sexta-feira, 30 de agosto de 2019

A CONFISSÃO - PARTE V


O Henriques conseguiu contactar o outro barman e o porteiro do Clube que, descobriu, tem cadastro.

" Agressão, posse de arma não registrada..." diz o Henriques " Falei com a Brigada Anti-Fraude e eles dizem que tinham recebido umas dicas sobre o Clube da Paixão. Jogo ilegal." acrescenta.

" A Zita disse à irmã que o ambiente estava pesado, que havia ali um esquema que não percebia..." repete o Bernardes.

" Também pode ter dito à Vera, alguém as viu e comunicou o facto..." interrompe o Brites " Acharam melhor matá-las...."

" É uma hipótese, mas porquê o Prates? " pergunta o Bernardes.

" E, se o Prates for o cabecilha? " sugere o Henriques e os outros ficam surpreendidos.

" Pode ser..." admite o Inspector " Mas a questão continua a ser: porquê? E, porquê a Vera?" 

" Pode haver alguém acima dele que achou que o Prates colocou a operação em perigo." observa o Brites " Talvez o porteiro nos diga alguma coisa de útil."

O Bernardes pensa que o porteiro é apenas um peão, mas pede ao Henriques para o ir buscar.

O Brites resolve falar com o barman, que fica muito surpreendido com a visita.

" Sim, conhecia a Zita e a Andreia. Eram boas pessoas, não entendo porque é que foram mortas. " comenta.

" Conhece o barman que o substituiu?" mas o outro abana a cabeça.

" Lamento, mas nunca o vi. Não sei quem é. Acho que foi o porteiro que o recomendou. Pelo menos, foi o que a Zita e a Andreia me contaram quando me visitaram... Sim, queixaram que era um pouco arrogante, que entrava no camarim sem pedir licença e estava sempre com pressa para fechar o clube. Eu esperava por elas, acompanhava-as até ao parque de estacionamento, à praça de táxis." explica.

Pois, pensa o Sargento, o clube tinha que estar livre para o jogo.

CONTINUA


quinta-feira, 29 de agosto de 2019

A CONFISSÃO - PARTE IV


Mostram-lhe uma foto da Vera, mas o gerente não a reconhece.

Contudo, o Brites fica com a impressão de que sabe mais do que diz, mas para já, vai pedir a Henriques para confirmar a informação. 

" Talvez seja melhor segui-lo!" acrescenta e Henriques apressa-se a cumprir a ordem.

Entretanto, a irmã da dançarina mostra-se faladora e dá-lhes informações valiosas.

Sim, sabe muito bem quem é a Vera, frequentaram a mesma escola. 

Depois, a vida acontece, casa-se, muda-se para outra zona e com o trabalho e as obrigações familiares, deixa de a ver.

" Mas sei que a Zita a encontrou uns meses antes de morrer!" explica " Acho que foi lá perto do Clube... O que é que tem isto a ver com a morte da minha irmã? "

" A Vera foi encontrada morta na mesma viela e estamos a tentar perceber se os dois casos estão relacionados." responde o Inspector Bernardes.

" Acham que foi a mesma pessoa? Nas últimas semanas, a Zita queixava-se que o ambiente estava muito pesado... Não gostava nada do novo barman, era arrogante e bruto." diz a Rosário.

" Porque é que dizia isso? " pergunta o Bernardes " Maltratou-a? "

" Não, a Zita não permitia isso. Ela achava que eles tinham um esquema qualquer, mas não sabia se era droga ou jogo ilegal. " observa a irmã " Não sei mesmo, a Zita morreu e foi muito doloroso."

" Compreendo. Obrigada por ter vindo, o Agente Morais acompanha-a à saída." despede-se o Bernardes.

" Sr Inspector, acha que vai encontrar quem fez isto à minha irmã?" insiste a Rosário.

" Vamos tentar. Se precisarmos de mais alguma coisa, entramos em contacto. Obrigada." repete o Inspector.

O que é que estava a acontecer verdadeiramente no Clube da Paixão?



CONTINUA

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

A CONFISSÃO - PARTE III


O Chefe escuta-os atentamente, faz algumas perguntas e depois diz:

" Concordo com o Bernardes. Não acho que esteja relacionado com o tráfico de droga, talvez seja alguma coisa que a Vera viu ou pensaram que ela viu."

