MIGUEL PARTE VI

 

A tua irmã está grávida novamente e eu não quero ter esse filho, explica calmamente e cala-se.

Estou confuso, digo, não querias ter mais filhos? e o Tadeu suspira, claro, só que não os quero ter com a Filipa.

O QUÊ? Agora é que não estou a entender nada, respondo, que história é essa e explica tudo devagarinho! Encontraste outra mulher? Queres estar com essa mulher? A minha irmã sabe?

É uma colega de trabalho, conta o Tadeu, estamos na mesma equipa de trabalho, sabes como é...

Não, não sei como é, interrompo, mas continua e o Tadeu continua calmamente, ficávamos até tarde no escritório, conversávamos muito. A Filipa estava ocupada com a Matilde, com o trabalho dela, estava sempre cansada, mal nos víamos.

Talvez não fizesses um esforço para contrariar isso, exclamo, talvez também não tenhas escutado a Filipa...talvez os dois não se tenham esforçado, concluo, e o que pretendes fazer? Divórcio?

A tua irmã quer fazer mais uma tentativa, acha que o devemos a esse filho, explica o Tadeu, mas eu não quero! Quero terminar tudo o mais rapidamente possível!

Dito assim parece muito fácil! Desapareces com a tua nova amiga e a minha irmã fica sozinha com duas crianças! observo, bem dizia o Edgar que não eras de confiança!

A Filipa não vai ficar sozinha! replica o Tadeu violentamente, é meu filho, vou estar presente! Só não quero estar com a Filipa, é muito simples!

Não, não é, grito, estás a magoar a minha irmã, estás a magoar a família inteira!

Não tenho que te dar explicações! reage o Tadeu, acho que chegamos! Não vou esperar por ti, desenrasca-te quando saíres.

Saio do carro meio atordoado, ele arranca de imediato e eu respiro fundo por uns minutos, tenho que me concentrar na entrevista.

A proposta não é aliciante, o ordenado é mais baixo e não gosto muito da pessoa que me entrevista.

Despeço-me, damos notícias dentro de dias, confirmam e peço à recepcionista o favor de me chamar um táxi.

Dou a direcção da casa dos meus Pais, preciso de falar com alguém sobre a revelação do Tadeu.

Ah, ainda bem que o Pai está em casa! confesso quando o vejo sentado no escritório a ler o jornal, temos que falar, mas não quero que a Mãe ouça! Não a quero preocupar!

O Pai fica logo alarmado e ouve-me atentamente.

CONTINUA



Comentários

Elvira Carvalho disse…
Embora sem comentar, continuo a acompanhar com muito interesse.
Abraços saúde e um Natal muito feliz

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