segunda-feira, 25 de julho de 2022

GUSTAVO PARTE IV

 

Mas eu não respondo, não sei o que vai acontecer, não sei se separar o filho da Mãe é uma boa ideia.

A Luísa entra em pânico quando vê cinco pessoas à espera dela no átrio do edifício onde mora, tinhas que fazer isto? acusa-me, mas o Dr Leonardo convence-a a deixar-nos entrar.

Não vamos discutir o assunto em público, pois não? e a Luísa deixa cair as chaves tão atordoada está.

Sou eu quem abre a porta, lá dentro ainda reina a confusão, mas a sala está mais ou menos arrumada e a Luísa senta-se.

O meu filho está contente por me ver, mas pressente o nervosismo da Mãe e olha-nos desconfiado.

É melhor ires brincar para o teu quarto, aconselho e a assistente social vai com ele.

O que é que se passa? repete a Luísa, queres fazer o favor de me explicar o porquê deste circo? e eu coro violentamente, sinto vontade de lhe bater.

O Dr Marcelo faz-me sinal para estar calado, tenho que manter a calma, penso, o objectivo dela é enervar-me e isso não pode acontecer!

Os dois advogados expõem os factos, o funcionário do Tribunal mostra-lhe o documento do divórcio, ela não pode simplesmente mudar-se com o miúdo para outra cidade sem discutir o assunto comigo.

Mas tu estavas na Argentina, desculpa-se, mas é uma desculpa esfarrapada, além disso, o miúdo tem chegado atrasado ao colégio, às vezes, nem vai, tem problemas de comportamento.

Hoje, o Dr Gustavo leva o filho, vai ficar com ele temporariamente até que o caso vá a Tribunal, concluí o Dr Marcelo, os Serviços Sociais vão acompanhar o assunto, vão marcar uma entrevista.

Mas eles podem fazer isso? pergunta a Luísa e o Dr Leonardo suspira, a Luísa tem que obedecer, não pode fazer nada agora, responde.

Saio da sala, entro no quarto do Júnior, sorrio, vais passar uns dias com o Pai, explico, vamos fazer a mala? e o meu filho ri-se, encara a ida para minha casa como uma aventura.

A Luísa tenta conter as lágrimas quando se despede dele, deita-me um olhar cheio de rancor, mas tento não pensar nisso, não estaríamos nesta situação se ela seguisse as regras.

Mas Luísa nunca gostou de seguir as regras, contesta tudo e todos, torna-se cansativa.

A Clarinha faz uma festa ao Júnior, a minha Mãe fez-lhe os pratos favoritos e o jantar decorre descontraído, alegre.

A Clarinha convence o miúdo a ver televisão com ela, instalam-se na sala, eu fico na cozinha a conversar com a Mãe, o Pai ainda não chegou, o caso parece ser complicado e sabes como o Pai é, conta.

O que vais fazer agora? Como é que te vais organizar? Podes contar connosco, observa a Mãe e eu dou-lhe uma palmada na mão.

Eu sei, suspiro, o ATL do colégio continua aberto, ele pode passar os dias lá, esclareço, aos fins de semana, vamos acampar, andar de bicicleta, qualquer coisa que o interesse.

CONTINUA


1 comentário:

Cidália Ferreira disse...

Já se previa que a Luisa fosse ficar sem o filho. Porém pode ser temporariamente. É o que faz não obedecer a leis...
Gostei
-
Não saem os poemas com ousadia...

Beijos. Votos de uma excelente semana.