segunda-feira, 19 de abril de 2021

A FAMÍLIA - PARTE IV

 

A Clarinha senta-se no meu colo, conta-me as novidades, descreve-me em pormenor o que está a fazer na aula de arte.

De repente, lembra- se que há muita gente na sala, que devíamos estar todos a trabalhar, por isso, o que é que estamos a fazer aqui? E onde está a Mãe? pergunta.

O Pai foi ferido, está no Hospital, vamos para lá daqui a um bocadinho, explico e a Clarinha abana a cabeça em sinal de compreensão.

Também posso ir? mas o Gonçalo interrompe, hoje não, o Pai tem que descansar, amanhã se verá, diz e a Clarinha prepara-se para fazer uma das cenas dela.

A Mãe entra nesse momento, parece estar mais calma, mudou de roupa, penteou-se e anuncia, o Pai já está no quarto, acordou, está com alguma dores, mas está a perguntar por nós.

Tropeçamos uns nos outros na ânsia de sair de casa, o Gonçalo quase que arrasta a Clarinha para o carro dela, não se preocupem, ela vai ajudar-me num projecto, declara.

A Rita não pode entrar, só é permitida a entrada de duas pessoas no quarto, por isso, eu e a Mãe somos os primeiros a falar com o Pai.

O Pai está de olhos fechados, abre-os por uns minutos e aperta a mão da Mãe, sussurra, estou muito cansado.

Vê-me e sorri-me, que bom estares aqui, filho! e eu aperto-lhe a outra mão.

A Mãe dá-lhe um beijo, a Rita e a Matilde também te querem ver, murmura e saímos.

Pedimos para falar com o médico, que confirma que o Pai está estável, vai ficar uns dias em observação, mas pode ir para a casa em meados da próxima semana.

Nada de esforços nas primeiras duas semanas, recomenda, terá que fazer fisioterapia por uns tempos, mas cremos que vai recuperar totalmente.

Jantamos num restaurante ali perto, a Mãe acha melhor o Pai ficar lá em casa, vai precisar de ajuda, diz.

E as birras da Clarinha? Vão interferir na recuperação, brinca a Rita e a Matilde atalha, talvez a presença do Pai lá em casa a distraía.

Olhamos para a Matilde com surpresa, parte do problema da Clarinha foi o Pai sair de casa, continua, se o Pai lá estiver, se a incentivarmos a tomar conta dele, ela pode sentir-se responsável e tornar isso um ponto de honra!

Não deixas de ter razão, concede a Rita e eu continuo a olhar para a minha irmã, admiro-lhe a maturidade, como é possível que esteja tão crescida?

A Mãe não diz nada, o fim de semana passa-se entre casa e o Hospital e no domingo à noite, volto para o meu apartamento vazio.

A Catarina foi buscar o resto das coisas e deixou a chave no balcão da cozinha com uma nota, lamento saber do teu Pai! Espero que não seja nada de grave.

CONTINUA



2 comentários:

Cidália Ferreira disse...

Uma vida em movimento. Adorei o episodio...
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Escondi os olhos em pranto...
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Beijo e uma excelente semana

Elvira Carvalho disse...

Continuo sem me atrever a imaginar o que vem por aí e portanto a acompanhar com muito interesse.
Abraço, saúde e boa semana