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O CONSELHO DE FAMÍLIA

  O Miguel telefona aos tios, o Avô está muito doente, os médicos receiam que não passe daquela noite. Quando o António e o Gonçalo chegam, a Laura está sentada à mesa da cozinha e a Avó também. O Miguel respira aliviado quando os vê, a Teresa e a Rita também decidiram vir. A Laura sorri-lhes, não diz uma palavra, está muito apática, sussurra o Miguel, faz o que se lhe pede, mas não mais do que isso! O António aperta-lhe o ombro, não te preocupes, diz o Gonçalo e apressam-se a cumprimentar a Mãe, tão frágil, tão assustada. A Teresa e a Rita olham uma para a outra, o ambiente está pesado, sentem-se um pouco perdidas. O Miguel conta aos tios tudo o que sabe sobre o estado de saúde do Avô, os filhos decidem ir até ao Hospital falar com o médico. A Rita convence a sogra a deitar-se um bocadinho, a Teresa organiza uma pequena ceia com a ajuda da governanta. A Laura levanta-se finalmente, vou ver se fecharam bem a loja, anuncia e desaparece no corredor que liga a casa à loja. O Miguel su...

EM CASA DA MÃE FIM

  Todos temos interesse em resolver a situação, diz o Pai, a Mãe ainda abre a boca para o contradizer, mas fica calada. A negociação é complicada, mas a conclusão é-me favorável, ou seja, a minha " base" é a casa do Pai. Terei que passar alguns fins de semana em casa da Mãe e almoçar sempre que ela estiver na cidade em casa da Avó. O que não será nenhum sacrifício, pois adoro a Avó e ups.... comento com o Pai, a comida dela é fenomenal!!! Ah, eu sou um mau cozinheiro? brinca o Pai, tens que aprender a cozinhar, talvez a tua comida seja também fenomenal... Rio-me, aprendi o básico quando estive no terreno com a ONG, esclareço, não sou uma " expert", mas não sou totalmente ignorante. Podias pedir lições à tua Avó, repete o Pai e eu fico a pensar se não será uma boa ideia. A Avó telefona-me, quer saber como correu a reunião, acho que a Beatriz fez muito mal, meter os advogados ao barulho, confessa, mas sabes como a tua Mãe é teimosa. Pois sei, concordo, ela queria sabe...

EM CASA DA MÃE PARTE IV

  O telemóvel do Pai toca, é a Mãe furiosa, acusa-o de ser tolerante demais, agora, ela julga-se dona de si própria, acha que pode fazer o que quiser, diz. Não, ela sabe que há limites a respeitar, que pode discutir qualquer coisa comigo, que encontraremos uma solução que agrade a todos, explica o Pai, pacientemente, mas a Mãe continua a desfiar queixas, sou intolerante, sou malcriada, enfim, tenho todos os defeitos do Mundo! O Pai suspira, tenta ser conciliador, a Mãe insiste que tenho que voltar para casa dela, estou a desafiar a ordem do juiz. Não, não está, interrompe o Pai, como ela te disse, tem dezoito anos e pode decidir, isto não fica assim, grita a Mãe, vou consultar o meu advogado, e desliga. Abano a cabeça, não quero acreditar na teimosa dela, quase nunca está em casa, se não fosses tu, as Tias e a avó Márcia, a minha infância será muito complicada, comento. Mas não foi, interrompe o Pai, não vamos falar nisso, vamos concentrar-nos no momento presente. O melhor a fazer ...