" Exactamente! Pode estar relacionado com a morte das duas dançarinas do tal Clube da Paixão." concorda o Bernardes.

" E o Prates? " interrompe o Leitão, aborrecido com o rumo da conversa.

" Viram-no a conversar com a Vera... Ela conversava com ele..." atalha o outro Inspector " Vamos interrogar novamente os funcionários do Clube da Paixão."

" Certo, mantenham-me ao corrente. E, Leitão..." observa o Chefe " Atenção à forma como interroga as pessoas. Recebi uma queixa de um tal Pedro Mesquita, barman no Clube da Saudade."

O Leitão fica calado, tinha consciência de que tinha sido um pouco agressivo e tudo o que o barman tinha dito era válido.

Por isso, murmura uma desculpa e saí apressadamente da sala.

Henriques diz a Bernardes que conseguiu localizar o gerente da noite e a irmã de uma das dançarinas mortas.

" Ninguém sabe onde está o barman. Pelos vistos, foi uma contratação temporária e o nº de telemóvel que indicou está desligado."

" E a morada não deu em nada. Existe, mas não mora lá ninguém com aquele nome." explica o Brites.

" Temos que falar com o gerente, pode ser que tenha mais detalhes." replica o Bernardes, mas duvida que este saiba responder a essas questões.

Não, não foi ele quem o contratou. Era conhecido do porteiro, o barman habitual tinha adoecido, explica o gerente.

CONTINUA

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

A CONFISSÃO - PARTE II


Bernardes suspira, sabe muito bem que o Brites ouviu a discussão e partilha da sua opinião, mas opta por não falar do assunto.

" Já conseguimos identificar aqueles dois números que aparecem na conta de telemóvel da Vera?" pergunta.

" Um está desligado... " diz o Brites " O outro... não entendo muito bem porque é que ligaram, e tantas vezes, do outro clube."

" Que outro clube? " Bernardes está surpreendido " A Vera trabalhava noutro clube? Segundo o relatório, ela trabalhava na empresa de serviços e aos fins de semana no tal Clube frequentado pelo nosso amigo Prates."

" Não temos conhecimento disso, mas confirmamos que o numero está associado ao Clube da Paixão. Vai para o voicemail, o Clube está fechado porque as duas dançarinas que apareceram mortas no mesmo local que a Vera trabalham lá." explica o Henriques.

" Já contactamos a Brigada que está a investigar o caso e pedimos que nos dessem o nome do dono e dos empregados." concluí o Sargento.

" O nosso caso estará relacionado com o dessas dançarinas? A Vera terá visto alguma coisa, o assassino matou-a antes que ela falasse? " especula o Bernardes.

" E o Prates foi morto porque pensaram que a Vera lhe contou...É uma hipótese." concorda o Brites.

" Sim, acho que isto não tem nada a ver com droga, mas sim, com a morte dessas dançarinas.  Vamos falar com o Inspector que está a tratar do caso." insiste o Bernardes.

O colega confessa que o caso está um pouco complicado, suspeita que tanto o dono como o barman sabem mais do que dizem, mas ainda não tem provas suficientes para os acusar.

Não, o nome Vera nunca surgiu na investigação, mas era possível que ela estivesse em contacto com alguém do clube, apesar da rivalidade entre os dois locais.

Já tinha enviado email com os nomes ao Brites e sim, mais tarde podem ter uma reunião e discutir o assunto.

" Que confusão!" desabafa o Henriques " O que dirá o Inspector Leitão quando souber disto? " acrescenta, mas o Brites não responde.

O Chefe da Brigada quer ter uma reunião urgente com os dois inspectores.

CONTINUA

domingo, 25 de agosto de 2019

A CONFISSÃO


A Teresa está furiosa...

Adiar as férias? Mas que história é essa? refila quando o Brites lhe diz que não pode ir por causa do caso.

Está tudo marcado, avião, hotel, ela a pensar que o ia ter só para ela durante uns dias.

Leva a tua irmã, divirtam-se as duas, aconselha o Brites e saí antes que a Teresa responda.

" Oh, pá, porque é que fizeste isso?" pergunta o Henriques.

" Quero ter a certeza de que aquele idiota do Leitão não destrói o caso.... Aquele tipo é impossível... Viste como interrogou o barman? " explica o Brites.

