sábado, 26 de junho de 2021

GUSTAVO E BERNARDO PARTE V

 

Olá, és o Bernardo, não é? e o Bernardo olha a rapariga ruiva que lhe sorri abertamente com surpresa.

Conheço-te? pergunta e a rapariga ri-se, espero bem que sim, fomos colegas de turma até ao décimo ano, depois tu seguiste gestão e eu optei pela medicina.

Desculpa, mas não te estou a reconhecer, desculpa-se o Bernardo e volta a soar um riso cristalino, que o faz sorrir.

Chamo-me Cristina, morava naquela casa rosa perto do Parque, o ponto de encontro era a Confeitaria Barcelos, diz a rapariga.

Ah, tinhas um irmão chamado Pedro, já me lembro e o Bernardo afasta-se um pouco dos colegas.

Sentam-se ao balcão, há pouca gente ali e pedem uma cerveja.

Conversam o resto da noite, os colegas do Bernardo querem continuar a noite noutro bar, mas ele declina o convite e eles partem sem ele.

As despedidas são ruidosas, boa sorte para Cabo Verde, desejam uns, não te apaixones e não fiques por lá, dizem outros maliciosos.

Vais para Cabo Verde? quer saber a Cristina, para onde vais? É que também vou para lá, vou trabalhar como médica voluntária ao serviço de uma organização solidária.

O Bernardo fica admirado, é bom para o meu currículo, continua a Cristina, os meus Pais estão preocupados, mas eu estou ansiosa por partir e começar.

A empresa onde trabalho tem lá uma delegação, explica o Bernardo, vou passar lá seis meses e depois, ou regresso ou prolongo o contrato.

A Cristina pede mais detalhes, o Bernardo também e combinam encontrar-se lá quando tudo estiver " controlado e organizado".

O Bernardo sente-se mais animado, já não estará tão sozinho, tem que contar à Aída, talvez ela fique mais sossegada.

A Mãe parece um pouco distante quando lhe telefona, convida-o para jantar e o Bernardo fica surpreendido por encontrar também o Pai.

A Mãe está muito pálida, parece que esteve a chorar, o filho fica apreensivo, são só seis meses, Mãe, e não vou estar sozinho, a empresa tem tudo organizado, repete.

Não, não é sobre isso que te queremos falar, interrompe o Pai, também muito sério.

Mas o que se passa? Estou a ficar aflito, estão doentes? o pobre do Bernardo não sabe o que pensar.

Não, a tua Mãe está grávida, anuncia o Pai e durante uns minutos, o filho não fala.

Depois desata a rir.


CONTINUA

2 comentários:

Elvira Carvalho disse...

Será que não acreditou? Ou que o riso é sinal de alegria.
Abraço, saúde e bom fim de semana

Cidália Ferreira disse...

O conto está a ir muito bem!! :))
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Sonhei ser o calafrio do momento ...
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Beijos, e um excelente fim de semana..