terça-feira, 15 de junho de 2021

AÍDA

 

Foi uma pena o Clube de Leitura ter terminado, mas a livraria quis renovar, apostar noutro tipo de eventos.

Foi um bom trabalho, asseguram-me, um escritor tornou-se visível no nosso Clube de Leitura e a Aída é responsável por isso.

Sorrio, mas tenho pena que os encontros às quartas-feiras tenham terminado, continuamos a encontrar-nos em almoços, jantares, mas aquela hora podia ser muito divertida com a Rita a gozar com o Major e o Nicolau a impor a ordem.

O Bernardo cresceu, foi o primeiro a sair, tinha que explorar novos horizontes, o António e o Major têm famílias jovens que exigem toda a atenção, o Nicolau as suas palestras e as feiras e até a Rita nos surpreendeu ao ter uma filha.

Eu fui promovida, sou responsável pela agenda cultural de toda a rede de livrarias, o Bernardo ficou todo satisfeito, lutaste por isso, Mãe, aproveita, diz.

Contudo, o que ele não previu, ninguém previu foi que a minha relação com o Bruno terminou.

Acho que ele teve ciúmes da minha promoção, começou a ser agressivo, logo ele que foi sempre um amor.

Um dia chegou a casa bêbedo, chamei-lhe a atenção e ele respondeu agressivamente, partindo tudo o que encontrava no caminho.

Mas não te magoou, pois não? pergunta-me a Glória, preocupada quando contei, eu abano a cabeça, não, não chegou a esse ponto, mas soube então que estava na altura de nos separarmos.

E como é que ele reagiu? intervém a Rita, aceitou muito bem, acabou por confessar que tinha encontrado alguém, não sabia bem como me havia de dizer, explico.

Foi preciso ficar bêbado para to dizer? ironiza a Glória e a Rita concorda.

Volto a sorrir, está a arrumar as coisas dele, digo, vai ficar com uns amigos por uns tempos, vamos ter que vender a casa, fazer partilha do dinheiro.

Essa parte é que é aborrecida, observa a Rita, podes contar connosco para o que for preciso.

Mas o que vais fazer? quer saber a Glória, vais comprar uma outra casa?

Sinceramente, ainda não pensei nisso, esclareço, talvez alugue.

Ah, a nora do Amadeu vai viver para uma outra cidade, vai entregar a casa ao senhorio, comenta a Glória, é num bairro simpático, estás perto de tudo, queres que lhe telefone e vais lá ver?

CONTINUA


2 comentários:

Cidália Ferreira disse...

Muito bem. Um pessoa alcoólica em casa e ainda por cima agressiva/o não é bom para ninguém. Gostei do episódio!:)
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Neste mundo aonde me permito vaguear
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Beijos e uma excelente semana.

Elvira Carvalho disse...

Ainda bem que se separara. Homens agressivos e que ainda por cima não têm controle com a bebida, destroem tudo e todos à sua volta. Conheci pelo menos dois casos desses, e um deles terminou em morte.
Abraço e saúde