OS AMANTES PARTE IV

Não hesito; entro também no autocarro, tendo cuidado para que o Joaquim não me veja. 

O autocarro está cheio e toda a gente protesta contra o atraso.

O Joaquim continua impaciente, a olhar para o relógio e para o exterior.

Murmura qualquer coisa que não consigo ouvir, mas agora entramos numa rua onde o tráfego não é tão intenso e o autocarro acelera. 

Fico surpreendido quando o Joaquim saí no Largo das Universidade, mas depois lembro-me de ter ouvido o tio Manuel comentar que a Catarina tem uma empresa de consultadoria num destes edifícios modernos. 

Tenho uma outra ideia brilhante: será a empresa da Catarina uma fachada para a lavagem de dinheiro e o Joaquim é um dos sócios? 

Mas agora não posso pensar nisso; tenho que andar depressa ou perco o Joaquim que entra confiante num dos edifícios.

Entro juntamente com um grupo ruidoso e poucos metros à minha frente, vejo a Catarina toda sorridente a cumprimentar o Joaquim. 

À minha direita, há uma papelaria e eu escondo-me. Vejo-os através da montra e a conversa parece ser muito íntima.

O Joaquim diz qualquer coisa que a faz rir e atravessam calmamente o átrio.

Sigo-os, mas eles entram num elevador. “ Bolas!” sussurro e olho à minha volta, tentando perceber que tipo de edifício é.  

Há um balcão de informações em frente da porta principal, mas de nada me serve, se não sei o que perguntar.


CONTINUA


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