quinta-feira, 21 de outubro de 2021

O DOENTE FIM

 

A Leonor parece gostar da voz do irmão, cala-se e este passa-a cuidadosamente para os braços da Mãe. 

A Aída deixa a sala, dou-lhe de comer, adormeço-a e tento dormir também, murmura.

O Bernardo ainda fica a falar com o Pai, mas estão os dois tão exaustos que o Bernardo despede-se uns minutos depois.

Nos dias seguintes, o Bernardo estabelece uma rotina, trabalha umas horas durante a manhã, depois de almoço, descansa e ao fim da tarde, vai dar uma volta ao quarteirão.

Evita centros comerciais, estar no meio de muita gente faz-lhe confusão, procura lojas, restaurantes de bairro.

Quando o Gustavo lhe telefona para combinarem o almoço no domingo seguinte, o Bernardo sente-se mais " humano".

Nem sei bem o que é que isso quer dizer, confessa ao amigo, mas sinto-me mais relaxado, mais alerta, com mais interesse no Mundo!

O Gustavo também se ri, é bom sinal, estás a recuperar, observa, e a Princesa?

A minha Mãe diz que é uma safada, conta o Bernardo, mas estamos todos babados e a pensar como a nossa vida era vazia sem ela!

O amigo volta a vir, o almoço vai ser em casa dos Pais dele, à uma da tarde, frisa e desliga.

O Bernardo telefona aos Pais, a Leonor foi um pequeno diabo esta noite, explica o Pai exausto e não põe qualquer objecção quando o filho lhe diz que vai almoçar em casa do amigo.

Claro, claro, é uma boa ideia, diverte-te, responde, e não te preocupes connosco! Os teus tios vêm cá passar o dia, não vamos estar sozinhos.

Nessa noite, o Bernardo passa em revista a roupa que tem, está um pouco "demodé" e por isso, no dia seguinte, vai fazer umas compras.

Corta o cabelo, sente-se um homem diferente quando toca à campainha naquele domingo.

Está ansioso por os rever, sempre se sentiu um membro da família, será que isso continua presente?

É o que está a pensar quando abrem a porta e o Bernardo fica de boca aberta a olhar para a jovem elegante que lhe sorri trocista.

Não te lembras de mim? e o Bernardo respira fundo, deve ser a Clarinha, a miúda que o seguia para toda a parte e que deve ter agora vinte anos.

Bolas, como está velho!


FIM


2 comentários:

Elvira Carvalho disse...

Ora está exatamente o que eu pensava. Será que a Clarinha lhe vai fazer esquecer a Cristina que parece mais interessada na profissão do que nele?
O futuro e a Marta o dirão.
Abraço e saúde

Cidália Ferreira disse...

Gostei muito da estória!
Pena que o acharam com ar de velho... Os trabalhos e os problemas fazem isso!
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Tu, eu, e a nossa cumplicidade (da mana)
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Beijos, e uma excelente noite :)
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https://duasirmasmaduras.blogspot.com/
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Apresento-vos um blogue da minha mana mais nova que se iniciou na escrita. Blogue onde também escrevo, para ela. Visitem, sigam e linkem. Obrigada