sexta-feira, 16 de abril de 2021

A FAMÍLIA

 

Termino a relação com a Catarina no dia em que o meu Pai é ferido.

Encontro-a na cozinha, ainda não são sete da manhã, com as malas feitas e com um discurso preparado.

Só a interrompo quando fala " na birrenta da tua irmã adoptiva", porque a Maria Clara é, será sempre minha irmã e estarei sempre presente para a ajudar no que for preciso, friso.

Pois, é isso que me irrita, largas tudo porque aconteceu isto ou aquilo à Clarinha, diz a Catarina e eu suspiro.

Não vou abdicar da minha família, só porque te irrita, observo e a Catarina encolhe os ombros, murmura um " venho buscar o resto das coisas ao fim da tarde e deixo a chave." e saí.

Sento-me no sofá, vou chegar atrasado ao trabalho, mas não deve haver problema, ontem, estive a trabalhar até às onze da noite.

Ainda tenho que assimilar os acontecimentos, sei que o Bernardo vai dizer que me avisou, que a Catarina era muito vaidosa e egoísta e aqui está a prova.

Tenho que concordar, a Clarinha é muito birrenta e pôs a família em sobressalto várias vezes, mas continua a ser a minha irmã mais nova, precisa da minha ajuda e não a vou abandonar.

Entre reuniões e telefonemas, a manhã passa depressa e nem me lembro da Catarina.

Ás duas da tarde, estou sentado numa esplanada a comer calmamente quando o telemóvel toca.

É a Mãe, valha-me Deus, o que é que a Clarinha fez desta vez? murmuro, mas o que tem a dizer não é sobre a minha irmã.

O teu Pai foi ferido durante um operação da Polícia, conta a Mãe, parece que foi no ombro, está agora a ser examinado, podes vir?

Nem sei o que respondi, pago à pressa e quase derrubo uma das secretárias quando entro no escritório.

Peço desculpa atabalhoadamente, bato à porta do Chefe de Departamento, explico rapidamente o que se passa.

Claro que sim, atalha o Chefe, tire uns dias, passe o projecto em que está a trabalhar ao Dias. E, Gustavo, tem a certeza de que está em condições de conduzir?

Sinto as pernas a tremer, parece que não consigo respirar; só agora é que me apercebo que estou em choque.

O motorista leva-o a casa para fazer a mala e depois seguem para casa dos seus Pais, decide o Chefe, compreensivo.

Não me recordo da viagem, o motorista deixa-me à porta do hospital e primeira pessoa que encontro é o Sargento Meireles.

CONTINUA

2 comentários:

Elvira Carvalho disse...

E começamos uma nova história. Que vou acompanhar com o mesmo interesse de sempre. Não si porquê começo a desconfiar deste Meireles. Será que ele é o elemento prestável que parece ser, ou é a maçã podre dentro da esquadra? Vamos ver.
Abraço e saúde

Cidália Ferreira disse...

Pode ser que não tenha sido grave, já que agora ele até estava tranquilo :)
-
SINTO FALTA...
-
Beijos, e um excelente fim de semana.