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O ANIVERSÁRIO PARTE IV

  A festa é um sucesso, as pessoas estão divertidas e quando o Gustavo apresenta os bilhetes de avião na altura em que cortam o bolo, alguém grita, vejam lá, não vá nascer um outro filho! A Carolina ri-se, Deus queira que não! Os cinco já me dão dores de cabeça suficientes para uma vida inteira! comenta e agradece efusivamente ao marido. A Teresa dá uma cotovela ao António, prepara-te que vou querer a mesma coisa quando fizermos 25 anos! e o companheiro sorri, tenho bastante tempo para pensar e prometo que vou ser original! É a vez da Teresa rir, mas ao reparar no ar sombrio do irmão, diz, estou muito preocupada com o Pedro! Acho que as coisas em casa não estão bem, mas sempre que tento falar disso, ele desvia o assunto! Acontece-me o mesmo e temos tido várias reuniões por causa do projecto, confessa o António, não quer mesmo falar sobre o assunto e sinto que ele está zangado, magoado! A Teresa suspira, será um problema com a Beatriz? Com o Miguel? Aquele miúdo é instável, repete, ...

O ANIVERSÁRIO PARTE III

  A última vez que falei com ele, continua o Gustavo, o Pedro estava muito cansado emocionalmente e penso que a Beatriz não o está a ajudar! A mulher volta a suspirar, eu sei, eu e a Teresa conversamos sobre isso noutro dia, diz, mas não sabemos bem como o ajudar. A Beatriz parecia ter uma visão positiva do Mundo, acho que foi isso que atraiu o Pedro, mas a maternidade modificou-a. Pois, culpa a miúda e temos novamente uma pessoa cheia de problemas, ri-se o Gustavo, mas no fundo, concorda com a mulher. A única pessoa que não vai ao jantar de aniversário é a Inês, os Pais contratam uma baby sitter e a Sofia, o Gonçalo e o Miguel ficam a fazer-lhe companhia A Maria Rosa fica em casa dos avós e a Carolina espera que não haja problemas, tens que te portar bem, ok? Inês, estás a ouvir a Mãe? pergunta e a filha dá-lhe um grande sorriso. Espero que aquela marota não faça das delas, comenta no carro, se calhar, quando chegarmos a casa, a baby sitter vai estar amarrada ou fugiu! O Gustavo r...

O ANIVERSÁRIO PARTE II

  A Inês rasgou o trabalho de casa do Edgar, explica o Matias, ele ficou furioso, tem que o entregar amanhã. Queria bater-lhe, eu não deixei e ele deu-me um soco. Escondo um sorriso, o Matias está ansioso, preocupado, mas a Carolina está muito séria. É a maneira correcta de resolver as coisas? pergunta, talvez não, atalho, mas vamos tentar resolver o assunto da melhor maneira. Trata do nariz do Matias, eu vou conversar com o inimigo. O Edgar está sentado numa cadeira no quarto, está de braços cruzados, muito sério. No meio do chão, estão umas folhas rasgadas, olho em volta, mas a principal suspeita deve estar escondida no quarto. Então, Edgar, o que é que se passa? e o meu filho olha para mim, desesperado, oh, Pai, tenho que entregar o trabalho amanhã, foi tão difícil fazê-lo, vou ter má nota! diz. Claro que não! Eu ajudo-te, qual é o tema? observo e o Edgar faz-me um resumo, ok, vamos ver o que podemos aproveitar... Ouve lá, porque é que não gravaste, não fizeste uma cópia? O Edga...