" Mas o Inspector Bernardes já está ao serviço..." diz o Henriques, mas nesse momento, ouvem gritos vindos do gabinete do Inspector.

" Ninguém está a dizer que o caso não é seu!" explica o Bernardes pacientemente " Só peço que entenda que o caso da Vera é nosso e deixe que seja a minha Brigada a explorar a ligação a esse tal Prates."

" Mas a Vera deve ser cúmplice do Prates..." interrompe o Leitão, furioso.

" Cúmplice em quê? Nem sequer tem a certeza de que o Prates é um traficante de droga!" observa o Bernardes, sensatamente.

" Mas vou descobrir... Essa tal Vera pode ter sido um " correio"!" insiste o outro Inspector.

" A desgraçada nunca saiu do País, tinha uma vida modesta e todos dizem que era uma pessoa muito honesta." e Bernardes senta-se com um esgar de dor.

O Leitão apercebe-se e não diz mais nada. Com um " falamos depois", saí do gabinete.

" O Inspector precisa de alguma coisa? " pergunta o Brites.

CONTINUA

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

DESAFIO AOS COMENTADORES


Aqui fica um novo desafio:

A Vera fala sobre quem a estava a controlar?

O Bernardes regressa e fica aborrecido porque o Inspector Leitão acha que a equipa deve continuar a trabalhar com ele?

É a vez do Brites ir de férias, mas acha que não o deve fazer enquanto não resolverem o caso?

O Henriques pede transferência para outra Brigada?




Aguardo os vossos comentários para escrever uma nova história.

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

AGOSTO - FIM


O Brites decide visitar o Maurício Prates e fazer-lhe algumas perguntas.

A Márcia acha que, no fundo ele é inofensivo, mas o barman e o porteiro descrevem-no como obsessivo.

Quem terá razão? Será que a Vera lhe contou alguma coisa? desabafa com o Henriques e o detective concorda que talvez o consultor tenha algumas respostas para o caso.

O Maurício não está, diz a recepcionista da agência e não, não sabe se está fora em visitas com clientes.

Tem horário livre, ele organiza a sua própria agenda, talvez esteja em casa, quem sabe? e encolhe os ombros, aborrecida.

Brites depreende que não morre de amores pelo consultor e não insiste.

" Vamos até casa dele!" exclama o Sargento quando voltam para o carro " Alguém nos há-de dizer alguma coisa."

Contudo, ficam surpreendidos quando vêem carros da policia em frente do prédio onde o consultor mora.

" O que se passa? " pergunta o Henriques, mas o Brites já saiu do carro e mostra o distintivo ao policia.

" Deve ter sido um assalto...." explica o policia " e espancaram o dono da casa... Violentamente...."

" Já sabem quem é a vítima? " interrompe o Sargento, pois algo lhe diz que quem morreu foi o Maurício Prates.

O polícia não sabe, mas o Brites vê o Inspector Leitão a sair do prédio.

Chama-o e o colega fica surpreendido por o ver ali.

" O que se passa, Brites? O que estás a fazer aqui?" diz um pouco contrariado.

" Estou à procura de um tal Maurício Prates. Pessoa de interesse num dos meus casos." acrescenta.

" Maurício Peres? " repete o Inspector Leitão " Mas esse é o nome da minha vitima..." e um pouco mais sério, questiona:

" O que se passa, Brites? Qual é a ligação? " e Henriques sabe nesse momento que o Inspector vai tomar conta do caso e eles vão ter que partilhar tudo o que sabem.

Porque é que o Inspector Bernardes adoeceu, porque é que o Freitas foi de férias?

Tem que confessar que, tal como Brites, detesta o mês de Agosto!


FIM

terça-feira, 20 de agosto de 2019

AGOSTO - PARTE V


Alguém bate no vidro do carro e os dois sobressaltam-se.

É uma mulher jovem, ruiva, sardenta e com um corpo escultural, pensa o Henriques. Deve ser uma das dançarinas, considera o Brites por sua vez.

Apresenta-se, chama-se Márcia, serve às mesas e sabe bem quem é o Maurício.

Ouviu parte da conversa, ia a entrar, mas não quis falar em frente do barman e do porteiro.

Brites fica com a impressão de que não gosta deles e pergunta:

" O que me pode dizer sobre esse tal Maurício...?

