domingo, 20 de junho de 2021

AÍDA- FIM

 

É uma longa noite de insónia e tenho dificuldade em me concentrar no trabalho.

Continuo a ver o Bruno à minha frente bêbado e a dizer disparates e não sei verdadeiramente o que fazer.

Talvez conversar com o Bernardo, ouvir o que ele tem a dizer, mas não quero envolver o meu filho nesta história.

É possível que o Bruno ganhe juízo e o que aconteceu a noite passada não se repita.

Mas não sabes, diz sensatamente o Pai do Bernardo, telefonou-me, está um pouco preocupado com a proposta feita pela empresa ao Bernardo.

Ir seis meses para Cabo Verde? Será boa ideia? repete, não sei, o Bernardo diz que é uma promoção, quando regressar, pode ocupar outro lugar, ter outras funções mais importantes, explico.

Não sei, não estou convencido, responde o meu ex-marido, disse-lhe para analisar cuidadosamente a proposta, até a levar a um advogado.

Temos que o deixar decidir, é a vida dele, observo, ele está todo entusiasmado e suspiro.

O que é que se passa? pergunta e acabo por lhe contar o que se passou na noite anterior.

Terá ficado com ciúmes por causa da tua promoção? comenta, é a explicação mais lógica, mas não a posso aceitar.

Se estava a concorrer para o mesmo lugar, eu não sabia, friso, mas o meu ex-marido interrompe-me de imediato, nada de arrependimentos! Tinhas a experiência, as capacidades para preencher o lugar, trabalhaste duramente para o merecer, foi reconhecido. Se o Bruno não aceita isso e não consegue avançar para a próxima etapa, o problema é dele!

Reconheço que ele tem razão, nos últimos tempos, o Bruno estava descontente, desleixado, irritadiço até com os colegas de trabalho.

Acabamos por passar a noite juntos, na manhã seguinte, não sabemos bem como agir, mas eu convenço-me que não se volta a repetir.

Não sabes, e a Rita ri-se quando lhe confesso o que aconteceu naquela noite, ainda reatam.

Não, de forma alguma, protesto, ele está a viver com uma rapariga muito simpática, o Bernardo gosta muito dela.

A Rita não diz nada, mas leio troça no olhar dela e vejo que as outras me observam atentamente.

Vá lá, estamos aqui para falar do livro, ralho, vamos começar? mas elas insistem em falar na minha aventura, na minha possível reconciliação.

Ignoro-as, digo-lhe que estão completamente doidas, mas quando descubro que estou grávida uma semana mais tarde, fico verdadeiramente assustada.

O que é que eu vou fazer agora?


FIM


2 comentários:

Elvira Carvalho disse...

E lá vem uma nova criança.
Gostei de ler.
Abraço, saúde e bom domingo.

Cidália Ferreira disse...

Como todos, acabam bem. Obrigada pela partilha de contos
~~
Queria ser, muito mais, que um Ser
~~
Beijos, e uma excelente semana.