envia dentro de meia hora e quanto ao Arquivo, dizem que vai demorar algum tempo a encontrar os processos que quer." e Faria sorri como quem diz " não me aborreças".

" Ok, então vá buscar pessoalmente o relatório ao médico-legista e depois de mo entregar..." frisa o Sargento " vai ajudar o Arquivo a localizar os processos. Preciso disso para ontem!" acrescenta num tom que não admite réplica.


CONTINUA


terça-feira, 17 de setembro de 2019

OS NOVOS DETECTIVES


Com a transferência do Marques para o Departamento de Homicídios na Madeira, Bernardes tem que contratar novos detectives.

Enviaram-lhe os CV's e o Bernardes está hesitante entre contratar o Detective Lionel Torcato (irmão do agora Inspector Torcato, com quem trabalhou sob as ordens do Inspector Leandro) e Pedro Faria.

Brites, que também leu os CV's, sugere:

" Deixe vir os dois; esclarece bem que, ao fim de seis meses, um é transferido para outra Brigada e ficamos com o melhor homem."

" Treinar dois homens ao mesmo tempo?" estranha o Inspector.

" Porque não? Por exemplo, o Torcato fica como elemento de ligação com a família e o Faria trata das comunicações e depois rodam." defende o Brites.

" É capaz de resultar!" concede o Bernardes e, brincalhão, diz " Então, isso significa que, no próximo caso, o Brites trata só da papelada."

O Sargento ri-se e observa:

" Não, o Faria também pode tratar disso e eu faço as rectificações necessárias!"

" Então, vou informar a Brigada que o Torcato e o Faria ficam connosco à experiência durante seis meses." e Bernardes envia o ofício.

Quando o Torcato e o Faria entram no Departamento naquela manhã, o ambiente da Brigada é caótico.

O Brites fala com duas pessoas ao telefone ao mesmo tempo e o Bernardes está desesperado, porque a impressora encravou.

" Ah, Torcato, Faria? " pergunta o Inspector " Óptimo! Um de vocês tente pôr isto a funcionar e o outro ajuda o Bernardes quando este desligar."

Os dois detectives olham um para o outro, como quem diz " estamos na Terra ou a lidar com extraterrestres", mas apressam-se a obedecer.

O Torcato desencrava a impressora e o Faria aguarda que o Bernardes desligue.


CONTINUA

domingo, 15 de setembro de 2019

LEVIANA - FIM


Cristina fica sem palavras e volta a sentar-se à secretária. A D.Guiomar acaba de despejar os caixotes e saí da sala apressadamente.

Nas semanas seguintes, a Helena e a Margarida estão tão entusiasmadas com o projecto que nem se apercebem que qualquer coisa está a correr mal com o da Cristina.

A D.Guiomar, que teve uma grande discussão com a Cristina, diz-lhe que o cliente rejeitou a primeira maquete e ela teve que a refazer.

Contudo, nem com as rectificações que fez, o cliente está satisfeito e a Cristina está exasperada.

O Chefe também está irritado, porque o cliente ameaça encarregar outra empresa do assunto.

" Ela vai pedir-lhe ajuda!" diz a D.Guiomar " Ouvi-a falar nisso no bar, mas ainda não o fez porque é muito orgulhosa."

É a vez da Margarida ficar sem palavras e a primeira reacção é dizer à Cristina para pedir ajuda a outra.

Depois caí em si e percebe que está a ser injusta. Não custa nada ouvir o que a Cristina tem a dizer.

Mas não é a Cristina que lhe fala no assunto; é o Chefe, que está a ser pressionado não só pelo cliente como pelo Director do Departamento.

A Margarida é sincera, claro que ajuda, mas que tem pena que a Cristina não o tenha pedido pessoalmente.

Não, não é bem assim; ela devia ter participado desde o principio, mas, repete, não se fala mais no assunto.

Vai precisar de algum tempo para se inteirar da situação e a própria Helena se oferece para ajudar.

A atitude trocista da Cristina desaparece, a D.Guiomar faz comentários cheios de rancor até que a Benedita lhe chama a atenção de uma forma um pouco rude.

" Às vezes, é como entendem as coisas..." justifica.

Contudo, a Benedita espera que todas tenham aprendido uma lição... 

Porque têm que esquecer a estupidez e trabalhar mais no espírito de equipa.


FIM


sexta-feira, 13 de setembro de 2019

LEVIANA - PARTE IV


O Chefe até recebeu um novo pedido e não vê qualquer problema que seja a Margarida a tratar do assunto.

" Pode pedir ajuda a uma colega!" e a Margarida decide que a Helena é a pessoa indicada.

Esta fica muito satisfeita, sente-se um pouco esquecida, posta à margem e é uma boa oportunidade para demonstrar que pode fazer um bom trabalho.

A primeira coisa é, diz a Margarida, marcar uma reunião com o cliente e saber exactamente o que ele pretende.

" Podemos ter já alguns esboços e depois, alteramos em função da ideia do cliente!" sugere a Helena, entusiasmada.

" Ora, ora, as crianças estão divertidas!" comenta a Cristina e a D. Guiomar, que está a despejar os caixotes, ri-se abertamente.

" Parece que quem está com tempo para brincar é a Cristina!" diz calmamente a Margarida.

" Eu??? Eu estou bastante ocupada!" responde a Cristina e a D.Guiomar continua a rir.

A Helena começa a ficar nervosa, com a boca seca, mas finge que não ouve nada.

Chama a atenção da Margarida para um detalhe que não é relevante para o caso, mas não quer que haja discussões.

Contudo, a Cristina continua a dar piadas e a Helena percebe que a Margarida está a começar a perder a paciência.

