O PROBLEMA DO GONÇALO

 

Quando as coisas correm mal...correm mesmo mal, não importa o que a Mãe diz.

A situação no Centro Desportivo não está famosa, até pedi ao Pai para fazer a revisão de contas e como se não bastasse, a minha companheira decide que está na altura de voar mais alto e quer separar-se.

As condições que me oferecem são excepcionais, explica, vou ser a Directora de Operações, responsável pela logística da empresa, não entendes isso, Gonçalo?

Entender, entendo, mas o problema é que terá que se mudar para a cidade onde está a sede da empresa e quer levar os nossos filhos.

Vêm cá passar os fins de semana de quinze em quinze dias, continua a Alice, a viagem de comboio dura hora e meia e passam o Verão todo contigo, não vejo qual é o problema?

Pois... mas eu gosto de jantar com eles, falar sobre o que se passou na escola e ler-lhes um capítulo do livro de aventuras.

Quando lhes falo no assunto, a Alice já lhes contou, embora tivesse discordado, devíamos ter sido os dois, contesto, mas a minha ex encolhe os ombros, os miúdos pouco falam.

Temos mesmo que ir? interrompe o António, calmo, sereno, cópia quase perfeita do avô e a Alice inclina-se para a frente, curiosa.

A Mãe aceitou um novo emprego, vai ser um novo desafio para ela, respondo, e vai ser óptimo para vocês, nova  cidade, novos desafios e vão passar comigo os fins de semana de quinze em quinze e as férias de Verão.

Mas que mal há em ficarmos cá? insiste o meu filho mais velho, a Mãe não pode encontrar um novo emprego aqui?

Abano a cabeça, claro que sim, mas às vezes, surgem oportunidades que não podemos ignorar e a tua Mãe acha que está na altura de arriscar, por isso, temos que a apoiar....

A Alice dá-lhe um encontrão, anda lá, tenta, pode ser divertido, observa, é como o Pai diz, passamos os fins de semana e as férias de Verão com ele...

Mas o irmão não está muito convencido e suspiro, será que vai ser um problema? confesso mais tarde ao Pai.

CONTINUA


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