O ANIVERSÁRIO

  Quem diria que amanhã faço vinte e cinco anos de casado? E que tenho cinco filhos?  As pessoas fazem comentários engraçados, mas há quem diga que nos tempos que correm é uma irresponsabilidade. Não vejo porquê, os meus filhos são felizes e eu e a Carolina não queríamos que as coisas fossem diferentes. Claro que o nascimento da Inês foi uma surpresa, mas tivemos que nos adaptar como sempre fizemos. Não foi uma viagem pacífica, nos dois primeiros anos tivemos que viver num apartamento dos meus Pais e pouco tempo depois de nascer o Miguel, a Carolina foi despedida. Eu estava há pouco tempo numa nova empresa, tinha um contrato de seis meses e o ordenado da Carolina fazia falta. A minha mulher não desistiu, começou a fazer trabalhos de decoração como freelancer, sempre posso gerir o meu horário, dizia e dois anos mais tarde, abriu a empresa. Entretanto, eu fui promovido e conseguimos juntar dinheiro suficiente para comprar esta casa. Nesse ano, nasceu o Matias e no ano seguinte, ...

A PROPOSTA FIM

  Queres comer alguma coisa, Miguel? pergunta o Pai, o Miguel abana a cabeça, ok, lavar os dentes, fazer xixi e cama, diz o Pedro. O Miguel obedece sem uma palavra, queres que te leia uma história? sugere o Pai, mas o miúdo vira-lhe as costas. Valha-me Deus, repete o Pedro, está a ficar como a Laura. Tenho que falar com o médico e amanhã! Mas a manhã corre mal, a Maria Rosa faz uma birra, o Miguel não quer tomar o pequeno almoço e o Pedro desespera. Chegam atrasados ao infantário, o António telefona-lhe, há certos detalhes a esclarecer, pode passar pelo escritório dentro de quinze minutos? pede e o Pedro não hesita. Passa parte da manhã com o António, declina o convite para almoço, tenho uma reunião com a Administração do Grupo, explica, depois falo contigo. Vê que tem uma chamada do infantário, não tem tempo, se não conseguiram falar com ele, telefonam para a Beatriz ou para a Carolina. Não pensa mais no assunto, tem muita coisa a resolver, é um dia muito longo, está exausto quand...

A PROPOSTA PARTE V

  Pedro acaba por seguir o conselho do cunhado e marca um quarto num hotel perto do parque nacional que as irmãs recomendam. A Beatriz fica um pouco contrariada, mas gosta do spa, da caminhada e do passeio de barco. Estão os dois sozinhos, livres para conversarem, para rirem e simplesmente relaxar sem estarem preocupados com os miúdos. O Miguel está estranho, diz a avó quando o vão buscar, isolou-se, não brincou com ninguém. Passa-se alguma coisa? O Miguel tem medo do novo, não gosta de ver as rotinas abaladas, mas tens que aprender a lidar com isso, não é verdade, pá? responde o Pedro e a sogra suspira, será que o meu neto vai ser como a Mãe? A Beatriz não diz nada, também já pensou nisso, mas nunca discutiu o assunto com o Pedro, ele fica um pouco perturbado. A Maria Rosa faz uma festa quando vê os Pais, a Beatriz fica com ciúmes quando a Mãe lhe conta que a neta esteve sempre bem disposta, comeu e dormiu muito bem. Isto prova que podemos ir para fora mais vezes, afirma o Pedro, ...

A PROPOSTA PARTE IV

  A Beatriz não diz mais nada, o Pedro sente-se sufocado e resolve dar uma volta. Acaba por bater à porta da irmã, o cunhado convida-o a entrar no escritório, aqui estamos sossegados, ninguém nos incomoda, confidencia. Oh, pá, a minha sina parece ser conhecer mulheres neuróticas, desabafa o Pedro, primeiro foi a Laura com as inseguranças, depois foi a Guiomar que não queria ser " mãe" do meu filho e agora a Beatriz, uma psicóloga, alguém que teria uma mente mais aberta e atenta às necessidades dos outros, tem medo de deixar a filha com os avós. O Gustavo sorri, não vou dizer que o meu casamento com a tua irmã é perfeito, diz, mas tanto eu como a Carolina aprendemos a encontrar um equilíbrio para proporcionarmos aos nossos filhos um lar tranquilo... se bem que rapazes e a Inês sejam uns revolucionários e ponham tudo em pantanas... mas o que quero dizer é que se não estivermos bem como casal, os miúdos percebem e o ambiente fica tenso... Foi isso que lhe tentei dizer, observa o...