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A REFORMA PARTE III

  Não vamos falar de coisas tristes, atalho, o Telmo está a pensar em reformar-se. O quê??? a Rita está espantada, não vejo o Telmo a passar os dias em casa, a ler o jornal. Nada disso, interrompo, ele quer reduzir a actividade presencial, ser mais consultor. Hum, a Rita não parece convencida, quando teve o ataque cardíaco, também prometeu reduzir e acabou por se empenhar ao máximo na investigação dos casos, diz. Suspiro, tenho que confiar nele, respondo, se ele o fizer, eu também reduzo a minha colaboração na loja, pelo menos, no catering. É a parte que menos gosto! confesso, terei que combinar com a Teresa, ela quer passar mais tempo na vila. Porque é que não compras uma casa lá? sugere a Rita, o Gonçalo adora lá estar, este Verão, a Francisca vai passar uns dias a Inglaterra e nós resolvemos ficar lá. Não sei, replico, nunca falamos nisso... A vila ainda se torna propriedade da família! e a Rita ri alto. Mas quando discuto o assunto com o Telmo, ele não fica muito entusiasmado c...

A REFORMA PARTE II

  A Clarinha quer saber tudo sobre o nosso fim de semana, descreve o dela em pormenor, faz-nos rir. Com isto, quero falar-vos do meu novo projecto, remata e tanto eu como o Telmo ficamos alarmados. Nem pensar em sair do País, interrompe o Telmo, já recuperaste a mobilidade quase na totalidade, mas tens que ter calma, nada de viagens para sítios exóticos! Nada disso! apressa-se a Clarinha a esclarecer, propuseram-me um lugar de monitora num acampamento ecológico para miúdos entre os seis e os doze anos! Tenho vasta experiência com miúdos, acrescenta com um sorriso. Sorrio aliviada, mas o Telmo ainda não está convencido, quer mais detalhes, oh, Pai, o objectivo é o miúdos perceberem a natureza, saberem como a podem preservar, explica a minha filha, o acampamento é perto da quinta dos Pais do António, já falei com ele, quero saber se posso levar lá os miúdos. Será aconselhável? pergunto, ao que eu sei, a Laura continua internada, mas pode estar nessa altura e pode haver um choque... T...

A REFORMA

  Finalmente! declaro enquanto me deito em cima da cama, tempo para mim! O Telmo ri-se, acaricia-me a mão, estás a falar a sério? pergunta e eu rio-me também. Sim, a Clarinha está a recuperar bem, o Gustavo e o Júnior entraram finalmente numa rotina e a Matilde e o Bernardo tomaram uma decisão sensata, contratar uma governanta. Como é que tiveram 4 filhos em tão pouco tempo...explico. O Telmo suspira, é bom ver como a Matilde controla agora a vida dela, houve ali uma altura em que me preocupei seriamente com ela, diz. Não vamos falar do passado! interrompo, creio que posso dizer que somos duas pessoas sensatas, que tomamos as decisões adequadas e ajudamos os nossos filhos! Este fim de semana é para nós... O meu marido volta a rir-se, há muito tempo que não o via assim tão descontraído e é ao jantar num restaurante simpático na vila que me conta estar a pensar em " desligar-se" do trabalho efectivo no Departamento e "ficar-se" apenas pela actividade de consultor. Esp...

GUSTAVO FIM

  Talvez por ter sido uma criança rebelde, a Clarinha sabe falar com o meu filho e torna-se o meu maior apoio. O rapaz torna-se mais civilizado, a Clarinha brinca comigo, diz que sou um "pai tirano", ele só estava assustado, acrescenta, tens que ter paciência, tens que falar verdadeiramente com ele e dá-me uma palmada nas costas. Quem diria, que a Clarinha se tornaria tão sensata? confesso à Matilde, mas a minha irmã suspira, não é apenas sensatez, diz, é experiência de vida. Estiveste presente, sabes tão bem como eu os problemas que houve! Quando a audiência é marcada, posso dizer que a relação com o Júnior está mais civilizada, ainda temos um longo caminho pela frente, mas já obedece, fala mais e descubro que é bastante brincalhão. A Luísa faz-lhe uma grande festa quando o vê, o Júnior fica um pouco desconfortável, mas senta-se com todo o aprumo ao lado da Assistente Social. A audiência é breve, o juiz está de posse de todos os factos, considera que o melhor para o Júnior n...