" Prates, consultor imobiliário. " completa a Márcia " Não é que seja má pessoa, mas acha-se o melhor do mundo, exige a perfeição, mas ultimamente, parece que as coisas não estão a correr bem."

" Sabe o nome da imobiliária onde trabalha? " interrompe o Henriques.

" É aquela famosa, a que se vê nos anúncios. Tenho aqui um cartão dele; estava sempre com eles na mão." responde a rapariga e o Brites acena que sabe qual é.

" Acha o Sr Prates capaz de violência, de assédio? " mas a Márcia só ri.

" Não, como disse, pensa que é o melhor do Mundo e embora conversasse muito com a Vera, não creio que tenha havido qualquer tipo de ligação."

Brites e Henriques agradecem a informação, a Márcia despede-se com um sorriso.

" Acho que devemos falar com esse tal Maurício Prates. Ouvir a versão dele..." comenta o Brites.

" Mas não acha que seja o nosso assassino? " afirma o Henriques.

" Não... mas a Vera pode ter-lhe dito qualquer coisa sobre o que a estava a assustar." diz o Sargento. " E, já, vamos investigar melhor o barman e o porteiro."

" E, veremos se o gerente nos telefona. Até aposto que não o vai fazer!" acrescenta o Henriques, mas perde, pois o gerente telefona e confirma tudo o que a Márcia disse.


CONTINUA




sábado, 17 de agosto de 2019

AGOSTO - PARTE IV


" Aos fins de semana, como empregada de bar. Ajudava também nas limpezas..." explica o barman " Gostava dela, era simpática, bem educada.."

" Como se dava com os clientes? " pergunta o Henriques.

" Mantinha uma certa distância... Mas encantou-se com o Maurício." responde o porteiro e o barman concorda.

" Quem é esse Maurício? " insiste o Brites.

" Um cliente habitual, um pouco obsessivo... Já tive que lhe chamar a atenção, pois as dançarinas queixaram-se." confessa o porteiro " Nada de violência, mas críticas duras à performance ou aos trajes."

" Sabem o apelido dele? Contacto, etc? " questiona o Henriques e o barman abana a cabeça.

" Talvez o gerente saiba ou alguma das dançarinas tenha ficado com o cartão dele, mas só devem chegar daqui a uma hora, hora e meia." acrescenta.

Brites entrega-lhe o cartão dele, aguarda o contacto do gerente, mas antes de se ir embora, ainda pergunta:

" Estão ao corrente do que se passou na Viela? Das dançarinas assassinadas?"

" Sim, mas elas não trabalhavam cá e nunca as nossas dançarinas saiam por aí. Só utilizamos essa porta para levar o lixo." e o porteiro comenta:

" Também a mataram aí? Acham que está relacionado? " e o Henriques, diplomaticamente diz:


" Ainda não sabemos. Estamos a explorar várias hipóteses." e no carro, o Sargento murmura:

" Espero que o gerente saiba alguma coisa sobre esse tal Maurício. Pode ser a tal pessoa que a estava a perturbar. Obsessivo...." 


CONTINUA

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

AGOSTO - PARTE III


" Vamos ver se a Vera apresentou alguma queixa..." diz o Brites quando saem da empresa.

" Não vamos falar com esse namorado? " questiona o Henriques.

" O Freitas fala nesse namorado nas notas?" pergunta o Brites, mas o Henriques não tem a certeza.

Também não encontra qualquer queixa de violência doméstica e os dois acham a história muito estranha.

" Não me pareceu que a senhora estivesse a mentir.... Mas porque será que o Freitas não a interrogou?" comenta o Brites.

" Interrogamos novamente a família? " sugere o Henriques " Estão aqui os nomes da Mãe e de uma das irmãs."

Brites abre novamente o ficheiro e qualquer coisa no relatório da autopsia chama-lhe a atenção.

" A Vera foi espancada e encontrada na Viela do Carmo, por trás do Clube Vira-Latas... Isto diz-me qualquer coisa...." e levanta-se para pesquisar.

O Henriques, curioso segue-o e Brites solta um grito de satisfação.

" Duas dançarinas desse Clube foram espancadas naquela Viela..."

" Será que a Vera trabalhava lá e foi morta por um cliente possessivo? " questiona o outro detective.