EM CASA DA MÃE PARTE III

  Maria Rosa, não admito que me fales assim! repete a Mãe, sou tua Mãe, quero saber o que andas a fazer. Não, estás a vigiar-me, queres controlar o que eu faço, respondo, Mãe, tenho dezoito anos, estive seis meses fora e nenhum mal me aconteceu! Foi contra a minha vontade, diz a Mãe, o teu Pai insistiu, às vezes, aquele homem é mesmo idiota! Não admira que o Miguel seja uma pessoa problemática. Sempre o tratou com paninhos quentes! O meu irmão é uma excelente pessoa, friso, não sabia que eras defensora de violência! Não distorças as minhas palavras, pois não foi nada disso que eu disse! exclama a Mãe, voltando à questão, quero saber qual é o teu horário, quem são as tuas amigas! Mãe, tenho dezoito anos, não vou fazer nada disso, tens que confiar em mim, interrompo, e sabes que mais? vou para casa do meu Pai! Que idiotice! Também tens que passar uma temporada aqui na minha casa, exijo que fiques, protesta a Mãe e eu olho-a por uns segundos. Não, tenho dezoito anos, posso escolher on...

EM CASA DA MÃE PARTE II

  O ambiente está de cortar à faca, confesso ao Miguel, estamos no gabinete dele, sei que ele não gosta que eu apareça sem avisar, mas eu preciso de falar. A Tia Teresa é uma boa ouvinte, mas sinto-me mais à vontade com o meu irmão para discutir os devaneios da minha Mãe. O Miguel não responde, estende-me a caixa dos lenços de papel, hoje estou muito emotiva, confesso que não entendo a minha Mãe, nem porque me quer por lá, esta semana só a vi ao pequeno almoço. Está sempre muito ocupada! repito. Não sei verdadeiramente o que te dizer, responde o Miguel, a Beatriz parece ser uma workacholic, já o era quando estava com o Pai. Deve estar pior agora, interrompe, e depois aquele marido dela.... não gosto do tipo nem por nada...Ainda por cima, tem uma opinião sobre tudo... Pois, a Beatriz também tinha uma opinião sobre tudo, eu não gostava nada e respondia-lhe à letra, diz o Miguel, era cada discussão...depois, fui para o colégio interno! Foi por causa da minha Mãe? pergunto, o Miguel en...

EM CASA DA MÃE

  Tenho que passar uma temporada em casa da Mãe, anuncio nessa noite ao Pai que me olha surpreendido, ela está cá? Não estava em França a fazer um workshop? pergunta. Já voltou, respondo, ela e o seu adorável marido, Maria Rosa, repreende o Pai, não fales assim do marido do teu Pai. Mas ele parece um cachorrinho, está sempre pronto a fazer-lhe as vontades, protesto, até enjoa tanto...nem sei bem como classificar. É o marido da tua Mãe, respeita-o, aconselha o Pai, a vida será mais fácil se o fizeres! Aqui estou no meu quarto, enorme, decorado em tons de azul e branco, um quarto de princesa, troça a Amélia, uma amiga que veio estudar comigo uma tarde. O resto da casa parece um museu, cheio de antiguidades valiosas e uma das grandes paixões do meu padrasto. A Mãe bate à porta, foi um tema que discutimos bastante, sempre detestei que as pessoas entrassem no meu quarto sem se fazerem anunciar, mudarem os objectos de sítio sem me perguntarem a opinião. Por fim, a minha Mãe compreendeu a...

MARIA DA LUZ FIM

  Durante a viagem, não falamos na noite passada, o Zé Guilherme deixa-me em casa com um " amanhã no escritório às nove" e arranca. Não acendo as luzes, fico sentada no escuro, a tentar perceber o que aconteceu, o telemóvel toca, vejo que é a Maria Rosa, mas não atendo. A Júlia aparece sem prevenir, diz que a Isabel lhe contou a minha última conversa com o Pedro, quer saber se já esclareci o assunto. Abano a cabeça, a Júlia suspira, mas tens que conversar com ele, afinal, o que é que tu queres? insiste. Não sei, grito, ainda por cima...e calo-me, ainda por cima o quê? insiste a minha irmã, o que é que aconteceu? Acabo por lhe contar a minha noite " escaldante", apesar da sua irreverência, a Júlia parece chocada, oh, pá, tu já não tens idade para fazer este tipo de coisas! Se estás confusa, não sabes se é isto que queres, fala com o Pedro, parece ser um homem acessível...não durmas com o primeiro que te aparece! Não foi nada disso! repito, mas no fundo, sei que foi e...