O PROBLEMA DO GONÇALO PARTE II

 

É tudo uma questão de tempo, diz o Pai, eles próprios têm que descobrir isso e tu mostra-te receptivo, aconselha-os se tiverem dúvidas, deixa-os crescer.

É complicado vê-los partir, fico no passeio até o carro desaparecer e depois volto para a minha casa vazia.

Vazia é como quem diz, a Mãe descobriu a chave sobresselente e está a arrumar a cozinha, a Sofia na sala a dispor os móveis.

Eu ia fazer isso, protesto e a Mãe ri-se, quando? pergunta e continua a arrumar, encolho os ombros e abro o frigorífico para tirar uma cerveja.

Está cheio de alimentos, oh, Mãe, comprou isto tudo? exclamo e a Mãe volta a rir-se, já sei que só ias comer take-away, assim não tens desculpa!

E, os miúdos? interrompe a Sofia e eu encosto-me ao frigorífico, encolho os ombros, não estão muito convencidos, não sei se se vão adaptar e não sei o que fazer se isso acontecer.

O melhor a fazer é manter a calma, ouve-os, aconselha-os, repete a Mãe e eu suspiro, sim, foi isso o que o Pai disse.

O teu Pai é um homem sensato, diz a Mãe, como é que ele está? Agora que o Gonçalo vai viver com a Clotilde, quais são os planos dele?

Não temos falado nisso, comento, mas acho que o Gonçalo não vai ficar na vila, a Clotilde prefere ficar na cidade e estão a procurar uma casa, se não aqui, nos arredores da vila.

Que bom para eles! Fico muito contente por ele, observa a Mãe, ainda bem que encontrou alguém com quem se identifica!

Mas a Francisca ainda não aceitou completamente, a Sofia volta a interromper, mas as pessoas são diferentes, a Rita era uma mulher excepcional e a Clotilde também o é noutro sentido. A Francisca tem que se esforçar...

Claro que sim, concorda a minha irmã, agora vem ver o que fiz à tua sala e ao teu quarto e arrasta-me até aos aposentos em questão.

Não posso negar que estão simples e confortáveis tal como gosto, sabes bem como eu gosto das coisas, elogia.

A Sofia cora um pouco, ora, és meu irmão, achas que não sei do que gosto? contrapõe.

CONTINUA


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