" E, talvez tenha sido isto que chamou a atenção do Freitas! Vamos até ao Clube?" e, sem esperar por resposta, o Sargento desce as escadas apressadamente.

O Henriques ainda pensa dizer-lhe que o Clube pode estar ainda fechado, mas o Sargento está tão entusiasmado que seria uma pena desiludi-lo.

O Clube ainda está fechado, mas o porteiro e o barman já lá estão e, embora surpreendidos, acedem responder às perguntas do Sargento Brites.

" A Vera? Querem falar sobre a Vera? " repetem.

" Então, trabalhou aqui? " e Brites sorri triunfante.

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

AGOSTO - PARTE II


A D. Maria de Lurdes não tem mais do que cinquenta anos e é chefe de equipa numa empresa de serviços.

Está a chegar de um trabalho quando o Brites e o Henriques se apresentam.

Com o acordo do Chefe de Serviço, sentam-se na sala de espera.

" D.Maria de Lurdes, temos algumas perguntas a fazer a propósito da Vera Antunes." diz o Bernardes.

" Sabe o que lhe aconteceu, não sabe?" questiona o Henriques por sua vez.

" Sim, foi morta, assassinada!" responde a senhora " Pensei que já tivessem apanhado o responsável..."

" Não, o caso está ainda a ser investigado. A senhora aparece como testemunha, mas não encontramos as suas declarações." explica o Sargento.

" Ninguém falou comigo; quero dizer, estiveram cá na empresa a fazer perguntas, mas foi só para saberem se tínhamos visto a Vera naquele dia." confessa a D. Maria de Lurdes.

" E, viram? " interrompe o Henriques e a senhora acena que sim.

" A Vera não estava bem! Ela não quis falar sobre isso, mas eu percebi que tinha qualquer coisa que a incomodava." comenta a colega.

" Porquê? Como é que ela era? " intervém o Brites.

" Simpática, honesta, boa trabalhadora...Creio que tinha problemas com o namorado... Tenho quase a certeza de que era vitima de violência doméstica." e a D. Maria de Lurdes fica pensativa.

" Porque é que diz isso? " insiste o Brites enquanto o Henriques escreve qualquer coisa no bloco que lhe estende.

" Usava sempre mangas compridas e uma vez, tinha o lábio cortado. Ela disfarçou, claro está, mas não foi por ir contra uma porta. E ficava muito assustada quando o telemóvel tocava." recorda a Chefe de Equipa.

" Sabe quem é esse namorado? Conheceu-o?" e Brites lê o que o Henriques escreve, mas decide não seguir essa linha de investigação.

" Não, nunca o vi. Mas devia ser muito controlador, porque, às vezes, organizávamos saídas e a Vera nunca aceitava os convites." concluí a D. Maria de Lurdes.

CONTINUA

terça-feira, 13 de agosto de 2019

AGOSTO


" Detesto o mês de Agosto!" desabafa o Sargento Brites.

O Inspector Bernardes está doente, não sabem quando volta e por enquanto, o Sargento Brites está a trabalhar como Inspector interino.

" Está calado; ainda nos calha um caso bicudo e o Chefe resolve ajudar-nos." aconselha o Henriques, o novo detective na Brigada.

" Mas é o que vai acontecer... Enquanto o Bernardes não regressar, oficialmente sou eu o encarregado, mas o Chefe supervisiona." explica o Brites.

" Pois!" diz o Henriques, não muito convencido.

Estão os dois sozinhos no departamento, pois o detective Freitas está de férias e o Amadeu está " emprestado" à Brigada de Fraudes.

Estão a concluir os relatórios dos últimos casos. 

Um deles ainda está em aberto, mas a informação que o Freitas deixou não é muito clara e não sabem bem o que fazer.

" Oh, Brites, sabes porque é que o Freitas não interrogou esta testemunha?" pergunta o Henriques.

" Que testemunha? De que caso estás a falar?" repete o Brites.

" Deste caso..." e o Henriques estende-lhe o dossier " Parece que essa tal Maria de Lurdes conhecia bem a vitima. O Freitas pôs um ponto de interrogação à frente do nome dela, mas não encontro as declarações dela."

" Estranho!" admite o Sargento " Porquê? Vamos interrogá-la; o caso ainda está em aberto!" decide Brites. " Tens a morada? Nº de telefone?"