GUSTAVO PARTE V

  O Gustavo Júnior não quer tomar banho, não quer dormir, faz uma cena sempre que o contrario. Perco a paciência, os livros aconselham o diálogo, mas não está a resultar e por isso, dou-lhe uma sapatada. O Júnior berra mais alto, tenta sair do quarto, mas eu impeço-o e como está cansado, acaba por adormecer. Na manhã seguinte, a cena repete-se, acabo por lhe dar dois açoites, entrego-o a uma auxiliar que o convence a ir brincar com os outros meninos. Diz-me a educadora ao fim do dia que ele pouco participou nos jogos, foi um pouco agressivo com os outros meninos, explico-lhe por alto o que está a acontecer. Oh, rapaz, não podes continuar a comportar-se desta maneira, aviso, não é nada cool! e o Júnior deita-me a língua de fora, suspiro. Prevejo tempos muito complicados e quando almoçámos no parque com a Matilde, o Bernardo e a prole, confesso que não sei o que fazer. Tens que ter paciência, aconselha a Matilde, pelos vistos, a Luísa deixava fazer o que ele queria, tu és o inimigo, ...

GUSTAVO PARTE IV

  Mas eu não respondo, não sei o que vai acontecer, não sei se separar o filho da Mãe é uma boa ideia. A Luísa entra em pânico quando vê cinco pessoas à espera dela no átrio do edifício onde mora, tinhas que fazer isto? acusa-me, mas o Dr Leonardo convence-a a deixar-nos entrar. Não vamos discutir o assunto em público, pois não? e a Luísa deixa cair as chaves tão atordoada está. Sou eu quem abre a porta, lá dentro ainda reina a confusão, mas a sala está mais ou menos arrumada e a Luísa senta-se. O meu filho está contente por me ver, mas pressente o nervosismo da Mãe e olha-nos desconfiado. É melhor ires brincar para o teu quarto, aconselho e a assistente social vai com ele. O que é que se passa? repete a Luísa, queres fazer o favor de me explicar o porquê deste circo? e eu coro violentamente, sinto vontade de lhe bater. O Dr Marcelo faz-me sinal para estar calado, tenho que manter a calma, penso, o objectivo dela é enervar-me e isso não pode acontecer! Os dois advogados expõem os f...

GUSTAVO PARTE III

  A situação é delicada, avisa o meu advogado, mas o caso está já sinalizado e não vejo razões para não resolvermos isto rapidamente. O que é que vamos fazer agora? pergunto, amanhã, eu, o Dr Marcelo, responde o advogado da minha ex, o senhor, uma funcionária do Tribunal e a delegada dos Serviços de Protecção de Menores faremos uma visita à Luísa para discutirmos o assunto. A Luísa não sabe de nada, interrompe o Dr Marcelo, antecipando a minha pergunta, sinto-me como se fosse roubar o meu filho, confesso. Não estás, e o Pai é brutal no comentário, a Luísa desrespeitou o acordo da custódia, tem que responder por isso. Não quero...eu sei que não quer, Dr Gustavo, interrompe o Dr Leonardo, mas o que está aqui em questão é o bem estar do seu filho e eu também tenho que zelar por isso. É a via que temos que seguir. Aceno com a cabeça, combinamos tudo para o dia seguinte, o Pai respeita o meu silêncio no carro. Infelizmente, diz quando chegamos a casa, vejo muitos casos assim, são compli...