" E, continua convencida de que é uma grande profissional.... e no, fundo...." repete a colega.

" E, no fundo, até podemos ser muita coisa, mas não somos malcriadas!" interrompe a Helena em voz baixa, mas firme.

Um conselho que a Mãe lhe deu...


CONTINUA



quinta-feira, 12 de setembro de 2019

LEVIANA - PARTE III


" Há quem pense que temos que pensar como vamos responder caso a outra pessoa diga isto ou aquilo." continua a Margarida " Não tenho o dom de adivinhar os pensamentos dos outros; há quem reaja de imediato com uma piada... Se responder, respondi, caso contrário, não vou pensar mais no assunto."

" Ás vezes, fico a pensar no que deveria ter dito e isso tira-me minutos de vida!" confessa a Helena " Mas há pessoas que vivem para isso!"

" Pessoas com vidas vazias." replica a outra e não diz mais nada.

A Cristina está sentada na secretária da Margarida, a vasculhar papéis e esta pergunta-lhe:

" Procura alguma coisa? " e a Cristina vira a cadeira e enfrenta-a.

" A folha excel com os custos previstos? Não está no processo e preciso de a actualizar."

" Não está no processo?" admira-se a Margarida " Tem a certeza? Interessante, ontem estive com o processo e tenho quase a certeza de que a vi lá!"

" Está a duvidar da minha palavra? Vá lá, dê-me a folha excel ou melhor, envie-me por email. Já, de imediato!" ordena.

A Margarida fica calada por uns segundos, respira fundo e responde:

" A Cristina é minha colega de trabalho, não me dá ordens. Pede-me por favor!"

" Ora, ora, temos aqui uma criança e não sabíamos" ri-se a Cristina, mas antes que a Margarida tomasse qualquer atitude, a Benedita, que está sentada na secretária ao lado, atalha:

" Talvez seja, mas a Cristina é muito, mas mesmo muito malcriada. A Margarida manda-lhe a folha excel quando tiver tempo!"

A Cristina fica muito corada, mas não se atreve a contrariar a colega. 

A Benedita diz o que tem a dizer e pouco importa quem esteja presente.

A Cristina regressa à secretária dela e baixinho, a Benedita aconselha a Margarida:

" Não podes deixar que isto aconteça novamente. Subiu-lhe à cabeça o facto do Chefe a ter deixado tratar deste assunto sozinha."

A Margarida agradece com um sorriso e passa o resto do dia a pensar no assunto.

No dia seguinte, pede para falar com o Chefe.

CONTINUA

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

LEVIANA - PARTE II


Há uns dois, três anos, a Helena esteve numa situação parecida à da Margarida, protestou e o Chefe da altura, além de ter sido inconveniente, humilhou-a à frente dos colegas.

A Helena considerou sair, mas tinha casado há pouco tempo, precisava do ordenado e com a nomeação de um outro Chefe, pensou que a situação se modificaria.

Pelos vistos, não, parece que ainda funciona nos mesmos moldes.

Está solidária com a Margarida, mas receia que as pessoas distorçam o sentido dos comentários.

Mas daí dizerem que não é de confiança e invejosa... por amor de Deus, será que se vêem ao espelho?

Nessa manhã, arrisca fazer um comentário solidário à Margarida.

" Porque é que não falas com o Chefe? Pede-lhe que te confie uma nova conta.. Tu és criativa... vais conseguir!"

" Não sei... estou muito aborrecida e então agora que a Cristina resolveu mudar todo o esquema de cores... Já o viste?" pergunta a colega.

" Não, ela só o mostra aos preferidos!" responde a Helena e arrepende-se de imediato, pois a D. Guiomor, que trabalha na distribuição e limpeza entra no vestiário.

" Então, a dizer mal dos outros? Coisa feia!" repete alegremente, fixando o olhar na Margarida.

" Que ideia, D. Guiomar! Tenho lá tempo para isso!" observa a Margarida, saindo.

A Helena segue-a rapidamente e imagina já os comentários que vão circular pela empresa.

" Não te preocupes com aquela senhora! " diz a Margarida, como se tivesse adivinhado o que a preocupa " Não vale a pena, ela vai contar uma história; por isso, segue em frente."


CONTINUA

terça-feira, 10 de setembro de 2019

LEVIANA


" Acabou bem, acabou bem!" repete a Margarida " Acabou para ela, eu é que estou tramada... Para não dizer coisa pior!"

A Helena não sabe o que dizer, porque a Margarida tem uma certa razão.

A Cristina e a Margarida apresentaram uma proposta conjunta para o design do logótipo de uma empresa cliente e o Chefe achou que a Cristina estava mais qualificada para a desenvolver.

Claro que a Margarida não aceitou bem, afinal dedicou bastante horas à concepção da proposta e agora, tem que trabalhar sob as ordens da Cristina.

Será que a Cristina se apercebeu de como a Margarida ficou magoada?

 A Helena está convencida que não, ontem falou-lhe como se a Margarida fosse muito burra e não entendesse o que queria.

Bolas, pensa a Helena, a Margarida também contribuiu para o sucesso da proposta e sabe o que há a fazer para a desenvolver.

Isto não vai dar certo, desabafa com o marido, mas este aconselha a não interferir.

" Já sabes como é, ainda te metem ao barulho e acabas por ficar mal."

Por isso, a Helena limita-se a dizer à Margarida para ter calma e quando a Cristina lhe pede uma opinião, é vaga.

Quando dá por ela, corre o rumor de que é leviana, pouco confiável, invejosa.

O que não lhe agrada nada.


CONTINUA