" Sim, sim." responde o Henriques e os dois saem.


CONTINUA





sexta-feira, 9 de agosto de 2019

O NOME - FIM


Pintar o quarto no sábado com os " rapazes" torna-se uma grande brincadeira e o Francisco prova ser muito competente a colocar o papel de parede.

Enquanto isso, as senhoras resolvem fazer um chá para o bebé e a Carla recebe tantos presentes que fica preocupada....

Onde é que os vai guardar? mas, quando fala com a Mãe, esta sugere que faça uma " triagem" e o resto pode ficar na garagem.

O Ricardo está feliz, o quarto ficou muito bonito e na próxima semana, devem entregar os móveis.

A Carla sente-se cansada, inchada e decide antecipar a vinda para casa.

Os móveis são entregues, o Ricardo monta-os e as duas avós preparam tudo para a chegada da Margarida.

Tentam animar a Carla, vá lá, ainda não viste como o quarto ficou bonito.

A Carla lá se levanta e a meio do caminho, dá um grito.

" O que foi?" gritam os três.

" Acho que a Margarida quer nascer!" responde a Carla numa voz sufocada.

Os três ficam a olhar para ela, tipo estátuas e a Carla insiste:

" Então???"

O Ricardo telefona a pedir uma ambulância, a D. Clotilde avisa o médico e a D. Adélia os avôs.

A Margarida nasce naquela madrugada e a Mãe está tão absorvida que não faz qualquer comentário sobre o quarto quando regressam a casa.


FIM



quinta-feira, 8 de agosto de 2019

O NOME - PARTE IV


" Temos que fazer alguma coisa..." diz a D. Adélia " Que tal rosa claro? "

" Não, não..." protesta novamente a Carla " Não gosto!"

" Mas, afinal do que é que tu gostas?" pergunta a Mãe e o Ricardo suspira.

" Que tal cinza claro? Os móveis brancos, os cortinados brancos com uma risca cinza? " sugere a sogra.

" E os brinquedos e a roupa com cor... Agrada-me!" exclama o Ricardo " Vou já comprar a tinta e tenho a certeza de que os rapazes não se importam de me ajudar."

Carla tenta dizer alguma coisa, mas o Ricardo já saiu e a Mãe resolve ir com ele.

" Agora, nós." repete a D. Clotilde " O que se passa contigo? "

" Não sei, acho que este bebé veio na altura errada. Já não me vão considerar para a promoção." revela a Carla.

" Pensa na próxima! Organiza-te, se o souberes fazer, podes ter uma vida profissional e uma familiar. Basta saber como equilibrar." aconselha a D. Clotide.

" Não sei se vou conseguir!" lamenta-se a Carla " Tenho medo de errar...com a menina, com a minha profissão."

" Minha querida, todos erramos... Temos que aprender com os erros e continuar... Não estás sozinha, tens o Ricardo, eu e o teu pai apoiamos-te e tenho a certeza que os teus sogros também." e a D. Clotilde sorri confiante.

Carla suspira, a mãe tem uma certa razão, está talvez a exagerar....

Por isso, quando a Mãe abre o armário e protesta contra a desarrumação, Carla ri-se e as duas passam o resto da tarde a pôr tudo em ordem.

Entretanto, o Ricardo e a Mãe escolhem a tinta, um cinza tão claro que parece branco.

Decidem também ver camas e mesas para os acessórios. 

O futuro Pai não resiste a um grande coelho de peluche e a D. Adélia a um papel de parede cheio de ursinhos em branco e cinzento.

" Colocas na parede onde vai ficar a mesa com as fraldas, os produtos de higiene. Vai ser giro!" assegura ao filho.


CONTINUA



quarta-feira, 7 de agosto de 2019

O NOME - PARTE III


" Ok, não dizes nada; fica Margarida." decide o Ricardo.

" Oh, não, prefiro Mafalda!" protesta a Carla, amuada.

" Dei-te todas as hipóteses; tiveste tempo suficiente para decidir." e as duas avós aprovam.

" Agora, já posso bordar isso nas babetes." comenta a sogra.

" Mas isso não é muito antiquado???" pergunta a Carla.

" Que ideia! Não sei qual a ideia de vestir logo ganga ou afins... " diz a Mãe.

