segunda-feira, 12 de julho de 2021

O COMEÇO PARTE II

 

Enquanto arrumamos a cozinha, a Mãe pergunta-me se estou feliz, se tenho a certeza de que jornalismo é realmente o que eu quero.

Tenho a certeza absoluta, afirmo, neste momento, estou a escrever pequenas crónicas, opiniões sobre o que se passa no Mundo e como também gostaram de uma das minhas histórias, publicaram-na.

Ainda bem, responde a Mãe, estou um pouco preocupada, jornalista pode ser uma profissão muito ingrata.

Qualquer profissão pode ser ingrata, observo, não me estou a ver fechada numa sala de aula ou num escritório. Quero viajar, conhecer outras pessoas, escrever sobre o que vejo...

Ok, já percebi, interrompe a Mãe, só quero que estejas consciente que vai ser difícil...terás que lutar e muito por um lugar ao Sol.

Mas foi isso que os Pais nos ensinaram, estar prontos para aceitar as derrotas e recomeçar, repito, não te preocupes, eu sei o que estou a fazer.... Por falar nisso, o que é que aconteceu à Dra Belmira?

Não sei exactamente, houve um problema qualquer com um exame, conta a Mãe, e no dia seguinte, ela não apareceu para trabalhar. Mesmo que soubesse dos detalhes, não posso discutir o assunto contigo; há a chamada ética profissional que também existe na profissão que escolheste, frisa.

Sorrio, não posso negar o facto, mas posso investigar, mas o Dr Luís, professor de jornalismo, tem algumas dúvidas quando lhe exponho o assunto no dia seguinte.

Isso pode ser considerado como conflito de interesses, diz, a tua Mãe trabalha nessa Clínica, soubeste do assunto através dela, podes causar-lhe sérios problemas.

A única coisa que a Mãe disse foi que ela se foi embora de um dia para o outro por causa de um exame, interrompo, nada mais. Falou de ética profissional, etc.

Aí está, comenta o professor, a tua Mãe já respondeu à tua pergunta. Larga o assunto, há tanta polémica com os exames, porque é que não te concentras nisso?

Suspiro, não quero fazer entrevistas e receber resposta tipo " é uma chatice, pá!" e quando se pede para elaborar um pouco mais,  " mas afinal o que é que queres que diga??? É uma chatice!".

Ainda não desisti da ideia de investigar o caso da Dra Belmira e passo pela Clínica ao fim da tarde, dizem que a Mãe está um pouco atrasada.

É melhor esperares na cafetaria, aconselha a Luísa, uma das recepcionistas e eu concordo de imediato.

Não há melhor local para saber a coscuvilhice.

CONTINUA


2 comentários:

Elvira Carvalho disse...

Continuo a acompanhar com interesse.
Abraço e saúde

Cidália Ferreira disse...

Muito bem. Adivinha-se mais um conto maravilhoso! :)
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Beijo-te com os lábios de ternura...
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Beijos, e uma excelente semana :)