Dizes que o meu poema é intimista. Talvez seja. Hoje, sinto-me assim. Triste, desanimada. Por fora. Por dentro, à escuta. 2º À escuta ou à espreita? Do momento certo? Do meio dos sons urbanos, quase ensurdecedores, agressivos, filtrar, identificar a tua voz? O meu poema é, mesmo, intimista. Foto de Ciem Dan "Sparkle" Textos protegidos pelo IGAC - Cópias proibidas Texto já colocado no WAF
O meu irmão escuta atentamente tudo o que tenho para dizer e quando termino, respira fundo, acho que deves marcar a tal reunião para acertarem detalhes para a venda. Mas porquê? protesto, gosto da zona, também a paguei, mas o Bernardo abana a cabeça, é melhor para todos, repete. Quando nos despedimos, prometo marcar uma reunião com os advogados e com o Ramiro e ele dá-me o nome de um amigo que trabalha numa imobiliária. Pode ajudar-te a encontrar um T1 em conta na zona que queres, mas eu ainda não sei valores, interrompo, mas o Bernardo insiste em ter todas as opções em aberto. É a primeira vez que vejo o Ramiro em dois meses, cumprimenta-me educadamente, mas mantém uma distância, ainda não compreendi muito bem o que causou a separação. O meu advogado, pois fiz questão que a reunião fosse no escritório dele, convida a sentar-nos, servem-nos café e água. O Ramiro pede licença para falar primeiro e enquanto expõe a visão, percebo que até já tem um comprador em vista para casa. Ente...
Tenho frio E uma tristeza que me magoa a alma e liberta-se na voz. Nestas noites de tempestade deito-me a horas tardias. Escondo-me em sonhos antigos e deixo que o tempo desfile à minha frente. 2º Não sei como o tempo se sente. Se irónico, se vitorioso. Sei como me sinto nessas horas vazias, em que a tempestade tortura a noite. Foto de Heliz "Era aos domingos" (Olhares) Textos protegidos pelo IGAC - Cópias proibidas
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