" Sim, os bebés ficam tão mimosos com camisinhas bordadas..." replica a sogra.

Carla acha tudo um disparate, a maior parte das coisas bordadas e com lacinhos que lhe deram está bem guardada num armário.


Espera é que não se lembrem de procurar....

Infelizmente, é exactamente isso que as avós decidem fazer... 

Dar uma vista pelo enxoval, " há coisas que nunca são demais..." acrescentam.

Antes que a Carla as possa impedir, já estão no quarto do bebé.

" O quê? Também não escolheram a cor do quarto? " exclama a D. Clotilde.

" Nem a caminha? Ou a mesa para colocar as fraldas e os produtos de higiene?" a D. Adélia está surpreendida e pensa que a nora é muito irresponsável.

As duas olham para o Ricardo que levanta as mãos:

" Não olhem para mim! Estou farto de perguntar, mas ela diz que é cedo."

" Temos que decidir isso também por ti, Carla? Que se passa contigo? Parece que estás noutro planeta..." quer saber a D.Clotilde num tom de voz nada agradável.

CONTINUA


terça-feira, 6 de agosto de 2019

O NOME - PARTE II


Além dos nomes já discutidos e recusados, a lista da Carla não é má de toda, reflecte o Ricardo.

" Flávia, ok, Elvira e Alexandra nem pensar..." pensa " Teresa e Matilde, posso aceitar..."

A Carla já leu a lista dele e declarou prontamente que " filha dela não se vai chamar Helena ou Alice".

Continuam num impasse e o Ricardo tem vontade de impor um nome, mas não quer ser desagradável.

As duas avós chegam naquele momento e surpresa, trazem também listas de nomes.

" Vamos estudar isto com atenção..." diz a Mãe do Ricardo.

" Sim, que a menina não vai ficar sem nome, só porque vocês são teimosos!" acrescenta a sogra.

" Cláudia... gosto..." responde o Ricardo.

" Detesto!" contesta a Carla " Detesto nomes que começam por C..."

" Nomes com C... não podem ser considerados." acede o marido e as duas avós suspiram.

" Ah, engraçado, tanto a minha Mãe como a tua gostam de Margarida e de Mafalda. Também estão na minha lista, só tens que decidir se é Margarida ou Mafalda." exclama o Ricardo.

" Oh, não..." protesta a mulher, mas o marido corta-lhe a palavra.

" Ficou decidido que, se o mesmo nome estivesse nas listas, era assim que a menina se ia chamar. Por isso, Margarida ou Mafalda?"

" Não sei..." Carla tenta protelar o momento, mas o marido não aceita.

" Vá lá, Carla, Margarida ou Mafalda... Se tu não decides, decido eu e não se fala mais nisso." 

CONTINUA

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

O NOME


" A minha mulher não está bem!" anuncia o Ricardo quando o jantar, só de homens, terminou e estão a beber licores.

" Está grávida, está cansada! O que esperavas?" atalha o Francisco.

" Não é isso!" contrapõe o Ricardo " Quer dar à rapariga um nome diferente! Nada de Leonor, Catarina ou Sofia!"

" Então? " pergunta o Bernardo, pai recentemente " A Luísa queria que a nossa se chamasse Ana Frederica, mas eu tive que me impor. Ana, tudo bem, mas escolhe outro, Sofia, Margarida... e acabou por ficar Ana Luísa."

" Pois, não me importava nada com isso, mas a Carla não quer ouvir falar desses nomes tradicionais." explica o Ricardo " Maria Miguel, Maria da Paixão..."

Os outros começam a rir-se.

" Oh, pá, a rapariga vai amaldiçoar-te a vida inteira com um nome desses...." comentam.

" O pior de todos é o Maria da Paz..." suspira o Ricardo.

" Por amor de Deus! Vai ser conhecida pela Pazinha! Na praia, vai toda a gente pensar que estamos a falar da pá." troça o Bernardo.

" Porque é que cada um não faz uma lista de nomes que gostam e depois comparam? Se os dois gostarem de Beatriz, a miúda chama-se Beatriz." sugere o Francisco.

O Ricardo até acha uma boa ideia, mas será que a Carla vai gostar.

A Carla mostra-se receptiva e o Ricardo repete.

