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O VIDRO DA PORTA - PARTE II

Eu e a Sofia varremos os vidros enquanto o Amadeu desce à arrecadação para ver se encontra alguma coisa para tapar o buraco. Acha que a empresa que os rapazes contactaram não vai resolver o problema. Também tenho a mesma opinião, mas não quero desapontar os rapazes. Foram muito correctos: assumiram a culpa e tentaram ajudar. O António está sentado nas escadas a fumar um cigarro. Sofia olha-o de vez em quando; parece nervosa, distraída. Proponho fazer um chá enquanto esperamos. Os homens recusam; o Amadeu encontrou uma placa de madeira e os dois querem ver se a conseguem pregar. Sentamo-nos na cozinha. Vamos passar o resto da noite acordados...  Revejo mentalmente a minha agenda; talvez possa adiar a reunião para a tarde. " A Luisa trabalha em quê? " pergunta-me a Sofia. " Tenho uma pequena empresa de serviços. E, a Sofia? " questiono-a.  " Sou recepcionista num gabinete médico. Em part-time, mas fizeram-me uma proposta para...

O VIDRO DA PORTA

" Estou aborrecida... " suspiro e viro-me.   Não encontro uma posição confortável na cama e acabo por me levantar. Uma da manhã! Levanto-me dentro de cinco horas e estou com insónias! " Mas aborrecida porquê? " pergunta-me aquela vozinha que ninguém mais escuta. Só eu... Em noites como esta em que acho que sou a pior pessoa do Mundo. " Quase toda a gente tem dias assim! Porque é que tu hás-de ser diferente?" insiste a vozinha. Mas varro essas considerações da mente quando ouço uma porta a bater com tanta força que alguma coisa parte. " O que se passa? " e saio para o patamar.  Viver no rês-do-chão tem os seus inconvenientes. Ah, são os estudantes do quinto andar que partiram o vidro da porta da rua. Vêem-me e apressam-se a pedir-me desculpa. " Desculpe... A porta fugiu-me da mão... " diz um. " Pois e agora? Já viram as horas que são? " pergunto " O que vamos fazer? Isto é um...

BERNARDES - FIM

" Conclusão: acham que sou novo demais para ser promovido a Inspector!" comunico ao Tavares e ao Torcato quando nos encontramos no café ao fim da tarde. " Será que posso pedir transferência para os Crimes Informáticos?" pergunta o Tavares. " E a minha para a Brigada Anti-Fraude? " suspira o Torcato. " Temos que esperar. O Mateus diz que o chefe ainda não tomou uma decisão... O mais certo é sermos incorporados noutra unidade. Ai, Leandro, Leandro, porque é que tinhas que morrer? " resmungo. " Porque é que te chateaste com este? " questiona o Tavares. É muito frustrante trabalhar assim... sem saber exactamente o que vai acontecer com o fim da investigação. Que prova que o Inspector Leandro nos treinou muito bem...  Mas não pesa na decisão do Chefe. Aceitam o pedido de transferência do Tavares para os Crimes Informáticos e o Torcato vai para os Crimes Violentos. Eu ???  O Inspector Mateus pede para...

BERNARDES - PARTE V

Quando regresso, dizem-me que o Inspector vai ser transferido e o Inspector Mateus tomará conta da investigação. Provisoriamente, acrescentam, sem mais explicações. O Torcato encolhe os ombros e o Tavares limita-se a passar-me as notas. Porque eu tenho razão: o local onde foi encontrado o corpo era uma casa "segura" do Gangue da Paixão, mas tem estado abandonada, porque a Brigada Anti-Droga fez lá uma rusga e apreendeu vários quilos de heroína e alguns milhares de euros. Onde opera agora o Gangue da Paixão, a Brigada ainda não descobriu, mas, atendendo à forma violenta como o homem morreu, tudo leva a crer que foi um ajuste de contas. " Dizem que são brutais." comenta o Tavares. " Já foi identificado? " " Ainda não! Mas pode estar relacionado com o Gangue, porque um dos meus contactos disse - me que houve uma luta entre os da Paixão e da Boa Vida." comenta o Torcato. " Luta pela rota ou pela zona? " pergunt...

BERNARDES - PARTE IV

Os dias são enfadonhos na unidade a rever pormenores já confirmados e é com alívio que tomamos conta de um novo caso. O local do crime não é me estranho e confesso ao Torcato que poderá ser uma boa ideia contactar a Brigada Anti-Drogas. " Houve qualquer coisa relacionado com aquela casa no ano passado. Tenta saber se pertence a algum gangue, se há alguma guerra... enfim, tudo o que puderes saber." digo. " Ainda não sabemos quem é!" interrompe o inspector " Temos que esperar pela autopsia. Eu já disse que sou eu quem decide como a investigação vai ser feita!" " Mas aquele é um local conhecido por guerras de gangues e droga! É uma linha a seguir!" explico. "NÃO! JÁ DISSE QUE NÃO! VAMOS ESPERAR PELA AUTOPSIA!" grita o inspector. " Mas o que é que quer fazer então? Não diz o que pensa, veta toda e qualquer ideia, obriga-nos a rever detalhes que já foram verificados... temos uma pessoa morta num local que sabem...

BERNARDES - PARTE III

" Nem o Inspector Leandro permitia! " contraponho " Mas consentia que seguíssemos a nossa ideia. Até certo ponto, porque a última palavra era dele, mas permitia que explorássemos outras linhas de investigação." O novo Inspector fica muito sério e repete: " Eu comando esta unidade e determino o que se faz. Estamos entendidos? " e faz-me sinal para sair. Como se eu quisesse ficar no gabinete mais um minuto! Ao fim da tarde, antes de irmos para casa resolvemos ir até ao café perto da esquadra. " Vamos ter sérios problemas com este idiota!" diz o Tavares. " Tem cuidado com a língua!" aconselha o Torcato " Mas não posso negar que tens razão! Vamos perder tanto tempo a confirmar aqueles depoimentos! Não sei o que ele quer fazer!" " Eu também não!" confesso " Ele é que comanda a unidade e ai de quem o desafiar... foi muito claro nisso!" " Que é que vais fazer? " question...

BERNARDES - PARTE II

O novo inspector interrompe o silêncio desconfortável.  Tem uma voz baixa, educada, mas um pouco ríspida. " A morte do Inspector Leandro foi um choque para todos. Contudo, temos que superar esta situação e não deixar que a equipa fique à deriva. Tenho a certeza de que, juntos vamos fazer um bom trabalho. Reunião no meu gabinete dentro de uma hora para actualização."  e entra no antigo gabinete do Leandro. " D eriva... uma ova! " comenta o Tav ares " Somos profissionais!" " Juntos vamos fazer um bom trabalho!" imita o Torcato, acrescentando " Dandy!" " Calem-se! Como diz o Tavares, vamos ser p rofissionais! Quem sabe? Pode ser tão bom como o Inspector Leandro ." observo, mas tenho as minhas dúvidas. O no vo Inspector cansa-nos com detalhes e constantes pedidos de e xplicação. Leandro era exigente, mas estava aberto a sugestões e ouvia-nos sem interromper como este. " Não estou a entender! Foi uma pe...