sábado, 19 de junho de 2021

AÍDA PARTE V

 

Há um pequeno debate, a Natália acha que devemos escolher outro livro já que a Glória leu este, diz, mas esta não concorda, que disparate! lembro-me da história em geral, há pormenores que me esqueci!

Está decidido, interrompe a Rita, lê-se o " Mataram o Sidónio" e o encontro é daqui a um mês na casa da Madalena, decide.

Estás doida? protesta a irmã, não devíamos fazer uma votação? Ou esperar que as pessoas se oferecessem?

A Teresa ri-se, até calha bem, só tenho que descer de elevador e todas nos rimos.

Jantamos, falamos nos respectivos companheiros, fico a saber que a Madalena e o Inspector Bernardes estão a viver juntos novamente.

A Matilde mudou-se para o apartamento dele, conta a irmã da Rita, e se bem que haja ainda pormenores a esclarecer, estamos a entender-nos bem.

Estão mais velhos, mais sensatos, goza a Rita e a irmã atira-lhe uma almofada à cabeça.

Isso pode ter influência, às vezes, certas situações revelam-nos o que não queremos fazer e levam-nos a procurar outro rumo, afirma a Natália e todos compreendemos que ela se refere ao período em que esteve nos Estados Unidos.

Nunca soubemos os detalhes, a Glória acha que só o Nicolau conhece a história toda e todas respeitamos a decisão da Natália.

Estou de bom humor quando regresso a casa e apanho um susto quando alguém me toca no braço.

É o Bruno, cheiro-lhe álcool no hálito e tem um olhar estranho.

Posso falar contigo? pergunta-me e eu suspiro, o que é que queres, Bruno? 

Onde é que andaste até estas horas da noite? e eu volto a suspirar, não estou com paciência de te aturar, volta para casa.

QUERO SABER ONDE É QUE ANDASTE? grita o Bruno e volta a agarrar-me o braço.

Alguém abre a porta, mas o que é que se passa aqui? Sabem que horas são? e ao aperceber-se da situação, a senhora precisa de ajuda? Quer que chame a policia? 

Não, obrigada, este senhor já se vai embora, respondo e vejo que o Bruno está a acalmar, a perceber o que está a fazer.

Balbucia uma desculpa, tropeça e desce as escadas.

Agradeço ao meu vizinho, entro em casa e fecho a porta devagarinho.

Perdi o sono, vou fazer um chá, preciso de pensar, não que haja alguma coisa a pensar.

CONTINUA

2 comentários:

Cidália Ferreira disse...

Muito bem. Gostei de ler...:)
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Traço as linhas do meu horizonte
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Beijos, e um excelente fim de semana.

Elvira Carvalho disse...

Este Bruno está a andar por um caminho muito perigoso. Temo por ela.
Acredito que os livros do Moita Flores sejam muito bons, até porque sei que a Marta não os nomearia nos seus contos, se não os tivesse lido e e não tivesse gostado. É o que fazemos quando inserimos autores nas histórias que escrevemos, eu pelo menos seria incapaz de nomear nos meus contes um autor ou um livro que não tivesse e de que não tivesse gostado, mas como disse infelizmente não li nenhum livro do Moita Flores. Não se proporcionou até agora, pode ser que o faça assim que os meus olhos me permitam retomar o habito de ler diariamente.
Abraço, saúde e bom fim de semana