" Se houver algum nome que esteja na tua e na minha lista, é assim que a menina se vai chamar! Não se pode voltar atrás!"

" Sempre quero ver isso!" sussurra a sogra.

CONTINUA

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

CALAR - FIM


Mas antes que a Vera diga alguma coisa, alguém entra apressado na sala e pergunta:

" Onde está o Chefe? O Carlos e o Américo estão a ter uma grande discussão no parque das descargas e ainda se matam."

Num instante, a sala esvazia-se e todos descem até ao parque das descargas, onde o Miguel tenta conter o Américo que só grita:

" O que é que andas a dizer sobre a minha mulher, meu paspalhão??? "

" Vamos a ter calma!" aconselha o Miguel enquanto o Carlos sorri provocador.

" Mas o que se passa?" é a pergunta que todos fazem.

" Não me digas que o Carlos anda com a mulher do Américo!" opina um.

" Não me admira nada! Ela é uma gaja bem jeitosa!" diz outro e a Márcia dá-lhe uma cotovelada valente.

" E, se fosse a tua mulher? Gostavas que falassem dela assim? " e o colega nem se atreve a replicar.

O Américo parece mais calmo, mas o Miguel não o larga.

" Oh, Vitor!" pede " É melhor levares o Carlos lá para dentro. Para uma das salas de reunião."

O colega apressa-se a levar o Carlos, que continua a sorrir provocador.

" A mulher dele é mesmo uma gaja jeitosa!" repete enquanto se afasta e o Américo tenta soltar-se, mas o Miguel aperta-lhe o braço.

O Chefe chega, entretanto, o Miguel resume a situação e é a vez do Américo ir para uma sala das reuniões.

A um gesto do Chefe, todos regressam à sala, a conversar sobre o que poderá ter acontecido e ninguém presta atenção ao trabalho amontoado.

Se houve um triângulo amoroso, ninguém soube.

O Carlos foi transferido para uma filial, o Américo é suspenso por dez dias, sem salário e regressa muito calado ao seu posto de trabalho no parque das descargas.

Quanto à Vera, para sua surpresa, também é transferida. 

Assaltam-na toda a espécie de dúvidas, mas passado alguns meses, descobre que as novas funções são exactamente o que sempre quis.

Tem uma certa autonomia, que lhe agrada embora tenha que justificar todas as decisões ao Chefe na reunião semanal.

E, depois... ali, embora não sejam perfeitas, não há pessoas tão imaturas e provocadoras como o Carlos.


FIM


quinta-feira, 1 de agosto de 2019

CALAR - PARTE III


" A Vera está a perceber mal as coisas!" disfarça o Carlos " Não se preocupe; deve ter sido um mal entendido!" e saí.

" Mal entendido, uma ova!" comenta a Márcia " O que vais fazer? "

" Esperar que o cliente me contacte e esclareço então as coisas..." responde a outra.


Coincidência ou não, o cliente telefona nessa tarde e pede para falar com a Vera.

Tem umas dúvidas relativamente ao orçamento enviado e quer também fazer umas alterações, se possível.

A Vera presta-lhe todos os esclarecimentos, discutem as alterações e no final, o cliente diz:

" Oh, D. Vera, talvez seja melhor enviar-me dois orçamentos, porque o 1º Item tenho mesmo que o receber antes do dia dois. "

" No dia 2? Mas o meu colega diz que houve aqui um lapso e que não é necessário." explica a Vera.

" Não, não. O que eu disse ao seu colega foi que não tenho tanta urgência nos outros items e que os posso receber depois do dia dois sem problemas. " frisa o cliente " Por isso, D. Vera, envie dois orçamentos, eu valido de imediato. Mas a senhora tem que me assegurar a entrega desse item antes do dia dois." e desliga, deixando a Vera estupefacta.

" O que foi?" pergunta a Márcia.

" A versão do Carlos está completamente errada! Um item tem que ser entregue antes do dia dois; os outros não são tão urgentes." conta a Vera.

" Mas foi isso que sempre disseste! Qual é a dele? " reage a Márcia " É parvo ou faz-se? E, agora o que vais fazer? " repete.

" Não sei... não sei..." Vera sente-se humilhada, perdida.

" Mas isto não pode ficar assim! Está a pôr em causa as tuas capacidades!" Márcia quase grita.


CONTINUA